A História de Uma Semideusa - Crios

6 Conheço o Meu Quarto da Morte


Assim que conseguimos sair do refeitório a garota se jogou em um banquinho que tinha do lado de fora. Ela ofegou um pouco e fez um sinal para que eu me sentasse do lado dela.

– Olá. – ela começou. – Eu sou Katie, filha de Hades. A única que eu conheço.

– Olá Katie. – eu disse. – Um prazer te conhecer.

– Bem. Eu serei sua colega de quarto se você quiser. Se não, serei só sua colega de andar.

– Colega de quarto tá bom.

– Então? O que quer fazer agora? Esgrima? Arco e flecha? Caçada a monstros na floresta?

– Realmente não sei. Qual você me aconselha?

– Eu não entendi muito bem esse lance dos seus parentes, mas você tem sangue de Apolo nas veias. Eu aconselharia arco e flecha, os filhos de Apolo podem não gostar muito do fato de você não ter escolhido eles. Acho que amanhã eles melhoram. Eu sugiro esgrima, os filhos de Ares devem dar umas aulinhas pra você.

– Esgrima então.

– Primeiro temos que arranjar uma camisa do acampamento, uma armadura e uma espada pra você. As atividades só recomeçam às 14 horas, então nós teremos algum tempo.

– Você pode começar me apresentando nosso quarto.

– Claro, venha comigo.

Segui Katie até os prédios. Era realmente ali os dormitórios, mas não eram seis em cada como eu imaginava, eram seis em um e sete em outro. Fiquei imaginando quem seria o andar extra. Entramos no prédio com sete andares, como não tinha elevador, tivemos que usar as escadas. Fui contando os andares, para me lembrar depois. Um, dois, três, quatro... Sete. Paramos nos sétimo andar e ai eu me lembrei que Hades não tinha um trono no Olimpo e sendo doze tronos, ele só poderia ser o extra.

Katie abriu a porta do quarto. Era um dormitório comum de acampamento, tirando o arrepio que dava ficar ali dentro. Tinha dois beliches. Um deles estava com cheio de roupas, o outro era um amontoado de papeis e um notebook vermelho, o terceiro era cheio de armas, espadas, arcos e flechas, adagas, facas, entre outras armas perigosas. A quarta cama só tinha um lençol preto esfarrapado e travesseiros.

– Bem vinda ao nosso quarto! – disse Katie.

– Legal. Parece confortável. Em que cama eu fico? – perguntei.

– Vou dar um jeito naquela ali – ela apontou pra cama cheia de armas – pra você. Pode começar me ajudando a tirar aquelas armas dai de cima.

Juntas, tiramos todas as armas da cama. Vazia, ela se parecia muito com o beliche de cima. Depois que ela estava bem arrumadinha e com um ar menos mortífero eu me joguei nela. Era um pouco macia, mas rangia com sua madeira velha. Do lado tinha uma mesinha, onde eu coloquei meu celular e minha carteira. Só ai que eu me dei conta que tinha deixado à mochila no colégio e agora ela deveria estar nos achados e perdidos!

– Katie, eu tenho que voltar agora!

– Por quê? – ela indagou. – Não gostou daqui?

– Não é isso, eu amei o nosso quarto! Mas eu deixei minha mochila com os meus pertences escolares no colégio!

– Assim que eu deixa-la com os filhos de Ares posso pedir para Vector ir buscar pra você. Ele sabe como é?

– Sabe sim, obrigada! Que alivio!

– Ha ha!

– E a minha aula de esgrima?

– Você precisa de uma camiseta do acampamento, como você não tem, pode usar uma das minhas, mas terá que arranjar as suas.

– Ok! Muitíssimo obrigada!

Ela foi até um armário velho que estava no canto do quarto e pegou uma camiseta azul esfarrapada com o nome do acampamento. Depois ela me entregou e disse:

– Você pode se trocar ali no banheiro – ela apontou pra uma portinha do lado do armário – e eu te encontro lá em baixo.

Agradeci e depois fui me trocar. Quando acabei eu desci e encontrei Katie me esperando lá em baixo. Os semideuses já estavam voltando para suas atividades normais e eu fiquei feliz por não prestarem atenção enquanto cruzávamos o gramado até a arena. Katie foi me explicando que lá, você escolhia uma dupla com a mesma experiência em esgrima que você, o que seria um pouco difícil para mim. Então vocês duelavam. Era proibido ferir alguém propositalmente, caso isso ocorresse, a pessoa teria uma audiência que decidiria se ela continuaria ou não nos Jogos.

– O que são os Jogos? – indaguei.

– Ocorrem todos os anos. – Katie explicou. – Escolhem um semideus para representar cada um dos deuses. É uma disputa estre semideuses. Tinham doze categorias, esse ano incluíram mais uma, agora são treze. Cada um dos deuses propõe um dos desafios. Ganha o semideus que conseguir vencer todos. Ano passado uma garota chamada Danie ganhou.

– Qualquer um pode participar?

– Não. É eleito um semideus de cada patrono, que é como chamamos os andares, porque é estranho falar um semideus de cada andar.

– Os acampamentos mantém contato? Ou os campistas se encontram?

– Geralmente os lideres de patrono enviam uma mensagem de Íris ou outra para os acampamentos que ficam nos EUA, porque é lá que ocorre a maioria dos acontecimentos divinos dos deuses! Mas de três em três anos acorre um torneio, chamado Di Immortales Festival.

– É tipo os Jogos?

– Mais ou menos. Invés de um semideus de cada patrono são dois semideuses de cada acampamento e os desafios são mais perigosos.

– Quais as chances de eu poder participar?

– Beky, se eu fosse você esqueceria isso.

– Por quê?

– Os Jogos e o Di Immortales Festival são muito perigosos. Tiveram alguns anos em que foram suspensos pela quantidade de mutilações e mortes! É algo muito perigoso. E além do mais só é permitido a partir de 13 anos, então pode ir tirando o cavalinho da chuva!

– Poxa... O cavalinho gostava tanto de lá!

Eu e Katie rimos com a minha piada. Ali estava eu e uma garota que eu já podia chamar de amiga. Continuamos caminhando até que estávamos bem perto da fonte. Tinha um garoto alto de cabelos pretos conversando com um centauro. O garoto era Mike, eu tinha certeza. Quando chegamos mais perto, Katie me puxou para trás de uma pedra e sussurrou:

– Silêncio...

Notas finais
Galerinha! Qual monstro, ou titã ou até uma força superior a eles; vocês acham que devia ser o vilão da história? Postem nos comentarios, please!!!