A História de Como Salvamos a Terra

1 Arco 1 - Como Tudo Começou


Notas iniciais
Ora, vejam só, parece que você se interessou mesmo pela história em? Legal! Então... Esta é uma pequena introdução para contextualizar os acontecimentos. Essa história será dividida em arcos, cada arco trará um número razoável de capítulos.
Obrigado por ter dado uma chance e espero que curta a leitura.

Não era um dia atípico quando tudo começou. Eram férias de verão da escola e eu, como bom adolescente de 15 anos que sou, estava na casa de campo dos meus avós paternos em uma reunião de família antes de tudo virar de cabeça para baixo.

O dia estava lindo. Ensolarado. Uma brisa fresca corria pelos pastos e refrescava meu rosto, enquanto estava sentado na pequena escada que da para a varanda da casa. Podia ouvir os sons da conversa dos meus tios e primos, risadas. Geralmente eu costumo participar destes momentos, mas estava no meio de um livro muito bom e quando começo a ler não consigo parar até terminar. Então decidi me afastar para retomar a leitura.

O primeiro fenômeno estranho que presenciei foi forte clarão piscando ao longe, na linha do horizonte, que foi forte o suficiente para me chamar atenção, mesmo estando concentrado na leitura. Não sabia onde era exatamente, mas sabia que vinha da cidade. Poucos instantes depois percebi que uma camada espessa de nuvens se espalhava do ponto onde o clarão havia ocorrido e de forma rápida começava a cobrir o céu. Suspeitava que seria questão de menos de uma hora para chegar até a propriedade da minha família.

O problema era que eu estava enganado, foi muito mais rápido, cerca de dez minutos depois as nuvens já cobriam até mesmo o espaço sobre a casa. E eram estranhas, tinham uma mescla de tons de cinza com escarlate e relampejavam com raios de coloração avermelhada. Foi então que ouvi sons estrondosos, como batidas rítmicas em tambor. Inicialmente pensei que eram trovões, mas logo imensas bolas de fogo começaram a sair de entre as nuvens e cair sobre a terra, como uma verdadeira chuva de meteoros. Várias delas voaram em direção à cidade, se concentraram por lá, mas algumas caíram pelas redondezas.

— Jonas! — Ouvi minha mãe gritar da porta da casa. — Saia dai, venha para dentro.

— O que está acontecendo? — Perguntei ao me levantar e caminhar em sua direção. — Estão falando algo nos noticiários?

— Não sabemos, a TV está fora do ar. — Ela respondeu.

Estava quase entrando quando uma das bolas de fogo acertou parte do telhado da varanda e caiu logo em frente a casa. O choque destruiu parte da frente do prédio e o impacto me lançou para trás com força, fui cair próximo à escada que dava para o andar de cima.

— Filho! — Meu pai veio correndo em minha direção. — Você está bem?

Eu não consegui responder, estava muito tonto.

— Vamos, Arthur!- Gritou meu tio para meu pai.

— Sandra, cuida dele. — Ele falou e se afastou. Deixando minha mãe ao meu lado.

Não sabia o motivo da agitação, até perceber o fogo. O lugar que a bola flamejante atingiu estava com focos de incêndio, meus tios e primos tentavam apagar com mangueiras e baldes. Me pus de pé com a ajuda de minha mãe, a tontura estava passando e eu já consegui me fixar bem no chão por mim mesmo.

— Estou bem, mãe. — Falei.

— Senta um pouco e descansa. — Ela disse. — Irei ajudar os outros, se sentir alguma coisa me chama.

Ela correu. Devia obedecê-la, mas preferi voltar até a entrada e ver melhor o que havia me atingido. A poucos metros da faixada da casa havia uma pedra de no mínimo três metros de diâmetro e envolta em muita fumaça. Me aproximei mais e sentia o calor que emanava dela.

Então a pedra começou a rachar. Imaginei que seria devido ao impacto, mas na verdade estava muito enganado, não fora um agente externo que a danificava, mas algo que estava dentro dela que tentava sair. Foi quando ela desabou de vez e em meio aos escombros emergiu uma criatura.

Era feia e fedida. Parecia como uma mistura de tigre e algum inseto. Quadrupede, com enormes garras, não tinha pelos, mas uma couraça estranha de coloração semelhante à das nuvens. Sua cabeça era uma carapaça, lembrava um louva-deus e a boca tinha presas, mas não eram dentes, era a propria estrutura da cabeça que projetava espinhos que lembravam dentes. Muito esguia, parecia que não comia nada ha séculos, além de ter uma cauda que na ponta trazia uma estrutura circular com espinhos.

Fiquei ali, parado, observando atônito enquanto a criatura se levantava e se recompunha, tinha quase o dobro da minha altura e olhava para mim com olhos leitosos. Nos encaramos por alguns instantes e então ela berrou, foi um som infernal. Como o grito de uma criança pequena junto com o som de uma trombeta. Parecia que iria estourar os meus tímpanos.

Quando ela se calou pude ouvir outros sons como aquele em resposta, vindos de diferentes lugares. Seja lá o que aquilo era, não estava sozinha e pior, pareciam se comunicar. Aquilo não parecia nada bom e causava arrepios. Logo todos que estavam na casa já haviam avistado a criatura e a encaravam com espanto.

— Jonas, sai dai! — Disse meu pai. Sua voz tinha um tom de urgência e cautela. — Venha para perto de nós.

A criatura voltou na direção dele e inclinou a cabeça um pouco para o lado, como se tentasse deduzir o que ele estava dizendo. Projetei minha perna direita na intenção de me mover em direção à meu pai, mas assim que fiz o movimento a criatura se voltou para mim e rosnou. Gelei ali mesmo.

— Mas que diabos é essa coisa? — Meu tio, Carlos, irmão mais velho do meu pai, perguntou.

— Tenho uma espingarda no porão. — Disse meu avô. — Posso ir...

— Nem pense nisso, Zé. — Disse minha avó. — Você não tem mais idade para essas coisas, tem que ser um dos rapazes.

— Eu vou. — Disse meu pai. — Mas sinto que o bicho não vai deixar nenhum de nós sair daqui, preciso de uma distração.

— Deixa com a gente. — Disse tio Carlos.

Então ele pegou um dos baldes vazios, jogou contra a criatura e correu. O balde acertou em cheio a cabeça dela e a deixou furiosa. Em um salto ela se pôs a correr atrás dele. Meu pai disparou para dentro da casa. Então, minha tia, Elis, esposa do tio Carlos, pegou outro balde e jogou. Acertou a criatura nas costelas e correu. A criatura pareceu confusa por um tempo, sem saber quem perseguia, então ela percebeu a ausência de meu pai e saltou para cima da casa, entrando por uma janela do andar superior.

— Arthur! — Minha mãe gritou e tentou correr para dentro da casa, mas meu primo, Oliver e minha avó a seguraram. — Está dentro da casa! — Gritou.

Por algum tempo houve um silencio atormentador até que nos assustamos com um som de disparo. Então meu pai chegou voando pela janela da sala e foi jogado no gramado próximo de onde estávamos.

Todos corremos em sua direção. A criatura apareceu pela passagem da janela. Meu avô pegou a espingarda e mirou em sua direção. Ela saltou para atacar, mas ele atirou. Um tiro certeiro na cabeça, que fez muita gosma se espalhar para todos os lados e o corpo inerte da coisa cair sobre o assoalho de madeira da varanda.

— Toma essa filha da mãe! — Ele vibrou.

Me aproximei de meu pai e notei que ele estava ferido. Marcas profundas de arranhão em seu peito.

— Precisamos de um médico. — Disse tio Carlos. — Urgente.

Mal tivemos tempo de pensar em mais alguma coisa quando o som estridente da criatura soou mais uma vez e quando nos demos conta havia mais três delas. Uma sobre o telhado da casa e as outras duas se aproximando pelo chão.

— De onde estão vindo essas aberrações? — Perguntou meu avô, revoltado.

— Temos que ir embora daqui. — Minha mãe falou.

— Os carros estão na garagem. — Tia Elis apontou em direção ao fundo da casa.

— Como vamos chegar até lá? — Carla, irmã mais velha de Oliver, perguntou.

— Abrindo um buraco na cabeça delas com essa belezinha aqui. — Meu avô disse acariciando a espingarda. Ele deveria estar se sentindo um verdadeiro protagonista de filme de ação. — Vocês vão na frente, eu dou cobertura.

Eu e tio Carlos ajudamos meu pai a se levantar e ele se apoiou nos ombros do irmão. Começamos a correr. A criatura que estava sobre a casa saltou para o chão logo à nossa frente e meu avô agiu rápido, disparou a arma e acertou o bicho no peito. Não matou, mas a feriu pra valer, a tirando do caminho, o que nos permitiu passar e chegar aos fundos da propriedade. O problema era que outra criatura estava a nossa espera lá.

— Manda ver pai! — Disse tio Carlos.

Ele atirou, mas a criatura conseguiu se desviar do tiro e avançou em nossa direção. O grupo se espalhou correndo para diferentes direções. Mas meu avô permaneceu onde estava, armando a espingarda para o próximo ataque. Ele não teria tempo de escapar. Quase não pensei naquela hora e agi por puro instinto. Peguei uma tora de madeira que estava no chão, interceptei a rota da criatura e com toda a força que tinha aceitei com uma paulada de baixo pra cima na cabeça dela. A pancada não causou muito estrago, mas deslocou a mandíbula da criatura, o que nos fez ganhar tempo para correr em direção à garagem.

Meu avó assumiu o banco do motorista do Fiat Strada e eu o do passageiro. Ele arrancou com o carro para fora da garagem e foi em direção ao resto do pessoal. Meu pai, minha mãe e minha avó ocuparam os bancos de trás, enquanto meus tios e seus dois filhos subiram na carroceria. Então meu avô pisou no acelerador e partiu em direção à saída da propriedade. As criaturas gritaram e tentaram correr atrás de nós, mas não conseguiram acompanhar. Logo as perdemos de vista.

Seguimos em direção à cidade acreditando que encontraríamos uma situação melhor, mas antes tivéssemos ficado onde estávamos. A cidade estava um verdadeiro caos. Prédios em chamas e outros destruídos, escombros pelas ruas. Pessoas gritando e correndo desesperadas e muitos corpos, além de várias criatura como aquelas por todos os lados.

Meu avô continuou em velocidade tentando desviar dos obstáculos pelo caminhos, até que em um cruzamento fomos atingidos por outro veículo que vinha tão rápido quanto. Mal tive tempo de processar o que estava acontecendo. Fomos pegos de lado. O nosso carro foi jogado para longe, capitando várias vezes. Vi o mundo girar. Como eu estava sem cinto de segurança fui acompanhando o movimento por dentro.

Quando enfim parou eu percebi que estava jogado no chão. Muito tonto. Sabia que meu corpo doía, mas a dor não incomodava, talvez por causa da adrenalina. Consegui sentar e olhei em volta. O carro estava de cabeça para baixo a poucos metros. Avistei meu tio e meus primos mais ao longe, estavam ao lado do corpo da tia Elis, que estava deitada no chão imóvel.

Pelo para-brisas metade do corpo do meu avô estava para fora, no chão, a outra permanecia ainda dentro do carro, ele também estava sem cinto. Também consegui ver que meus pais e minha avó estavam lá, presos de cabeça para baixo, já que tinham afivelado os cintos. Pensei em ir em direção a eles, mas uma das criaturas saltou sobre o carro.

Meu coração gelou. O que eu faria. Será que se eu chamasse a atenção dela para mim e corresse conseguiria que ela os deixasse em paz? Isso contando que eu consiga correr o suficiente para escapar e sobreviver. Em um misero segundo mil coisas passavam por minha mente. Até que ouvi sons de tiro, uma metralhadora. A criatura se contorceu ao receber os disparos e pendeu para o lado, morta. Então um grupo de policiais das forças especiais se aproximou correndo.

— Você está bem, garoto? — Um deles me perguntou.

— Acho que sim. — Falei. — Meus pais... — Apontei em direção ao carro.

— Fique tranquilo, eles ficarão bem. — Ele colocou a mão sobre meu ombro como um gesto de conforto. — Cuidaremos de tudo.

A equipe policial se mobilizou para ajudar minha família e eu permaneci ali, parado, ainda tentando processar tudo aquilo que estava acontecendo. Até que avistei um feixe de luz verde que parecia partir da terra em direção ao céu e por onde ele passava as nuvens sombrias abriam espaço, como se as assustasse.

Aquilo me encheu de uma sensação que eu não sabia explicar, um sentimento que lembrava uma mistura de saudade e desejo, algo que fazia meu coração palpitar e naquele momento eu soube que haja o que houvesse, precisava chegar até aquele feixe de luz verde a qualquer custo, meu corpo todo parecia dizer aquilo, nem que eu tivesse de atravessar um mar daquelas criaturas. Não havia outra opção e era isso que eu faria.

Notas finais
Nos vemos em breve, no próximo capitulo. See ya!