A História de Karin
25 Cachecol do Taichou
Notas iniciais
Soul Society
— O que me diz Tenente Hinamori? Aceita?
Momo não responde prontamente, ficando hesitante. Não queria admitir mas estava assustada com aquele convite inesperado. Mesmo que elas não tenham voltado a guerrear já algum tempo também não eram propriamente amigas. Porém as palavras ousadas de Karin de algum jeito a abalaram. Enxergando a mão estendida da recruta do décimo bantai, ela toma uma decisão.
“Nem amigas ou inimigas, só aliadas.”
— Certo. Tréguas…
Ambas apertam as mãos, unificando-se, sem nunca desviar o olhar. Elas não desmancharam o contacto durante algum tempo, se encarando fixamente, como se através dos olhos pudessem penetrar em suas almas e desvendar os segredos que cada uma escondia, temerosas de uma possível traição pelas costas, assim como o ladrão sorrateiro vagueia pela noite camuflado na dimensão escura.
Kira não escondia a sua euforia, o seu rosto denunciava a felicidade que sentia. Era comovente observar duas shinigamis que sempre lutaram uma contra a outra, agora estarem dispostas a batalhar lado a lado. Significava que a guerra entre ambas poderia estar a acabar gradualmente.
A alegria do tenente loiro não passou despercebida a Hinamori que rapidamente focou seu olhar nele, com um singelo sorriso no rosto. De uma delicadeza intocável, pura… Como se não o convidasse para participar numa guerra.
— Kira-kun, vai nos ajudar?
Nesse momento, a Kurosaki arregala os olhos em choque: esquecera-se completamente de Kira! Nunca cogitou fazer-lhe essa proposta uma vez que não conhecia a relação entre ele e o seu taichou, ficou inclusive preocupada de ele as poder denunciar para o Gotei 13, afinal elas estavam a cometer um crime que arcava com drásticas consequências quando fossem descobertas.
Contudo, apesar da angústia presente, não deixou de ficar intrigada com a partilha de olhares entre eles. Erguendo uma sobrancelha, sorriu jocosa percebendo que a intimidade entre eles cresceu consideravelmente. Aliás aumentava visivelmente de dia para dia. Algo definitivamente se passava naquele quarto e era ela que estava a mais desta vez.
— Claro Hinamori-san, pode sempre contar com o meu apoio para o que precisar.
O tenente pronunciou a frase inocentemente, revelando parte de seus sentimentos, naturalmente, esquecendo a presença da terceira oficial do décimo esquadrão. Ambas as shinigamis perceberam o sentindo oculto daquele apoio, fazendo com que Momo consequentemente ficasse rubra. Kira ao constatar a coloração avermelhada da shinigami do quinto bantai apercebeu-se do que dissera e tapou a boca tarde de mais completamente encabulado, com o rosto tingido pelo intenso escarlate. Ao presenciar aquela cena, Karin não segurou uma ligeira risada, intensificando o constrangimento do casal.
—Ari…ga..to… Kir…a...kun.
A oficial pressionou-se a parar com a sua gargalhada para não embaraçar ainda mais o casal, retomando à sua postura anterior quando ela adentrou na sala, recapitulando o assunto.
— Está disposto a perder o seu título, Tenene Kira?
— Antes isso que ajudar na condenação de um inocente. Nenhum título justifica tal atrocidade.
As duas mulheres não se pronunciaram, quietas, percebendo que havia algo pessoal nessa declaração.
— Sou contra este massacre dos quincys mas principalmente pela resposta dos nossos superiores… Eles estão a destruir a nossa união, desacreditando em nossos capitães…
— Kira-kun…
Karin e Momo não sabiam como reagir. Izuru é uma pessoa habitualmente triste e introspectivo, não é facilmente capaz de socializar com os outros. Ele geralmente aparece fraco e indiferente, levando muitos a acreditar que ele não tem a capacidade de ser um líder. Como um oficial, ele não tende a inspirar confiança ou elevar o moral do caminho outros tenentes fazer.
No entanto, Izuru é leal a seus amigos e a suas funções. Ele não conhecia limites quando está imposta a protecção destes dois. Sempre considerou a essência da guerra como o próprio desespero; odeia os combates, a menos que seja solicitado pelos seus superiores. Contudo, quando guerreia, ele demonstra uma determinação implacável. Principalmente, quando decapitou um adversário que estava implorando por misericórdia na guerra contra os arrankares.
— A batalha não é um palco para os exibicionismos vazios, nem é algo para ter prazer. Batalha está repleta de desespero. Escuro e aterrorizante. Esse é o caminho que deve ser. Dessa forma, as pessoas aprendem a temer batalha e escolher o caminho da não-violência, sempre que possível.
Tudo ficou em um mórbido silêncio, ouvindo o vento passar pelas brechas da janela. Kira direcionou-se para Karin firme, um lado mais utilizado em combates.
— Antes de partirmos, deve fazer algo certo Kurosaki-san?
A morena fica desnorteada com a sua observação não compreendo o que ele queria dizer. Desviou o olhar, enquanto procurava em seu inconsciente alguma indicação que servisse de pista para a pergunta que lhe fora feita.
— Somente quando um coração está em equilíbrio você pode alegar ter a verdadeira força.
Subitamente, a shinigami compreende enfim o que este lhe recomendava. Numa ligeira vénia como agradecimento e despedimento ela some no shunpo para o local onde batalhou com Toushirou. Ela precisava observar antes de partir o local onde o Toushirou por segundos redobrou a consciência, onde ela o viu pela última vez.
Karin ao alcançar o campo de batalha onde reencontrou o capitão de gelo, vagueia sem um destino fixo. Sem se aperceber ela desliza pelo gelo e escorrega caindo de costas contra o solo nevoso. Resmungando, ela ergue-se reparando que não escorregou no gelo mas no peculiar cachecol verde de Toushirou.
Os olhos da morena aguaram ao presenciar aquele objecto que tinha entre os seus dedos. Ele deve tê-lo perdido quando desviou de algum ataque. A Kurosaki o toma carinhosamente contra o rosto, enterrando a sua face nele. Sentindo a fragrância fresca invadir suas narinas, recordava quando gozara o mesmo cheiro quando seu rosto estava enroscado no albino em seu escritório.
A textura do tecido era estranhamente macia não querendo sair daquele transe para voltar à realidade. Ela queria ficar presa em seu mundo, nas memórias onde Hitsugaya estava presente.
— Pequena shinigami…
— Fujin?
— Está na hora, ele precisa de ti.
— E se for tarde demais?
— Não é, descansa e luta pequena.
— Como pode ter tanta certeza disso?
— Esqueceu? Eu tenho uma ligação com Hyourinamaru e você com o Hitsugaya-san… Ele precisa de ti Karin-chan.
A shinigami estipulada envolveu o cachecol de seu capitão no pescoço, formando uma promessa mentalmente. Ela não iria retirar nem dar aquele objecto a ninguém... Com a excepção ao seu legítimo dono.
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