A História De Uma Semi-deusa

15 A caminho da Rússia


– Para onde você pretende ir? – pergunta Iago

– Para a Rússia. – respondo

– Tem certeza?

– Tenho.

Fomos para o centro da cidade e pegamos um ônibus para a Rússia. A viajem foi normal. Bem normal, até demais para o meu gosto.

Quando chegamos na fronteira todos os passageiros desceram, menos três senhoras que conversam, e acabei escutando:

– rápido com isso! – exclama uma das velinhas. – Ela não pode chegar viva lá.

– Cama! Parece que essa tesoura está cega. – no instante que outra delas falou isso senti uma tontura e desmaiei por alguns segundos.

– íris! Íris! – fala Iago – você está bem?

– Estou só senti uma tontura. – respondo

– Tente de novo! – a primeira velha fala novamente.

– Estou tentando – a segunda responde

– Parem de brigar vocês duas – fala a terceira senhora – e você ande logo com isso!

– E precisa ser rápido! Quando ela chegar na Rússia não dará mais tempo! Tudo estará acabado.

– Venha aqui! – chamei Iago e o puxando pelo braço. Paramos em frente as três senhoras – O que vocês querem tanto cortar?

– Nada... nada – fala a senhora da esquerda

– Tem certeza? – pergunto tirando meu anel e colocando minha espada no pescoço da senhora da esquerda. – O que você quis dizer com ‘’o tempo está acabando, quando ela chegar na Rússia tudo estará acabado’’?

– Tem certeza? – pergunto novamente, ela faz que sim com a cabeça e logo em seguida corto seu peito fazendo-a se transformar em pó. – Vamos para a próxima. Você. – digo apontando para a da direita. – O que você tem a me dizer?

– N... nada – ela gagueja

– Certeza? – pergunto

– Sim. – ela me responde

– E você? – pergunto para a do meio – O que tem à me dizer?

– Na... quero dizer ... sim... – ela diz – sou uma das três parcas e nosso mestre nos mandou para cortar seu fio da vida... por favor, não me mate!

– Obrigada, você foi inteligente mas nem tanto. – falo cortando sua cabeça.

– Íris... – fala Iago – porque você fez isso?

– Porque? Ela iria correndo contar à ‘’seu mestre’’ que estou viva, e que matei suas irmãs.

– Mas de qualquer jeito Digore saberá que você está, e que esta indo atrás dele. – Iago fala.

– Sim saberá, mas só quando estivermos frente a frente.

– Atenção todos os passageiros, o ônibus parte daqui dez minutos, obrigado — fala uma voz de mulher para toda a estação.

– Vamos, vamos nos sentar. – falo indo me sentar na poltrona. Sentei-me e fiquei olhando lá fora, pensei em Henrique e como voltaria para o acampamento sem ele... olhei para Iago e ele estava olhando para o nada, olhei para os passageiros que entravam felizes, sem saber que o mundo que eles conhecem poderia acabar amanhã...

– Chegaremos a moscou em 4 horas – avisa o motorista do ônibus

Me encostei na poltrona e tentei dormir, mas não consegui, peguei meus fones de ouvido e comecei escutar música.

Um garotinho de olhos castanhos e cabelos encaracolados ficou de joelhos em cima do banco e falou para mim :

– Oi!

– Oi – respondi para ele tirando os fones de ouvido

– Qual é o seu nome? – ele pergunta

– Íris e o seu?

– Caio. Gostei do seu anel.

– Ah obrigada... – falei

– Caio se comporte – fala uma mulher para ele.

– Tchau Íris. – ele diz acenando para mim

– Tchau Caio.

Coloco meus fones e volto a escutar minha música.

Do nada o ônibus para. Olho para fora da janela e não vejo nada de diferente a não ser uma estrada.

Escuto uma explosão, e vejo um carro capotando ao lado do ônibus.

Todos os passageiros começam a gritar. Olho para Iago e pensamos juntos, ativamos nossas espadas e saímos do ônibus, para ver o que houve.

Escuto outra explosão e vou mais para frente, vejo um dragão negro descontrolado, e, em cima dele havia um homem de armadura negra.

– Ok, como vamos acabar com isso? – pergunto para Iago

– Você voa, eu fico somente no chão eu cuido do dragão e você do guerreiro. – ele fala – tudo bem?

– Sim. – concordo – boa sorte

– Boa sorte.

Corro até o dragão e subo nele. O cavaleiro solta as rédeas do dragão e começamos a lutar. O guerreiro tinha o dobro do meu tamanho. Olhei para seus pés e ele não os mexia muito, joguei um raio nele e o fiz cair do dragão. Corri até ele e ergui minha espada, o céu começou a ficar negro e começou a cair pingos de chuva. Nunca tinha feito nada parecido, dei um grito e canalizei um enorme raio da minha espada para o peito do guerreiro. Ele ainda estava vivo, mas não se mexia, olhei para Iago e ele lutava com o dragão, voltei-me para o guerreiro e lhe fiz um corte do peito. Mas não foi muito profundo, olhei para os passageiros do ônibus que me olhavam com medo. Vi de relance o garotinho, ele era o único que não parecia ter medo. Olhei novamente para o homem, e consegui ver seus olhos, quando ia matá-lo, senti uma fraqueza, ele me olhava de um jeito, como se dissesse não me mate, olhei novamente para Iago e o vi cortando a cabeça do dragão, voltei-me para o homem e disse :

– Desculpe. – ele me olhou e cortei seu peito.

Os passageiros do ônibus nos olhavam com terror nos olhos.

– Não podemos entrar mais no ônibus. – falei – vamos para a floresta.

– Ok, mas como você pretende chegar na Rússia assim? – ele me pergunta

– Daremos um jeito, afinal sempre damos. – falo – Vamos dar o fora daqui.