Notas iniciais
Olá leitores! Esse capítulo tem muitos acontecimentos e muitas decisões, por isso este nome. Todos os nossos principais personagens tomam decisões importantes neste capítulo. Algumas para o bem, outras para o mal. Sobre a repercussão que foi o tapa que o Milo deu na Natassia: eu confesso ás vocês que tive medo, fiquei com receio de vilanizar o Milo sem querer com isso, mas vocês são tão foda que entenderam a proposta do texto perfeitamente! Eu amo vocês!! E vai ter mais! Mas nem tudo é tensão, tem limonadinha e esse na foto é o divoso do Krest com suas invenções sexys e ousadas! Gostoso ele né? Ui! Boa leitura!

Cap 9 — Decisões

O dia amanheceu prometendo ser um dos mais difíceis.

A tensão pela chegada de Sir Richard Bloedorn podia ser vista nos olhos dos dois filhos do empresário. Natassia e Milo temiam que o pai percebesse que a paz que sempre reinou entre os irmãos, estava sériamente abalada.

Paralelo a isso, Camus já arquitetava como teria uma difícil conversa com o amigo de seu pai. Percebia que o clima entre os irmãos era cada dia pior e que precisava tentar desfazer-se do compromisso de casar-se com a mais nova.

Milo manteve-se a manhã inteira introspectivo e sozinho, algo que não era típico dele, atitude que só tomava quando algo realmente sério lhe acontecia. Sentado em uma cadeira no quarto, olhava pela janela a paisagem lá fora, com seus pensamentos embaralhados. Pensava em Camus e no grande amor que havia nascido entra eles e que cada dia, via menos saída para sobreviver. Pensava em Natassia e no amor que sempre o uniu a irmã, mas que agora estava arranhado e magoado pela dor daquela afronta. Sua caçula havia sujado o que existia de mais puro entre eles. Um amor fraterno tão lindo agora lhe parecia impuro, pecaminoso e lhe causava repulsa.

Mas ainda assim, ela permanecia sendo sua irmã, sangue do seu sangue e ainda prevalecia a promessa feita a sua falecida mãe, de protegê-la incansávelmente.

"Milo, você é o mais velho, é o meu príncipe. Sua irmãzinha é nossa pequena princesa, nossa pequena jóia e você deverá guardá-la, com todas as suas forças e sob todas as circunstâncias"

Aquelas foram as palavras de sua mãe, doente em leito de morte para o pequeno de apenas sete anos. E ele jamais se esqueceu daquelas palavras.

Após muito pensar, o escorpiano tomou uma decisão. Milo levantou-se e passou a procurar a irmã pela casa. Quando a encontrou, cercou Natassia e discretamente deu o recado que a caçula precisava ouvir.

— Presta atenção no que vou te dizer. Com o que me fez ontém, eu tenho você nas mãos. Se eu disser que tentou ter comigo uma relação incestuosa, vão destruir você, destruir esse noivado e a senhorita será colocada em um trem de volta pra Londres e nunca mais pisará aqui. Seu noivo e a familia dele irão te odiar com todas as forças.

Ele falava baixo, mas em tom firme e olhando fundo nos olhos de sua irmã. Olhos que transpareceram o medo, a menina ficou apavorada com aquela possibilidade e já ia abrir a boca para implorar por piedade. Mas Milo a interrompeu, continuando.

— Mas eu não vou fazer isso, porque é minha irmã e eu ainda vou te proteger. Não vou permitir que pisem em você porque seria uma dor para a mamãe onde ela estiver, seria a destruição da nossa familia. Guardarei seu segredo, mas ouça-me bem Natassia, seu jogo acabou. Papai está chegando e eu não quero mais ouvir ironias nem aturar suas gracinhas e suas insinuações. Controle-se daqui pra frente.

— Milo...por favor, não conte nada a Camus, ele me rejeitaria se soubesse, eu lhe imploro

O loiro nada mais falou, saiu deixando a irmã atônita e sem ação.

Ele não falaria, ainda que contar tudo seria a saída que ele e Camus tanto precisavam, jamais permitiria que sua irmã fosse humilhada. Ele prometeu á sua mãe, em seu leito de morte, que protegeria a mais nova, e era o que faria. Engoliria a mágoa e a raiva, passaria por cima de seus sentimentos e de seu orgulho, sentindo-se afrontado e humilhado, mas manteria-se calado para o bem dela.

Ter ao seu lado o seu amor ás custas da desgraça de sua irmã não era para Milo uma saída dígna. A honra de sua familia e a sua ainda importavam. A nobreza de sua alma e seu coração lhe dariam forças.

**

— Aposto que sei em quem está pensando...

Krest chegou esgueirando-se pelas baias, observando o ruivo que acariciava um dos cavalos. Nunca havia desejado ter um contato maior com aqueles animais, mas a convivência com certo alguém lhe despertou aquela vontade. Aquela, como tantas outras.
A forma como Milo o tocava, como o olhava, o jeito de sorrir, de tirar o cabelo do rosto, a voz e o jeito de falar, de gesticular, de andar...quando se está tão apaixonado tudo encanta, e era assim que Camus se sentia.

— Krest, depois do que vivi naquela noite, depois do que fizemos...eu não fui mais o mesmo, eu não sou mais o mesmo. O que vou fazer da minha vida?

Camus fazia uma pergunta cujo a resposta ele já sabia, mas precisava verbalizar um pouco toda aquela angústia.

— Eu já falei pro Milo e direi á você: precisam dar fim a este noivado. Custe o que for, arrisquem o que for, o que pode doer mais do que uma vida inteira de infelicidade?

Krest o estava respondendo com outra pergunta, cujo Camus também já sabia a resposta. No entanto calou-se, deixando sua cabeça pensar. O momento decisivo estava cada vez mais próximo.

O silêncio pairou um tempo no estábulo, apenas os animais eram ouvidos. Até que o barulho da carruagem se aproximando da entrada da propriedade pôde ser ouvido, com cada vez mais clareza. Camus não precisou olhar pra saber quem era. Milo, que observava da janela do quarto, também já sabia.

Da suntuosa carruagem desceu o senhor de meia idade, mas ainda bem forte para seus quase setenta anos. Vestia-se elegantemente, tinha a cabeça branca e os olhos muito azuis, marca dos Bloedorn, e trazia muitos embrulhos e caixas consigo.

Gerrard que estava descansando na varanda foi logo receber o amigo que não via há muitos anos, os dois senhores grisalhos trocaram um abraço amistoso

— Richard, meu amigo! Como é bom vê-lo, finalmente veio se juntar a nós, espero que esteja melhor de sua gastrite.

— Obrigado Gerrard, sim estou melhor e pude vir. Logo nossos filhos estarão casados, será um grande marco na história de nossas famílias!

— Sim, um momento para ser lembrado pelas próximas gerações! Mas vamos entrar, Anete, vá chamar os filhos do Richard e também nossos garotos, onde estão essas crianças? Quero todos aqui!

Enquanto Gerrard era mais bonachão e sorridente, Richard era mais sério e austero. Pareciam versões invertidas de seus filhos.

Camus olhava de longe a festa que o pai fazia para o recém chegado. Ele e Krest trocaram um olhar cúmplice e se adiantaram indo na direção da casa.

— Papai!! Finalmente o senhor está aqui, que saudade!

Natássia correu de encontro ao pai, que a abraçou feliz em ver sua filha tão bem acolhida pelos Garret. Anete fez á ela elogios, mais uma vez frisando que a jovem seria a nora perfeita que tanto desejavam. Em seguida veio Milo, que beijou a mão de seu pai e lhe deu um abraço um tanto frio. Apesar de tudo, era um alívio saber que seu pai estava melhor de saúde.

Camus e Krest também o cumprimentaram. Milo e Camus se olharam profundamente e puderam ler nos olhos um do outro que aquele momento estava carregado de angústia e medo.

— Adivinhem o que eu trouxe?! — o recém chegado pegou uma enorme caixa e a abriu no meio da sala. Todos em volta olhavam curiosos o que sairia dalí — seu vestido de noiva, querida! O vestido que foi de sua mãe.

Natassia mal podia acreditar, pegou a roupa absurdamente branca, com detalhes em renda e pérolas. Pequeno e apertado, caberia apenas no corpo magro que ela tinha, como sua mãe um dia teve. Lindo e cálido, como ela. Junto, um longo véu branco. Tudo muito bem conservado pelos anos, parecia que tinha sido costurado há poucos dias. Impecável, perfeito.

— Papai, é maravilhoso!

— É lindo querida! — interferiu Anete, conferindo o tecido — a grinalda vamos fazer aqui, com flores naturais. Ficará uma princesa. Não é uma jóia a sua noiva, filho?

Camus olhava tudo aquilo atônito, olhou pra Milo e percebeu que o loiro tentava disfarçar a tristeza que sentia ao olhar aquele vestido. Olhou para a mãe, dando-lhe finalmente uma resposta

— Sim, é tudo muito bonito...

— E você vestirá sua farda da Marinha, aquela de gala mais longa e com bordados á ouro. Estou a prepará-la, vai ser a primeira vez que vai usá-la — completou Anete, orgulhosa.

— Uma farda de gala da Marinha da França...deve ser linda, eu nunca vi uma — Milo interrompeu, fazendo Camus perceber imediatamente o que ele queria

— Não seja por isso, vou lhe mostrar a minha, Milo. Me acompanhe por favor.

Milo e Camus conseguiram um pretexto para terem alguns minutos e subiram as escadas sem que ninguém suspeitasse de nada. Com exceção de Natassia, que os observava.

Camus bateu a porta rápido, Milo o tomou pela cintura e mergulhou em sua boca rosada. Se beijavam ávidos, corpos colados e as mãos que não paravam de acariciar um ao outro com sede e urgência.

— O cerco está se fechando, Camus...

— Eu sei, mas falarei com seu pai e com o meu. Pedirei uma reunião com os dois

Se beijavam, paravam para falar e entre uma frase e outra mais beijos. Um canto entre a parede e a lateral do armário escondia os dois amantes.

— Quero participar disso, não vou te deixar sozinho em uma hora como essa.

— Está certo, será nossa última tentativa.

Camus mostrou á Milo a farda que não queria, mas deveria usar. Era realmente uma obra de arte. Após isso, desceram para não levantar suspeitas.

**

Após um animado almoço em familia, onde a única coisa que Richard estranhava era o comportamento extravagante de Krest, Camus esperou o melhor momento para reunir-se com os patriarcas. O momento ideal chegou ao fim da tarde, Natassia estava ao piano, Anete bordava, Krest e Zaph conversavam no sofá ouvindo a sonata 845 de Schubert que a jovem executava.

O som do piano tomava toda a casa, Milo e Camus se olhavam e os dois mais velhos admiravam a destreza da jovem com aquelas teclas. Quando Natassia fez uma breve pausa, Camus convidou os dois para uma taça de vinho na biblioteca. Era o sinal, pois ele chamou Milo também.

Natassia voltou a tocar e os quatro se trancaram. No entanto, o som do instrumento podia ser ouvido mesmo á portas fechadas. Aquilo não causou estranheza, uma reunião apenas entre homens era algo comum, mulheres não costumavam ser convidadas.

Sentados, Milo e Camus, Richard e Gerrard, todos servidos de vinho, o ruivo estava sério, com sua austeridade que rivalizava com a de Richard, eram iguais.

— Senhores, penso que estamos próximos de cometer um grande equívoco. Eu e Natassia fomos prometidos ainda crianças, esse casamento não foi uma escolha nossa e assim sendo, não existe amor entre nós dois...

Camus não pôde completar sua fala e já foi interrompido por seu pai

— Camus, pare com isso!Não seja um rebelde, eu não te criei pra isso. Temos uma promessa aqui e ela será cumprida.

— Meu jovem genro — Richard interveio, mais manso, mas assustadoramente duro — eu já esperava que estas dúvidas lhe viessem. E lhe asseguro, isso vai passar. O amor pode vir com o tempo, mas a honra precisamos garantir agora, você entende?

— Não, eu não entendo.

— Camus! — Gerrard começava a perder a paciência

O som do piano tocava uma parte mais tensa da melodia, parecia uma trilha sonora para aquele momento

— Pai, ouça o que Camus tem a dizer — agora era Milo quem tentava — não vai ser bom para Natassia casar-se com quem não a ama, ela será infeliz. Criou sua filha para ser infeliz?

Richard olhava os dois jovens, entendia que tinha ali um problema, mas não deixaria que dois meninos de vinte e poucos anos mudassem a decisão de dois patriarcas poderosos

— Milo, quem está falando em amor? Estamos falando de duas familias e sua honra. Estamos falando de suas fortunas incalculáveis. Estamos falando de dois sobrenomes dos mais importantes de toda Europa. É disso que estamos falando!

Milo queria arremessar a taça de vinho contra as paredes, mas se segurou. Passou as mãos pelo rosto tomando ar, não tinha paciência para aquilo. Ao contrário dele, Camus se mantinha frio e com olhar sereno, seu auto controle nunca lhe fora tão importante.

— Pois bem, senhor Bloedorn. — Camus começou, calmo, mas firme — Não me responsabilizarei se sua filha sofrer, não serei o melhor marido do mundo porque não a amo. Ela vai sofrer, eu vou traí-la de todas as formas que puder imaginar, vou machucá-la todos os dias, mas sua honra estará resguardada e seu sobrenome em lugar dígno. Pode ficar tranquilo.

As palavras de Camus fizeram Gerrard levantar-se em ira

— Camus, como pode ser tão rude e cruel? Se dá conta do que diz? Richard está confiando a você sua filha, seu bem mais precioso e você diz que irá fazê-la sofrer? Olha garoto, vou te dar depois de adulto a educação que lhe faltou na infãncia!

Gerrard ameaçou tirar a cinta das calças para bater em seu caçula, mas Richard interveio. Camus permanecia frio como uma esfinge, Milo estava colapsando mas se segurava.

— Gerrard, não precisa disso. Nosso menino Camus vai honrar seu compromisso e se algo de ruim acontecer a minha filha, ela tem um irmão mais velho, que vai defendê-la, não é filho?

Richard encarava Milo, esperando dele uma resposta. O coração do loiro batia forte, a resposta afiada estava na ponta da língua, olhou para Camus e este o olhava sério, voltou a encarar seu pai

— Eu sinto muito, mas não serei o guarda costas de Natassia para sempre. Depois de casada, que seu marido cuide dela.

Apoiou a taça de vinho na mesa e saiu, aquela conversa já havia sido o suficiente pra ele.

Ao sair, olhou Natassia com o olhar cortante, que ela devolveu na mesma intensidade.

— Richard, meu amigo, não se preocupe. Camus irá mudar de conduta, não é filho? — A pergunta de Gerrard soava mais como uma ameaça feita entre dentes.

Camus nada respondeu.

— Sim, ele vai. Vai casar-se e cuidar muito bem de sua esposa. Ou resolveremos isso da pior forma, infelizmente.

Ao dizer aquelas últimas palavras, Richard permitiu que Camus vislumbrasse dentro de sua casaca o revólver que portava. Por ser um homem rico e poderoso, Richard era um dos poucos homens naquela época que portavam uma rara arma de fogo. E para garantir a honra de sua filha, ele seria capaz de tudo.

Camus engoliu seco, mas manteve sua frieza. Olhou seu pai e se decepcionou em ver que alguém entrava em sua casa, ameaçava com uma arma seu próprio filho e ele nada fazia. Ele consentia, simplesmente. Gerrard era fraco diante de Richard.

Restou ao jovem sair dalí, entristecido e se sentindo pequeno diante do poder dos dois mais velhos. Detestando-os e maldizendo-os internamente, na mesma velocidade que a melodia ao piano agora tomava, para ter seu fim com suas últimas e intensas notas.

Os patriarcas saíram a tempo de ouvirem as últimas notas e aplaudirem Natassia, que encerrava vitoriosa sua melodia.


Camus se fechou em seu quarto e Milo rumou para o estábulo.

O loiro chegou no local dando um chute em um balde e socando os caibros que sustentavam a construção de madeira. Extravasava de forma violenta toda a raiva que sentia. Queria quebrar todo o lugar, socava o máximo que podia até ver sangue em sua mãos. Mas sua raiva anestesiava a dor. A força bruta e explosiva brotava mostrando o seu pior lado.

Camus sentiu seu peito queimar, tentava conservar seu equilíbrio. Diferente de Milo, não queria explodir, mas sentia-se com suas últimas forças se esgotando. Sentia que logo não teria mais força para lutar contra aquele destino. Sua cabeça doía e sua raiva se convertia numa expressão gélida, impiedosa. O pior lado de Camus era silencioso e gostava de ferir lentamente a quem ele direcionasse.

Mas o amor que ambos sentiam um pelo outro gritava com ainda mais força em seus corações. O melhor lado de cada um ainda estava vivo e forte o suficiente para continuar comandando suas ações.

"Ah Camus, meu amor...quando nossa tormenta terá fim, meu anjo? Será que veremos saída? Preciso tanto de você, meu ruivo lindo.."

Milo sentiu-se mais calmo ao pensar em seu amado. Quando pensava em Camus, é como se as esperanças se renovassem. O mesmo acontecia com Camus, quando pensava em Milo, um novo fôlego de coragem vinha ao seu coração

"Milo, eu não sei o que vai ser de nós. A única certeza que tenho é que eu te amo, e vou te amar até o último dia da minha vida, aconteça o que acontecer."

Aos poucos ambos foram se acalmando, mas as decepções que lhe causaram ainda doíam.

Pela primeira vez em sua vida, Milo odiou Natassia, abertamente. Pela primeira vez, Camus odiou seu pai. Duas pessoas que tanto amavam, haviam se tornado seus piores inimigos.

"Me ameaçou de morte, dentro de nossa casa...dentro de nossa casa! Pai...e o que fez? Nada. Acovardou-se, calou-se. Covarde...não passa de um covarde."

O seu Almirante e herói, era um covarde.

Sua princesa frágil era uma psicopata.

Milo e Camus, cada um a seu modo, amargou aquele fim de tarde dolorido que caía triste, cinza e sem lua.

**

Anete e Gerrard haviam reservado um outro quarto para Richard, a suntuosa mansão em estilo vitoriano era bem grande e tinha muitos quartos.

Deitado em sua cama, Richard levou as mãos á lateral do seu dorso. Aquela dor intensa estava se tornando cada vez mais constante e incômoda.

E preocupante.

**

A noite parecia ser mais quente em certo cômodo da casa. Zaph permanecia sentado na poltrona que havia em um dos cantos do quarto em que estava hospedado. Confortavelmente observava o show particular que em breve começaria.

Não tardou a coçar os olhos diante do que surgiu á sua frente. O belo moreno, Krest, exibia seu corpo perfeito e nele apenas rendas tapavam seu sexo, uma liga rosa e meias sete oitavos. O peitoral nu e esculpido combinavam com as pernas igualmente trabalhadas. Krest era um deus de perfeição e tinha o mesmo porte físico que Milo e Camus.

Zaph babava ao ver o namorado mexer sensualmente os quadris, o convidando. O sargento ajoelhou-se diante daquela estátua viva, tocando aquele corpo com delicadeza, distribuindo beijos em cada pedacinho por onde suas mãos passavam. Joelhos, coxas, abdome, braços...levantou-se e tomou-lhe a boca, sorvendo ávido a saliva, sugando os lábios.

Krest deixou escapar um gemido e passou a despir Zaph, que a cada peça que se livrava, ia revelando o corpo que não era tão diferente. Zaph era mais alto e mais esguio, mas também possuía belas formas. Ao se abraçarem e se beijarem mais, Krest sentiu que a ereção de Zaph já pedia para ser libertada e ele não via a hora de pôr seus olhos verdes no que seu namorado trazia entre as pernas.
E quase caiu de joelhos ao ver. O sexo de Zaph era assustadoramente grande!

— Zaph...querido! Nunca vi nada assim em minha vida, você é um super dotado!

O neozelandês sorriu malicioso, se orgulhava de ter 32 cm de pênis, algo anormal mas que sempre lhe rendia olhares assustados...e gulosos, como o que Krest lançava para ele.

— Hum, gostou amorzinho? Então prova, vai. É todo seu!

Krest não pensou em mais nada, ajoelhou-se e passou a felar o sargento, que fechava os olhos sentindo a boca quente do seu amor lhe engolir o quanto podia. O moreno não conseguia pôr tudo na boca, mas lambia-o em toda a sua enorme extensão, indo e voltando. Zaph arfava de prazer e gemeu ao sentir a boca de Krest sugar suas bolas e sua língua passear lentamente sobre elas.

Depois de se deliciar com aquela espada gigante, Krest levantou-se para Zaph terminar de tirar sua pouca roupa. Removeu com a boca as ligas e manteve as meias. Queria transar com ele usando apenas as meias sete oitavos. Tirou delicadamente a renda, vislumbrando o sexo do namorado, que não era enorme como o seu, mas era convidativo. Zaph o chupou com toda a sua vontade e devoção, enquanto Krest acariciava seus fios castanho escuros.

Krest se virou e sentiu arrepios ao imaginar aquele falo enorme o rasgando por dentro. Pela primeira vez teve medo, mas foi tranquilizado pelas palavras de Zaph

— Fique tranquilo amor, irei te deixar bem preparado, quero você prontinho e sem nenhuma dor.

— Humm, está certo Zaph, mas tome cuidado — pediu temeroso, virando-se de costas e se apoiando na cama.

Mas seu medo não durou muito, logo foi tomado de prazer ao sentir a língua molhada e quente invadir sua entrada, seu anel sendo untado lindamente, com lambidas que o fizeram começar a delirar de prazer antes mesmo de ser penetrado.

— Aw Zaph, isso é tão bom! Ahh que gostosoo!

Zaph apenas ria e dava tapinhas no bumbum que Krest arrebitava ainda mais para ser lambido.

Depois se se certificar de que o parceiro estava no ponto e já bem excitado, Zaph apontou seu gigante devagar e começou a escorregá-lo para dentro. Incrívelmente Krest realmente não sentia dor, os carinhos e as preliminares já o haviam levado a um nível de prazer que deixava seu corpo relaxado no ponto correto.

Zaph estava se revelando um amante e tanto! Sabia preparar um parceiro, sabia o que fazer.
Krest soltou um gemido, seu ponto de prazer estava sendo estimulado, o vai e vem cadenciado que Zaph fazia era perfeito. Zaph puxou Krest para si, fazendo-o colar as costas em seu peito, lambia seu pescoço e, virando seu rosto para si, tomou a boca do moreno para que se beijassem.
Sem se desencaixarem, deitaram na cama e fizeram de ladinho até Zaph não suportar mais e explodir seu orgasmo na cavidade de Krest. Zaph desengatou, deitou Krest na cama e o chupou vigorosamente até que este gozasse, explodindo e inundando sua boca com o leite quente, que ele engoliu cada gota como se fosse um líquido precioso.

Zaph ria de si mesmo, um homem com uma meia sete oitavos estava gozando em sua boca! Ele estava de fato muito apaixonado.

— Krest, vem viver comigo em Paris?

O convite de Zaph era tentador e Krest sentia que era mesmo a hora de sair da casa de seus pais.

— É uma bela proposta, sargento. Eu aceito, mas antes preciso saber o que vai acontecer a meu irmão. Não terei paz enquanto Camus não estiver bem.

— Eu entendo, quando tudo isso se resolver, vou te levar comigo e seremos felizes juntos. Eu te amo, Krest Louis Garret.

— Também te amo Zaphiri Connor, e irei com você para Paris.

Aquela altura, Zenon, o pirata, era passado. Zaphiri havia tomado totalmente o coração de Krest que finalmente amava alguém que o merecia e lhe dava carinho, e não que o maltratava. Estava feliz e pronto para começar uma nova fase em sua vida.

Os dois permaneceram abraçados, se recuperando e se beijando até que adormeceram.

**

Algumas semanas depois


Finalmente o dia mais esperado e também o mais temido havia chegado.


Aqueles eram os últimos dias do outono e logo o frio inverno chegaria trazendo o branco da neve. Ainda assim, as tardes ainda eram agradáveis e um casamento ao ar livre ainda era possível. A programação contava com a cerimônia, que aconteceria na capela ás 17 horas e a comemoração que seria na propriedade dos Garret.

A ampla sala principal já estava convertida em um suntuoso salão de baile. Um grupo de musicos tocaria para que os casais valsassem. Tudo rigorosamente preparado, cada detalhe pensado para o grande dia.

Tanto Milo como Camus não puderam pregar o olho a noite inteira. A última noite. Haviam conversado e traçado um plano arriscado, mas o único que ainda poderia dar certo.

Natassia estava em outro quarto, sendo preparada e a casa já fervia com a movimentação de empregados que trabalhavam sem parar para fazer com que a grande festa tivesse o êxito que todos esperavam.

Camus permanecia trancado, seu corpo delgado imerso na banheira e sua mente vagando, longe.

Olhando para a casaca azul marinho, longa e com detalhes em prata e preto, Milo terminava de arquitetar seu plano. Vestiu-a, ela trazia do lado esquerdo suas condecorações da Royal Navy, seus fios loiros caíam pelo grosso tecido. Retirou do bolso interno as duas passagens para o trem das 16:30 que sairia com destino á Paris.

Aquelas eram as passagens para a liberdade.

Os dois baús, contendo suas coisas e as coisas de Camus já estavam prontos. Como combinado, Krest bateu á porta, para buscar as bagagens. Discretamente o moreno conseguiu sair pelos fundos e rumou para a estação, faltavam poucas horas.

Camus secou-se e vestiu-se. A linda e imponente farda negra, bordada a fios de ouro lhe deixava ainda mais bonito, contrastando com seus cabelos cor de fogo, que ele decidiu manter soltos. Do lado direito suas condecorações da Marinha, e na sua cintura uma espada de prata e pedras preciosas estava embainhada. A calça e botas também pretas completavam a imagem do noivo militar, que se olhava no espelho e via tudo, menos a felicidade.

Mas logo a felicidade brotou naquele rosto, ao ver no espelho o reflexo do seu amado

— Milo — ao pronunciar o nome, as bocas se calaram em um beijo intenso

— Camus, você tá lindo

— Eu estou triste

— Não fique, faremos o que combinamos. Eu vim dizer que estarei lá, no trem das quatro e meia. Eu irei naquele trem, e quero que esteja nele comigo. Se não estiver, eu irei sozinho.

Camus emudeceu, nunca tinha visto Milo falar tão sério.

Para Milo, não havia outra saída. Seria torturante ver seu amor se casar, ele não ficaria para ver isso, se Camus não viesse, ele partiria sozinho, levando consigo toda a sua dor.
O loiro ajeitou o cravo branco e o prendeu á lapela da casaca de Camus, era apenas o que faltava para que ele estivesse pronto.
Milo lhe deu mais um último beijo, era um beijo amargo com gosto de angústia. Um beijo de despedida. Saiu em seguida, indo rápido para o estábulo, para sua sorte todos estavam atarefados demais e nem notaram que ele montava em um dos cavalos e saía a galope rápido.

"Minha irmã, espero que um dia me perdoe, mas chegou a hora de você ficar sozinha"

Milo pensava na última vez que colocou seus olhos em Natassia. Ela estava feliz, prestes a casar-se com quem amava, mas o olhava também com desejo. Apesar da tristeza, ele tentava enxergar alí um pouco a menina que viu crescer. E nada havia, Natassia era outra.
Ele não podia sentir culpa, ela estava pronta para ganhar o mundo e ele estava livre.

Agora estava nas mãos de Camus dar seguimento ao plano.

Ele teria duas horas.

**

Natassia se olhava no espelho, no reflexo toda a beleza cálida de uma jovem noiva. Linda, doce, serena. Nos cabelos as flores naturais lhe faziam parecer ainda mais um anjo. O véu que a cobria lhe davam uma aura santa.
Agora seu reflexo não estava mais só, seu noivo se aproximava.

Ela se virou rápido, o susto quase a fez cair

— Ca..Camus! Me assustou...meu noivo, não deveriamos nos ver agora

Camus apenas acariciou sua espada e ordenou que a serviçal que terminava de arrumar a barra do vestido da noiva saísse.
A sós os noivos se encaravam, um vento gelado e súbito invadiu o quarto, apagando as velas.

— Gosta do que vê, amado noivo?

— É indiferente — respondeu com desdém

— E se fosse...meu irmão, o seu amante? Se fosse Milo nesse vestido — ela agora ria, sarcástica — ah agora sua outra espada estaria de pé, não é Tenente? Estaria louco de prazer!

Um tapa, dois, três. Bem sonoros, fortes.

As marcas das mãos dele mostravam que havia sido bem menos piedoso. O tipo de tapa que ardia por dias, coisa que Camus só havia dado a marujos indisciplinados e piratas atrevidos. Ela se apoiou na penteadeira, com o impacto vidros de perfume tombaram. Natassia segurava o rosto marcado.

— Desde quando sabe, miserável?

— Eu sempre soube, seus idiotas! Cada beijo que trocaram, cada encontro fortuito, sei até que passaram uma noite juntos! Por isso foram implorar a papai que não nos casássemos — ela agora gargalhava, machucada e com o penteado desfeito — como são ingênuos!

— Cala essa boca, sua infeliz. — Camus falava baixo e com a voz grossa, contendo sua ira como podia — seu irmão sofreu demais por sua causa, você não é digna nem mesmo de lhe lamber as botas. Você não passa de uma coitada, ridícula e sem amor. O amor que você implorou que eu lhe desse, e eu dei e dou á ele.

Se era pra ofender, Camus sabia ser cirúrgico e ir direto na ferida sem que um fio de seus cabelos vermelhos saíssem do lugar. Sem alterar seu tom de voz, mas com um olhar que cortava.

No rosto de Natassia as risadas irônicas foram substituídas pela ira em um gesto rápido ela puxou uma navalha que estava sobre a penteadeira, apontando-a perigosamente para Camus.

O ruivo se viu na mira de uma navalha, na mira de uma psicopata.

O tempo corria e Milo já estava na estação, á sua espera para a fuga que haviam planejado juntos. Camus pretendia fugir com Milo no dia do casamento, abandonando Natassia no altar e aquele era o momento decisivo.


Continua...

Notas finais
Milo e Camus tem um plano de fuga que tentam executar com a ajuda de Krest. Mas parece que Natassia será um problema para que este plano dê certo. Galerinha, o próximo capítulo marca o fim do primeiro arco desta fanfiction. A partir do segundo arco, alguns personagens darão lugar a outros, mas nosso casal permanece por serem os protagonistas. Vamos ter uma grande virada no enredo!!