A História de Karin

24 Junção do Fogo com Vento


Notas iniciais
Pessoal o/ Quero dizer que vou tentar aumentar o próximo capítulo já que em princípio nessa época já acabaram os trabalhos todos *--* Eheh, bom espero que gostem deste capítulo :) Boa leitura*

A chuva caía densamente sobre toda a Soul Society devastada. O vento possante açoitava os cabelos morenos de Karin, balançando-os.

Não havia requisito algum da imponente construção arquitectónica que um dia existiu ali. Edifícios e habitações se converteram em sepulturas. Não sobrara rigorosamente nada da tão abundante Seireitei e muito menos dos pobres distritos ao seu redor.

Sim. A tão encarniçada guerra entre shinigamis e quincys havia acabado e a vitória conquistada, mas olhando para aquele caos e destruição não conseguia se sentir satisfeita. O sentimento da perda transbordava em seu coração.

Corpos e mais corpos eram encontrados pelo caminho. Amigos, rostos conhecidos e até desconhecidos, não tinha sobrado quase ninguém.

O inimigo havia sido bárbaro!

A Kurosaki depara-se com Toushirou, rodeado de restos mortais de shinigamis. Tapou a boca com uma mão, sufocando seu grito de horror, ao reconhecer membros da tenente do capitão: Rangiku Matsumoto.

Os olhos verdes brilhantes atrozes se direccionaram para a morena, uma resplandecência que aterrou sua alma.

— Toushirou…

O zombie empunhou a zanpakutou de gelo; a Kurosaki, num acto instintivo para se proteger ergueu Fujin. Momentaneamente com o choque das lâminas o brilho intenso a cegou, obrigando Karin a fechar as pálpebras.

Ao reabri-las, encontra a sua zanpakutou revestida de sangue e ao desvendar a sua origem, constata o albino com seus olhos azuis turquesa arregalados e… Desapontados. Karin sentiu-se mergulhar numa profunda angústia com aquele olhar. Ela fita a sua zanpakutou, que tinha trespassado o peito do capitão. Os lábios dele, entreabertos, com fios de sangue a fluírem pelo canto de seu lábio esquerdo.

— Por quê Karin…?

— Como isto aconteceu? Eu não queria…

— Porque não me ajudou, Karin?

A shinigami arregalou os olhos negros, e tentou alcançá-lo. Porém ao tocá-lo, em vez de sentir o calor reconfortante de sua pele, sentiu o frio arrepiante de gelo. Zanhyou Ningyou -Boneco de Gelo Ilusório-. Não era Toushirou e sim uma forma dele em gelo, uma técnica perfeita para enganar os inimigos que o atacavam. Porque ele a utilizou com ela? Não confiava mais em si? Pior: a considerava uma inimiga? O belo azul cristalino se manchou com o sangue da ponta dos dedos de Karin quando esta o tocou. O tom escarlate dominou toda a figura, fazendo com que Karin se sentisse tonta pela expressividade da cor. A Kurosaki sentiu-se afogar naquela dimensão avermelhada.

Soul Society

Karin remexia desassossegada em seu colchão. Parecia que estava a sufocar; como se braços a acorrentassem e mãos estrangulassem seu pescoço. Rompante, ela acorda transpirada. Com gotículas de suor a pingar em seu queixo. Ergueu uma mão à testa, levando os cabelos húmidos da franja para trás.

Seu corpo estava gelado mas interiormente um fogo arrebatante a consumia.

O sonho, ou melhor, o pesadelo mexera com ela. Sentia-se culpada por estar num quarto sem fazer nada. Tinha a obrigação de fazer algo. Nesse momento decidiu tomar uma árdua decisão: ela precisava de reforços. Para resgatar o albino, impedindo de o pesadelo se converter em realidade, não o poderia fazer sozinha. Até porque ele estaria sendo manipulado pelo inimigo e este tinha um poderoso exército.

Contudo a shinigami também tinha consciência de que poucos, praticamente ninguém, estaria disposto a ir contras as regras da Sociedade das Almas para ajudar um suposto traidor. Apesar de improvável, ela se lembrou de alguém que a poderia ajudar.

Karin sai da divisão sem apreciar a vista pela janela, perdendo o maravilhoso cenário da natureza: um florescer de sakuras. "É sempre lindo, não importa a situação em que se esteja, é sempre encantador, mesmo que quem o encare esteja triste, abatido, com raiva, não importa, sempre pára pelo menos um instante para vê-las. Mas, como não? Um espectáculo tão esperado, para lembrar a quem o observa que a vida é delicadamente e singelamente bela, que coisas boas podem acontecer inesperadamente. E também para lembrar que nada dura para sempre."

Ela usa o shunpo para ir rapidamente de encontro ao Gotei 13, sabendo que haveria uma reunião onde o substituto de shinigami fora convocado, onde todos os capitães e tenentes se iriam reunir lá. Procura o seu irmão mais velho, distinguindo-o pelo cabelo ruivo peculiar junto de uma mulher de estatura baixa: Rukia. Ao sentir sua presença, Ichigo pára e volta-se para trás, encarando sua irmã. Por sua vez, a Kuchiki prossegue o seu trajecto, percebendo pela expressão de Karin que o assunto era delicado e privado.

— Ichi-nii…

— Karin! Não deveria estar no Quarto Esquadrão? O que aconteceu?

— Eu preciso de falar com você, Ichi-nii.

— Sobre o quê?

— Nós precisamos salvar o Toushirou, eu sei que ele não está bem. Ele precisa da nossa ajuda… Onegai.

Ichigo coloca uma mão no topo da cabeça da sua irmã, sorrindo atencioso.

— Eu sei. Eu vou trazer de volta o anão de jardim. Mas não quero que se envolvas, é perigoso.

— Nani? Eu sou uma shinigami agora!

— Karin não quero que corra riscos desnecessários, eu me encarregarei disso.

— Eu não posso ficar parada sem fazer nada! Ele precisa de mim!

— Chega Karin! Não discuta, eu não quero que se machuque. Não iria conseguir ultrapassar isso.

O substituto de shinigami deu-lhe um beijo na testa e foi em direcção ao salão principal, onde a reunião com o Comandante iria decorrer. Karin observou as costas de seu irmão ao afastar-se. Ela iria lutar, mesmo contra a opinião de seu irmão mais velho.

A morena segue em direcção do esquadrão médico novamente. Ao adentrar num dos corredores, vai em direcção de uma porta específica. Após ouvir a permissão, ela entra e depara-se com Hinamori a arrumar os seus itens para deslocar-se para o Quinto Esquadrão com a companhia de Kira. Os dois tenentes não esconderem a surpresa ao ver a recruta do décimo esquadrão no compartimento, principalmente Momo.

— Tenente Hinamori. Preciso da sua ajuda.

— Nani?

— O Toushirou precisa de nós.

— O quê?

Hinamori encarou abismada a shinigami novata, rindo sem graça, enquanto procurava algum requisito jocoso no olhar ónix. Porém só encontrou austeridade, percebendo que a morena não brincava, ela de facto estava a propor tréguas entre as duas para salvar o bem que elas tinham em comum.

Kira curioso encarava aquela situação quando inesperadamente estremeceu de frio, estranhando a drástica baixa de temperatura. Ele não sabia se fora coincidência ou algo que as pessoas designavam de destino mas naquele momento começou a nevar. Cobrindo as elegantes pétalas de sakura recentemente desabrochadas de uma camada branca.

Dois pilares se uniam: vento e fogo. O vento se impulsionava, carregando a direcção que as shinigamis teriam de dirigir. O fogo era capaz de queimar corações. Juntas eram como a brisa suave nos dias de calor intenso. Dois elementos da natureza se uniam para resistirem aos tempos de frio extremo.

Notas finais
O que acham que a Hinamori deveria fazer? Será que agora ela deve ser perdoada por tudo ou ainda é meio cedo? ^^ Ihihih Beijinhos e até à próxima! Obs.: Muito obrigada pelos favoritos e visualizações! Também quero dar um especial obrigada a quem comenta, não quero citar nomes elevando alguns e rebaixando ou esquecendo outros, qualquer um que comente tem um grande carinho no meu kokoro. E acreditem eu não esqueço de ninguém! Jya née