Notas iniciais
Atrasei um pouquinho essa semana porque esqueci de programar a postagem! Desculpas! Espero seus comentários! Até!

Máscaras! O símbolo do disfarce, da falsa aparência. Belo dia para usá-la, apesar de que a minha só escondia a parte superior do rosto (olhos e nariz) e precisava mesmo de uma com um lindo sorriso.

Pretendia passar a manhã e uma parte da tarde deitada na cama pensando na minha vida. “Aceite a mudança.” Que mudança! Descobrir que a minha mãe mentia sobre coisas bem importantes não estava nos meus planos de novidade, mas nem tudo são flores.

Claro que, em um dia de baile, minhas amigas jamais me deixariam ficar na cama. Nem perto disso! Precisávamos arrumar os cabelos, escolher a maquiagem perfeita e pegar nossas roupas especiais na lavanderia. Era um baile de máscaras moderno e, portanto, nada de longo, mas nem por isso os vestidos deixavam de ser bem bonitos. Era quase um desfile e, nós três, como responsáveis pela festa, tínhamos que estar entre as mais deslumbrantes. Ainda bem que só a roupa era avaliada, né? Porque não estava nem perto de ser deslumbrante naquele dia.

“Foto”, Jane gritou enquanto se aproximava com o celular. Paramos na frente do espelho e nos juntamos. Sorte não haver nenhuma regra quanto às nossas roupas porque nós três tínhamos o gosto totalmente diferente.

Jane estava com um vermelho sangue chocante. Bem justo ao corpo e com algumas pedras decorativas. Lola, que apesar de ser discreta adorava um dourado, estava usando um vestido na sua cor preferida, apenas realçando seu busto. E, eu, com um vestido preto no bustiê e, rosa na saia de tule.

Fiquei apaixonada por aquele vestido desde o momento em que o vi na vitrine. Ele tinha uma transparência, repleta de desenhos elegantes, comunicando o bustiê à saia e, me pareceu tão especial para uma noite como aquela deveria ser.

Chegamos antecipadamente ao salão e, após ajustarmos todos os detalhes (som, músicas, iluminação e comida), segui para os degraus de mármore que antecipavam a entrada para a festa. Chequei a caixa com máscaras extras para os convidados que se esquecessem de que se tratava de um baile de máscaras e coloquei a minha. Apesar de preta, as transparências em suas laterais tornavam-na mística e me pegara olhando para ela algumas vezes depois que comprei.

Encostei meu corpo na grande pilastra de mármore e fiquei contemplando a paisagem ao redor. O grande chafariz com uma estátua de um anjo no centro, o estacionamento separado do salão por um grande portão de ferro, que naquele dia, estava aberto e as árvores ao redor que traziam certa naturalidade ao ambiente tão elegante em que estávamos.

Ficar sozinha não era a melhor opção quando os pensamentos sobre aqueles segredos voltavam toda hora. Não havia qualquer coisa que me distraísse naquele momento, nem mesmo a alta música animada que tocava lá dentro. Pelo menos era o que pensava até aquele instante.

— Boa noite.

Uma voz masculina desfez meus devaneios. Deveria estar mais concentrada. Aquilo era importante para as crianças do orfanato e estava sendo egoísta pensando apenas em mim. Levantei meu rosto e tentei responder, mas não consegui. As palavras ficaram presas na minha garganta e, literalmente, quase me senti engasgar.

— Boa noite. – forcei as palavras, mas minha voz foi tão suave que tive dúvidas de que ele tinha escutado.

Aquele rosto me causava alguma sensação que simplesmente não conseguia entender, nem explicar. A única coisa que tinha certeza era de que nunca o tinha visto na faculdade. Lembraria. Quem poderia se esquecer daqueles olhos azuis? Nossa! Sentia vontade de me aproximar para vê-los de perto porque aquela coloração era tão diferente. Pareciam transparentes, como espelho, ou como a água límpida do mar ou qualquer coisa azul que fosse bonita e misteriosa ao mesmo tempo.

— Já tem máscara? – perguntei, olhando-o discretamente enquanto guardava o dinheiro na caixinha. Talvez a sua pele tão branca e os seus cabelos tão pretos e lisos deixassem seus olhos mais azuis. Era apenas isso.

— Sim. – ele levantou uma máscara branca e olhei para as minhas sandálias cor de rosa tentando não encarar aqueles olhos mais uma vez. Sinceramente, não sabia se conseguiria parar de olhar se fizesse isso.

— Ok. Bom baile. – desejei ainda mantendo meus olhos em qualquer outro lugar menos constrangedor.

O que tinha acontecido?! Por que simplesmente me tornei a pessoa mais esquisita desse planeta? Nem tive tempo de achá-lo bonito. Assim que encontrei seus olhos, algo dentro de mim parou de funcionar ou passou a funcionar de maneira diferente.

Mantive meu corpo em uma posição elegante e meus olhos bem atentos para receber as próximas pessoas. Nem tinha ideia se o rapaz de olhos azuis tinha esperado algum tempo antes de decidir interromper meus pensamentos.

Não aguentava mais aquele turno. Fazia isso há anos, mas simplesmente aquele não era um bom dia. Não estava com o meu melhor sorriso para cumprimentar as pessoas que sempre me viam ali. Nem tinha tido tempo para conversar com minhas amigas sobre o desenho que encontrara. Sério! Só queria gritar, bater em alguma coisa ou chorar e, se não fizesse as duas primeiras opções ia acabar fazendo a terceira e ainda tinha vinte minutos de recepção.

Mais um grupo chegou e, outro e mais alguns conhecidos até que uma frase incomodou meu coração.

— Está tudo bem? – desviei meus olhos da caixinha onde guardava o dinheiro e encontrei dois olhos pretos me encarando. O rapaz tinha os cabelos loiros jogados para os lados, estilo asa-delta. Definitivamente não o conhecia. E aquela não era a melhor pergunta a se fazer para uma pessoa prestes a chorar.

— Sim. Algum problema? – não entendia porque ele me perguntava aquilo.

— Não. Nenhum. É porque você pegou o meu dinheiro e nem percebeu que estou sem máscara. E seus olhos parecem molhados.

— Tome a máscara. – peguei qualquer uma e lhe entreguei. — Será que posso confiar em você? – virei meu corpo para frente e o encarei ansiosamente.

— Acho que eu não diria que não. – ele parecia assustado. — Mas o que preciso fazer?

— Faltam uns quinze minutos para isso acabar. Será que pode terminar de receber as pessoas? A minha melhor amiga vai surgir logo, logo. Diga que fui ao banheiro.

Não esperei que ele respondesse. Se ele não aceitasse eu enlouqueceria ali mesmo. Precisava me afastar de tantos sorrisos, gargalhadas e música alta porque não me sentia assim.

Qualquer pessoa podia achar que estava exagerando, mas sabia que não. Como você continua a viver naturalmente quando não pode mais confiar na sua própria mãe? Os pais são as únicas pessoas que devem te amar incondicionalmente e se eles mentem o que você faz?!

Peguei minha bolsinha de mão e segui na direção do pequeno campo que tinha ao lado do salão. Enquanto caminhava digitei uma mensagem para que Lola fosse para a entrada. Não precisava confiar no rapaz, apenas queria sair sem ter que encontrar ninguém conhecido. Não queria explicar meus motivos para estar saindo até porque elas já sabiam do meu clima antes da festa.

Sentei em um banco bem afastado e liguei para Melissa. Mamãe conversava muito com ela sobre várias coisas diferentes. Kiara sempre teve um temperamento muito difícil e, depois dela, Melissa era a mais velha e mais capaz de entender sobre coisas de adultos. Talvez ela soubesse, afinal, ainda tinha esperanças de que mamãe se sentisse mal por mentir para mim. Pelo menos isso.

— Kat. Está tudo bem? – ela atendeu prontamente a ligação e, com certeza, eu a havia assustado. Tínhamos nossos dias para nos falar e aquele não era um deles.

— Não. Preciso que você seja sincera comigo, Mel. – controlei as lágrimas para não assustá-la mais. — A vovó esteve lá em casa antes de morrer?

— Kate. Isso não era um sonho que você tinha? – ela mantinha a calma, mas sua voz parecia preocupada como se eu estivesse enlouquecendo.

— Não. Eu encontrei o... – ela me interrompeu apressadamente.

— Kat. Não devemos falar sobre isso em um telefone. Entendo que esteja preocupada e magoada. – ela ficou em silêncio por um tempo e a chamei pensando que a ligação tinha caído. — Estarei aí em duas semanas para a exposição de arte. Tem um quadro que vai e o acompanharei. Será que você pode me esperar até lá?

— Ok, Mel. – segurei fortemente um pedaço do meu vestido tentando juntar forças para falar algo. — Acho que tenho o direito de pedir para que não conte à mamãe. – não consegui mais impedir as lágrimas. Jamais gostei de esconder coisas da mamãe, nem das minhas amigas e, olha o que eu estava fazendo?! Agindo como ela tinha agido nos últimos quatorze anos.

— Certo Kat. Não fique preocupada. Estarei ao seu lado.

Suas palavras causaram mais lágrimas. Não ia aguentar esperar duas semanas. Sei que tinha acabado de concordar com isso, mas o que eu diria? Então, Mel, eu não vou esperar. Pegue o próximo voo. Não podia simplesmente exigir algo dela. Melissa não era minha mãe e não era ela quem devia ser pressionada.

Notas finais
Próximos capítulos dia 18/10. Espero que gostem! Quem quiser participar do grupo no facebook para discussão sobre o livro e notícias sobre o segundo volume, o nome é Saga A Herdeira.