A Hipnose

1 Onde tudo começou


De repente entrei em casa e BUM!

MÃE- Filha! Como foi a aula?

MEL- Mãe? Que barulho foi esse?!

PAI- Explica para ela mãe, ou você quer que eu pague o pato?

MÃE- Bem, é que eu derrubei uma panela com o patê...

Quando me dei conta, tinha uma meleca de patê no chão. Só me falta agora eu ter que limpar aquilo!

MÃE — Mas isso não é problema! Tem pizza... Você quer?

MEL- Claro, estou morta de fome!

Peguei um pedaço de pizza e me veio a mente que meu pai ia vender minha bicicleta.

MEL- Então pai, conseguiu vender a bicicleta?

PAI- Ainda não. Filha é o seguinte:

Ele parecia triste e arrependido no momento.

PAI- A bicicleta foi roubada.

MEL- M-mas como?! Você sabe que eu a amava! Eu passei toda a minha infância com ela!

Estava quase chorando. Eu havia passado muitos momentos com ela, ainda que foi um presente da minha melhor amiga, que me deu quando eu estava doente. Ainda lembro a frase marcante dela: “Melhoras! Quando você se recuperar vai poder usa-la.”

MÃE- Mesmo assim, seu pai comprou uma para o seu tamanho.

MEL- Finalmente! Muito obrigada pai!

Uma alegria imensa atingiu meu coração no momento.

PAI- Vamos! Dê uma volta por aí.

MEL- Acho que vou amanhã com ela para a escola. Não quero suja-la.

PAI- Então está bem. Vá para o seu quarto, arrume seu material para amanhã. Boa noite!

No dia seguinte...

MÃE- Tchau filha! Boa aula!

Montei na minha nova bicicleta. Estava a caminho do colégio, o caminho foi tranquilo. No corredor, havia um menino que nunca tinha visto antes. Parecia ser novo. Foi quando eu fui falar com ele...

MEL- Olá... Vo..

FREDY- AAAAAAAH!

MEL- AH! Ah.. Desculpe, te assustei?

FREDY- Ah… Desculpe por berrar. Pensei que era aquele menino grande e assustador... Ah, ele tinha uma chave... Ele...Ele...

MEL- Não está falando coisa com coisa. Ah menino grande! Você está falando do Otávio? A propósito, eu me chamo Melissa, mas pode me chamar de Mel.

FREDY- E-eu sou Fredy... Não sei. Ele não comentou o nome.

MEL- É aquele ali?

Apontei para o aluno Otávio. Ele é bem grande, do time de basquete, pode dar medo em qualquer um. Com meninos novos não costuma a ser muito simpático...

FREDY- S-sim, é ele. Ah meu deus! Não deixe ele me ver!!!

Fredy parecia bem assustado. Ele colocou a mão na cabeça e se encolheu.

MEL- Olha, ele já foi embora! Agora me conte, o que houve?

FREDY- E-Eu me apresentei para ele, e ele se virou bruscamente para mim e ele disse... “EI! Olha só! Sai daqui. É meu tênis novo, nem vem!” E me empurrou... E-eu estou assustado.

Otávio pegou leve com ele até. Não entendo o motivo de ele estar assustado. Eu vi ele com o tênis novo e todo mundo que chega a quase pisar nele ele fica todo agressivo. Isso é ruim. Não quero que Fredy pense que essa escola não é boa. Ele é um cara legal.

FREDY- Ele pegou minha passagem do ônibus. Não sei o que fazer.

TRIIIIIM! A aula começa. Aula de ciências... Entrega do trabalho e apresentação!

No fim das aulas, Fredy me acompanhou até a saída.

FREDY- Então tá. Acho que vou ter que ir a pé até em casa. É um longo caminho... Já vou indo.

MEL- Espere. Sabe andar de skate?

FREDY- Sei sim, por quê?...

MEL- Está vendo ali no canto? É meu skate. Pegue! Vamos juntos até as nossas casas.

FREDY- Poxa, sério? Valeu mesmo!

Eu na minha bicicleta e ao meu lado, Fredy, de skate. Ele é bem habilidoso no skate. Silêncio. O pôr do Sol estava realmente lindo.

FREDY- Agora eu não sei mas o que fazer... Não conheço ninguém, apenas você!

MEL- Não me chame de ninguém! Hahah!

FREDY- Ah ah, engraçadinha! O que estou querendo dizer é que não fiz mais nenhum amigo. Mas é sempre assim. Todos me conhecem como o garoto tímido. Ninguém quer ser meu amigo.

MEL- Eu quero ser sua amiga.

FREDY- Não quero você apenas como amiga.

Silêncio por uns 6 minutos. Aquilo foi um sonho? Ele gosta de mim? Eu me pergunto, alguém como o Fredy pode gostar de mim, mesmo eu sendo assim? Será que ele não me acha feia não? Ele está maluco? Perguntas assim vieram à minha cabeça nesses 6 minutos.

FREDY- Agora eu tenho que virar aqui... Tchau.

MEL- T-tchau.

Continuei o resto do caminho para casa sem ele. O que foi aquilo??

MEL- Devo estar maluca. Deve ser um sonho.

Cheguei em casa. Hmm cheirinho bom! Já sei! Almôndegas!!! Sim, minha bolota de carne preferida. Bem, mesmo com as almôndegas, não consegui parecer muito empolgada. Parecia que eu estava encenando um teatro mal ensaiado.

MÃE- Filha, está tudo bem com você?

MEL- S-sim. Eu estou bem, só estou um pouco cansada. Já vou indo. Boa noite!

Deitei na minha cama e não consegui dormir. Só ficava pensando no que havia acontecido. Já era umas 2h da manhã e finalmente dormi.

MÃE- Meeel! Acorde, está na hora de ir para a escola!

Acordei num sobressalto. Meu coração estava acelerado.

MEL- Já?

Era um novo dia de aula, estava tímida e não falava com ninguém. Veio a coragem quando vi o Fredy, mas tudo o que consegui dizer foi:

MEL- Bom dia...!

Soltei um sorriso desajeitado e forçado.

FREDY- Aconteceu algo de errado?

Se aconteceu algo de errado?! Aconteceu MUITA coisa errada. Bom, digamos que errada não é bem a palavra, mas sim estranhas. Pena que não consegui falar isso.

MEL- N-não. Está tudo bem. Pode acreditar... Ei! A aula já vai começar! Vou indo. Tchau!

FREDY- Mel...?

A fala dele chamando meu nome ficou á distância. Estava correndo para a sala de aula quando esbarrei em algo...

OTÁVIO- Ei!! Deixa de ser maluca e presta atenção por onde anda garota!

MEL- D-desculpa, eu não estou muito bem hoje...

OTÁVIO- E eu ligo pra se você está bem ou não?...

FREDY- Não fale assim com ela!

Nem tinha visto Fredy vindo. Ele realmente me assustou.

OTÁVIO- O que?? Você não era aquele medrosinho lá? Háhá!

Fredy me pegou pela mão e saiu dali comigo.

OTÁVIO- Isso fujam! É melhor para vocês.

FREDY- O que está fazendo?!

MEL- Eu esbarrei sem querer no Otávio...

FREDY- Você tem que tomar mais cuidado!

MEL- Por que está se preocupando tanto assim comigo?!

FREDY- Porque eu te amo Mel!

Continua...