Notas iniciais
:(

"Não que eu estivesse triste, só não sentia mais nada — Morangos Mofados."

Ninguém entrou naquela cabine, eu me sentia completamente solitária. Talvez em Hogwarts melhorasse, não é? Afinal, tio Ben disse que era o melhor lugar do mundo.

Uma voz ecoou pelo trem anunciando que chegaríamos em 5 minutos. Peguei minhas vestes de Hogwarts no malão e as coloquei o mais rápido que pude. Desci do trem com todo mundo em um empurra empurra só.

– Alunos do primeiro ano por aqui! — gritava um homem muito alto e barbudo — Deixem seus malões ai, eles serão levados para o colégio.

Eu sorri para ele, ele me olhou um tanto assustado mas também sorriu para mim.

– Venham! — gritou ele. Eu o segui, assim como vários outros alunos e seguimos por uma estrada cheia de pedras até chegarmos a um rio — Só quatro em cada barco.

Eu entrei num dos barcos o mais rápido que pude, uma menina de cabelos loiros e outra de cabelos castanhos entraram ali também e sorriram para mim, eu retribui o sorriso e fiquei quieta. Será que elas seriam minhas amigas ao saberem meu sobrenome?

– Alvo! — berrou a menina loira — Venha aqui!

Só vi quem era quando ele entrou no barco. Olhos azuis e cabelos negros, desviei o olhar e fiquei encarando o rio, eles estavam bem interessante no momento.

– Qual seu nome? — perguntou a castanha e eu a olhei assustada.

– Sophia — disse e ela sorriu.

– Sou Roxanne e esses são Dominique e Alvo — disse ela e eu sorri fraco para os outros dois, o menino me encarava de uma forma estranha. Será que me reconhecerá? Acho que não.

– Eu já a vi — disse ele. Acho que sim, me reconhece — No Beco Diagonal, na Floreios.

– É — disse balançando a cabeça.

Fiquei encarando as águas daquele lago o resto do caminho, encarei o castelo abobada. Ele era maior que a mansão, sem comparação alguma.

– Sigam-me! — mandou o gigante quando os barcos pararam, eu saltei do barco e o segui. Estava escuro demais, eu tateei o nada com as mãos o seguindo enquanto agente andava por mais pedras. Ali só tinha pedras? Passamos por um lugar que eu não conseguia enxergar no escuro e chegamos ao gramado, onde eu consegui a proeza de tropeçar nos meus pés.

– Tudo bem? — perguntou o gigante e eu balancei a cabeça afirmativamente, ainda encarando tudo abobada.

Seguimos até o portão e ele bateu três vezes.

– Boa noite Neville — disse ele sorrindo.

– Boa Hagrid — disse o homem de cabelos castanhos — Entrem — disse para nós e todos entraram, tentei olhar para tudo ao mesmo tempo.

Ele fechou o portão e nós o seguimos por uma escadaria enorme até outra porta, igualmente grande. Era tudo tão grande aqui. O professor disse para ficarmos ali e esperarmos em silêncio que ele iria ver se estava tudo pronto para nos receber.

Todos conversavam entre si sobre que casa queriam ir, eu me abracei com força. Todos falaram que eu deveria ir para Sonserina a minha vida toda, tio Ben disse que eu cairia bem em qualquer casa. Ele dizia que eu possuía a inteligencia para entrar para Corvinal, fidelidade para entrar da Lufa-lufa e coragem para entrar na Grifinória. Mas era na Sonserina que eu tinha que entrar, tinha que me concentrar nisso.

O professor voltou um pouco depois pedindo para que fizéssemos uma fila e entrássemos no "Salão Principal". Era lindo olhei para tudo admirada, olhei para cima e parecia que não havia teto, mas eu li sobre isso em algum lugar era apenas um feitiço.

Chegamos a frente do Salão e paramos. Havia um banco alto de quatro pernas com um chapéu velho em cima.

O chapéu abriu algo que parecia uma boca e começou a cantar, eu dei um pulo para trás assim como vários alunos.

Ah, vocês podem me achar pouco atraente,
mas não me julguem pela aparência
Engulo a mim mesmo se puderem encontrar
Um chapéu mais inteligente do que o papai aqui.

Podem guardar seus chapéus-coco bem pretos,
suas cartolas altas de cetim brilhoso
porque eu sou o Chapéu Seletor de Hogwarts
E dou de dez a zero em qualquer outro chapéu.

Não há nada escondido em sua cabeça
que o Chapéu Seletor não consiga ver,
por isso é só me porem na cabeça que vou dizer
em que casa de Hogwarts deverão ficar.

Quem sabe sua morada é a Grifinória,
casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue frio e nobreza
destacam os alunos da Grifinória dos demais;

Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
onde seus moradores são justos e leais
pacientes, sinceros, sem medo da dor;
ou será a velha e sábia Corvinal,

A casa dos que tem a mente sempre alerta,
onde os homens de grande espírito e saber
sempre encontrarão companheiros seus iguais;
ou quem sabe a Sonserina será a sua casa

E ali fará seus verdadeiros amigos,
homens de astúcia que usam quaisquer meios
para atingir os fins que antes colimaram.
Vamos, me experimentem! Não deverão temer!

Nem se atrapalhar! Estarão em boas mãos!
(Mesmo que os chapéus não tenham pés nem mãos)
porque sou o único, sou um Chapéu Pensador!

Ele terminou de cantar e todos aplaudiram, eu sorri assustada e aplaudi também.

– Quando chamar os nomes de vocês — disse o professor Longbottom, acho que era isso que ele falara la fora — Vocês sentaram nesse banquinho e eu colocarei esse chapéu na sua cabeça. Ele mandará vocês para a casa que melhor ficarão. São elas Grinfinória, Corvinal, Lufa-lufa e Sonserina.

Todos o encararam por algum momento e ele abriu um pergaminho.

– Tommy Steinfeld — chamou ele e um menino de cabelos castanhos escuros e olhos azuis sentou-se no banquinho, depois de um tempo o chapéu gritou Sonserina.

A mesa ao canta rompeu em aplausos quando ele foi para la sorridente.

– Layla Maia — uma menina de cabelos castanhos foi até lá e foi para Lufa-lufa.

– Rose Weasley — uma menina de cabelos ruivos e olhos azuis sentou-se no banquinho mordendo os lábios e foi indicada para Grifinória. Ela sorriu e foi para a mesa onde todos a aplaudiram.

Depois Scorpius Malfoy, um menino loiro, foi indicado para Sonserina. Dominique e Roxanne Weasley para Grifinória. Molly Weasley para Corvinal e meu Deus quantos Weasley's! Uma menina de cabelos castanhos chamada Mackenzie Hale foi indicada para Sonserina e então.

– Alvo Potter! — o menino de cabelos negros respirou fundo e sentou-se no banco. POTTER?! Gritei no fundo da minha mente, o pai dele havia matado o meu. Isso não podia ser verdade, logo ele?

– Sonserina! — anunciou o chapéu e o menino ficou sem reação, foi cambaleante para a mesa da Sonserina e mais uns quatro alunos foram chamadas até chamarem meu nome.

– Sophia Riddle — disse o professor e todos começaram a sussurrar, fiquei parada no mesmo lugar, não queria que todos soubessem que era eu. Ele me encarou por algum tempo, sabia muito bem que era eu e então sentei-me no banquinho, com vários olhares assustados e amedrontados sobre mim. O que eles acham que vou fazer? — Fique calma, não ligue para eles.

Fechei os olhos com força e o chapéu começou a falar na minha cabeça.

– Riddle? — disse ele e eu me assustei — Você é doce de mais para ser uma Riddle menina, não sei por que estão com tanto medo de você. Não é capaz de fazer mal nem a uma mosca. Como irá para Sonserina assim?

– Por favor, eu preciso — resmunguei para ele implorando.

– Medo? — disse ele — Da reação de sua família? Eles deveriam de aceitar do jeito que é. Tem muitas qualidades menina Riddle, se encaixa bem em qualquer casa que vá, mas Sonserina...

– Por favor!

– Então que seja — disse ele por fim — Sonserina!

Fui para a mesa e todos me olhavam assustados, quase ninguém bateu palmas. Sentei-me o mais longe que o banco permitia e fiquei encarando a mesa vazia. Queria ir embora, queria tio Ben e queria pessoas que me amassem e me aceitavam. O que significa, só o tio Ben.

Mais alguns nomes foram chamados e então uma mulher que deveria ser a diretora, levantou-se dizendo ser Minerva McGonagall e fazendo um discurso a qual não prestei atenção. Todos me encaravam como se eu tivesse acabado de fazer algo horrível, olhei para o menino de cabelos negros da livraria e ele desviou o olhar. Olhei para o gigante no canto do Salão e ele não me encarava com olhares maldosos, só parecia assustado. Comida surgiu na mesa e eu não comi nada, minha fome havia sumido. Agradeci a Merlin pela professora McGonagall ter mandado os monitores nos levarem aos nossos dormitórios, tentei gravar o caminho até lá e consegui. Havia um nó em minha garganta, eu queria chorar, gritar e implorar para que me mandassem de volta para casa. De volta para tio Ben. Quando finalmente os monitores pararam de falar e indicaram nossos dormitórios, eu subi o mais rápido que pude com as outras garotas que não pareciam nem um pouco feliz por terem que dividir o dormitório comigo e me enfiei naquele pijama ridículo de princesinha que eu não era e me enfiei na minha cama fechando as cortinas e chorando como nunca chorei e nunca pensei que fosse chorar deis de o incidente do coelho a cinco anos atrás.