Notas iniciais
Espero que gostem!

Quase deixei o telefone cair no chão.

_O quê?_ Engasguei.

_Ela não estava viva._ Respondeu Tatiane. _Estava falando comigo. Estava igual a uma pessoa viva, só que... fantasmagórica.

Esfreguei a mão na testa. Estava trêmulo. Fiquei vários minutos em silêncio:

_Ainda está aí?_ Perguntou ela.

_Sim._ Respondi. _Você disse que ela conversou com você. O que ela disse?

Ela suspirou.

_Ela disse que o futuro da missão de Fernando dependia de nós, e o da nossa dependia deles._ Disse.

Franzi a testa. Dava pra entender porquê a nossa missão dependia deles. Mas por que o contrário também?

_O que mais?_ Indaguei.

_Disse que tem medo de que você se machuque.

_Como assim?_ Gritei, surpreso.

_Ela disse que tem acompanhado seus passos desde que você era pequeno. Sente que você e Fernando são muito parecidos.

Esfreguei a mão na testa de novo. Estava com os olhos arregalados.

_Mais alguma coisa?_ Falei com a voz trêmula.

_Não._ Ela respondeu.

Suspirei novamente. Depois, me despedi de Tatiane e desliguei o telefone. Comecei a sentir uma dor de cabeça muito forte. Uma sensação de cansaço começou a tomar conta de mim. Deitei na cama e dormi. Por sorte, não tive pesadelos.

Cinco dias depois, eu estava de volta a sede da prefeitura. Não havia acontecido muita coisa. Pensei que sempre que encontrava com minha professora de ciências na escola, os olhos dela deixavam de ser castanhos e passavam a ser verdes. Mas, fora isso, nada aconteceu.

Chegando lá, Rafael e Carlos me encaminharam de novo para a sala de reuniões. Vitor e Tatiane já estavam lá dentro. O toca fitas estava sobre a mesa.

Me sentei em uma das cadeiras, e Rafael fechou a porta. Ficamos alguns minutos em silêncio, até que Vitor decidiu colocar a fita para ouvirmos. Tatiane o impediu:

_Temos que falar uma coisa antes._ E olhou pra mim.

Suspirei. E contei tudo sobre o plano, o meu sonho, a professora de ciências e o sonho da Tatiane. Ela confirmou tudo.

_Espera._ Disse Vitor, quando terminei. _Por que eu não tive sonhos?

Franzi a testa.

_Sério?_ Indaguei.

Ele assentiu. Olhei pra Tatiane. Ela parecia meio assutada com aquilo. Eu entendia ela. Aquilo poderia significar mais problemas.

_Vamos pensar sobre isso depois._ Falei. _Por enquanto, só vamos nos concentrar no plano.

Vitor deu de ombros.

_Não sei se tem muita coisa o que descobrir. O governante falou, a mãe do Fernando falou, a professora de ciências maluca falou. O que falta a decidir?

_Bem, como fazer isso, talvez?_ Falei, erguendo a sobrancelha. _E como avisar aos nossos pais?

Ele bufou.

_Os meus vão concordar.

Eu e Tatiane nos entreolhamos. Havia um tantinho de pena na expressão dela. Suspirei. Então olhei pra ele.

_Ok._ Eu disse. _Vamos falar com eles sobre isso. E depois falamos com o governo. Agora, vamos acabar logo com isso. Coloque a fita para a ouvirmos.

Antes de abrir a porta da minha casa, respirei fundo. Assim que entrei, fui direto pro quarto, pegar a fita. Minha mãe apareceu na porta.

_Oi filho!_ Ela sorriu pra mim. _Como foi lá?

_Bem._ Falei. Contei a mesma mentira da vez anterior. _Precisamos conversar.

Ela franziu a testa e se sentou na minha cama.

_O que foi?

Suspirei.

_Bem, acho que devo começar com isso._ E mostrei a fita a ela.

Então as coisas estranhas começaram a acontecer. Os olhos da minha mãe brilharam na cor verde. Fico com uma expressão de medo, como se soubesse o que aquilo significava. E então desmaiou. Não tive sequer tempo de me desesperar, pois o telefone tocou. Estudei o número, mas não o reconheci. Atendi o telefone.

_Alô?_ Minhas mãos tremiam e minha voz falhava.

_É agora._ A voz do governante falou, um tanto rouca, do outro lado da linha.

Minha visão escureceu, minhas pernas estremeceram e eu desmaiei também.