A História de Nós Dois
7 A Amarga Mágoa e o Doce Desejo
Notas iniciais

Cap 7 — A Amarga Mágoa e o Doce Desejo
Milo e Camus se apressaram, certamente só faltavam os dois e logo alguém viria á procura deles. Precisavam ter o máximo cuidado para não levantarem suspeitas.
Ao chegarem á mesa da sala de jantar para o desjejum em família, foram surpreendidos por Gerrard, que sentado á cabeceira os encarava visívelmente bravo.
— Camus e Milo. Já estou sabendo do que andam fazendo
O patriarca falou em tom duro. Camus sentiu sua alma ser levada, Milo sentiu seu coração parar de bater. Os dois já se imaginaram condenados e mortos. Anete e Krest olhavam sérios para eles. Natassia tinha angústia nos olhos. Milo e Camus estavam tão apavorados que não conseguiam se mover.
— Pa...pai, deixa eu explicar. Eu...
A voz de Camus saía trêmula, mas foi interrompido pelo pai
— Quantas vezes eu tenho que dizer para não irem naquele antro?? Lá sempre sai briga!! É cheio de piratas desocupados, de gente atoa, mulheres da vida, ladrões e assassinos se escondem lá, até gente com lepra e peste aparece lá!! Por Deus, Anete dá um jeito nesses meninos!! Isso é culpa sua!! Olha aí, estão machucados, um na testa e outro na boca! Filhos, meus filhos, me prometam não voltar mais lá. Prometam pro papai Garret! Prometem?
Camus respirou o maior alívio de sua vida, Milo estava a ponto de desmaiar e sentou-se para não cair, já estava se vendo morto e enterrado. Sentaram-se, recobrando a calma.
— Senhor Gerrard a culpa foi minha, eu comecei a briga toda — Milo tentava não tremer tanto ao falar — me perdoe, não vai mais acontecer.
— A culpa não foi só dele, eu também briguei. Nos perdoe pai.
Camus também pedia. Gerrard abriu um sorriso desculpando os rapazes e pediu que comessem. Krest olhava para eles rindo e sussurrou no ouvido de Camus
— Tinha que ver sua cara de pavor Camus, ficou ainda mais branco do que cera, achei que ia morrer de susto!
O moreno ria e Camus o olhava sério, queria enforcar Krest por zombar do momento em que quase viu sua morte chegar prematuramente. Se Gerrard descobrisse sobre ele e Milo, certamente não falaria nada na mesa de café da manhã, mas chamaria os dois para uma conversa nada simpática com uma arma apontada para suas cabeças. Naquela época a honra de um homem e sua familia estava acima até mesmo do amor de um pai.
**
Depois que todos saíram da mesa, Camus convidou Natassia para ir até a biblioteca, discretamente. Preferia estar em seu território, se sentiria mais seguro para o que precisava fazer.
A menina o seguiu até lá, com o peito palpitando de felicidade por, pela primeira vez, ter sido lembrada por seu noivo para algo. Normalmente era sempre ela quem o chamava, ou os seus sogros que inventavam coisas para eles fazerem juntos, estas ideias jamais partiam de Camus e agora, finalmente, ele a chamava para algo. O ruivo sempre lhe parecia distante e indiferente.
Educadamente ele pediu para que ela se acomodasse numa das poltronas e sentou-se em um banco de frente para ela, para poder olha-la nos olhos. Camus logo notou como os olhos de Natassia eram absurdamente iguais aos de Milo, não só na cor, mas no formato. Parecia estar olhando para ele, para o próprio irmão mais velho de sua noiva. Mas concentrou-se, pensando em Milo não conseguiria falar nada, então adotou sua postura focada e séria para aquela conversa.
— Natassia, eu serei direto. Nosso casamento será um mal passo, não devemos fazer isso.
A mocinha assustou-se levando as mãos á boca, sem saber exatamente como reagir, sua voz saiu trêmula
— Mas Camus...porque diz isso?
— Não é possível que não tenha percebido que não existe amor entre nós dois. Me perdoe, mas eu não a amo, não te escolhi e acho que na realidade nem precisaria te dizer isso, creio ser bem nítido.
— Ma...mas estávamos prometidos um ao outro, nosso casamento será em poucas semanas — ela sentia suas pernas fraquejarem, mesmo estando sentada
— Natassia — Camus suspirou, tomando ar — essa escolha foi feita quando éramos muito pequenos e é injusta por não podermos nós mesmos escolher nossos destinos. Tenho certeza que você também gostaria de poder escolher seu noivo, estou certo?
A jovem loira o olhava assustada, aquelas palavras eram inesperadas e a pegaram de surpresa. Seus olhos marejaram, assim como os de Milo, ficavam ainda mais azuis quando vertiam lágrimas
— Mas, eu escolheria você para ser meu noivo...eu me apaixonei assim que o vi, Camus. Mas se não quer meu amor, o que posso fazer?
Agora era Camus a ficar surpreso. Não esperava que Natassia tivesse se apaixonado de verdade por ele
— Talvez esteja confusa, de certo não conheceu muitos homens e está idealizando algo além do que realmente sou. Não sou nenhum príncipe, vai se desiludir e sofrer se ficar ao meu lado. Estou te avisando em nome do carinho e do respeito que tenho por você e sua familia.
Camus falava calmamente, mas com certa seriedade. Não haveria como ser de outra forma. A loira fez uma pausa e fitou seu noivo agora um tanto mais séria
— Penso que meu irmão é um belo ideal de homem, não acha? — Natassia agora tinha um tom um tanto desafiador que Camus não conseguiu decifrar, aquela pergunta parecia dúbia e perigosa
— Seu irmão é uma excelente pessoa e um grande amigo, assim como foram nossos pais. Não compreendo onde quer chegar.
Camus respondeu polidamente sem demostrar qualquer embaraço, permanecia encarando-a enquanto Natassia também o analisava. Até nisso ela sabia ser exatamente igual ao irmão. Depois de alguns segundos ela finalmente quebrou o silêncio
— Eu aprendi a amar você Camus, mesmo em tão pouco tempo. O amor não se explica, ele acontece. Mas eu não vou te obrigar a nada, no que depender de mim, não nos casaremos. Vou fazer o possível para que você não seja obrigado a me desposar, já que não é isso o que quer. — a fala de Natassia agora continha mágoa e seus olhos marejavam
— Folgo em saber que me entendeu. Perdoe-me se acabo por magoá-la, mas é melhor a sinceridade desta conversa do que uma vida inteira infeliz e sem esperanças.
Ao fim, uma lágrima rolou no rosto da jovem que saiu deixando Camus com o pesar de te-la magoado. Mas satisfeito de ter conseguido o que pretendia. Talvez Natassia conseguisse impedir o casamento de acontecer.
Sabia que agora ela correria para os braços do irmão mais velho, Camus sabia que agora Milo teria a difícil missão de consolá-la e ajudar a curar a ferida daquela rejeição.
**
Milo observava o sol de outono que iluminava as flores através da janela do quarto, inquieto e ansioso, esperava que um dos dois o procurasse para saber o resultado daquela difícil conversa. Eis que Natassia entrou ventando, visívelmente nervosa e com os olhos inchados. Milo sabia exatamente o motivo antes mesmo de ela verbalizar.
— Natassia!
— Milo! Por favor.... — ela se jogou aos braços dele, dramática — Camus não quer casar-se comigo. Ele não me ama e não me deseja, irmão, não posso me casar com ele. Não posso...
— Natassia, querida, se acalme...
Milo estava sem ação, sabia o que Camus iria fazer, e já imaginava que a irmã iria mesmo reagir daquela forma, mas não sabia que seria tão doloroso para ele. Queria consolá-la mas não achava as palavras, até que Anete entrou no quarto, seguindo os passos e o choro da menina que lhe eram audíveis desde a parte térrea da casa.
— Com licença, se me permitem...Natassia, meu anjinho, não fique assim minha linda menina. — Anete conhecia muito bem seu filho caçula e já imaginava que a indiferença e frieza de Camus iriam machucar sua noiva em algum momento.
Natassia olhou Anete que lhe fitava com doçura maternal. A futura esposa de seu filho caçula, deveria ser para ela também como uma filha. A filha mulher que sempre desejou e nunca teve. Milo aproveitou para se afastar um pouco, apenas observando a matriarca da familia Garret secar as lágrimas da mais nova e em seguida segurar suas cálidas mãos tremulas.
— Meu amorzinho, não se assuste. O casamento é mesmo assim, é difícil no começo mas depois se converte em uma linda família, unida e feliz. Eu mesma, quando me casei com Gerrard achei que o amor não era para mim, mas com o tempo...ahh com o tempo eu e ele nos amamos intensamente! — Anete falava saudosa, olhando para um canto do quarto como quem vislumbra sua história de vida diante de seus olhos — tivemos filhos lindos e fomos muito felizes. Com você e meu Camus será igual, vocês irão se amar com o tempo, querida. Você vai ver!
Naquela época casamentos arranjados eram muito comuns, familias poderosas casavam seus filhos entre si, ignorando totalmente suas escolhas, tudo em nome de perpetuar poder e fortunas. Ás matriarcas, cabia a clássica falácia do "amor que vem com o tempo" para convencer os prometidos a aceitarem sem rebeldia seus destinos. Claro que nem sempre dava certo, e Anete e Gerrard faziam parte da pequena minoria cujo esta promessa realmente se cumpriu. Na maioria das vezes o destino eram casamentos infelizes, traições e muito sofrimento.
As palavras de Anete confortaram Natassia e a encheram de esperança. A jovem passou a acreditar que assim como os sogros, ela e Camus se encaixariam nesse pequeno grupo de felizes casais cujo o amor vem com o tempo. Porém, ainda que encorajada por Anete, Natassia sentia doer a mágoa da rejeição de Camus, que não era uma promessa, mas era real e confessada. Seu noivo não a desejava e aquilo doía apesar de tudo, havia ficado ferida.
Em outro canto do quarto, Milo sentiu-se despedaçar ao ouvir aquelas palavras. Camus e Natassia casados, e com o tempo, se amando. Aquilo doía muito, não imaginava mais a vida sem seu amor.
O loiro saiu intempestivamente deixando as duas mulheres alí, confabulando felizes sobre o futuro casamento e saiu carregando o peito dolorido e prestes a explodir. Saiu o mais rápido que pôde rumo ao estábulo, faria o que mais amava, era a única chance de não explodir de tristeza: montar.
Encilhou um cavalo e saiu galopando rápido, na direção das colinas. Um temporal pesado se armava no horizonte e em alguns minutos a chuva chegaria. Mas Milo precisava daquele momento para recobrar suas forças e não enlouquecer. Galopava, sentindo o vento bater em seu rosto já com os primeiros pingos de chuva gelada começando a cair.
Camus, que estava na biblioteca, viu pela janela, ao longe, o corcel negro. Aqueles cabelos loiros ao vento não deixavam dúvida de quem se tratava. Com rapidez, Camus foi para o estábulo e encilhou outro cavalo, saindo o mais rápido que podia na direção de onde viu Milo passar.
Finalmente o temporal desabou, pesado.
Milo parou em uma parte mais alta, desceu do animal e sentiu a chuva lavar-lhe, a água fria diminuía a febre que queimava em seu peito.
— Assim vai se resfriar, meu amor. Vamos para casa, por favor...
A voz do ruivo por trás de si era doce, quase um sussurro ou uma súplica
— Seu plano falhou, Camus. Ela ama você
Milo falou sem se virar, não queria olhar Camus, não queria encarar o amor que estava prestes a perder. Nunca o sexy jogador de pólo havia se sentido tão inseguro e acoado, tão pequeno. O ciume que sentia do seu amor com sua própria irmã o sufocava
— Não me interessa o que ela sente. Milo, eu não amo Natassia, eu amo VOCÊ! Não me dê as costas, meu amor, não me abandone agora...eu imploro
A súplica de Camus fez Milo finalmente se virar e olhar para o ruivo que já estava tão encharcado quanto ele. A chuva pesada lavava os dois homens, que se olhavam aflitos naquele difícil diálogo
— Eu não te abandonaria nunca Camus, eu daria minha vida por você, mas...
Milo não pôde concluir a frase por ter sua boca tomada em um beijo urgente e desesperado. Debaixo do temporal, os dois se beijaram longamente. Camus sorvia aquele beijo, chupava o lábio inferior de Milo, molhados de chuva, lambia, e recebia em troca a língua quente do amado na sua. Se abraçavam, tocando as roupas e os cabelos encharcados um do outro.
— Não me abandona, Milo, por favor. Eu preciso de você, confie no nosso amor
— Ah Camus, eu te amo tanto...eu quero ter esperanças
As palavras de Camus fizeram Milo retomar a confiança e a esperança de que aquele amor poderia vencer. Os dois voltaram juntos e ao chegarem encharcados deram a desculpa de terem ido resgatar um cavalo fujão.
**
Já era madrugada quando Milo e Camus se encontraram no local da casa que passou a ser o território deles: a biblioteca.
Camus sorvia lentamente a saliva durante o beijo intenso que trocavam, sentado no colo do amante, estavam perigosamente próximos. Milo recostava-se na poltrona de couro, grande e aconchegante, acomodando Camus em seu colo de forma que ele ficava de frente para si.
Perigosamente próximos
Milo acariciava as costas e os cabelos vermelhos, suas mãos passeavam devagar, sem pressa. Ambos estavam sem as pesados casacos, o ambiente aquecido e iluminado pela lareira em chamas era aconchegante para que ficassem á vontade, apenas com suas finas camisas de algodão cru, com suas golas já desamarradas, seus peitorais fortes podiam respirar, livres.
Saboreando lentamente a boca quente e úmida, Camus sentia seu corpo arder numa febre inédita pra ele, e até para Milo, que apesar de já ter estado nos braços de outro homem, nada havia chegado sequer perto daquele momento que estava vivendo.
Milo e Camus desafiavam o destino e o perigo. Sabiam que a qualquer momento alguém podia acordar e procurar por eles, sabiam que podiam ser pêgos, mas o desejo era mais forte do que o medo. O amor falava mais alto e a urgência de estarem juntos era maior do que tudo. Se tivessem que morrer por causa daquele amor, morreriam.
Com a pressão do corpo de Camus sobre si, Milo sentiu seu corpo começar a reagir e seu sexo acordou dentro das calças. Foi impossível para Camus não sentir o falo do amante reagir e lhe tocar por baixo da roupa em seus testículos, fazendo o sexo do ruivo reagir também. Aquele simples contato fez Camus arrepiar de forma incontrolável e subitamente levantou-se de cima de Milo.
— Camus...me desculpe anjo, não quis assustar você
Milo o olhava, Camus podia ver entre as pernas do loiro a ereção enorme dentro da roupa, o que o fez corar de forma graciosa. Nunca havia visto e desejado a ereção de outro homem.
— Tu...tudo bem, não se desculpe — Camus mordia os lábios olhando o amante diante dele, sentia fome daquele corpo, mas se controlou — vamos tomar um cálice de vinho
O ruivo serviu a bebida para os dois, Milo levantou-se e foi até ele, tomando sua boca em outro beijo intenso, a qual Camus se rendeu sem resistir. O clima era perfeito, os corpos se desejavam com loucura, ambos não conseguiam mais resistir, queimavam e era forte demais para negar o quanto se amavam e se desejavam.
Camus não podia mais suportar e levou uma das mãos aquela ereção que Milo trazia dentro da roupa. Só de tocar por fora dela, Camus sentiu o seu mastro ascender e pulsar incontrolavelmente, sem esperar mais Milo passou a fazer o mesmo, tocando o falo do ruivo por fora da calça. Os dois se tocavam ao mesmo tempo que se beijavam sofregamente, chupando os lábios e vertendo a saliva um do outro. As ereções insuportavelmente rígidas por baixo das calças que eram levemente justas, sem costura no meio, apenas costuras laterais, nada atrapalhava que pudessem sentir um ao outro mesmo com o tecido.
Depois de se livrarem dos cálices e ficarem com as mãos livres, Milo passou a mão em volta da cintura de Camus, espalmando-a sobre seu bumbum e pressionando o corpo do ruivinho contra o seu, fazendo assim com que as ereções finalmente se tocassem, ainda que sob o tecido. O loiro mexia os quadris devagar, fazendo uma esfregação lenta e ritimada. Camus logo entrou no mesmo ritimo, entendendo e gostando muito daquela brincadeira nada infantil.
Queimando de desejo, de olhos fechados, se beijando e gemendo baixinho enquanto esfregavam suas ereções, Milo e Camus estavam prontos para consumar aquele amor, mas foram brutalmente interrompidos por Krest.
— Peguei vocês!
Krest sorria malicioso ao ver os dois jovens olharem para ele, ainda abraçados, com os olhos languidos, os lábios inchados de tanto se beijarem e as respirações ofegantes
— Krest, o que faz aqui...
Camus perguntou em um sussurro, ainda tentando recobrar o ar e sem largar Milo que apenas olhava para o moreno em igual estado de relaxamento devido ao desejo, como se estivessem entorpecidos
— Uhh dá pra ver que vocês estão em êxtase, queimando! Mas não me matem, por favor, eu não quero atrapalhar o sexo de vocês...
— Voce já atrapalhou, Krest — Milo o interrompeu, não com dureza mas com frustração. Ele e Camus se olharam e sorriram, quando descolaram os corpos, Krest pode ver o resultado daquele fogo todo
— Nossa!!
O moreno vislumbrou os dois pacotes volumosos que os amantes tinham, dentro das calças suas ereções latejavam
— Eu devia mandar você resolver isso, seu intrometido — o loiro rosnou erguendo uma sobrancelha, mas em tom de brincadeira
"Uh, resolveria com minha boca chupando você a noite toda, delícia..." — Krest pensava com ar malicioso, olhando a figura quente do loiro á sua frente.
Camus virou o último gole de vinho
— Tira o olho do meu homem, Krest. Vá dormir que você já fez o estrago da noite
Para sorte de Krest tudo era dito em tom de brincadeira, os tres subiram as escadas rindo.
Mas o desejo era real, Camus e Krest seguiram para o quarto deles e Milo foi para o seu, não sem antes o casal trocar um último e arriscado beijo na boca em pleno corredor. Beijo que Krest fez questão de assistir, analisando como os dois se tocavam e sorviam com desejo a boca um do outro. Sem mais paciência, o mais velho puxou Camus pelo braço senão ele não largaria aquele loiro nunca.
Restou á Milo aliviar-se deitado em sua cama, prestou uma deliciosa homenagem ao seu ruivo, derramando seu leite de olhos fechados e se livrando do peso daquela ereção entre suas pernas. Tudo bem baixinho para sua irmã não despertar.
— Hummm desculpe Krest, mas preciso fazer isso...ahhhhh
Camus fez o mesmo, ainda que dividisse o quarto com o irmão, precisava aliviar-se e o mais velho se divertiu assistindo o caçula explodir de prazer na cama ao lado, jorrando enquanto gemia.
— Vocês dois são puro fogo, no momento em que consumarem esse amor, a terra vai até tremer!!
**
O dia seguinte amanheceu trazendo um clima mais ameno e sem chuva, o sol se mostrou aplacando um pouco o frio do outono.
Camus havia se levantado há poucos minutos, todos já haviam tomado seu desjejum. Após se trocar, procurou discretamente por Milo e não o achou em canto algum da casa. Rumou para a área externa, e finalmente achou o loiro no estábulo. Ele escovava com cuidado e carinho o cavalo negro que havia usado no dia anterior
— Bom dia. Você não precisa fazer esse serviço, mon cher. Temos empregados para cuidar dos cavalos — disse simpático se apoiando em uma das baias e observando Milo trabalhar no animal
— Eu sei — sorriu — mas eu gosto de fazer isso. Na nossa casa também temos quem cuide dos cavalos, mas é um trabalho que eu mesmo gosto de fazer. Gosto de escovar a crina, olhar como estão as ferraduras, se não aparecem demais ou de menos as costelas. Gosto de olhar nos olhos deles e perceber se estão felizes. Gosto de conversar com eles...você vai achar que sou louco.
Camus riu, achando uma graça aquela última afirmação
— Não posso achar que é louco por conversar com cavalos. Eu conversava com meu navio.
— Com um navio? — ergueu uma sobrancelha ao fitar o ruivo um tanto sem graça de contar aquele segredo meio vergonhoso
— É, quando eu assumia o timão falava com ele, falava da nossa rota e dos percalços que ele teria no caminho. Eu apenas desejava que chegássemos todos bem...bons tempos- disse saudoso
— O problema não é conversarmos com cavalos ou navios. O problema é se eles começarem a responder!
Milo e Camus gargalharam alto, ainda com um sorriso no rosto, Camus viu se aproximar alguém que lhe era bem conhecido chegando na propriedade
— Sargento Connor!
— Tenente Garret! Finalmente o encontrei! — bradou animado e prestou continência á Camus que retribuiu de forma igual.
Milo apenas observou Camus dar um abraço longo e apertado naquele jovem desconhecido que chegava. Sentiu um ciume desconfortável, mas tentou não demostrar. O jovem em questão era bastante bonito e estava bem vestido. Ao sair do abraço, Camus reparou na cara fechada de Milo que terminava de guardar as escovas e apetrechos dos cavalos
— Ah, Zaph, permita-me apresentar uma pessoa. Este é o Tenente Bloedorn, um grande amigo meu e de nossa familia. Milo, este é Zaphiri Connor, Primeiro Sargento da Marinha e amigo de longa data.
Zaphiri era um jovem de seus vinte e poucos anos, nascido na Nova Zelandia, tinha a pele alva e cabelos bem negros que lhe caíam nos olhos e sobre os ombros. Um lindo par de olhos bem azuis e um belo porte.
O jovem prestou continência á Milo também, o Sargento era uma patente mais baixa do que os dois Tenentes.
— Como vai...Zaphiri. Pode me chamar de Milo, esqueça isso de Tenente.
— É um prazer conhece-lo senhor, se é amigo do meu querido comandante, é meu amigo também
Camus corou sem graça com toda a reverencia que o jovem tinha por ele e interveio explicando á Milo quem ele era
— Milo, o Zaph esteve comigo no Chevalier nessa nossa última jornada, foi um dos meus melhores comandados. Ah foram os melhores dias de nossas vidas — disse fitando o Sargento com orgulho. — mas o que afinal veio fazer aqui Zaph?
— Oras comandante, como assim o que vim fazer? Vim para seu casamento! Os proclamas já correm toda a França, toda a Marinha já sabe e as maiores autoridades estarão presentes. E a julgar pelo sobrenome Bloedorn... — ele agora olhava Milo
— Sim, sim..sou irmão da noiva, por isso já estamos aqui — esclareceu meio blasé
Camus sentiu o clima pesar um pouco com o assunto casamento e decidiu cortar o mal estar levando Zaph para dentro
— Venha, Dona Anete e o Almirante irão gostar de ve-lo aqui, vamos entrar e ver o resto da familia
— Sim, claro..ah espera! — Zaph novamente se voltou á Milo — tenho algo endereçado ao senhor, veio no mesmo trem que eu e estava na estação, eu me ofereci para trazer quando vi que estava endereçada para cá. Sei que é seu pois tem o selo da sua familia, Bloedorn.
Milo pegou o pequeno envelope que Zaphiri lhe estendeu, continha o selo da familia e a assinatura de seu pai. Milo e Camus se fitaram mudos por alguns segundos
— Obrigado — o escorpiano disse seco, recebendo de volta um sorriso e um aceno do recém-chegado
Em seguida Camus levou o amigo para dentro, não sem olhar algumas vezes para trás, para Milo que ficara lá com o envelope em mãos e uma fisionomia preocupada.
**
Mais tarde, depois que Zaphiri já havia sido devidamente apresentado e recebido por todos da casa e agora recebia os mimos de Dona Anete, Camus procurou Milo que desde cedo o estava evitando. O ruivo cercou o loiro na sala de jantar, Milo o olhou sério e visívelmente angustiado, com o envelope que havia recebido nas mãos.
— Milo, você não olhou mais pra minha cara o dia todo, sinto que tem me evitado. Se é por causa de Zaph, não...
— Camus — ele o interrompeu, o fitando sério como nunca tinha feito — é o meu pai. Ele está melhor da gastrite, o que folgo em saber, mas anuncia nesta carta que estará a caminho de Aix nos próximos dias. Em pouco tempo o Senhor Richard estará aqui.
Camus ficou tão sério quanto Milo com aquela notícia. Se Gerrard podia ser um problema, Gerrard e Richard juntos seriam o maior obstáculo que aquele amor iria enfrentar.
Seus poderosos patriarcas.
— Está disposto a enfrentá-los? — Milo perguntava sério e com igual seriedade teve uma resposta de Camus
— Estou. Eu não tenho medo, porque você está do meu lado
Milo tocou as mãos de Camus, os dois se olharam com esperança tentando sorrir e vislumbrar a luz no fim daquele túneo.
Exatamente neste momento, Natassia adentrou o local. Os dois largaram as mãos rápidamente, mas a mocinha os encarava com seu olhar cristalizado. Camus agiu com indiferença á sua chegada e Milo a encarava sério.
— Milo, soube que chegou carta do papai
— Sim, ele diz que está melhor da gastrite e que estará aqui em alguns dias
— Oh, finalmente!
Milo e Camus se olharam novamente e em seguida encararam Natassia, sérios.
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Ficha de personagem:
Primeiro Sargento Zaphiri Connor — Zaphiri é um jovem de 22 anos, tem cabelos negros e lisos e olhos azuis. É doce e romantico, mas decidido e determinado como um bom escorpiano. Nascido na Nova Zelandia e criado na França, a pátria que decidiu servir por vontade própria, o jovem se apaixona pelo Tenente Camus durante a viagem que fazem á bordo do navio Chevalier, se tornando o braço direito do frances e seu grande amigo. Porém, Camus não corresponde aos sentimentos de Zaph e nem mesmo toma conhecimento deles. Quando chega á Aix-en-Provence, Zaphiri desperta ciume em Milo pela amizade com Camus, e o encantamento de Krest que sente que encontrou finalmente alguém para amar.
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