A História de Karin

45 H E N T A I - Equilíbrio


Notas iniciais
Chαρρyᴴᴷ٭ → Fiéis leitores de AHDK, quero antes de mais nada, pedir imensas desculpas pela minha extrema demora. Tenho ultrapassado uma fase complicada a nível pessoal, de grandes mudanças mais especificamente. Para além disso, já imaginei mais de três maneiras possíveis de acabar a história. Não é falta de criatividade ou inspiração, estou é a tentar arranjar o melhor que consigo. De facto, o “epílogo” do enredo da história foi o capítulo passado. Contudo, queria fazer uns quantos especiais que eram mais sobre outras personagens. Porém, isso não vai ser possível. Tenho um certo receio de estar a estragar, afinal esta fanfic não tem objectivo de ser shonen, e estar a arrastar um final por vezes estraga. Por isso optei por criar um capítulo mais longo, finalizando-a. Tristemente, posso dizer que acabei a fanfic mais longa e mas antiga (que estava em andamento). Obrigada a todos vocês que me acompanharam desde o início e a meio da fanfic, até mesmo àqueles que talvez leiam-na só agora. Agradeço a todos vocês, porque cheguei aqui graças aos meus fiéis leitores. Esta foi a fanfic em que mais fui criticada e ofendida, perseguida por haters. Mas sempre tive o apoio e carinho de muitos leitores. Obrigada! Não pensem que isto é o fim da minha jornada como HK shipper. Estou muito longe de parar de escrever desses dois que são meu OTP!

Soul Society

Dias tranquilos reinavam no Décimo Bantai. Matsumoto, devido a sua travessura e sete dias de fuga, enfrentou uma tremenda reprimenda do seu capitão; que decidiu esconder todo o seu saquê mais caro. Se ela não trabalhasse, ele jogaria tudo fora. Com lágrimas nos olhos, tentou demover o albino, porém, perante sua muralha de gelo inquebrável, rendeu-se e começou a preencher todos os relatórios que lhe competiam para recuperar suas preciosidades. Portanto, com uma Matsumoto responsável, a última semana decorria-se sem gritos estrondosos ou elevações drásticas de poder espiritual do capitão do esquadrão.

Nesse meio tempo, Karin tivera diversos exames no esquadrão médico, para conferir se estaria apta, ou não, para treinar novamente. A resposta foi positiva, vindo da própria Unohana-Taicho. Uma notícia recebida de forma muito empolgante pela morena que rapidamente retornou com as aulas de formações e exercícios diários que competiam a qualquer oficial.

Previsivelmente, com toda a regularização e acumular de tarefas, dos cargos que representavam, Toushirou e Karin, não usufruíam de muito tempo juntos. Todavia, eram a notícia bombástica do jornal da Seireitei, tornando-se inclusive na mais comentada. Na primeira página, apresentava-se o artigo do recente casal apaixonado a caminhar de braço dado e uma entrevista exclusiva da tenente Matsumoto comentando todo o desenvolvimento da relação dos dois, considerando-se presunçosamente de uma grande valia para esse relacionamento. Declarações essas que valeram um quinto do seu ordenado, posteriormente.

— “Recruta do Décimo Bantai com uma performance genial torna-se na terceira oficial em duas semanas… E captura o coração de Hitsugaya-Taicho, o conhecido Capitão de Gelo, em tempo recorde.” —Karin lia alto um dos muitos jornais que comentava seu namoro com o seu superior. Obviamente, nem todos tinham bons escrúpulos como aquele em que Matsumoto participara. Insinuavam, como seria até imaginável, que sua subida de cargo tão rápida não estivesse apenas relacionada com o seu grande poder. Bufou furiosa, amassando o papel, o atirando fora. Não conseguia manter-se indiferente a esse gênero de comentários, nem como humana ignorava as provocações dos garotos sobre seu visual ser um tanto masculino.

Já tinha perdido a conta de quantos shinigamis arrogantes e idiotas, socara por fazerem piadas com ela. Obviamente, nenhum deles faria queixa contra si, ela sempre poderia argumentar que houve um desrespeito de autoridade, e que ela apenas defendia a honra do seu capitão como símbolo de um dos treze esquadrões da Sociedade das Almas. Tendo em conta que seu irmão era o herói proclamado da Soul Society, ninguém atrevia-se enfrentá-la fora das ruas desertas da Seireitei quando estava não se encontrava acompanhada.

— Que droga de shinigamis metidos!

— Karin-san?

— Eh? Hinamori, desculpe, não senti sua reiatsu se aproximando. —A Kurosaki não se sentia minimamente envergonhada por sua distracção denunciada, sua raiva era superior aos eventos que regularmente vinham acontecendo. Momo riu levemente, imaginando o que poderia estar acontecendo com a outra.

— Já leu os jornais. —Hinamori notou, fazendo com que Karin ficasse ligeiramente mais tensa com seu comentário, a encarando de lado.

— Você também. Algum problema? —Hinamori abaixou o olhar, o título da notícia não a surpreendera e não a deixou tão triste como suporia que ficaria. Porém, compreendeu a evidente desconfiança da terceira oficial.

— Na verdade, não. Eu sei que o Shiro-chan a ama, e que você o fará muito feliz Karin-san.

A resposta sincera de Hinamori, acompanhado de um sorriso genuíno, surpreendeu a morena que virou-se para a observar directamente. Karin cogitou que a tenente fingisse, no mínimo, estar bem e ser cordial consigo, mas ela estava verdadeiramente a ser simpática. E apesar de isso ser extremamente estranho e confuso, era bom poder contar -de alguma forma- com o seu apoio. Os lábios curvaram-se num sorriso, falando mais dócil.

— Arigato. —Karin acenou, pronta a afastar-se para prosseguir com seu trajecto quando seu pulso foi segurado de súbito, a morena olhou para trás novamente, deparando-se com uma Hinamori nervosa usando a franja para cobrir seus olhos.

— Karin-san, eu queria lhe dizer mais uma coisa… —Notou seu tom nervoso, evitava deixar que a ansiedade se evidenciasse demais pela sua voz, apesar de só o facto de manter o olhar baixo revelava sua inquietação. Karin, ficou de facto curiosa, apesar de estar impaciente para dirigir-se ao seu destino.

— Hm? Do que se trata?

— Queria pedir… me desculpe, por favor! —A Kurosaki arregalou o olhar, entreabrindo os lábios, chocada com a vénia elegante em sinal de desculpas. Hinamori escondia as pequenas lágrimas que quase abandonavam seus olhos.

— Do que está falando? Por que está me pedindo desculpas?

— Por tudo. Eu amei Aizen, e o Shiro-chan sempre me apoiou… Por isso, pensei que o amava, e que ele me amava a mim… Quis acreditar nisso. Eu só queria conhecer o amor e esquecer o que ele me fez. Mas… eu confundi tudo, e quase perdi uma grande amizade. Não notei os verdadeiros sentimentos de Shirou-chan, fui uma irmã egoísta. E também fui muito injusta com você Karin-san, eu tive ciúmes, me perdoe, onegai.

Hinamori quase cedeu ao choro quando seus ombros foram segurados com firmeza e ao mesmo tempo delicadeza, erguendo a tenente da vénia. Notou a expressão séria de Karin a observando, ficando um tanto receosa e intimidada.

— Hinamori você é uma tenente, não deve mostrar tanto respeito a uma oficial…—Hinamori ia protestar, porém, Karin a interrompeu— E sim, eu aceito suas desculpas, na verdade, nós vamos rir disto tudo ainda. —A gargalhada divertida, e a suave expressão genuína acalmou Hinamori, que sorriu em resposta, murmurando um baixo agradecimento que a Kurosaki escutou.

Apesar do ambiente calmo, não deixou de haver um ligeiro desconforto. Não é como se fossem melhores amigas. Despedindo-se cada uma seguiu seu caminho, como se um peso lhes saísse de cima. Aquela conversa com Momo fora agradável, era menos uma inimiga, pelo menos, não criaria mais um clima hostil sempre que se encontrassem. Inclusive, fez com que Karin esquecesse todos os inconvenientes das manchetes dos jornais sobre ela e Toushirou.

A terceira oficial parou erguendo o pescoço, lendo o símbolo no alto: “Primeiro Bantai”. Karin inspirou fundo antes de pedir permissão para falar com o Capitão-Comandante Yamamoto. Fora acompanhada por dois shinigamis até ao portão, batendo três vezes na porta até escutar a permissão para entrar. Os dois shinigamis permaneceram na entrada, enquanto Karin adentrou no salão, deparando-se com a possante reaitsu que a fizera esquecer de como respirar. Precisou de se acalmar antes de dar mais um passo e acabar por desmaiar.

O Comandante abriu um olho, destacando o erguer da sobrancelha alva, fez um gesto com a mão sobre o cajado mandando retirar o tenente do salão. Karin o observou sair, e notou o olhar cravado em si, ficando por momentos arrependida. Mordeu o lábio frustrada pelo seu nervosismo naquele momento.

— O que pretende falar comigo, Oficial Kurosaki?

— Capitão-Comandante, queria lhe pedir autorização para visitar a minha família no Mundo Real durante uma semana.

Genryuusai escondeu um pequeno sorriso sobre a barba branca, mantendo a voz austera. Como a juventude era interessante…

— Kurosaki Karin, duvido que tenha marcado esta reunião com antecedência, em completo sigilo, apenas para pedir para ver sua família. —A oficial ruborizou, acenando em concordância.

— H-hai… Também queria pedir para que Hitsugaya-Taicho me acompanhasse. Ele me salvou e ajudou quando perdi as memórias, trabalha mais que ninguém no esquadrão, acho que ele merecia um descanso. São só sete dias.

O Comandante ficou em silêncio, tempo que agoniava a morena, que o encarava impaciente. Suas mãos transpiravam nitidamente, limpando as gotas de suor com as mangas do kimono negro.

— Hitsugaya-Taicho cumpre apenas seus afazeres como capitão. —A resposta um tanto sarcástica irritou a Kurosaki, que foi esquecendo seu nervosismo, substituindo-o pela audácia.

— Até um capitão precisa de descanso. Gerir um bantai não é fácil! Toushirou nunca tira férias, ficando a trabalhar, não seria bom premiar os seus subordinados com comportamento exemplar?! —Karin praticamente se amaldiçoou ao perceber que tratara o namorado informalmente, um gesto instintivo, mas que podia ser mal interpretado por conta da relação assumida. Sem contar que notou a inquietação dos subordinados do lado de fora por seu tom ter aumentando. Tentou emendar parcialmente seu erro. — Perdoe minha exaltação Comandante, o que eu quero dizer, é que Haru-baa-chan gostaria de ver Hitsugaya-Taicho. Ela é como uma avó para ele, sei que o capitão ficaria feliz em vê-la também.

Yamamoto colocou as duas mãos sobre o cajado, encarando atentamente a Kurosaki que mantinha o olhar em si. Garota corajosa, confessava. Seu poder espiritual não a amedrontava mais, e agia com audácia sem ser indisciplinada. Conseguia ser mais inteligente e respeitosa que seu irmão, constatou.

— Pedido aceite. Oficial Kurosaki e Hitsugaya-Taicho a partir de amanhã tem sete dias de estadia no Mundo Real.

Os olhos ónix arregalaram-se em euforia, com um enorme sorriso desenhado no rosto, teve vontade de usar o shunpo e abraçá-lo, mas talvez se tornasse inconveniente, apenas fez uma vénia em agradecimento, sorrindo.

— Arigato, Jii-san! —Sumiu no shunpo, com o capitão soltando uma curta risada rouca, com o seu tenente adentrando na sala de novo.

— Quando era mais novo, não existiam subordinadas tão interessadas no bem estar do seu capitão. É uma boa garota.

— Hai, Comandante. —Ocultando, debaixo do haori de Yamamoto encontrava-se a manchete viral notificando as notícias do Décimo Bantai.

Karin usou o shunpo para chegar ao seu esquadrão, estava ligeiramente atrasada, e sabia que Toushirou odiava atrasos. Tinha de ir assinar alguma papelada e entregar aos outros esquadrões. Usou um pouco mais de seu poder espiritual para aumentar a velocidade de seu shunpo, alcançando em minutos o seu bantai, deparando-se assim também com um Hitsugaya de braços cruzados e testa franzida à frente dos dois oficiais na entrada do esquadrão. Suou frio com seu olhar gélido, ela estava assim tão atrasada?

— Taicho… O que…!?

— Kurosaki, onde se meteu este tempo todo? Tem noção que por causa do seu atraso, dois tenentes já vieram buscar relatórios, que nós deveríamos ter entregue directamente?

Karin tremeu ligeiramente de nervos, tentando não se denunciar. Riu sem jeito, coçando o pescoço. Tinha que ser surpresa.

— Gomen, gomen taicho. Eu prometo que compenso e peço desculpas a todos eles! Eu meio que dormi e por isso me atrasei. —Toushirou arqueou a sobrancelha, notando visivelmente que ela mentira, ficando ainda mais desconfiado com seu atraso. No entanto, ela não desfez sua história, passando por ele rapidamente indo directo à sala do capitão onde uma papelada a aguardava.

Ao entrar na sala do capitão, Karin notou que os dois shinigamis que vieram buscar os relatórios eram Kira e Momo, os dois estavam sozinhos e vermelhos olhando para um canto da divisão. Suspeitou dessa atitude, mas compreendeu quando notou as roupas ligeiramente bagunçadas, subiu o olhar e confirmou suas suspeitas ao perceber a boca inchada da tenente do Quinto Bantai, reprimiu um sorriso, apenas os cumprimentando formalmente.

Hinamori tentava a todo o custo não ficar vermelha, querendo esquecer o beijo que quase fora visto por Karin. Não era a primeira vez que se voltavam a beijar depois da Academia, não sabia bem o que tinha com Izuru, porém tinha receio em oficializar, designando-os como algo… Temia que não resultasse e tivesse de encarar as pessoas depois disso.

Karin notou eles mais constrangidos com o passar do tempo e sentiu pela pressão espiritual, Toushirou aproximando-se. Não resistiu em pregar uma pequena partida nos dois, colocando-se entre o espaço vazio entre os dois, para buscar alguns papéis na secretária de Hitsugaya, disparando um comentário com voz indiferente.

— Vocês dois são tenentes, certo? Podiam beijar-se nos vossos esquadrões e não no nosso. —Seu tom jocoso e malicioso, atiçou a vergonha dos dois pelo flagra. Hinamori ficou muda de vergonha enquanto Kira abanava nervoso as mãos, escarlate.

— Kurosaki…san… não entenda… mal… nós só… —A Kurosaki caiu em gargalhadas pelo nervosismos dos dois, agarrando a barriga de tanto rir.

— Estava brincando! Relaxem, eu não conto nada ao Toushirou. —Continuou a rir para constrangimento dos tenentes, apesar de ficarem mais aliviados com isso.

Nesse preciso instante Hitsugaya entra, e Karin engasga-se na própria saliva com seu olhar ainda acusador para si. Pensou numa maneira rápida de fugir, porém ele fora mais perspicaz.

— Não se atreva a sair daqui Kurosaki. Precisamos ainda de conversar sobre seu atraso.

— Mas taicho, eu já expliquei que eu dormi e…

— Pense numa desculpa melhor se vai mentir.

Karin encolheu-se com o tom de Toushirou. Sentiu que ele estava magoado de alguma forma, e ficou um tanto ofendida, apesar de compreender as acções do albino. Hinamori e Kira, notando o clima tenso, saíram sem se despedir. Toushirou inspirou fundo, e sentou-se na sua poltrona, tentando ficar mais calmo.

— Por que se atrasou, Karin? —O tom mais calmo, e um tanto meigo, fez com que Karin amolecesse e decidisse contar a verdade. Não queria que uma surpresa trouxesse discussões e ressentimentos entre eles.

— Estive com o Capitão-Comandante.

— O quê!? —Toushirou levantou-se rápido, preocupado. O Comandante só costumava falar com capitães e tenentes. — Aconteceu algo, Karin? Se machucou? Teve algum problema?

— Calma Toushirou, está tudo bem comigo. Eu só queria falar com ele… para pedir uma coisa. —Karin foi ficando corada, e Toushirou mais confuso. Continuou a olhá-la, agora mais intrigado que angustiado— Eu quero ir ver o velho e a Yuzu.

Toushirou piscou confuso, aproximando-se de Karin, sentou-se ao seu lado no sofá com ela. Agarrando em sua mão, a deixando mais nervosa com a aproximação.

— Podia ter falado comigo. Eu iria ter com o Capitão-Comandante e…

— E quero que você vá comigo. —Soltou de repente, o interrompendo, quase gritando, antes que perdesse a coragem. Toushirou ficou abismado, porém, cabisbaixo.

— Karin isso é inútil. Estamos com muito trabalho por aqui, um capitão não se pode ausentar.

— O pedido foi aceite. —O tom usual de Karin foi o que mais surpreendeu o capitão que parecia que aquilo não era nada— De amanhã a sete dias podemos ficar em descanso no Mundo Real. —Sorriu contanto a notícia.

— Como…? —Karin fez uma expressão confusa, engraçada, abanando os ombros em seguida.

— Não faço ideia. Eu apenas disse que você merecia um descanso por ter tanto trabalho.

Toushirou arqueou uma sobrancelha, duvidando que fosse apenas isso, porém não perguntou nada. Apenas sorriu, realmente gostou daquela surpresa e das merecidas férias.

O capitão desdobrou-se sobre o corpo da Kurosaki que estremeceu automaticamente, escutou um pequeno gemido quando sua mão agarrou fortemente a canela a colando em seu corpo, a exigência e saudade reflectindo-se em necessidade extrema. Toushirou beijou o lábio inferior de Karin, sugando-o lentamente. Puxando-o leve e soltando-o em seguida, mordiscando e brincando com o lábio. Karin suspirava sobre seus lábios, pressionando as unhas sobre seu haori nos ombros.

Ele distribuiu castos beijos até a orelha, mordendo o lóbulo, e sussurrando quase inaudível.

— Obrigado.

Karin expirou em transe, tendo seus lábios novamente capturados após o agradecimento mais doce que já recebera. Com certeza, aquela fora a melhor ideia que tivera, talvez mandasse um postal de agradecimento ao Comandante por conceder seu pedido.

Mundo Real

A madrugada tingiasse de uma elegante mistura entre o amarelo e o azul. Os tons suaves ficavam ainda mais encantadores com a suave névoa causada pela baixa temperatura naquele horário. Porém, o evento peculiar que destacou aquela manhã não foi o lindo cenário oferecido pela natureza, e sim, um portal antigo abrindo-se como uma fenda no céu, saindo por ele um casal de shinigamis. Toushirou encarou as habitações ainda fechadas, pensativo. Karin analisou poucos segundos sua expressão, e sorriu de lado.

— Deveria ir vê-la. —Toushirou ficou constrangido por ela ter percebido suas intenções. — Não se encontram faz tempo, certo? Haru-baa-chan ficará contente em vê-lo.

Toushirou sentiu uma saudade tremenda pela avó daquele mundo, um sentimento que nem ele sabia que sentia. Realmente, a Kurosaki tinha pensado em tudo. Ele a olhou, interrogativo.

— E você? —Karin abanou os ombros, sorrindo.

— Sabe onde me encontrar. Não se perca no caminho de volta Toushirou!

A terceira oficial acenou despedindo-se rindo, afastando-se no shunpo rumando até sua antiga casa, enquanto três veias saltavam na testa de Toushirou. No entanto, quando ela sumiu de sua vista, ele sorriu descontraído, prevendo uma manhã do doce que tanto gostava com a companhia da vovó Haru.

A shinigami em escassos minutos, ficou na frente da porta da sua casa. Não tinha pegado um gigai… Na verdade, nem sabia como deveria entrar. Bateria à porta? Pularia a janela de um quarto? Sentiu-se melancólica, e por um breve momento seus olhos arderam. Tinha tantas saudades de Yuzu… até mesmo de seu pai. Sentia falta de suas manhãs agitadas. Uma lágrima escorreu por seu rosto mas foi rapidamente limpa. Pensou em testar a fechadura para ver se estava aberta, quando uma voz a travou.

— Karin-chan?

A Kurosaki desviou o olhar para trás de si, encontrando sua gémea com os cabelos castanhos mais longos, a encarando tão surpresa quanto ela. No entanto, Karin tremeu ao perceber: como ela a estava enxergando?

— Yuzu, você consegue me ver? —A humana mantivera seu estado estático, começando a preocupar Karin que se aproximou dela. Tocando nos seus braços para a chamar a atenção, notou por fim o poder que emanava de sua reaitsu. — Você cresceu assim tanto…?

A morena sorriu torto, emocionada. Sua irmã evoluíra ao ponto de ver shinigamis, apesar de isso a deixar levemente preocupada com os perigos que esse dom acartava. Seus pensamentos foram bruscamente interrompidos, quando um par de braços rodeou seu pescoço a fazendo cair para trás com Yuzu sobre si. A gêmea sorria no meio das lágrimas, acreditando por fim que aquela era Karin e não uma das mais uma das muitas ilusões que imaginava. Não era apenas mais um fantasma que ela ajudava de madrugada a encontrar seu desejo, era mesmo sua irmã! Karin não escondeu as lágrimas, correspondendo ao abraço.

Na entrada da casa, Isshin estava encostado na parede, sorrindo satisfeito e orgulhoso ao observar as duas filhas que se reencontravam após um trágico episódio. Sorrindo, exclamou eufórico.

— Vão ficar aí paradas todo o dia? Entrem de uma vez e venham comer! —Karin desviou o olhar rapidamente para seu pai que abria por completo a porta em sinal de convite, sorriu pequeno em sinal de agradecimento.

— Otou-san… —Um leve murmúrio engolido pelo vento, que possivelmente nem a própria Karin escutara, apenas sentiu seus lábios mexerem perante um momento que tanto sonhou.

O pequeno almoço foi usual, isso significa uma algazarra total. Um Isshin que não desgrudava Karin lamentando ser filha ingrata como Ichigo, e sendo chutado por esta que encontrava-se farta e irritada, fazendo com que ele chorasse junto do poster de Masaki, enquanto Yuzu os encarava sorridente. A humana observou Karin curiosamente e persistentemente, até que essa notou e ergueu uma sobrancelha.

— O que se passa Yuzu?

— Etto… Karin-chan… como estão as coisas com o seu namorado? Ele não veio com você?

Karin ficou vermelha de vergonha, cuspindo o chá que tomava queimando um pouco a língua. Isshin ficou quieto prestando mais atenção no diálogo entre as irmãs. O patriarca assumiu uma postura séria, levantando-se de junto da imagem de Masaki, colocando a mão sobre o ombro da filha que encarou estupefacta uma reacção tão séria de seu pai.

— Karin, querida… —A pausa aumentou o nervosismo de Karin por seu pai manter uma voz baixa. — … Vocês já fizeram, não foi?

Karin piscou os olhos duas vezes, não acreditando que ele referia-se àquilo. Ele não podia… Isshin recuperou sua faceta divertida, colocando o polegar junto do queixo. Abanando a cabeça diversas vezes, sorrindo travesso.

— Oh, entendo entendo. Seu silêncio confessa os desejos mais ocultos de uma…

— Seu velho tarado! Que pai pergunta uma coisa dessas a uma filha! —Karin deu um valente chute no rosto do pai, subindo consideravelmente sua reaitsu, por fúria. Quebrando um terço da parede mais próxima. Ainda assim Karin apertava o punho furiosa, enquanto Yuzu assistia à cena rotineira, notando uma pessoa entrando na habitação, sorriu ao reconhece-lo.

— Karin! O que pensa que está fazendo!? Quer destruir a casa e ser um chafariz de hollows!? —Hitsugaya recriminou Karin que permaneceu em silêncio tentando controlar-se.

Ele não entendeu aquela atitude e encarou Yuzu em busca de resposta, notando seu aumento de poder espiritual, supôs que ela deveria conseguir vê-lo. A Kurosaki mais nova colocou as mãos no rosto, corado, cantarolando.

— Kyah! O namorado da Karin-chan a trata pelo nome, eles ficaram tão íntimos! Oh, que fofos!

— Yuzu! —Karin esbravejou ao notar Toushirou tossindo em vergonha tentando disfarçar a situação, aquilo não podia ficar mais embaraçador.

— Shiro, Shiro! Meu segundo filho me veio visitar! —Isshin pulou para abraçar Toushirou que limitava-se a afastá-lo, porém o patriarca usou mais força para o agarrar, falando baixo em seu ouvido, porém de forma que todos escutassem. — Já notou como seu peito cresceu? —Apontou discretamente para Karin que entreabriu a boca sem acreditar, deixando Toushirou totalmente escarlate. — Me conte como foi, como correu a vossa primeira…

Hitsugaya permanecia quieto sem reacção quando Karin girou o cabo da zanpakutou a atirando contra a testa do pai, fazendo com que este desmaiasse com o impacto. Karin suava imenso, respirando rápido, totalmente vermelha… Yuzu cozinhava normalmente, nem ligando para o caos da sala… ele estava metido numa família de doidos. Seu ex capitão estava cada vez pior. Apesar que, nunca o iria confessar a ninguém, mas teve saudades disso…

Quando as estrelas iluminavam o denso céu, Hitsugaya foi encaminhado ao antigo quarto de Ichigo para pernoitar com eles. Hitsugaya aceitou um tanto receoso, temendo alguma brincadeira de mau gosto de seu ex capitão Shiba. Yuzu tranquilizou-o e disse que não permitiria que seu pai aprontasse alguma das suas, enquanto Karin fulminava o pai visualmente que encolhia-se debaixo do ombro da outra filha, temendo a oficial.

Toushirou por fim deitava-se na cama, exausto de todas as coisas estranhas que aconteceram naquele dia. Não sabia como sentir-se como um quase membro daquela família… Desde os tempos de Rukongai, ele não tinha objectivos. Quando decidiu tornar-se shinigami para proteger sua vovó, notou que sua existência limitava-se a obrigações e proteger. Ficava encavacado próximo da Kurosaki, por vezes não sabia de facto como reagir… não conseguia descrever o que sentia quando eles estavam simplesmente juntos, sem nada para fazer. Era uma experiência surreal. Obviamente tinha momentos com seus amigos, mas com Karin era algo mais… poderia sentir um vazio pela ausência do fazer porém era o oposto: sentia-se completo.

Bastava estarem juntos, para sentir-se bem.

Estava deitado com os braços cruzados por baixo da cabeça, de barriga para cima, com os olhos fechados. Porém, sem sono. Foi quando sentiu um peso extra apoiar-se em seu abdómen, fazendo com que ele abrisse rápido os olhos, pelo susto. A primeira coisa que pensou, foi uma partida de Isshin, contudo perdeu essa ideia quando encontrou Karin deitada sobre si, com cada perna junto da sua cintura.

— Karin? O que está fazendo aqui? —Sua voz saiu fraca, falhando, ao perceber que esta usava apenas uma camisola fina e curta de dormir, estremeceu involuntariamente, fazendo com que Karin sorrisse travessa, contudo com a falta de luminosidade do quarto, não permitiu Hitsugaya enxergar esse gesto.

Toushirou notou que sua respiração saía ainda mais cortada, e tentou normalizá-la, sem que a morena percebesse, estava a ficar ansioso, ele conseguia sentir as pontas dos dedos de Karin descendo por seu abdómen, e quase gemeu quando ela cravou a unha ligeiramente abaixo do umbigo.

Ele tinha vindo a reparar na grande mudança e confiança demonstrada de Karin em esses momentos, sobretudo na ousadia. Fora preciso pouco menos de uma semana para esta ganhar total à vontade, algo que ele não criticava. Porém, esta tornou-se extremamente provocadora. Inclusive em trabalho, esta o olhava sugestivamente quando Matsumoto se distraía, o deixando desconfortável quando a tenente ruiva notava alguma mudança em si. A oficial acabava por sair da divisão rindo, e ele dando alguma desculpa pouco credível e a seguindo.

Karin rodopiou a anca sobre a cintura, balançando os seios livres de vestes pesadas com um gesto mais rápido. Foi o necessário para ele agarrar sua cintura, a puxando para baixo beijando-a com fervor. Estava com saudades, aqueles últimos dias eles mal se viam… Muito menos tinham tempo a sós. Porém, num precário movimento de sanidade, concluiu que Karin estava louca ao arriscar-se àquilo na sua casa, com o seu pai num quarto ao lado. Teria que controlar melhor sua reiatsu desta vez.

— Taicho, não pensava que a surpresa era só essa, certo? —Falou irónica, fazendo menção ao ambiente geral da estadia em sua casa, murmurava baixo enquanto passava com os lábios muito perto de seu rosto— Relaxe Hitsugaya-Taicho, meu dever como subordinada é ajudá-lo…

Um espasmo fez com que o corpo de Toushirou reagisse automaticamente às palavras de Karin. Ele a beijou feroz, agarrando seus cabelos negros da nuca. Ele sentia que ela queria rir mesmo em meio do beijo pela ironia usada em seu apelido junto do cargo, apesar de na hora em que o dissera, mantivera o tom totalmente sereno e sugestivo. Nunca gostou tanto de ser chamado dessa forma…

O capitão agarrou na ponta da camisola, subindo a mão pelas costas arrastando a peça com ela. Karin parou o beijo para erguer os braços e ele retirar-lhe a peça, ao fazer isso, usando o shunpo, Hitsugaya sentou-se com Karin no meio de si, abocanhando o seio esquerdo. Sua língua rodopiou o mamilo enrijecido, juntando os lábios na ponta, o chupando e puxando de leve com os dentes. Sentiu Karin fechar as pernas, apertando-as contra seu corpo em resposta. A sua mão apertava o seio direito, pressionando a palma da mão contra a zona rosada, enquanto os dedos apertavam toda a extensão do seio médio.

Karin mordia os lábios contendo os sons que eventualmente seriam altos, remexia-se contra a cintura de Toushirou que estimulou o membro deste. Erecto e rígido, ela apertava a vulva no topo da sexualidade de Hitsugaya que enterrava o rosto contra os seus seios, controlando as ondas de prazer que percorriam toda a extensão de seu corpo. A temperatura desceu rapidamente, Toushirou só notara quando percebeu uma pequena nuvem sair por seus lábios.

— Droga… De novo… —pensou irritado.

Karin porém sequer se importou com isso, não havia gelo nas paredes que os denunciasse, portanto não haveria problema na sua perspectiva. Agarrou o pescoço de Toushirou fazendo com que ele a beijasse enquanto ela tirava sua roupa. O capitão aproveitou essa ocasião e enrolou os dedos na calcinha de lado, a abaixando em simultâneo que ela retirava sua camisa.

Ele retirou o restante da roupa e deitou-se sobre ela, tudo em rápidos movimentos que ela com alguma dificuldade percebera. Ele beijava seu pescoço, mordendo o ombro delicado, fazendo com que ela arranhasse seus braços com as pernas presas em sua cintura.

Apesar da ansiedade, ele não demonstrava isso em seus toques. Baixou os beijos pela barriga, chegando à sua intimidade. Karin ruborizou ligeiramente, ainda com alguma timidez quando ele a enxergava com tanta avidez naquela área em especifico. Porém quase esqueceu a vergonha quando mordeu sua virilha, distribuindo vários beijos pela mesma.

Ele ergueu sua coluna com as mãos nas nádegas, depositando as coxas em seus ombros, enterrando seu rosto contra sua intimidade. Sua boca chupou os lábios inchados e encharcados, Karin arregalou os olhos e colocou uma mão na boca a mordendo para não gritar. Sentia o seu orgão contorcer-se, e pulsando em espasmos, sentindo que ficava cada vez mais húmida a cada toque na região sensível. Gemeu longo quando a língua percorreu toda a extensão entre os lábios, parando no clitóris, contornando-a com a ponta da língua e sugando-a com os lábios, apertando mais a força que exercia com a língua. O corpo de Karin começou a tremer compulsivamente quando ele puxava o órgão com mais força e penetrou-a de imediato com dois dedos, as estocadas foram rápidas e breves, porque ela chegou ao orgasmo rapidamente. Algumas gotas de suor se acumulando no topo da testa, ofegando. O rosto do albino estava lambuzado pelo líquido escorrendo por seu pescoço e peito. Sorriu, satisfeito e presunçoso pelo actual estado do rosto corado e suado.

Deitou o rosto junto da orelha de Karin, deixando que as madeixas negras cobrissem parte de seus olhos, sentindo esta estremecer quando suspirou e mordeu de leve o lóbulo, voltando a ficar arrepiada. Penetrou-a com o membro, com os lábios vaginais inchados contornando-o. Gemeu de satisfação. Entrava pausadamente com a Kurosaki mexendo sua cintura conforme as estocadas lentas. A necessidade de aumentar a velocidade mostrou-se maior e a determinada altura as costas de Karin mal tocavam no colchão, ela dobrava-se contra o corpo do albino. Toushirou apenas ofegava, sentindo a transpiração cair por sua pele, ajudando o corpo a empurrar e a deslizar em Karin. Os braços nas costas da Kurosaki a puxaram com força quando a vulva o esmagava entre suas paredes internas num segundo orgasmo de Karin, levando-o a ele ao ápice. Tombou exausto sobre a cama, sem largar a morena, que tinha um pequeno sorriso de canto, mas demasiado ofegante para conseguir dizer algo. E foi nesse silêncio aconchegante, que Toushirou aprendendo a valorizar, que os dois adormeceram, abraçados.

Na manhã seguinte, Isshin pretendendo assustar Hitsugaya, encontra-os dormindo, e sorriu. Ele faria um escândalo para os envergonhar porém o cansaço e as olheiras por debaixo de seus olhos eram evidentes. Eles mereciam um descanso depois de tudo o que passaram. Isshin fechou a porta do quarto, lentamente para não os despertar e dizendo a Yuzu para não incomodar Toushirou nem Karin porque estes precisavam de dormir, não comentando que estavam no mesmo quarto.

Os sucessivos seis dias decorreram com normalidade. Várias reuniões familiares e momentos divertidos na habitação Kurosaki, e diversas visitas ao lar de Haru-baa-chan que preparava melancias para receber o casal. Os dias estavam aquecendo e a fruta era a melhor escolha, sobretudo sendo a preferia do capitão. Ficavam horas os três conversando sobre assuntos nada importantes e aleatórios mas isso também não tornava o diálogo menos cativante ou divertido.

Durante uma semana o capitão e a oficial permitiram-se esquecer todos os problemas e nervosismos por conta do trabalho. Estavam decididos a fazer visitas mais regulares ao Mundo real, não apenas por descanso mas sabia bem estarem juntos de suas famílias. Era reconfortante no meio de uma guerra e do trabalho ter sempre alguém que se preocupe com eles.

Com a convicção e promessa de voltarem mais vezes, a despedida inevitável não tornou-se melancólica ou pesarosa. Era um até breve mais longo. As irmãs abraçaram-se uma última vez, antes de Karin adentrar pelo portão que colocaria um fim às suas pequenas férias, mas não à alegria imensa que preenchia seu peito.

Soul Society

O portal abriu-se entre os dois pilares de pedra, permitindo a dupla de shinigamis atravessá-lo, chegando à Sociedade das Almas. O céu usualmente azulado, dava espaço para diversos tons alaranjados decorarem o céu. Toushirou começou a caminhar junto do esquadrão, porém, parou notando que a morena não o seguia, encarando atentamente o despedir do sol.

— Tão bonito. —Comentou distraída, mantendo o olhar ónix sereno. Uma expressão que o capitão guardou minuciosamente em sua memória.

— O que tem demais? —Karin ergueu uma sobrancelha para ele, desmanchando rápido essa expressão rindo.

— Quando o conheci estava observando o pôr-do-sol, nunca tinha prestado atenção a isso até aquele dia.

Hitsugaya compreendeu ao que esta referia-se, observando o mesmo ponto que esta, recordando aquele momento.

— Quem diria que tudo mudaria a partir daquele momento…—Sussurrou, falando mais para si.

— O quê? Disseste alguma coisa Toushirou?

— Não. Vamos voltar, de certeza que a Matsumoto não fez o lhe mandei na minha ausência.

Suspirou frustrado, fazendo com que Karin risse enquanto o seguia. Observou o símbolo do bantai em suas costas, e por um breve momento quis tocá-lo, sua face ficou rosada com o orgulho que sentiu por ser sua namorada. Namorar um capitão! Nem como humana se imaginaria junto daquele albino do mesmo tamanho que ela… Mas as coisas mudaram. Ele cresceu, ela morreu, os sentimentos evoluíram e…

… O pôr-do-sol não era nada mais que um cenário bonito para ambos.

Caminhavam juntos tranquilamente. Não andavam de mãos dadas nem braços juntos. Sobretudo tinham que manter a cordialidade em público, Karin ainda era subordinada de Toushirou, e ele, seu capitão. Não queria alimentar ainda mais os murmúrios que existiam acerca deles, ou boatos infundamentados que ela alcançara o terceiro posto por ter uma relação amorosa com seu superior. Comentários que continuavam a irritar bastante a Kurosaki e que Hitsugaya compreendia, afinal, estavam a desmerecer sua aptidão e força.

O casal já conseguia enxergar os portões do bantai, quando Karin abrandou o ritmo de sua caminhada olhando atentamente para todas as direcções, tentando também detectar alguma reaitsu próxima deles. Sorriu travessa com a resposta negativa, usando o shunpo, apareceu rapidamente à frente do seu capitão, o surpreendendo pela extrema proximidade repentina, Karin segurou nas abas de seu haori, puxando-as. Obrigando-o a inclinar-se em sua direcção, o beijando. Seus lábios encaixaram-se sobre o lábio superior frio, mordendo de leve enquanto o puxava lentamente. Toushirou numa reacção rápida corresponde, enrolando o braço em sua cintura, aprofundando o beijo.

Contudo foram forçados a separarem-se, com a aproximação de uma alma que atravessava a rua. Karin riu desafiadora, retomando aos passos normais, com as bochechas coradas, deixando Toushirou um tanto emburrado atrás de si. Abanou os ombros, rindo de canto discretamente até alcançar a Kurosaki.

Os serviçais junto do portão do Décimo Esquadrão encurvaram-se respeitosamente, omitindo a euforia inconveniente em receberem o seu capitão. Hitsugaya manteve sua expressão implacável, sem sequer dirigir um olhar ou uma breve saudação. Karin quase riu do jeito frio do namorado. Mesmo ao seu lado, ele nunca desmanchava sua compostura autoritária, o que ele várias vezes descrevia como autoridade e respeito, ela considerava manias de um aluno do primário.

Divertia-se com o seu enfado pelas suas palavras. No fundo, era apenas uma implicância sua para passar o tempo quando os dias se convertiam monótonos. Ela sempre adoraria irritá-lo. E sempre amaria a sua compostura austera exteriormente, e tão protectora interiormente. Ele não era tão frio como aparentava, e ela gostava de ser uma das poucas pessoas a ter o privilégio de saber isso por experiência própria.

Empurrando a porta do seu escritório, Toushirou contava mentalmente, preparando-se para vários montes de relatórios por preencher, que certamente sua tenente inútil não cumprira seu dever os finalizando. No entanto, ficou estupefacto ao deparar-se com o actual cenário dos seus aposentos. Inclusive Karin ficou boquiaberta, recuando cinco passos ao sentir a alta pressão emanar do capitão.

Matsumoto encontrava-se estendida no sofá de dois lugares, com várias garrafas de saquê espalhadas junto de si, um sorriso bobo estava espelhado em sua face. Vários papéis estavam abandonados pela divisão juntamente com mais garrafas, algumas quebradas, impregnando o cheiro a álcool por todos os cantos. Ikkaku estava sentado na poltrona, com a cabeça e braços estendidos pela secretária de Hitsugaya, roncando. O membro do Bantai de Zaraki dormia mais descontraidamente num canto limpo, enquanto Kira estava deitado desajeito no piso.

Karin piscou rapidamente duas vezes os olhos, observando temerosa o albino cerrar os punhos, com os olhos fechados, trincando o lábio inferior. Gelo formava-se em seus pés, estendendo uma brisa congelante em milésimos de segundos pelo Bantai a fazendo arrepiar pelo frio repentino. Rapidamente, cobriu os ouvidos com as palmas das suas mãos, não deixando de ter um pequeno sorriso nos lábios.

— Matsumoto!

A morte é o maior mistério da sociedade. Sua essência oculta no desconhecido apavora os seres humanos. O maior segredo, porventura é também ela a maior certeza que qualquer um pode ter. Karin, como qualquer jovem sonhando com a eternidade, tinha medo da sua vida pós-morte, contudo, toda sua experiência na Sociedade das Almas lhe mostrou que na verdade a vida e a morte não são uma relação de opostos, e sim, uma mesma coisa. Um equilíbrio, a continuidade da mesma pessoa.

Constatou que os olhos turquesas a observavam intrigados por seu sossego repentino, retribui-lhe esse gesto com um sorriso descontraído, seu coração cheio de felicidade esqueceu o medo, não se sentia mais morta. Estava de facto mais viva que qualquer fase anterior de sua existência.

Tudo por causa de um shinigami, Toushirou Hitsugaya.

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