A História De Uma Semi-deusa

16 Somos presos e saímos voando... literalmente


- Por ali – falo ofegante correndo dentro da mata

- Para onde você está indo? – pergunta Iago quase sem ar.

- Não sei! – paro e olho para o lado direito, pois escuto um barulho de machado cortando lenha. – Vamos por aqui, sem correr.

Nos aproximamos do barulho e vimos um velho cortando lenha.

- Ah, desculpe senhor, mas o senhor poderia nos ajudar? – pergunta Iago se aproximando do velho.

- Sim, o que houve com vocês? – pergunta o velho, encostando o machado no toco de árvore.

- Nosso ônibus foi atacado, e viemos correndo para a mata tentar se proteger.

- O que atacou vocês? – ele pergunta se aproximando de nós.

- Bom, se a gente contar você não irá acreditar... – falo indo para o lado de Iago

- Já vi de tudo nessa vida, minha querida. – o velho responde

- A gente topou, com, bem, um dragão negro e um cavaleiro vestido com uma armadura negra, estávamos indo à Rússia e... bom ele atacou o ônibus em que estávamos.

- O que aconteceu com os dois? – o velho pergunta

- Nós os matamos. – Iago fala.

- Não vejo há muito tempo semideuses... – o velho fala – Qual são seus nomes?

- Meu nome é Iago, e , essa é Íris... como o senhor sabe que somos semideuses?

- É uma longa história... Vamos para minha cabana. Lá poderei explicar melhor.

Fomos até a cabana do velho, ela era diferente de qualquer outra cabana, ela tinha várias espadas e escudos, havia também uma foto antiga de uma ninfa e a de um sátiro, olhei para o lado e vi uma porção de flautas de bambu.

- Como sabe que somos semideuses? – pergunto

- Sou um sátiro, por isso eu sei... – ele diz com um tom triste – mas de quem vocês são filhos?

- Eu sou de Zeus e ele de Hefesto. – respondo pegando a foto e levando até o senhor – Qual é o seu nome? E é você aqui nesta foto?

- Meu nome é Levon, e sim sou eu nesta foto... ela é... quero dizer era minha namorada, o nome dela era Laura.

- O que aconteceu com ela – pergunta Iago

- Eu a deixei... deixa-a morrer... – ele responde

- Ah, como? – pergunta Iago e dou uma cotovelada em suas costelas.

- Deixe para lá. – olhei para Iago. – Você poderá nos ajudar?

- Claro! Com o que vocês precisam de ajuda?

- Bom, precisamos chegar até a Rússia.

- Eu posso ajudar, mas não poderei ir... tenho um pegasus, posso ‘’emprestá-lo’’ à vocês. – ele diz

- Obrigada! – falo sorrindo

- Vamos, vou pegar o pegasus para vocês, venham comigo. – Levon disse abrindo a porta da cabana.

Logo atrás da cabana havia um estábulo com um pegasus branco de olhos extremamente azuis.

- Ele é lindo! – falo

- Sim é. – Iago concorda – qual é o nome dele?

- É Mark. Cuidem bem de meu garoto.

- Obrigada novamente. – digo e me volto para Mark.

- De nada. – Levon diz – esperem aqui.

- O.K – diz Iago.

Levon corre até lá dentro e nos trás néctar.

- Obrigada novamente – digo.

- De nada.

- Obrigado, Levon – diz Iago abrindo o portão do estábulo para Mark sair e podermos seguir para a Rússia .

Montamos no pegasus. E seguimos viajem para a Rússia.

Passamos por cima de onde ocorreu o acidente, vi várias ambulâncias e carros de policia no lugar que havíamos matado o dragão e o cavaleiro. Olhei para o céu e ele já não estava mais como estava quando havia matado o homem.

Depois de algumas horas chegamos a uma cidadezinha não muito longe de Moscou. Paramos no estacionamento de uma lanchonete e deixamos que Mark voltasse para Levon. Entramos na lanchonete e pedimos alguns sanduíches. Nos sentamos em uma mesa afastada. Olhei para a TV que estava passando a noticia de nós dois, lutando contra um dragão e eu matando um homem.

- Iago, — chamei – olhe. – apontei para a TV

- Estamos nos jornais – ele disse – e você esta sendo procurada pela policia, acho melhor irmos embora daqui.

- Sim vamos. – concordei

Saímos da lanchonete e pagamos um táxi para ir até a próxima estação de trem.

Entramos escondidos em um trem que iria para moscou e logo após entrarmos ele partiu.

- O que você pretende depois que concluir a missão? – me pergunta Iago.

- Não sei, acho que descansar... E você?

- Acho que vou visitar minha mãe. – ele responde – você...você aceita ir comigo?

- Sim. – respondo – você tem irmão?

- Uma irmã, quero dizer uma meia irmã. – ele diz – o nome dela é Becky... ela é mais nova, e meu padastro fica protegendo ela... e minha mãe apóia, mas quero rever minha mãe.

- As vezes eu me orgulho por não ter mãe... – digo e rio

- Como?! – pergunta Iago espantado

- Bom, eu e minha mãe éramos como cão e gato, não podíamos passar um dia juntas... sempre dava briga. Como meu pai pode gostar dela? – digo e olho para Iago que me olhava interessado – o que foi?

- É.. que eu nunca vi alguém se orgulhar por não ter mãe... e nem ter família.

- Família.. é uma coisa que não vejo faz muito tempo. A ultima vez que vi minha família foi no enterro da minha mãe. E, qual é o seu sobrenome?

- Ah, é Menshikov... Não gosto muito do meu sobrenome... Qual é o seu?

- O meu, Fritz... não é um sobrenome muito comum. Engraçado isso, nos conhecemos já faz um bom tempo e não sabíamos nosso sobrenome... – eu e ele rimos.

Olhei para a fora da janela e vi que estávamos chegando em Moscou, teríamos que sair bem despercebidos do trem.

- Iago, temos de sair do trem o mais rápido possível.

- É, mas o trem está um pouco cheio para sairmos assim. – ele diz olhando por cima dos bancos

Olho novamente para fora da janela e já dava para ver a estação se aproximando cada vez mais.

— Alguma idéia para sair daqui? – pergunto

- Acho que o mais fácil é sair despercebidos daqui, sem nenhuma ação estranha... – ele fala

- Tudo bem, vamos tentar isso, mas se não der certo corremos daqui. – digo

Quando o trem parou, saímos do trem. Tentamos sair da estação o mais despercebidos possível, mas não adiantou, quando estávamos quase chegando na porta, um policial nos parou.

- Com licença, — fala o policial – posso ver seus documentos de viagens?

- Desculpe-me senhor – eu digo – mas nossos documentos ficaram com nossos pais, e não os encontramos depois que chegamos na estação.

- Então terão que me acompanhar – o policial diz.

Fomos levados até uma sala que havia uma cela.

- Legal – falei baixo para Iago – como iremos sair daqui agora?

- Não sei, ele irá tentar falar com ‘’nossos pais’’ – Iago fala

- Entrem! — Exclama o policial abrindo a cela e nos empurrando para dentro dela. – não tentem sair. – ele sai da sala.

- Ei, ei, — chamo Iago – olhe ali – aponto para uma janela na parede.

- Muito bom, vamos cair de uns três andares. – ele diz sentando em uma cadeira de ferro.

- Sai daí! – exclamei fazendo ele levantar e me deixando pegar a cadeira.

Subi em cima da cadeira e olhei lá para baixo, estávamos no 1° andar, daria para sairmos de lá pela janela.

- Estamos no 1° andar, podemos sair daqui. – eu falo abrindo a janela. – eu posso voar esqueceu disso?

- Sim pode. – ele diz me ajudando a descer da cadeira.

- Quando você quer ir? – eu pergunto rindo

- Pode ser agora?

- Sim pode, você primeiro. – eu digo .Ele sobe senta na beirada da janela. Subo e fico sentada ao lado dele. – Pronto ?

- Sim.

Nós nos abraçamos e pulamos da janela. Faço nós não cairmos com tanta força, quando chego ao chão o solto.

- Obrigado. – ele diz

- De nada.