Notas iniciais
Olá queridos leitores, Chegando com mais um capítulo semanal de "História" Eu não me esqueci de Krest e Zaph, neste capítulo vamos falar deles. Neste capítulo também tem limonada. Teremos dois lemons. Como fiz um lemon de niver pro Milo, tive que fazer um pro Camus. Quanto ao outro lemon....falamos lá embaixo. Tem um POV do Milo, estará em itálico. Bom, eu espero que a imagem do capítulo não choque ninguém, mas a fic tá classificada como +18, então acho que não há problemas de termos um Milo "alegrinho" em sua farda de polo. Boa leitura!


Cap 15 — Fantasmas do passado

Naquela manhã em Aix, Krest abria mais uma das cartas que Zaphiri havia lhe mandado de Paris. O moreno lia as letras manuscritas no papel e em sua fisionomia se alternavam expressões de surpresa, alegria e emoção. Ao terminar, cheirou o papel fechando os olhos.
Todas as reações de alguém perdidamente apaixonado.

Anete olhava o filho mais velho suspirar ao ler as linhas daquele que amava e não tinha por perto. Via seu jovem filho sofrer de amor pela distância. Cansada de assistir a tamanho sofrimento, a matriarca propôs uma mudança de vida radical a seu filho.

— O que acha de concluir sua faculdade de medicina?

Krest não entendeu de imediato o que a mãe queria, havia trancado a faculdade há alguns anos mas nem lhe passava pela cabeça retomar os estudos naquele momento. Na verdade ainda se questionava se havia escolhido o curso correto.

— Pode ir para Paris e morar no campus. Ou em um pequeno apartamento, eu e seu pai podemos arranjar isso — ela prosseguiu com um sorriso no rosto

Só então Krest notou o que Anete queria. Ir para Paris significava estar perto dos Connor, perto de Zaph.

— Mãe, gostaria mesmo que eu fosse? Vai ficar sozinha com o papai aqui, não será triste? — perguntou preocupado, abraçando-a

— Não meu amor, não será triste. Criei você e seu irmão para o mundo, eu os eduquei para isso, para a vida! Camus já está vivendo ao lado
de quem ama, agora você também deve ir viver.

Krest abriu um largo sorriso, era maravilhoso ter uma mãe tão amorosa. Era mesmo hora de sair de casa, de criar asas.
Em poucos dias, tudo estava ajeitado para a sua partida e a retomada dos estudos.
Iria para Paris, concluir sua faculdade e viver seu amor.

Gerrard não se opôs, apático e triste desde seu embate com Milo e Camus, restava ao velho Almirante aceitar que seus filhos haviam criado asas e só restaria ele e sua amada Anete na enorme propriedade no interior.

A mansão outrora alegre e movimentada com os dois garotos correndo e fazendo algazarra, agora mergulhava no silêncio melancólico do envelhecimento de seus donos.


**


Londres, fevereiro de 1814

O dia já sem neve amanhecera cinzento e fechado. O degelo marcava o final do inverno, no entanto a chuva fina molhava e mantinha a temperatura ainda bem baixa.
Do jeito que Camus adorava.

Milo havia pulado da cama bem cedo, sabia que se desejava lhe preparar aquela surpresa teria que madrugar. Deixou o ruivo ainda ressonando entre as cobertas e correu para a cozinha.

"ovos, farinha, leite, fermento...humm o que falta? Falta algo, mas o que?"

Milo forçava a memória tentando lembrar os ingredientes para preparar um bolo. Pensava em como Camus fazia, ele fazia aquilo com tanta facilidade que Milo julgou que não seria nenhum desafio reproduzir a receita.

Tascou tudo numa tigela, bateu bem. Acendeu a lenha no fogão, colocou a mistura em uma forma e depositou no forno já quente.
Camus despertou espreguiçando-se lentamente.
Pelo vidro da janela notou que havia chuva lá fora mas pela claridade imaginou já ser bem mais tarde do que costumava se levantar. Pulou da cama rápido e deu de cara com Milo sujo de farinha e um olhar aflito.

— Milo? O que está fazendo, ange?

Camus ainda coçava os olhos tentando entender toda aquela bagunça de farinha e leite pra todo lado.

— Bom dia, eu fiz um...bom, eu tentei fazer um bolo pra você, mas agora não sei se deu certo... — suspirou, batendo a farinha da roupa — feliz aniversário meu amor

Milo disse mais como um lamento do que uma comemoração. Desejava presentear seu amado cozinhando para ele, mas a cozinha era algo que Milo definitivamente não dominava. O embaraço do loiro fez um sorriso largo brotar nos lábios do ruivo

— Milo, fez um bolo pra mim? Obrigado, não precisava fazer isso mon cher, ter tanto trabalho, você tem farinha até no cabelo

Camus começou a tirar a farinha que sujava os fios de Milo, este sorriu ainda mais sem graça. Se beijaram comemorando aquele momento quando o cheiro de queimado começou a emanar do forno

— Milo, acho que o bolo tá queimando!

— Ah meu Deus, o bolo!

Milo tirou a forma rápido do meio da brasa com a ajuda de um pano e a jogou na pia. Vislumbrou a massa levemente negra, a fumaçada e o cheiro eram realmente de algo queimado.

— Ohw Camus...o seu bolo, eu o deixei queimar

O lamento do loiro quase o levou a chorar de tão frustrado olhando o estrago. Camus por outro lado ria, abraçando o namorado e o acalmando

— Calma ange, é só um bolo queimado e pelo que vejo, solado.

— Não dá pra comer, queimou quase tudo e mesmo o que se aproveita não deve estar muito bom. Desculpe amor, não sei fazer isso...

— Eu sei, comemos outra coisa, não tem problema mon cher

Camus segurou o rosto de Milo e lhe acalmou com mais um beijo

— Queria tanto te agradar no seu aniversário, Camyu — disse com um beicinho

— Você me agrada, Milo. Me agrada só de estar comigo! Quer me dar um presente? Diz que me ama e me joga naquela cama

O convite do ruivinho veio acompanhado de um tom sacana que só Milo conhecia. Um lado de Camus que era secreto a todo o restante da humanidade, um lado quente e sexy. O loiro não titubeou e atendeu o pedido do amado, lhe pegando no colo e levando de volta para a cama

— Eu te amo, parabéns pelos seus vinte e três anos meu amor!

— Humm voltei a ser mais velho que você, por isso me obedeça. A ordem é: faça amor comigo pelas próximas horas, Milo Nickolas...
..sem parar.

Na cama de lençóis bagunçados, o casal trocava beijos intensamente, preparando-se para mais uma vez se entregarem ao amor, como tantas vezes haviam feito, ali mesmo naquela cama.

Camus acariciava as costas e cabelos do seu amor lentamente, sentindo seus lábios serem tomados pelos de Milo. As mãos ávidas do loiro apertavam as nádegas do ruivo, colando ainda mais os corpos. Arrancaram as roupas, peça por peça, ficando a pele livre para sentir o toque em todo corpo. Cabelos e pelos se embrenhavam, beijos e gemidos incontidos estalavam.

Milo desejou presentear seu amor de duas formas. A primeira era dando a ele o máximo de prazer possível, depois de envolvê-lo em suas carícias, deitou-o delicadamente na cama e passou a beijar todo aquele corpo, passeando pela pele alva e macia. Camus fechou os olhos e se deleitou com os lábios de seu amado fazendo um tour pelo seu corpo inteiro, era uma sensação maravilhosa.
Ao chegar no ventre ruivo, se demorou alí, felando e lavando com fome, engolindo ávidamente cada centímetro daquela extensão rosada. Camus arfava e gemia de prazer, acariciando os cabelos loiros, dizendo palavras desconexas em seu idioma natal. Sua língua passeava pelos próprios lábios finos, umedecendo-os enquanto sentia a pressão de outros lábios sugando seu sexo.

Camus começou a devanear de prazer, mas não chegou ao seu climax, não ainda.

Os lábios de Milo estavam novamente nos seus, se beijavam com loucura. Era hora do segundo presente.

Milo subiu sobre Camus e o olhou nos olhos. Os dois olhares se encaravam transbordando desejo. Milo passou a esfregar sua entrada no falo de Camus, vagarosamente.

— Você será o primeiro. O único. Eu quero ser seu, Camus.

Camus se arrepiou com o pedido do seu amado, Milo nunca havia entregue a virgindade de seu corpo e ele seria o primeiro e único a possuí-lo. O ruivo alcançou novamente a boca do amado, beijando-o mais. Não quis verbalizar mais nada, apenas mostraria com ações o quanto amava seu loiro e o quanto estava feliz em ser o primeiro.
Com a ajuda de Camus, Milo foi se encaixando devagar no parceiro, aproveitando a lubrificação que já havia deixado no sexo do ruivo. Sentiu certa dor, mas nada insuportável. Camus ergueu o tronco, abraçando Milo, assim ficavam mais colados, frente a frente. Segurando Milo no colo, passou a ajudá-lo com os movimentos. Começaram devagar e logo foram aumentando, em pouco tempo ambos gemiam. O prazer que sentiam era arrebatador.

Camus gostava muito de ser o passivo, mas agora lembrava o quanto era gostoso usar seu sexo para dar prazer, assim como Milo agora descobria que receber também era maravilhoso.
Excitado, Camus se derramou dentro de Milo, atingindo o êxtase. Desencaixaram-se e o loiro deitou-se, recebendo carícias do seu amado em agradecimento e uma felação tão maravilhosa que o fez gozar.

Ambos caíram na cama, suspirando, exaustos.

— Era o melhor presente que eu podia receber, ange. Jet'aime (eu te amo) — Camus balbuciou no ouvido do seu amor.

Depois de recompostos os dois foram para a cozinha e Camus ensinou a Milo como fazer — corretamente — um bolo de aniversário.

**


Na cama espaçosa e cercada de suas amadas rosas, Dite se revirava mergulhado no sono.

Havia ido dormir com a imagem que fechara a noite anterior martelando em sua cabeça: Camus e Milo aos beijos diante de seus olhos. Aquela imagem ficara gravada, sabia que Camus não havia feito por mal tal gesto, se ele e Milo eram um casal, nada mais natural que demostrarem isso. Porém, achou que sua afeição pelo ruivo havia ficado explícita e ele poderia poupá-lo de presenciar um beijo entre ele e seu namorado.

Mas não foi o que ocorreu. Para Dite, Camus havia simplesmente passado por cima dos sentimentos dele, sem qualquer consideração e esfregado em sua cara seu amor por Milo. Ainda assim, não conseguia odiá-lo. Pelo contrário, o admirava ainda mais por ele fazer por Milo o que Matheo se negou a fazer por ele.
Assumir seu amor.

Nos braços de Morpheu, envolto no sono, seu subconsciente o levou para perto do alvo de seu desejo. Como mágica, agora seu desejado Camus estava ali.
Em sua cama, com ele.

Dite se levantou e o levou para os jardins.

Camus estava ainda mais lindo do que de costume, vestia-se elegantemente e tinha uma sensualidade fria nos olhos.

Vagarosamente, Dite o despiu, peça por peça, deixando-o totalmente nu. Camus deitou-se em sua cama de rosas e o loiro de olhos água marinha passou a cobri-lo de pétalas. As pétalas caíam sobre o corpo cálido do ruivo, ele não parecia intimidado e já sorria. Dite vislumbrou o seu sorriso e passou a despir-se também.

Quando estava também nu, Camus levantou-se e foi até ele. Antes que pudesse tocá-lo, Dite foi tragado de volta a realidade. Acordou ofegante e excitado, respirando aceleradamente.

Se lamentou por tudo não ter passado de um sonho.


**


Alguns dias depois..


O sol já se mostrava alto no céu azul daquela tarde.

O inverno a cada dia se despedia, dando lugar a primavera que em Londres não era tão florida, mas aplacava o frio e tornava mais solar a cidade entristecida pela fumaça de suas incontáveis chaminés industriais.
O calor era para Milo indispensável, uma vez que precisava de tempos em tempos banhar os cavalos com água em abundância. E era o que fazia naquele momento.

Se aproveitando do calor solar, deixava á mostra o peito nu, sem camisa, era mais fácil fazer o serviço sem ficar encharcado. No entanto, molhar-se acabava por ser inevitável e logo seus fios estavam também molhados, assim como sua pele.
A luz do sol refletia-se nas gotículas que umedeciam os músculos cujo os fios loiros grudavam, molhados. Uma visão que fazia outro loiro umedecer os lábios, tentando controlar seus pensamentos cada vez mais impuros a cerca do jovem que desejava.

Julian o espreitava, observando a graça sensual de seu alvo de desejo. Cuidando para não ser visto, uma vez que conhecia o temperamento por vezes colérico de Milo e não desejava tomar outra surra, ou um banho de urina de cavalo novamente.
Terminando o que fazia e alheio ao fato de ser observado, Milo levou o animal já pronto para dentro da baia. O acomodou e seviu-lhe alfafa fresca, fez-lhe um afago e saiu. Olhou-se desde os pés e notou o quanto estava sujo e cheirava mal, fez uma careta ao constatar e não se acanhou em arrancar o que ainda lhe restara de roupa: a calça e as botas.

Passou a tirar do reservatório baldes de água e jogar em si mesmo, lavando-se.
Vendo que Milo não retornara, discreto Julian passou para a parte de dentro, sendo surpreendido pela visão que quase fez seu coração sair pela boca, ou parar de vez: o loiro com formas de deus grego de costas, nu em pelo, banhando-se. Admirou aquela imagem gravando na mente o maior número de detalhes que podia, os cabelos longos colados ás costas, escorria a água em direção ao bumbum definido, escorrendo pelas coxas e se esvaindo pelo chão. Milo colocou a cascata loira para frente e suas costas largas puderam ser vistas, repletas de arranhões. Logo Julian entendeu o que eram, só podiam ser as marcas que o ruivo deixara nele.

Julian estava tão perdido naquela visão que esqueceu que deveria se esconder, quando Milo virou-se, permaneceu onde estava. Agora de frente, admirava as belas pernas, o abdome definido e o membro que mesmo adormecido fazia Julian salivar. Ao subir ainda mais a visão, logo foi confrontado pelo par de olhos azuis o olhando, furiosos.
Os punhos de Milo se fecharam e sua expressão era de fúria, Julian precisou sair rápido do transe e sair dali, correndo o quanto podia.
Vendo o outro loiro correr, Milo revirou os olhos e suspirou

"Ele não vai aprender nunca, deve estar mesmo procurando tomar outra sova..."


**


Dite e Camus conversavam próximos quando o sininho tocou indicando que alguém entrava na livraria. O ruivo mantinha seu ar blasé enquanto organizava algumas fichas no balcão ao mesmo tempo que ouvia Dite e suas muitas histórias.
Dite manuseava uma rosa vermelha e a aproximava do rosto de Camus quando Milo os encarou sério

— Boa tarde. Então, Camus..podemos ir?

Milo havia combinado de ir buscar Camus no trabalho, o ruivo conversava com Dite enquanto o esperava. Despediu-se e saiu ao lado do namorado que tinha uma cara de poucos amigos

— Humpf...esse Milo é bonito, mas muito mal humorado. Não sei como Camus aguenta isso, só amando muito mesmo — desabafou com o avô que estava também por perto e viu toda a cena

— Oras, ele não é mal humorado! Ele me pareceu ser um bom rapaz quando esteve aqui, deve estar em um dia estressante, todos temos dias assim — o senhor Svensson ponderou enquanto colava a capa de um livro que havia desmontado

Dite deu de ombros e recolheu-se ao seu jardim.

*


Caminharam lado a lado até em casa sem trocar uma única palavra, ao entrar no casebre, Camus quebrou o silêncio

— O que está havendo com você, mon ange?

Ele perguntava doce, porém muito sério. Milo não era de meias palavras, transparente e sincero, foi direto ao assunto

— Não gosto desse Afrodite. Não gosto como ele te olha, como te trata.

— Dite é um amigo, só isso...não basta o que eu fiz no pub aquela noite? Eu fiz aquilo pra mostrar que sou seu, Milo. O que quer mais?

— Eu sei, mas acho que seu amigo não entendeu teu recado, Camus. Eu sei que ele continua a dar em cima de você e eu não gosto disso.

Camus até compreendeu o ciume do namorado, afinal, Milo não conhecia a história de Dite com seu italiano. Se soubesse o quanto o biólogo sofria por amor, não precisaria se sentir tão inseguro.

Mas já que o assunto era ciume, Camus se lembrou de algo que estava para perguntar desde a noite no pub

— E quanto ao homem que te olhava insistentemente no pub aquela noite, o que me diz? Pela forma como te engolia com os olhos, sei que o conhecia. Era o tal Julian Taylor, não era? Aquele que vem te assediando no jóquei.

Milo engoliu seco. Então Camus havia notado os olhares de Julian e ele nem havia percebido. Não era dificil de entender uma vez que Camus sabia muito bem esconder seus sentimentos e manter um ar blasé e tranquilo mesmo quando estava explodindo por dentro.

— Sim, ele mesmo — disse após um longo suspiro e uma dose de coragem — nós tivemos um breve envolvimento antes de eu te conhecer. Por isso ele insiste em me cercar, mas é passado. É uma besteira.

Camus sentiu uma pontada estranha no peito, nunca havia sentido aquilo na vida e era uma sensação horrível. Pela forma como Julian assediou Milo, já suspeitava que haviam tido algo no passado, mas nunca teve coragem de se aprofundar no assunto. Porém, por mais difícil que fosse, Camus sentiu que era hora de conhecer aquela história a fundo.

— Tiveram exatamente o que? Vocês... — não teve coragem de pronunciar o que desejava saber, mas se fez entender perfeitamente

— Sim, nos conhecemos desde a infãncia, sempre fomos amigos até que então... — respirou — nós transamos. Ele foi o primeiro homem que tive na vida, mas não é uma boa lembrança. Quer mesmo falar disso querido?

Camus havia começado, agora iria até o fim. Balançou a cabeça positivamente.

— Então você já havia feito com outro antes de mim. Eu já havia imaginado isso mas nunca tive coragem de perguntar

Camus por um momento não conseguiu encarar Milo nos olhos, mas o loiro virou seu rosto para ele voltando a manter o contato visual entre ambos

— Ele pode ter sido o primeiro, mas não passou de um momento. Você é o amor da minha vida, é aquele por quem eu larguei e largaria tudo, por quem eu morreria. Eu não vou mentir, ele me ronda sim, mas já ensinei a Julian uma lição, ele não vai tentar nada. Se eu soubesse...se seu soubesse que o amor viria desse jeito eu teria me guardado, Camus. Me perdoe, me perdoe não ter esperado por você.

— Tudo bem, não vou cobrar isso de você, seria idiota da minha parte — suspirou outra vez — mas mantenha-se longe desse cara, me prometa isso.

— Eu prometo...eu juro

— Agora me conte o que houve entre vocês, quero saber como tudo aconteceu e quero detalhes.

— Camus, pra que isso agora? Do que adianta eu te contar?

— Por favor Milo, me conte tudo. Eu quero saber como foi.

Milo suspirou e passou a contar a Camus detalhadamente sua breve história com Julian

"Eu e Julian crescemos próximos, nossas familias sempre foram amigas. Minha mãe até foi madrinha dele quando nasceu. Ingressamos no time de polo do joquei clube de Londres no mesmo mês, práticamente juntos. Na verdade eu o incentivei a vir.

A adolescência passou e veio a fase adulta e foi aí que um abismo se formou entre nós. Nossos valores pareciam a cada dia mais diferentes. Eu amava a liberdade, a gentileza e as pessoas. Julian amava o poder e o dinheiro, humilhava os mais pobres, as mulheres. Nos afastamos por conta das nossas diferenças e depois de muitas brigas, ele inclusive se afastou do time.

Um tempo depois ele quis retornar e eu o apoiei a pedido dos pais dele, cansados das aventuras e confusões do filho, achavam que eu seria um bom exemplo para ele. Cansei de ouvir pedidos do tipo — Milo, ajude Julian a entrar nos eixos, por favor. Não sabemos mais o que fazer com ele.

A vida de Julian era beber, jogar e sair com prostitutas.

Ele voltou ao time e eu o apoiei, nessa fase tentamos retomar a velha amizade mas eu não tinha mais vontade de estar com ele. Não me lembro exatamente quando, mas comecei a notar que o comportamento dele havia mudado, ele não se interessava mais tanto pelas mulheres e parecia me espreitar quando estávamos no mesmo ambiente.

Em uma tarde eu o vi se agarrando com um de nossos companheiros de equipe e entendi tudo. Me senti curioso. Julian não me atraía, mas aquele tipo de relação sim.

Em uma determinada noite fazia calor, havíamos acabado de sair de um jogo importante no qual havíamos vencido. Eu havia me consagrado o maior pontuador do time, me consideravam um atacante talentoso e Julian era um parceiro neste sentido, ele me ajudava nas melhores jogadas.

Estávamos felizes, todos comemoravam, ainda vestíamos nossas fardas de calças cinza e casaca de couro e botas negras com cadaços. Eu me sentia exausto, mas fui até a baia agradecer ao animal que eu havia montado momentos antes. Enquanto eu o acariciava, ouvi a voz grave de Julian por trás de mim. Ele estava feliz e trazia mais bebida, na verdade uma garrafa de wisky do qual me ofereceu e eu aceitei.
Bebemos no gargalo mesmo, eu já estava alto, já não tinha muito juízo no que fazia. Foi então que, subtamente, ele me arremessou contra a pilastra de madeira e afundou o rosto em meu pescoço. Eu o sentia aspirando meu cheiro, eu desconfiava que Julian se sentia atraído, mas não imaginava que ele seria tão direto.

— Ei, ei...o que está fazendo?

Eu tentei interromper, mas ele não parava. Começou a se declarar, dizendo que era louco por mim, ao mesmo tempo que me acariciava as partes íntimas sem qualquer pudor. Eu via tudo rodar, os olhos dos cavalos sobre mim, eles batiam os cascos no chão e Julian pressionava seu corpo ainda mais contra o meu. Em poucos movimentos senti meus lábios serem tomados pelos dele e sua língua ávida invadir minha boca.

Então me entreguei.

Nunca havia estado com um homem mas sempre tive vontade. Mulheres me agradavam, mas eu me sentia incompleto com elas. Eu precisava de Julian para ter certeza e a hora seria aquela. Eu estava louco de wisky e ele me saca uma garrafinha metálica de dentro da casaca, tomou um gole e me deu. Tomei, e era a bebida mais forte que eu já havia provado: absinto. Eu via tudo rodar ainda mais, os cavalos me vigiavam e batiam seus cascos no chão com mais força.

Perdi totalmente o controle sobre mim mesmo com o segundo gole de absinto, senti Julian abrindo minha calça e sorri agarrando-o pelos cabelos e forçando-o a se abaixar diante de mim. Logo meu sexo estava para fora, e sendo sugado ávidamente pela boca de Julian. Ele me felava com uma devoção que eu jamais havia visto. Com uma mão eu o segurava pelos cabelos e com a outra eu derramava mais absinto em minha boca, bebendo mais e mais, ficando mais e mais louco.
Gozei não apenas uma vez, mas várias. Eu o lavei no rosto e nos cabelos com sêmen quente e ele me olhava sorrindo. Mas ainda não havíamos terminado.

Eu o ergui, o virei e arranquei sua calça com certa violência. O apoiei na porta de uma das baias, o cavalo que lá estava cheirava a cabeça suja de Julian enquanto eu o penetrava sem qualquer dó. Eu estocava, indo e vindo rápido, ouvindo ele urrar de dor e desespero. Pensei em parar mas ele me advertiu que eu não deveria, que ele estava gostando.

O cavalo me olhava e eu o olhava, bêbado. Senti que Julian gozava e então finalmente parei e me retirei de dentro dele.
Me recompus cambaleante e desejei apenas sair da quele lugar. Me joguei sobre o lombo do meu cavalo e ele me levou para casa.
Vários dias se passaram e eu não soube nada dele.

Alguns dias depois Julian me procurou no jóquei novamente, mas eu disse á ele que aquela noite havia sido um erro e deveria ser esquecida.

Pouco depois eu e Natassia estávamos embarcando para a França e eu conheci você."

Camus ouviu tudo com atenção, mas não emitiu qualquer comentário a respeito. Apenas retirou-se para se banhar.

O resto daquele dia se seguiu com o casal emudecido.

Camus silenciou e Milo também, digerindo toda aquela discussão, não se falaram mais aquele dia.


**


Camus manuseava alguns livros quando sua visão periférica detectou a presença de Dite a poucos metros, na direção do jardim.

O ruivo desviou seu olhar para ele, discretamente e o flagrou picando mais uma carta que chegava de Nápoli e atirando-a ao lixo. Notou em Dite uma satisfação que escondia o real sentimento naquele ato: a enorme tristeza e decepção.
A ausência de Matheo ainda o machucava, feria seu coração da forma mais profunda.

Camus ficou tão absorto naquela imagem cheia de sentimentos que não percebeu que Dite descobrira seu olhar e agora o encarava. O loiro andou até ele, levemente irritado.

— Vai ficar me vigiando agora, Camus? Não sabia que isso fazia parte do seu trabalho.

— Sarcasmo comigo, Dite? Não entendo a razão do seu descontrole, você está surtando.

— Surtando?! — gritou — não estou surtando!

— Está sim.

— Estava me observando, eu vi

— De fato estava, mas não é o que pensa. Mais uma carta do italiano? Porque não responde?

Camus o questionava sério, Dite suspirou profundamente antes de responder

— Não respondo cartas daquele carcamano. Eu apenas as ponho fora.

— Pois não devia

— Do que está falando, seu atrevido?

— Você ainda o ama

Afrodite fechou os punhos diante daquela afirmação. Como aquele francês podia ver seu coração tão detalhadamente como se ele fosse de vidro? Como podia saber do mais íntimo de seus sentimentos?
Não conseguiu negar e nem se defender, percebendo que acertara no ponto chave, Camus prosseguiu

— Sua felicidade pode estar ao lado dele, Dite. Não custa você tentar mais uma vez, por mais que ele tenha te feito sofrer.

— Seria tão bom se ele fosse como você, Camus — lamentou-se

— Eu não posso te dar o amor que você espera, mas desejo que você o encontre

Depois de tanto tempo, finalmente Camus deu a Dite um sorriso. O loiro se derreteu a antes que Camus pudesse se retirar, gritou para ele

— Feliz aniversário atrasado ruivo!


**


Camus entrou no casebre e Milo já havia chegado pouco antes dele.

O loiro estava encostado á parede, parecia estar apenas o esperando. Camus andou até ele, bem próximos, se encaravam. Se amavam muito para ficarem sem se falar, precisavam daquele contato visual e físico como quem precisava do ar para respirar

— Camus, eu preciso ouvir sua voz, preciso de você — suplicou tocando o rosto alvo do ruivo a sua frente

— Milo...vamos esquecer o que passou, está bem? Não vamos deixar este fantasma ficar entre nós dois, ele é passado. Vamos seguir em frente.

Milo finalmente voltou a ver a mesma doçura e amor nos olhos de Camus

— Apenas fique do meu lado, Camus. Eu te amo e jamais farei algo para magoá-lo. Nosso amor é o que existe de mais importante para mim. Esqueça o Julian, ele é um fantasma do passado e lá vai ficar, minha vida agora é com você, meu único interesse é você

— Promete que você vai ser só meu, sempre só meu

— É claro que sou seu, sou todo seu meu amor

Milo balbuciou as últimas palavras, antes de colar seus lábios nos de Camus em um beijo longo, selando as pazes do casal.

**

Sozinho em seu quarto e martelando as palavras de Camus, Dite acariciava a foto do carcamano italiano, olhando na imagem precária a beleza daquele que um dia fez de seu mundo um jardim de rosas reais, cercado de muito amor.

Notas finais
Pls, não briguem comigo pelo lemon Milo x Julian, ele é um mal necessário para a história. Por mais que o Julian seja um mala, eu tinha que contar melhor o envolvimento dos dois. Mas como viram, por parte do Milo foi só sexo, bebedeira e curiosidade, né? Nada de amor, porque amor é o que ele faz com o ruivinho. Por falar nisso, teve Camus seme e Milo uke pra quem curte ^^