A História de Uma Semideusa - Crios
19 Não Encontrei Um Bom Titúlo
Notas iniciais
Vou resumir a minha tarde pré-guerra.
Na aula de esgrima eu fiz dupla com Vickie e Summy (citei que ele é o líder do patrono de Ares?) mandou a gente repetir todos os 100 golpes, dos quais eu só conhecia 20. Na aula de grego antigo eu consegui ler duas páginas de texto sem parar pra traduzir e comecei a ler um livro em grego (fácil já li um em inglês). Não teve canoagem, porque isso não iria ajudar na guerra, invés disso, fiquei o horário todo assistindo o patrono de Poseidon levantar paredões de água e não se molharem, mas eu sai da aula encharcada. O patrono de Deméter não arrumou os quartos, ficaram treinando como erguer ervas daninha e plantas venenosas enquanto eu e Katie (citei que ela fica comigo todos os horários?) íamos cortando elas com nossas espadas, só pra depois dá uma passada na enfermaria e beber um pouco de néctar, porque aquela erva funcionava mesmo. O patrono de Hermes levou todo mundo pra dentro da floresta e jogamos algo do tipo “bandeirinha”, que me lembrou o Caça a Bandeira do Acampamento Meio- Sangue, mas nós não tínhamos isso aqui.
Vocês devem estar achando que eu me esqueci de Mary. Eu sei que só tive um sonho com ela, mas sonho de semideuses nunca é sonho. O Sr. Terácio disse que enviou dois sátiros para encontra-la e traze-la em segurança para o acampamento. Os sátiros tinham mandado uma mensagem de Iris avisando que provavelmente só iriam conseguir chegar hoje à noite.
Logo depois da “bandeirinha” na floresta, eu fui à enfermaria visitar Holl. O néctar estava fazendo efeito rápido nele, e ele iria lutar na guerra de amanhã, mesmo eu insistindo que não. Encontrei-o sentado na cama comendo ambrosia, muito solitário, mas acho que com anos naquela prisão ele já deve ter se acostumado. Eu me sentei na beirada da cama.
– E ai? Como vai? – perguntei.
– Me curando rápido. – ele respondeu. – Amanhã estarei bom.
– Você não precisa lutar amanhã.
– O que? E perder a vingança perfeita contra aqueles gigantes? Está doida?
– Hahaha. É verdade, você deve ter muito do que se vingar.
– Mal posso esperar pra decapitar todos eles. Vou guardar a cabeça como troféu!
Depois disso, ele encheu a boca com mais uma colherada de ambrosia. Eu olhei para ele e de repente me lembrei de uma coisa.
– Hum, Holl, tem uma coisa que você precisa saber.
– O que é?
– Bem, eu tenho um amigo chamado Grus...
– O conheci. O único que veio me visitar, além de você.
– Ele acha que conhece a sua irmã.
Holl me encarou. Quando vi a expressão dele, não acreditei. Ele estava duvidando de mim! De mim! Eu que o ajudei a sair daquela prisão horrível! Eu que fui amiga dele e que lutei com ele! Ele estava duvidando de mim!
– Eu estou falando sério! – exclamei.
– Não pode ser. E-ela foi levada pelos gigantes!
– Ela pode ter fugido!
– Já perguntou para ela?
– Grus ficou de me dar uma resposta no jantar.
– Está bem.
Ele voltou sua atenção pra ambrosia e eu soube que a conversa tinha acabado. Fui para o refeitório.
O local estava agitado como sempre, as pessoas comendo animadas. Sentei-me na minha típica mesa com John e Leae. Eles estavam conversando seriamente sobre algum assunto importante, pareciam estar discutindo. Quando me aproximei, eles encerraram conversa.
– Oi. – eu disse.
– Oi. – disse Leae.
John levantou um polegar. Percebi que o clima entre eles estava tenso, e como uma boa amiga, eu perguntei:
– Aconteceu alguma coisa?
– Sim. – respondeu Leae.
– Não. – respondeu John.
Os dois trocaram olhares furiosos e depois de perder, John se levantou e foi se sentar em outro lugar, longe da gente, com os irmãos dele.
– Desabafa. – falei.
Depois de me contar toda a história de como eles tinham se beijado e depois ficaram ela pensou que ele estava gostando dela e ai ela descobriu que o beijo e todo o resto foi só por causa de uma aposta com um dos irmãos e que depois de então os dois viviam discutindo. Depois de consolar ela e dizer que ele era um babaca e mais um monte de coisa, e que eu já tinha assistido esse filme e se chamava “Garotos”. Depois de rimos da minha piada sem graça e conversamos mais algum assunto de garotas que sofremos por garotos e como nós éramos jovens e não precisávamos de nada disso e blá, blá, blá.
Depois de tudo isso, quando meu prato já estava quase vazio, Grus apareceu com uma menina. Ela tinha cabelos loiros e cacheados, como os de Holl, e tinha olhos negros, como os de Holl, tinha as feições muito parecidas com as de Holl. Ai que me ocorreu que aquela poderia ser a irmã dele. Grus e a menina se aproximaram e se sentaram à mesa.
– Oi Beky. – Grus cumprimentou.
– Olá. – respondi.
– Essa é Geny Mason.
– Olá. – Geny cumprimentou.
– Você é a irmã de Holl? – eu indaguei.
– Holl? Meu irmãozinho?
– Que ficou preso no Templo de Gelo.
– É!
– Ele está aqui.
– Aonde? Como ele saiu de lá?
– Grus! Você devia ter contado pra ela!
– Maus... – murmurou Grus.
– Podem me dizer onde esta o meu irmão! – ela gritou, atraindo olhares.
– Claro, Geny, me acompanhe. – eu disse calmamente, ou meio nervosa por causa dos olhares.
Saímos do refeitório para a noite fria. Fiquei com saudade do meu casaco de pele. Lembrei-me, então, que ele era de Geny.
– O seu casaco de peles é bem quente. – eu disse á ela, enquanto íamos andando em direção à enfermaria.
– Como você sabe? – ela indagou, erguendo uma sobrancelha.
– Eu fiquei presa lá com seu irmão. Fui eu que o ajudei a sair.
Vi-me contando a história toda para Geny, desde quando eu ouvi a conversa de Mike e o centauro. Então uma duvida me veio à mente. Quem seria aquele centauro? Lembrei-me da minha chegada ao acampamento e dos dois centauros guardando a escada... Parei de repente.
– Geny. Você vai encontrar seu irmão na terceira maca da fileira esquerda. Eu preciso. – dizendo isso eu sai correndo de volta para o refeitório.
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