A História dos Selvagens - Parte 1 - Medo
5 Lucas: O futuro não é mais como era antigamente
Notas iniciais
Nos sentamos nas cadeiras e Tatiane apertou o botão “play” do toca-fitas. A fita começou a tocar de novo e apesar deter ouvido ela apenas uma vez, dois dias atrás, me lembrava de cada palavra. Quando terminou, Tatiane disse:
_Como vocês acham que isso chegou até nós?
Vitor ergueu uma sobrancelha, como se a resposta fosse óbvia:
_Alguém entrou nas nossas casas e colocou a fita lá, não?
Balancei a cabeça negativamente:
_Um homem que só entra nas casas de pessoas para deixar uma fita?_ Indaguei.
Vitor deu de ombros.
_Talvez seja apenas um terrorista._ Obviamente, estava tentando convencer mais a si mesmo do que a nós.
_Então, um terrorista que entra em casas aleatórias só para deixar uma fita?_ Disse Tatiane. _Se fosse um CD eu até acreditaria.
Assenti, concordando. Vitor revirou os olhos e disse:
_Olha, só estou dizendo que essa fita não pode ter surgido do nada.
Pensei um pouco. Esperava que Tatiane fosse fazer algum comentário, mas ela não o fez. Ficamos vários momentos em silêncio, quando finalmente achei algo pra dizer:
_Bem, talvez alguma força maior esteja agindo._ Percebi o quanto o comentário soou idiota quando ele saiu.
Mas ninguém riu. Pelo contrário. Ambos, muitos sérios, inclinaram e assentiram a cabeça, em sinal de concordância.
_É o melhor palpite que temos._ Falou Tatiane.
Vitor suspirou, e percebi imediatamente que ia entrar em um assunto um tanto mais delicado.
_E se tudo isso for verdade..._ Começou. _Vocês ouviram como descreveram a Terra! É assustador não?
Tatiane esfregou a mão na boca e suspirou. Eu simplesmente assenti. Lembrei subitamente do sonho que eu tive depois que eu ouvi a fita. Aquilo escapou da minha boca assim que eu pensei:
_Ei, vocês também tiveram sonhos com um cara careca de camisa vermelha?
Ambos assentiram.
_Alguém sabe quem ele é?
Vitor respondeu:
_Não sei. Bem, ele estava no Governo, certo? Deve ser uma pessoa importante. E se apareceu com aquele tom sério, deve ser importante na história.
Tatiane assentiu e disse:
_Quando a fita termina, não parece que a aventura dele termina, não é? Quer dizer, a aventura do Fernando.
Assenti e percebi aonde ela queria chegar. Continuei o raciocínio dela:
_Além disso, na fita está escrito M.E.D.O. 1. O que pode significar que haverá outras fitas, sendo essa a primeira e as outras quatro seguindo as ordens dos números.
Ela assentiu de um modo um tanto exagerado. Vitor também pareceu concordar, embora não o demonstrou. Depois, ele disse:
_Não podemos contar tudo isso a eles._ Apontou para a porta, falando obviamente dos dois caras que nos trouxeram aqui. _Vamos escolher o que podemos ou não contar, tudo bem pra vocês?
Assentimos e começamos a debater sobre o que falar. Decidimos falar apenas uma parte do que concluímos sobre como essa fita havia chegado nas nossas mãos e tudo sobre a fita e possíveis novas. Eu e Vitor já nos levantávamos para sair da sala, quando Tatiane nos parou, dizendo que devíamos ouvir a fita mais uma vez. Com um pouco de relutância, nos sentamos e ouvimos a fita de novo.
Ao sairmos da sala, Carlos e Rafael já estavam nos esperando. Se levantaram de um salto e olharam para nós.
_E então?_ Perguntou Rafael.
Contamos tudo o que combinamos de dizer, e eles pareceram meio decepcionados, pois parecia ser pouco para eles. Carlos disse:
_Bem, acho que quanto a quem colocou a fita nas suas casas, vamos ter que descobrir de algum jeito.
Rafael assentiu. Eu, Tatiane e Vitor nos entreolhamos nervosamente. Ela inclinou um pouco a cabeça para a frente, ergueu as sobrancelhas e disse:
_Então, podemos ir?
Rafael assentiu e já estávamos quase correndo dali quando ele nos chamou:
_Antes, vocês precisam nos prometer uma coisa.
De novo, eu e meus novos amigos nos entreolhamos.
_Que tipo de coisa?_ Indaguei.
Ele olhou para nós com uma expressão grave. E então deu sua sentença:
_Vocês vão me prometer que não vão ouvir uma outra fita desse tipo, se ela vier, entendido?
Suspirei, quase tremendo. Tatiane olhou pra mim, deixando claro que eu devia dar a resposta por todos nós.
_Ok._ Disse por fim. _Nós prometemos.
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