A História de Nós Dois

1 Prelúdio - Adeus, Chevalier


Notas iniciais
Olá leitores. Eis que chego com minha primeira fanfiction de época Ela será ambientada no século XIX, mais precisamente 1813. Escolhi essa data por ser a mesma em que se passa a estória de Orgulho e Preconceito, a maravilhosa obra de Jane Austen, da qual sou fã. Les Miserables, Mestre dos Mares e A Invenção de Hugo Cabret também foram referência e influência de ápoca e costumes para a estória á seguir. Começaremos apresentando um POV do Camus e depois as fichas dos personagens com seus perfis. Conhecê-los antes irá ajudá-los e entender á medida que eles forem aparecendo na estória. Foi dada a partida! Boa leitura!

Prelúdio



Adeus, Chevalier

Era a tarde do vigésimo quinto dia á bordo do Chevalier, o imponente navio de guerra.

A mim, Camus Albert Garret, Primeiro Tenente, foi dada a missão de comandar a tripulação na última viagem antes da Páscoa. Havíamos saído do Líbano há quase um mês, seria a última etapa de uma longa jornada de mais de um ano ao todo á serviço da Marinha Francesa. Ainda nos restava atravessar o litoral grego, contornar toda a Itália e finalmente chegar á nossa amada terra em regresso.

Nessa missão, abatemos dois navios ingleses e fomos ameaçados inúmeras outras, incluindo piratas. Apesar de não navegarmos no intuito de guerrear, mas apenas levar a carga de jóias valiosas, tecidos e especiarias provenientes da África e colaborar em pesquisas científicas.

Meus mais de trezentos comandados desejavam ardentemente aquela chegada. Precisavam rever suas esposas e filhos, suas mães e familiares. A vida á serviço da pátria era dura e infelizmente tivemos três baixas durante todo o percurso.

Homens que morreram bravamente dando suas vidas á bordo do enorme navio que agora rumava para o fim de sua jornada.

Era minha primeira vez como líder da tripulação, embora tivesse apenas 21 anos completos, havia passado toda a minha precoce vida me preparando para aquela função. Estudando árduamente e me submetendo a treinamentos pesados para ser o comandante de um navio de grande porte.

Foram dias difíceis, com muitas tormentas, mas tudo correu bem e lá estávamos, a poucos quilômetros do Porto de Marselha. Lá me aguardavam novas instruções. Imaginei que ganharia alguns dias para passar a Páscoa com minha familia e depois seguiria para a base em Paris.
No entanto, não foi o que ocorreu.

Ao desembarcar em Marselha, me despedi de cada um de meus homens, vendo-os emocionados abraçarem suas famílias. Realizei a difícil missão de avisar aos parentes daqueles que morreram e entregar-lhes medalhas de honra e agradecimento.

Após isso, me retirei para a sala reservada a mim no porto e lá recebi um comunicado oficial pelas mãos de um Sub-Tenente. Nele a ordem para que eu fosse dispensado definitivamente.

Naquele momento senti minhas forças se esvaírem, um misto de revolta e frustração. Soquei a mesa de madeira com força, rachando-a levemente.

— Como ele pôde fazer isso comigo? Dispensar-me? Eu comandei o Chevalier e seus homens, sou o Primeiro Tenente e tenho uma carreira inteira pela frente ainda. Isso é inaceitável!

O Sub-Tenente me olhava com pena, mas nada podia fazer por mim, principalmente porque aquela ordem de dispensa vinha do Senhor Almirante Gerrard Garret.

Meu pai.

Ele estava acima de mim em todos os sentidos, devia obediência a ele como alguém a baixo hierarquicamente e como filho também.

O fato de eu ter feito um trabalho impecável como comandante do Chevalier de nada mais valeria.

Eu, aos 21 anos apenas e uma carreira promissora prestes a ser atirada ao lixo.

Mas eu sabia exatamente o porque.

O Senhor Gerrard queria netos, e com um filho que se recusa a casar e outro que quer viver no mar (eu), ele jamais conseguiria êxito nisso.

Então coube a mim, o filho mais centrado e ajuizado cumprir com o dever.

Aceitei resignado meu destino e naquela noite abandonei minha farda, tomando o trem direto para Aix-en-Provence, minha terra natal mais ao norte da França.
Como a viagem é longa, aproveitarei para contar-lhes como tudo aconteceu.
Gerrard e Anete Garret deram luz a dois filhos homens: meu irmão Krest Louis Garret, hoje com 25 anos e eu, o caçula.

Papai sempre teve uma grande amizade com o Senhor Richard Bloedorn, o famoso industrial pesqueiro de Londres, eles se conheceram quando se esbarraram em um porto de marinheiros da Marinha Francesa e da Royal Navy inglesa, da qual Richard fazia parte. Claro que franceses e ingleses se estranharam.

Menos meu pai e o Senhor Richard.

Dessa amizade nasceu a bendita idéia de unirem as familias, em um Romeu e Julieta ás avessas, onde a idéia era aplacar a rixa entre as nações, casando um Garret e uma Bloedorn.

Nem preciso dizer que o Garret sou eu, uma vez que meu irmão mais velho, Krest, se recusa abertamente a casar-se sem conhecer sua noiva. E ele está correto!

No entanto eu não soube dizer não, e agora depois de adulto, terei de cumprir o compromisso firmado quando eu tinha apenas três anos de vida.

Não conheço minha noiva, os Bloedorn vieram algumas vezes mas eu estava embarcado, assim sendo, não os conheço. Conheço apenas pelo que meus pais falam, e falam muito bem.

Meu irmão Krest é bem diferente, rebelde e decidido, só faz aquilo que quer. Eu ás vezes o invejo. Gostaria de ter sua audácia e coragem, mas não tenho. Por outro lado, nos damos muito bem, somos grandes amigos. Ele sempre me livrou de perigos quando era pequeno, e me ajudava quando fazia algo errado para mamãe não me castigar tanto.

Bons tempos...

Lembro dos tempos de infância em Aix, era tudo tão colorido e cheio de vida. Posso sentir ainda o cheiro dos doces feitos na cozinha pela mamãe, e de viver enfurnado na enorme biblioteca, escalando suas altas estantes sempre atrás de algum livro. Apenas o cheiro dos doces me fazia sair de lá.

Quando completei dez anos, fui embora para Paris para estudar já na Marinha e comecei a me preparar desde então para essa carreira que agora se encerrava muito antes do que eu gostaria.

Sobre minha noiva, apenas sei que se chama Natassia e segundo mamãe ela é muito bela e prendada. E claro, deverá gerar os muitos filhos que teremos...
Outro detalhe sobre os Bloedorn: o Senhor Richard quando saiu da Royal Navy, entrou no ramo de pescados e criou algo inovador e que o deixou milionário: os pescados em lata.

Qualquer lugar que você vá em toda a Europa encontrará as famigeradas latinhas de pescados Bloedorn. Esse é outro motivo pelo qual planejaram nosso casamento.
Nossas duas familias juntas somam uma fortuna incalculável, sendo assim, meu pai e o Senhor Richard entraram em acordo de unir definitivamente as familias me casando com Natassia.

Ah, já ia me esquecendo...o Senhor Richard tem um primogênito que segundo soube tem a minha mesma idade, no entanto não o conheço.

Só sei que seu nome é Milo Nickolas Bloedorn e também serviu a Royal Navy como o pai, chegando a Segundo Tenente, uma patente abaixo da minha. Infelizmente o Senhor Richard ficou viúvo muito cedo, perdeu sua esposa para a peste negra, criando o casal de filhos sozinho.

Mamãe costuma dizer que Milo e Natassia são "lindamente loiros como dois anjos"

Milo e Natassia são os promissores herdeiros Bloedorn, e em breve quando me casar com sua irmã, seremos uma só familia

Os Garret-Bloedorn.

**

Fichas

Família Garret


Camus Albert Garret — 21 anos Primeiro Tenente da Marinha Francesa

Camus é um jovem inteligente e gentil, por vezes fechado e sério orgulha-se de sua patente e de sua missão á serviço de seu país. Possui longos cabelos ruivos que deixou crescer enquanto esteve embarcado, pele alva e olhos bem verdes. Apesar de muito jovem, conseguiu uma patente alta e o comando de um importante navio precocemente por ser extremamente competente. Passou a maior parte da vida estudando interno no quartel da Marinha em Paris. Apesar de sentir falta de casa, se entristece quando seu pai ordena que deixe a vida embarcado para casar-se, já que ele deseja ter netos e não confia em Krest para esta empreitada. Seu lugar favorito da casa passa a ser a blibioteca onde passa os dias a devorar livros. Com poucos amigos, leva a vida introspectivo e dedicado a ler e estudar. Mas tudo muda quando a famila Bloedorn chega em sua mansão e ele conhece Milo, irmão de sua noiva. Ambos se apaixonam e Camus finalmente se descobre de forma definitiva.


Gerrard Garret — Almirante da Marinha Francesa , pai de Krest e Camus, ordena a dispensa do filho caçula para que este venha viver com a familia no interior da França. Gerrard é um pai zeloso de seus dois filhos, excelente marido e cuida de sua familia com orgulho. Seu maior sonho é ter muitos netos, mas acredita que apenas Camus poderá dar-lhes os netos que deseja, já que seu primogênito recusa-se a casar. Seus filhos são tudo para ele, e o amor por sua Anete é inabalável.


Krest Louis Garret — 25 anos Krest é um homem que não gosta de regras, o oposto de Camus em quase tudo, gosta de ser livre e por isso se livrou do compromisso militar rápidamente. Possui olhos verdes como os de Camus, porém os cabelos são castanhos e mais curtos. Gosta de esgrima, mulheres e muita diversão. Gosta de usar seus trajes de forma diferenciada, como por exemplo o mini short que chocou toda a pacata Aix-en-Provence. Krest é também a dor de cabeça do pai, Gerrard que não consegue confiar em seu primogênito, e por isso decide colocar Camus como herdeiro prioritário da fortuna da família. Nem por isso os irmãos deixam de ter uma ótima relação, se tornando bons amigos quando o mais novo retorna. Krest ainda ajudará muito o irmão mais novo.


Anete Garret — Mãe de Camus e Krest é uma mulher carinhosa, excelente mãe, tudo o que quer é proteger seus filhos debaixo de suas asas, procurando entendê-los. Também deseja ter netos, mas deseja acima de tudo a felicidade de seus filhos.


Família Bloedorn


Milo Nickolas Bloedorn — 21 anos — Segundo Tenente da Royal Navy
Milo é o jovem Segundo Tenente da Royal Navy, a marinha inglesa. Misterioso, esperto e observador, Milo é um homem á frente de seu tempo, assim como Krest. Possui longos cabelos loiros, olhos bem azuis e porte atlético por ser um excelente jogador de pólo. Tido como um playboy e herdeiro da fortuna Bloedorn, é o irmão mais velho de Natassia, a quem protege e cuida com amor. Milo havia saído da Royal Navy para levar uma vida mais livre e ajudar o pai a gerir os negócios de pescado em Londres. Porém, tudo muda quando precisa ir ao interior da França em lugar de seu pai, acompanhar sua irmã para conceder á mão da menina ao futuro noivo, o jovem Camus por quem Milo se apaixona perdidamente.

Natassia Marie Bloedorn — 18 anos — irmã mais nova de Milo, e noiva de Camus. É uma menina doce e inocente, tem o irmão mais velho como um herói e ambos tem uma ligação afetiva forte pela falta da mãe que morreu quando eram crianças. Possui longos fios loiros e olhos azuis, o que a faz ser extremamente parecida com o irmão, fazendo muitos pensarem que se tratam de gêmeos. Natassia se apaixona pelo noivo assim que o vê, mas sente que ele não tem por ela o mesmo amor, apesar de tratá-la bem. Natássia sofre com o desinteresse de Camus e tem medo de estar condenada a uma vida infeliz.

Richard Bloedorn — Patriarca da familia, o viuvo criou seus dois filhos com dificuldades por não ter esposa, no entanto, é um homem muito rico por conta do mercado de pescado, os Bloedorn são os criadores do pescado enlatado e lucram bilhões com isso. Acometido de uma doença, não pode acompanhar a filha ao encontro com os Garret, dando a Milo a missão de levar sua irmã para conhecer o noivo. É um pai mais rígido do que Gerrard certamente por não ter mais a presença feminina da matriarca, delegou também á Milo o papel paterno de dar amor e carinho á jovem filha.

Notas finais
Bom, com esse começo acho que dá pra vocês se ambientarem bem e entrarem no clima da estória né? Vocês já tem o perfil do Milo aí, em breve irei fazer um POV dele quando ele entrar na trama. Comentem aí! Bjs