A Herdeira dos Riddle
1 A vida de Sophia
Notas iniciais

"O menino nunca mais chorou, e nunca se esqueceu do que aprendeu: que amar é destruir, e que ser amado é ser destruído — Cidade dos Ossos."
– Tia Pansy! — gritei indo em sua direção — Tia Pansy, olha o que achei nos jardins!
– Diga querida — disse ela me encarando e eu sorri.
– Olhe o que eu achei — disse e lhe amostrei o coelho branco que tinha encontrado.
– Ele é lindo querida — disse ela com um sorriso estranho — Que tal irmos tomar um banho, depois lhe direi o que fazer com ele.
– O que fazer com ele? — disse erguendo as sobrancelhas.
– Sim, depois te amostrarei.
Subi as escadas da mansão correndo com ela ao meu alcance e fomos para o banheiro. Tomei meu banho e tia Pansy pois um vestido de babados em mim.
– Vamos querida — disse ela arrumando o vestido em mim — Nossos convidados já chegaram.
– Mas eu não gosto deles — disse recuando dela — Não gosto das coisas que eles me obrigam a fazer.
– Sem dramas Sophia — disse ela puxando o meu braço — Ou você já esqueceu do que eles fizeram com seu pai, você não quer que eles paguem por tudo isso Sophia? Quer deixar que a morte de seu pai seja em vão?
– Não — disse rapidamente — Mas...
– Mas o que? — perguntou ela me encarando.
– Nada — disse olhando para os meus sapatos.
– Então vamos descer — disse ela e eu fui em direção a porta — Não esqueça seu coelho querida.
– Ele tem que ir? — disse o pegando.
– Sim, claro que tem — disse e me virou pelos ombros para a porta e descemos as escadas. Vários rostos se viraram para mim e curvaram-se.
– Tio Ben! — disse soltando o coelho e correndo em direção ao homem de cabelos castanhos e ele me pegou no colo.
– Sophia, oh querida — disse ele ainda me segurando — Como está?
– O que eles vão fazer com meu coelho tio Ben? — sussurrei para que só ele ouvisse.
– Eu não sei querida — disse ele me soltando e se abaixando para ficar na minha altura — Mas acredite em mim, eu não tenho nada haver com nada disso. Você sabe que é verdade, não sabe?
– Sim.
– Venha Sophia — chamou Pansy e eu virei-me para ela, meu coelho estava em seus braços e eu corri em sua direção pegando o coelho.
– O que vocês vão fazer com ele?
– Te ensinar uma lição — disse Pansy sorrindo maldosamente para mim — Ponha-o ali no meio.
– Não — disse balançando a cabeça negativamente quase chorando.
– Agora! — gritou ela e eu o coloquei no meio do salão com lágrimas nos olhos.
– Parkinson! — disse tio Ben entredentes — Ela tem só seis anos!
– Idade o suficiente para vingar o Lord! — gritou ela feito uma louca e eu recuei para trás assustada — A irmã não deu certo, pois aconteceu aquilo tudo e...
– Cale a boca Parkinson! — disse Lucius Malfoy — É para a menina ouvir?
– Que irmã? — perguntei arregalando os olhos.
– Não te interessa!
– Não fale assim com ela Malfoy! — disse tio Ben apontando a varinha para ele.
– Já chega! — disse Pansy — Venha Sophia!
Fui até ela sentindo cada centímetro do meu corpo tremer.
– Segure-a — disse ela me dando a varinha — Aponte para o coelho.
– Tia Pansy... — implorei a ela.
– Aponte! — eu apontei com lágrimas nos olhos e esperei que ela mandasse — Diga Crucius.
– É uma maldição imperdoável — disse a encarando assustada — Ele vai sofrer e...
– Seu pai também sofreu.
– Mas a culpa não é do coelho — disse e senti as lágrimas escorrerem pelas minhas bochechas.
– Pare com esse drama todo Sophia — disse ela me empurrando para frente — Honre seu nome, honre seu pai. Você nem parece uma Riddle.
– Mas eu sou!
– Então prove! — disse e eu apontei para o coelho torcendo para que ele fugisse — Diga Crucius.
– Não — disse balançando a cabeça.
– Crucius! — alguém disparou e o coelho começou a se contorcer na minha frente.
– NÃO! — gritei procurando ver quem fazia isso, era um homem alto e magro que eu não fazia ideia do nome — PARE! PARE COM ISSO!
– Avada Kedavra! — gritou tio Ben e o coelho parou de se contorcer, mas eu sabia o que havia acontecido. Essa era a maldição da morte, Pansy sempre me fizera ler livros de artes das trevas desde que aprendi a ler.
Olhei para tio Ben com lágrimas silenciosas deslizando por meu rosto. Ele me encarava com pena, como se quisesse me tirar dali.
– Sophia... — começou ele mas eu saí correndo e subi as escadas — Sophia!
Entrei no meu quarto e me joguei em minha cama, chorando alto e descontroladamente.
– Sophia — disse ele entrando no quarto e fechando a porta — Minha querida, me desculpe.
– Você o matou! — acusei.
– Mas eles matariam de qualquer jeito — disse ele me pegando no colo — Eu só não queria que você visse aquilo tudo.
– Por que eu tenho que fazer essas coisas?
– Eles querem que você vingue a morte de seu pai princesa — disse ele — Você é muito nova para saber essas coisas, um dia descobrirá por conta própria.
– Que coisas? — perguntei o encarando.
– Um dia você vai ver — disse ele beijando meus cabelos e me fazendo deitar — Agora durma, para tudo isso passar.
– Fica — pedi.
– Fico — disse ele sorrindo e deitando ao meu lado — Mas só até você dormir, tá bom?
– Ta — disse sorrindo — Boa noite, tio Ben.
– Boa noite, princesa.
– Eu te amo — sussurrei e ele pareceu surpreso mas sorriu.
– Também te amo.
Fechei meus olhos e fiquei assim até finalmente conseguir dormir.
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