Notas iniciais
Que emoção chegar ao capítulo 40, gente! Estou mesmo muito feliz com todo o desenvolvimento que os capítulos estão a ter, com o apoio de todos os que seguem fielmente a história... muito obrigada, sem vocês isto não seria possível! Desculpem não ter dado muito desenvolvimento na luta. Não tive mesmo tempo e estou um pouco atrasada com as fanfics. Para além disso, fiz o que alguns me pediram: neste especial KiraXMomo, não deixei de citar um curto momento sobre a Karin, já que é a intriga principal. Vai haver capítulos exclusivos para KiraXMomo, pelo menos um haverá mesmo. Obrigada a todos os que seguem AHDK!! Desfrutem da leitura*

O combate preliminar mantinha-se estável. Os dois eram mestres no domínio do kidou, possuíam capacidades de cura, podendo restaurar machucados mais graves enquanto lutavam. Para além disso, o nível de seu shunpo era praticamente idêntico, havendo poucos movimentos velozes que os pudessem surpreender.

— Você até que é boa shinigami. Parece que a subestimei.

Momo mordeu a própria língua, evitando ser impulsiva causando alguma besteira imprudente. O hollow estava a testá-la. Não a vencendo por golpes, queria que ela cria-se alguma abertura por métodos psicológicos. Jogo sujo, mas tudo é válido na guerra.

Quase desesperadamente procurou alguma coisa que denunciasse ainda a existência de seu amigo. Mas nada. Como ela venceria aquela luta? Como derrotar o inimigo sem ferir o corpo de Kira? O que poderia fazer para salvar um e matar o outro?

O colidir entre a reaitsu avermelhada e azulada, abria brechas entre os pés dos shinigamis. Por vezes, ambos ignoravam as espadas que carregavam, limitando-se a um combate físico, medindo forças entre si. Procurando um sentido de oportunidade.

Ambos estavam a limitar seu poder. Momo para encontrar uma solução para o seu dilema interno, e Kira controlando superficialmente o zombie para não machucar Hinamori.

Enquanto Momo era uma estrategista hábil, tendo uma noção real de suas limitações; Izuru era mais frio e calculista. Um contraste que seria interessante se não fossem amantes combatendo entre si, e se não existisse um intruso entre eles.

— Hajike, Tobiume!

O fogo contornou a lâmina da zanpakutou, endireitando e produzindo três dentes na sua lâmina, ao longo do seu comprimento com vários intervalos. Ela ainda não tinha um plano para aplicar, na verdade, nem sabia direito o que fazer. Porém uma luta eterna não resolveria a situação, estaria somente a desgastar-se. Talvez, o hollow demonstrasse algum ponto fraco durante um combate mais perigoso. Seria essa a sua, possivelmente a única, chance de trazer Kira de volta.

Liberou bolas de fogo, explodindo pelo impacto da lâmina de Tobiume. Cada golpe era acompanhado por um som intrigante, o grito de uma gaivota. O fogo apenas queimou as mangas negras de Izuru, fazendo com que o zombie rise.

— Idiota. O que pretende? Queimar todas as minhas roupas? Que shinigami mais pervertida…

O comentário constrangedor, poderia ter insinuado alguma vergonha na tenente. Se ela não estivesse tão concentrada em seu objectivo. Ela encarou suas madeixas morenas, moverem-se segundo os seus movimentos, recordações atingiam-na duramente.

— Sabe Kira-kun… Estava pensando… Em deixá-lo crescer novamente. O que acha?

A mão em seu cabelo transparecia claramente ao que ela se referia. O hollow poderia ter gargalhado, mas estava confuso com a tentativa de diálogo.

— Você por acaso não escuta direito, shinigami? Ele não a pode ouvir.

— Kira-kun, eu sei que me consegue escutar. E que ainda pode lutar.

Irritou o hollow. Sua confiança manchara seu orgulho prepotente. Notou-se pela brutalidade consecutiva em seus golpes. Devido ao shunpo igualitário entre ambos, Momo assistia todos os golpes executados, e prevendo um desses, prendeu com os dois dentes de Tobiume a lâmina de Kira. Enquanto com outra mão, formulava um kidou avermelhado, atingindo o tórax do loiro.

— Me perdoe, Kira-kun.

O remorso em seu tom era percetível.

Após o ligeiro instante em que ele se afastou pelo impacto do canhão vermelho, ela ergueu-se, fazendo com que Hinamori se recompusesse defensivamente.

— Não se preocupe Hinamori-san. Fez o que devia.

— Kira-kun?

Hinamori sorriu abertamente, preparando-se para ir até ele eufórica. No entanto, ele acenou negativamente, para ela não se aproximar. Possivelmente, não estava de todo em si, ainda. Apesar de ser um bom começo, ela precisa de ser positiva.

Ao encontrar-se com o olhar acastanhado, Momo sentiu as pequenas lágrimas traírem-na. Era de facto ele. Kira estava de volta. Era quase impossível não proclamar isso, ao vê-lo sorrindo como sempre para ela.

— Seu cabelo… tenho certeza… que ficará lindo.

Apesar das marcas de sangue em seus lábios, Izuru sorriu. Murmurando, quase inaudível: “confie em mim”. Se Hinamori não tivesse prestado atenção no movimento de seus lábios, talvez não conseguisse interpretar o que este tinha dito.

Obviamente que ela confiava. Porque ele pedia algo desnecessário? Não fazia sentido.

Seu olhar confuso pareceu divertir Kira, que não tinha ainda controlo completo sobre seus movimentos, só conseguindo reduzir a carga dos ataques, na qual Momo defendia facilmente.

— Eu sei como se sente Hinamori-san. Também fui traído pelo meu capitão… e sei o que é ser amado e não ser correspondido. A dor que carrega nunca desaparecerá para sempre, mas quero que saiba que há alguém que sempre a amará.

Não era uma declaração de amor, mas era um começo.

Ou um fim.

Com um sorriso largo, por ter a súbita de coragem de revelar tudo o que seu coração e timidez esconderam ao longo dos anos; num breve instante que recuperou o poder de suas mãos, ele cravou sua zanpakutou em seu peito. Escutou um grito de pânico da tenente ao assistir a quantidade de sangue por ter atingido uma veia intencionalmente.

Momo nunca conseguiria machucá-lo, era bondosa demais. Imediatamente, ela largou o cabo de sua zapakutou, dirigindo-se a ele, em pranto.

— Nunca conseguirei magoá-la com a minha lâmina, Hinamori-san. Prefiro morrer, a viver com esse fardo.

Um, dois, três, quatro… Hinamori continuou a diversificar os jutsus de cura, encontrando algum que pudesse servir para aquele ferimento. Porém, com pouco sucesso. Nenhum estava a estabilizar a hemorragia ou a cicatrizar.

Provavelmente com a recuperação de Izuru, o coração da tenente do quinto bantai poderia ser curado. Uma esperança de cicatrizar as feridas, porém, enxergando o rosto ainda mais pálido de Kira em seu colo, abriu-se uma ferida diferente no peito de Momo: culpa e arrependimento… por não ter visto alguém ao seu lado, a chamando.

Distante de si, os gritos dos shinigamis eram eufóricos pela vitória de Kurosaki Ichigo e seu grupo. Ele salvou a Soul Society de novo, porém essa alegria não alcançou Hinamori, não notando que a guerra tinha acabado. Nem sequer percebeu que o zombie no corpo do loiro tinha desaparecido. Corpos jaziam ao seu lado, honrados pela derrota dos inimigos… No entanto, ela sentia que a batalha tinha sido perdida.

Após algum tempo da guerra, muitos shinigamis demoraram a recompor-se. As patrulhas do Gotei por Rukongai quase desapareceram. Em Rukongai, não existiam almas importantes. Era uma luta por sobrevivência e domínio ilusório. Não existia compaixão ou misericórdia. Cada um por si. Laços afetivos era uma comédia.

Todos estavam mortos, e temiam morrer. Irónico, não?

No entanto, até nos piores lugares há sempre um coração bondoso. Como uma última réstia de esperança. Quando alguém tinha esse privilégio, de conhecer uma alma assim, era um milagre. Seria algo que lembraria ao afortunado que ainda poderia ter uma família, mesmo sem memória.

Uma jovem caminhava descalça sob o solo rochoso, normalmente, sem demonstrar algum tipo de dor ou incómodo por as pedras cortarem os dedos miudinhos. Em poucos dias acostumara-se, era praticamente indiferente o ardor constante. Nas duas mãos carregava algumas melancias que comprara a um mercenário. O termo poderia ser exagerado, afinal, ele era um mero comerciante a explorar almas numa pobreza miserável. Mas para a morena, o conceito enquadrava-se na perfeição. Fazia questão de ser rude com ele. Ele já lhe teria machucado ou vingado-se nela, quem ligaria mesmo? Só não o fez porque perderia uma cliente habitual, lançava então um sorriso cínico, como se não escutasse seus “elogios”.

Por vezes, alguns indivíduos também a provocavam, tentando dar-lhe uma surra. Não sabia como, mas tinha mais força e experiência em combates que eles todos. Sempre vencia calmamente. Por isso tornava-se cada vez mais raro quem a tentava enfrentar. Em alguns momentos, ela tentava perceber de onde vinha suas habilidades incomuns… Quem seria ela? Que tipo de humana fora? Porque seus sonhos eram um borrão de imagens? Porque doía sua cabeça sempre que tentava buscar algo perdido em sua mente?

Quem era ela? Não sabia. O único que sabia era seu nome, estava escrito na terra quando acordou, um fenómeno estranho (no mínimo). Parecia que estava sempre acompanhada, mesmo não vendo ou sentindo alguém.

— Tadaima, vovó!

— Oh, Karin-chan. Está machucada.

Karin contornou os arranhões em seu rosto, recordando-se da breve disputa anterior. Foi mais difícil que o comum, mas nada preocupante. Riu, ela sempre arranjou encrencas. Nada fora do comum.

— Está tudo bem, não precisa se preocupar comigo.

A vovó começou a tossir, com alguma falta de ar. Ultimamente, ela estava engripada, algo comum na sua idade. Contudo, uma simples gripe alarmava por completo a morena, que rapidamente foi até ela, dando batidas leves em suas costas.

— Bachan, você precisa descansar.

Um sorriso doce curvou-se na face enrugada. Um agradecimento simples com a sua preocupação. A avó colocou sua mão sobre a de Karin, enquanto escurecia, um pô-do-sol encantador. Com alguma dificuldade, a mais velha se dirigiu até ao pequeno jardim de sua casa, sentando-se, encarando a paisagem. Sendo seguido por sua neta adotiva que carregava as melancias para comerem.

— Vovó?

— Sabe… há muito tempo atrás, eu não estava sozinha.

Karin percebeu sua melancolia, ficando cabisbaixa. Por sua vez, a vovó a encarou sorrindo. A morena se agachou, cortando pedaços exagerados da melancia, comendo sem esperar pela avó. A água adocicada do fruto escorria pelos cantos de sua boca, apesar de ela infantilmente não se importar com a sujeira. A avó sorriu com seu gesto, se lembrando de alguém em peculiar… O seu pequeno albino que era um devorador de melancias.

— O Toushirou-kun e a Momo-chan também assistiam o pôr-do-sol comendo melancia. Antes de se tornarem shinigamis.

Apesar de a conversa ter suscitado algum interesse em Karin, ela manteve-se normal. Não sabia que a avó tinha tido outras pessoas a viverem com ela.

— Porque não os vai visitar?

— São muito ocupados. Mas mesmo assim eles vem visitar-me muitas vezes.

— Compreendo.

A vovó a encarou com uma seriedade fora do normal, surpreendendo a morena. Aquela bachan era um mistério.

— Obrigada Karin-chan, por me fazer companhia.

Karin limitou-se a sorrir, encarando o sol quase escondido entre a montanha longínqua. Sentia que algo faltava em si. A brisa nocturna sacudiu seus cabelos, a incomodando. Não percebia seu mau estar quando ficava frio ou havia vento, sempre se refugiava como se algo açoitasse a sua mente. Era doloroso… como se ela fosse lembrar de alguma coisa e não conseguisse.

Novamente a mesma pergunta soou repetidamente em sua cabeça:

— Quem sou eu?

Notas finais
Até o próximo mês O/ Espero que tenham gostado! Qualquer coisa é só dizer nos comentários ou por mensagens, é sempre um prazer responder-vos! Beijinhos, Beijinhos.~