A Herdeira Elementar
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Esse capitulo foi um pouco cansativo com a repetição de algumas cenas, mas eu estava super ansiosa para postar ele! Porque ele indica o inicio de uma nova Bella...
Desculpem aí os erros e Boa Leitura!
Terceira Pessoa POV:
Severo Snape entrou na sede da ordem ainda tão pálido quanto um defunto, completamente coberto de sangue, sua mente girando rapidamente nos acontecimentos da noite. Ele não conseguia acreditar no que vira. Não conseguia acreditar que ela matara com tal brutalidade o comensal. Certo, que ele teria matado-o também se fosse a sua mãe naquela cama, mas ainda assim...
Ele sentia-se culpado por ela. Ele podia ver a dor incrustada em sua forma pálida, magra e com várias cicatrizes, a marca de palma em seu rosto, os cabelos molhados, a blusa masculina combinadas com a aparência úmida, e recém banhada de Voldemort quando ele entrou no quarto fez sua mente congelar. Será que ele...
Ele não podia pensar nessa opção. Ele não podia pensar nessa opção.
E Mckinnon, ele pensava que a mulher estava morta! Como diabos o Lord das Trevas a manteve todos esses anos?
- Severo? – Dumbledore chamou preocupadamente tirando seu espião de seus devaneios. Tardiamente ele percebeu que todos que agora viviam ali estavam no recinto, incluindo os Cullens, o olhando com choque e receio, exceto por Dumbledore que parecia preocupado. – O que aconteceu? — Perguntou o Diretor analisando a aparência sangrenta do mestre de poções. – Ele o puniu por algo? – Severo negou com a cabeça, ainda muito distraído.
- Então...? – Instigou Sirius impacientemente.
- Certamente... – Severo limpou a garganta recomeçando. – Certamente seria melhor... Mandar os menores para cima... Não é uma história para alguém de estômago fraco... – Rony, Gina, Hermione, Fred e Jorge juntamente com o resto dos menores o olharam teimosamente.
- Eu não vou. – Harry disse decidido.
- Potter... – Severo começou a falar.
- Não venha com isso, eu quero saber! É sobre ela eu tenho certeza! – Harry protestou. Para a surpresa de todos Snape não protestou.
- Tudo bem Severo? Você parece pálido... – Molly disse maternalmente.
Severo apenas acenou com a cabeça relembrando em sua mente os acontecimentos da noite.
- Onde ela está? – Uma voz do canto mais escuro da sala, quase as costas de Severo perguntou. Severo congelou reconhecendo a voz e um segundo depois sua varinha estava firmemente apontada para o peito da pessoa mais improvável. – Onde ela está? – James Potter perguntou em uma voz perigosa. Primeiramente Severo pensou que tivesse ficado louco. Então ele percebeu que sua varinha tocava solidamente o pescoço do homem a sua frente. Então ele pensou que ele falava sobre Lilian e um flash de culpa passou por seus olhos antes de desaparecer. Então veio o choque quando uma mão pálida e feminina pousou no ombro do Potter puxando-o para recuar e seus olhos encontraram com incredulidade os olhos verdes de Lilian Potter.
Severo cambaleou para trás desequilibrado em choque.
Certo, isso só pode ser um pesadelo! Ou um tipo de alucinação... Primeiro Mckinnon, então os Potter? O que virá depois disso? Meu pai? – Pensou Severo perplexo.
- Olá Severo. – Lilian disse calmamente enquanto ele apenas a olhou em choque. – Somos realmente nós.
- Como? – Perguntou em um sussurro.
- Estávamos explicando isso para os outros agora mesmo. Bella nos trouxe de volta. Seu poder é muito maior do que vocês conhecem. Quando ela foi capturada ela tinha acabado de encontrar o guia para o seu quinto e ultimo elemento. Nós nos comunicamos com ela antes, e dissemos onde encontrá-lo. – Ela assumiu uma expressão culpada nesse momento. – Ela só foi atrás porque nós dissemos que ela poderia nos trazer de volta... – Disse ela tristemente seus olhos se enchendo de lágrimas.
James passou os braços ao redor dela a confortando e continuou a história.
- Há muitas implicâncias em seus poderes, quando uma bruxa elementar é amada, se abre uma possibilidade muito rara em seus poderes, mas só pode ser completa se ela admitir que ama a pessoa de volta. Quando Harry admitiu para si mesmo que amava Bella, nós sentimos a porta do outro mundo se abrir em direção a ela, sendo nós dois o maior desejo de Harry, o desejo que só ela poderia realizar, mas para isso ela tinha que admitir amá-lo. – Severo empalideceu lembrando-se do que escutara da mente de Bella.
“Harry... Eu amo você... Eu sinto muito...”
James o olhou com entendimento e assentiu.
- Hoje Bella admitiu seu amor por Harry um momento antes de desistir. Nós não pudemos assistir mais porque no momento em que ela admitiu, nós fomos puxados em direção a Harry. De alguma forma quando aparecemos todos eles nos viram, e foi aí que percebemos que éramos outra vez de carne e osso e não mais espíritos. – Severo parecia prestes a desmaiar de tão pálido que estava.
Ele cambaleou novamente caminhando até uma poltrona e sentando-se pesadamente colocando o rosto nas mãos e tomando profundas respirações, que não ajudaram muito. Todos pareciam perturbados pela demonstração incomum de sentimentos por Snape.
- Srta Weasley, Srta Granger, Sr Weasley e Sr Potter, vocês poderiam, por favor, esperarem em seus quartos.
- Não. – Harry disse cortante olhando para o diretor com raiva. Ele estava furioso por Alvo cortar todas as suas tentativas de ir atrás de Bella. O velho maldito o prendeu sob sua vista durante os últimos meses para impedir que ele ‘fizesse uma besteira e se entregasse em uma bandeja para Voldemort’ Dumbledore insistia que Bella seria capaz de fugir sozinha devido ao seu poder, o que não aconteceu até agora.
- Por favor, Sr Potter... – Dumbledore insistiu.
- Não. – Cortou Harry novamente.
- Harry querido... – Lilian começou a dizer na esperança de que Harry a escutasse, mas o garoto ficava cada vez mais vermelho sua raiva evidente.
- Não. Eu. Vou. Ficar! – Rosnou ele sentando-se de braços cruzados e uma expressão escura. Dumbledore suspirou e acenou com a cabeça, mas insistiu que os outros subissem. Relutantemente eles foram, sabendo que Harry os contaria depois.
- Agora Severo, será que você poderia nos contar o que aconteceu exatamente? – Dumbledore pediu serenamente. Severo suspirou não querendo reviver aqueles momentos, mas reconhecia que era importante que eles soubessem.
- É melhor eu mostrar... – Severo falou sem levantar a cabeça. – Ultima chance Potter. Depois que você ver isso... Não há volta para o horror que essas memórias trazem... – Todos estremeceram. O que poderia ser tão terrível para fazer Severo Snape ir pálido e hesitante?
- Eu vou ficar. – Repetiu Harry embora um pouco menos seguro e teimoso que antes.
Severo suspirou outra vez e levantou o rosto colocando uma máscara fria em seu rosto, sacando a varinha ele pressionou a ponta em seu templo puxando as memórias, em seguida ele soltou a memória no ar onde uma tela mágica se formou mostrando Severo falando com Bellatrix.
- Alguma idéia do que nosso senhor quer tratar? – Severo perguntou à mulher que sorriu maldosamente.
- Ah sim! Ele finalmente vai quebrar a vadiazinha filha do meu primo traidor de sangue. Aquela bastardazinha é dura, eu reconheço, passei meses a torturando e a vagabunda se recusou a gritar. – Bellatrix bufou indignada enquanto Severo empalidecia.
- Ah é? Está perdendo seu toque Lestrange? – Zombou Snape disfarçando sua preocupação.
- Claro que não! A bastarda não gritou nem ao menos sob a tortura do nosso senhor...
- Essa é a minha filha! – Sirius tentou brincar, mas sua preocupação e aflição era evidente.
- Sério? Ele deve ter ficado irritado...
Bellatrix bufou outra vez e fez uma cara quase chorosa.
- Não! Ele ficou interessado nela! – Exclamou ela como se o pensamento a ofendesse.
- Interessado? – Severo empalideceu ainda mais.
- Ele quer que ela venha para o nosso lado. Está tentando há um tempo convencê-la, mas ela não desiste. Então meu senhor traçou um plano para fazê-la desistir da ordem e se tornar uma de nós. – Nesse momento os olhos de Bellatrix brilharam cruelmente loucos. Eles subiam algumas escadas agora.
- Esse não é o caminho para o quarto do Lord? – Snape perguntou confuso.
- É. – Respondeu Bellatrix secamente. – Ele a levou para o quarto hoje cedo, quando saiu de lá horas depois parecia irritado... Mas satisfeito com algo... – Bellatrix franziu o cenho tentando entender porque seu mestre agira daquela forma. – Provavelmente a vagabunda não serviu nem para satisfazê-lo... – Chiou com ciúmes.
Sirius e Harry empalideceram consideravelmente com a possibilidade de Voldemort ter tocado em Bella.
As mulheres, tinham os olhos cheios de lágrimas e os homens pareciam enojados e horrorizados.
- Ora Bellatrix, você só está com ciúmes porque o Lord está dando mais atenção para essa garota do que já deu a qualquer prisioneiro ou mesmo comensal. – Rabastan Lestrange zombou saindo das sombras por onde eles passavam. — Ele passa quase tanto tempo com ela quanto passa com a cobra. E certamente ela deve tê-lo insultado mentalmente como vem fazendo desde que chegou aqui, por isso ele se irritou. Mas não creio que ele tenha se cansado dela. Ela é bonita, poderosa e misteriosa...
- Certamente Rabastan. Mas não deixe isso lhe subir a cabeça. Se você chegar perto de Isabella, garantirei que não possa abusar das mulheres que lhe ‘agradam’ nunca mais. – a Voz de Voldemort deslizou até eles fria e cortante seus olhos vermelhos fixos em Rabastan que engoliu em seco. Os três fizeram uma reverencia respeitosa murmurando um “Milord” e para Rabastan um “Sim, Milord”.
- Esse é Voldemort? – Perguntou Rosalie olhando confusa para a tela. Severo assentiu em resposta. – Eu pensava que ele era horroroso e semelhante a uma cobra... Ele parece bonito para mim...
- Ele mudou a aparência de volta ao seu altér humano duas semanas depois que Bella foi seqüestrada. – Severo respondeu friamente.
– Mas eu concordo com o que disse. Isabella é um mistério. Por mais que tenha visto suas memórias ela continua a me surpreender. E isso sem poder usar nenhum dos seus poderes... E sim, ela é agradável aos olhos, isso é incontestável... Mas não se desviem. Vocês estão aqui para garantir que a garota mude de lado. Rabastan, você sabe o que fazer, se ela não aceitar, você poderá fazer o que quiser com a outra. Bellatrix, você irá iniciar a seção. E Você Severo... – Voldemort o olhou estreitando os lábios, enquanto empurrava o cabelo úmido para longe do rosto. – Você vai assistir. E dependendo dela, eu vou decidir se vou ou não puni-lo por não me contar sobre a estadia dela na ordem por meses... – Severo assentiu fazendo o seu melhor para não estremecer.
- Quem é a outra? – Molly perguntou.
- Ela já vai aparecer. – Severo murmurou em resposta.
- Vocês podem ir à frente. Nagini abrirá a porta para vocês. Eu vou buscar nossa prisioneira. – Voldemort disse friamente. Não toquem em nada, principalmente em Isabella. – Rugiu estreitando os olhos principalmente para Rabastan que engoliu em seco novamente e assentiu estremecendo.
Os três fizeram outra reverencia que Voldemort não viu desaparecendo pelas escadas, e caminharam pela passarela que levava à porta do quarto de Voldemort onde Nagini os esperava.
A cobra sibilou contra a porta e a mesma se abriu dando passagem a eles. Severo entrou tentando não imaginar nada deixando seus olhos se acostumarem com o quarto na penumbra.
Bellatix bufou ao seu lado enquanto Rabastan ria maliciosamente.
- Eu disse que ela não tinha frustrado ele nesse sentido... – Zombou o outro comensal olhando para algo no centro do quarto.
- FILHO DA PUTA! – Berrou Sirius irritado enquanto Edward e Harry rosnavam ao mesmo tempo. – O QUE ELE FEZ? – Remus o segurou no sofá para que ele não fizesse nada drástico.
Severo empalideceu outra vez olhando na direção em que os outros dois olhavam e ele se forçou a não ter nenhuma reação. No centro da sala, vestida somente com uma camisa masculina preta, obviamente de Voldemort, os cabelos molhados assim como os de Voldemort estavam, ela estava amarrada a uma cadeira, obviamente desacordada.
- Eu não acredito que o Milord escolheu essa garotinha traidora de sangue ao invés de mim! – Bellatrix choramingou. – Ela cresceu com trouxa! Não sabe nada da sociedade bruxa e o despreza! – Ela choramingou outra vez fazendo biquinho e se encaminhou para o outro lado da sala resmungando o tempo todo.
Rabastan riu olhando maliciosamente para as pernas expostas da garota desacordada e comentou.
- Ela é uma boa visão... Pena que é intocável...
- Isso mesmo seu bastardo! Se ao menos tocar nela eu vou te matar muito lentamente! – Rosnou Harry recebendo uma olhada condescendente de Severo a qual ele não entendeu.
Um suspiro baixo e doloroso ecoou pela sala e todos os três olharam para Bella a origem do som. Ela não levantou a cabeça para observar seu entorno, parecia não ter forças para fazer isso. Severo caminhou para o lado mais distante da sala evitando tentar ajudá-la. Seu olhar fixo nela. Ele então tentou entrar em sua mente, ficando surpreso com a facilidade com que conseguiu, mesmo que sentisse algumas memórias ocultas.
Ele apertou as mãos em punhos não conseguindo evitar o olhar de dor que se seguiu com seus pensamentos.
- Você estava lendo a mente dela? – Os gêmeos Weasley perguntaram em uníssono. Snape assentiu.
- O que ela estava pensando? – Perguntaram solenemente. Snape hesitou mas respondeu quando viu as expressões do resto do grupo.
- Ela...Desejava que ele a matasse logo... – Ele hesitou novamente.
- E...? – Alice perguntou impacientemente. Severo lhe deu um olhar desagradável mas respondeu.
- Ela... Eles conseguiram fazê-la duvidar...
- Duvidar de quê? – Arthur perguntou.
- Ela acha que não nos importamos com ela. – Severo disse quase perdendo sua máscara de frieza. Suspiros tristes e chocados ecoaram pela sala, enquanto Harry, Sirius e os Cullens olhavam acusadoramente para Dumbledore.
A voz de Voldemort vinda das memórias chamou suas atenções de volta para a tela.
- Ótimo. Está acordada. É só o que eu preciso. – Ele carregava uma mulher de cabelos brancos no ombro, seu rosto ainda obscuro. Ele jogou a mulher descuidadamente na cama e virou-se para olhar para Bella que levantara o rosto um pouco ao ouvir a voz de seu captor. Seu olhar parou em Bellatrix que agora sorria em expectativa para a tortura que iria ocorrer. Seu olhar então parou em Voldemort, então na mulher que estava na cama. Alguns segundos depois seu olhar se voltou para Severo.
- OH MEU MERLIN! – As mulheres presentes ofegaram. – O que ele fez com o rosto dela? – Harry rosnava de raiva apertando sua varinha fortemente, Edward tinha os olhos negros com uma expressão assassina enquanto Sirius parecia prestes a matar alguém.
Não houve nenhum reconhecimento da parte de Bella. Nem mesmo um brilho em seu olhar que indicasse que ela o tinha visto alguma vez antes, seu olhar estava pálido sem vida, o olhar de alguém que passou por tantas coisas ruins e que não sabe como suportar o peso de tudo isso. Ela então desviou o olhar para longe dele como se algo a machucasse, e seu olhar parou no ultimo ocupante da sala. Ela estremeceu com a expressão lasciva dele voltando seu olhar para Voldemort que recomeçara a falar.
- Pronta para o show minha querida? Você a reconhece? – Perguntou Apontando para a mulher na cama. Bella negou com a cabeça parecendo confusa. – Olhe mais atentamente... – Ordenou Voldemort. Bella obedeceu prontamente observando a mulher minuciosamente, um flash de reconhecimento passou em seu olhar, mas era fraco. Voldemort lançou um enervate na mulher que estremeceu acordando e subitamente se sentou parecendo alarmada. O olhar dela parou em Voldemort e ela se encolheu como se sentisse dor então seu recaiu sobre Bellatrix e ela estremeceu, seu olhar então recaiu em Bella e as duas arregalaram os olhos.
- Oh Merlin e Morgana esta é...? – Molly sussurrou chocada lançando uma olhada para Sirius que parecia paralisado em choque, horror, medo, dúvida e incredulidade.
Severo assentiu minimamente para Molly que ofegou levando a mão aos lábios.
- Lene... – Sussurrou Sirius dolorosamente.
As duas se encararam por alguns segundos e os olhos de Bella se ascenderam para laranja profundo escurecendo até se tornar castanho chocolate, iguais aos da mulher.
- Oh sim! Vejo que você a reconheceu minha cara Isabella... – Voldemort comentou sorridente. – Esta é Marlene Mckinnon. Marlene querida, apresento a você Isabella Mckinon Black, sua filha.
- Esssa... É a mãe de Belle? – Perguntou Fleur ao lado de Gui parecendo chocada.
- Sim. – Lilian respondeu tristemente olhando para a tela, para a mulher que um dia fora sua melhor amiga.
Marlene então começou a chorar olhando entre a filha e seu captor o que parecia diverti-lo.
- V-você n-não p-pode... V-ocê... – Ela gaguejou para Voldemort.
- Ah, mas eu posso... É claro que eu posso. Sua filhinha aqui está aqui há meses. E não quer me dar o que eu quero. Mas hoje... Ela vai ter que ceder... De um modo... Ou de outro... – Voldemort a interrompeu olhando para Bella com um brilho estranho no olhar. – Será que você quer mudar de idéia sobre o que eu ofereci agora ou quer assistir o show minha preciosa? – Perguntou para Bella que estremeceu olhando-o aflita, e negou com a cabeça quando ele arqueou uma sobrancelha esperando uma resposta.
- Preciosa? – Tonks perguntou com uma careta. – Isso é nojento! – Exclamou pensando no que o levara a pensar nela como ‘sua preciosa’.
- Muito bem minha querida... – Voldemort falou caminhando em direção a Bella e passando os dedos por seu rosto. Ela não recuou, nem fez sinal de repulsa sob seu toque.
- Porque ela não recua para ele? Ou tenta se afastar? – Remus perguntou confuso.
- Eu não sei. Mas parece que ela não tem tanto medo dele quanto dos outros. Você vai ver mais pra frente. É confuso... – Severo franziu o cenho com a lembrança.
- Síndrome de Estocolmo. – Lilian falou confundindo os puro-sangue.
- Síndrome de quê? – Minerva perguntou confusa.
- Síndrome de Estocolmo ocorre normalmente em casos de seqüestro, é quando a vítima se identifica com seu captor ou se sente ligada a ele. Eu também acredito que seja isso. Bella está se sentindo assim em relação à Voldemort, o que é muito perigoso, se ele é tão persuasivo como vocês dizem, ele pode levar isso à um ponto onde ela se torne completamente dependente dele, e fazê-la esquecer os seus sentimentos para as outras pessoas. – Carlisle disse preocupadamente deixando os outros parecendo chocados e com medo.
Voldemort tocou levemente os lábios de Bella inchados e feridos pela força de seu tapa, ele parou o movimento quando ela estremeceu, ela evitava olhar para ele neste ponto, parecendo quase com medo de encontrar seu olhar.
- Não desvie o olhar. – Voldemort ordenou em um sussurro persuasivo, ela o olhou parecendo confusa. Eles se encararam por alguns segundos com uma incrível profundidade até que ele apertou os lábios em uma linha fina e irritada, e ela tentou desviar o olhar sendo impedida quando ele apertou sua mandíbula fortemente parando seus movimentos. Sua expressão floresceu em pânico e ele soltou-a como se seu rosto o tivesse queimado.
Seus olhos endureceram novamente e sua expressão voltou a ser cruel e fria.
- Depois de tudo o que passou aqui você não cedeu, então acho que chegou a hora de tomar medidas... Drásticas. Sua mãe aqui é minha refém. Ou você concorda com meus termos ou... –Ele deixou a frase no ar, então um segundo depois perguntou — Mais uma chance... Você vai ceder agora? Antes que mais algum dano seja feito? As duas podem sair ilesas agora... Basta você deixar ir... – Bella parecia tentada por um segundo, mas isso desapareceu e ela negou com a cabeça para ele.
Voldemort acenou para Bellatrix que saltitou para a cama apontando a varinha para Marlene que tinha recuado. Bellatrix lançou a maldição Cruciatus e Marlene contorceu-se de dor na cama tentando evitar gritar, mas logo perdeu a batalha soltando altos gritos dolorosos.
Sirius estremecia ao som de seus gritos como se estivesse sendo torturado junto com ela, Voldemort olhou para Bella, então para Bellatrix, e novamente para a Bella arqueando uma sobrancelha. Ela fez uma careta pequena, e olhou para ele estranhamente.
Os gritos de Marlene pararam chamando a atenção dos dois para ela. Bella olhou para Severo que parecia querer desaparecer, então para Rabastan que parecia gostar o que via, e estremeceu. Voldemort olhava para ela em expectativa, enquanto Bella olhava para Marlene parecendo em conflito, sua expressão oscilava entre dor, indecisão, horror, medo e por fim decisão.
- Então minha querida... Isso foi estímulo o suficiente? – Voldemort perguntou caminhando para as costas de Bella e pousando suas mãos em seus ombros. Bella negou com a cabeça parecendo prestes a chorar olhando para Marlene que tinha lágrimas escorrendo de seus olhos e evitava olhar para Bella.
Voldemort acenou para Bellatrix e Marlene tornou a gritar sob a maldição da dor, uma lágrima escorreu dos olhos de Bella e ela fechou os olhos para evitar ver a tortura, mas seu rosto se retraía em dor e aflição aos gritos de Marlene.
Sua expressão floresceu em horror puro, mais medo do que ela já tinha demonstrado desde o inicio da tortura, pânico duelando contra o horror em sua face, sua respiração estava acelerada e suas pálpebras tremiam oscilantemente.
- O que está acontecendo? – Jasper perguntou visto que ninguém mais parecia conseguir questionar, chocados e horrorizados de mais. Sirius e Harry deixava grossas lágrimas escorrerem por seus rostos, retraindo-se como se estivessem sendo esfaqueados.
- Ela estava em um tipo de... Alucinação. Não sei se induzida ou fruto de sua mente... – Severo disse em voz baixa.
- Que tipo de alucinação? – Esme perguntou soluçando.
- Hm... Ela estava se sentindo culpada. E em sua mente... Ela ouvia... Sirius e Harry a acusando de ser... Egoísta. Como se ela estivesse gostando do que via... – Sirius e Harry se retraíram ainda mais. Remus passou o braço pelos ombros de Sirius tentando confortá-lo enquanto Lilian abraçava Harry, juntamente com James que passou um braço ao redor de Harry e o outro ao redor de Sirius.
A expressão de Bella mudou subitamente para fúria e revolta. Em seguida soltou um pequeno soluço.
- O que ela ouviu agora? – Gui perguntou em uma voz pequena.
- Ela se revoltou contra as vozes. – Severo explicou.
- Abra os olhos... – Ordenou Voldemort contra o ouvido de Bella, sua voz plana, fria e impassível. – Olhe! – Ordenou outra vez quando ela não abriu os olhos. Ela estremeceu com a dureza em sua voz, e abriu os olhos que se arregalaram ao perceber Rabastan subindo na cama tirando suas roupas.
Sirius engoliu em seco e olhou alarmado para Severo.
- Ele não fez não é? Ele não fez isso... Bella não assistiu Marlene... – Ele parecia desesperado. Severo negou com a cabeça, e Sirius parecia perturbado e um pouco aliviado, então o alarme voltou e ele se voltou para Severo novamente. – Se ele não fez então... Esse sangue... Esse sangue em você não é de Marlene não é? – Todos olhavam para Severo a espera de sua resposta.
- Não é dela. Mas a cena é tão ruim como se fosse de uma das duas. – Severo disse. – É por isso que eu queria que o Potter subisse... Isso marca a mente de uma pessoa... – Terminou estremecendo.
Todos se voltaram para a tela, temerosos com o que veriam a seguir.
- Ele vai. – Voldemort sussurrou para Bella em resposta a uma pergunta silenciosa. – Ele vai fazer o que quiser com ela... Você pode parar isso minha querida... Basta dizer as palavras... E se não disser... Ele vai usá-la como bem entender... E se você não ceder por ela... Cederá pelo nosso companheiro Severo... Vocês se tornaram próximos na ordem não é? Ele merece uma punição por não me contar sobre isso... E você merece uma punição por ser tão teimosa... – Rabastan agora não usava nada. Bella olhava pálida e horrorizada para a cena, se recusando a olhar para algo além do rosto dele, vendo-o começar a rasgar as roupas de Marlene que agora implorava para que eles parassem.
Lilian soluçou um pouco abraçada a Harry, as outras mulheres pareciam tão chorosas quanto ela e os homens raivosos e horrorizados.
- Não... – Bella sussurrou baixinho, a voz seca e quebrada como se não falasse à séculos. – Por favor... – Implorou olhando para Voldemort. – Por favor... – Uma nova onda de lágrimas caindo em um fluxo quase interminável por seu rosto. Ela olhava como se quisesse desviar o olhar da cena, mas era como um acidente, você sabia que ia acontecer e não queria olhar, mas era quase impossível de não ver. Rabastan despia Marlene brutamente, Bella estremeceu quando ele a estapeou enquanto ela esperneava tentando se libertar.
- Merlin... Isso é terrível... – Molly sussurrou chorando. – Brutalmente terrível... Como alguém pode ser capaz de fazer isso?
Ninguém respondeu.
Rabastan terminou de despir Marlene e começou a estapeá-la, várias e várias vezes. O choro de Bella era agora audível e quase histérico, e ela estremecia a cada tapa como se fosse ela os recebendo.
Rabastan apertou os seios de Marlene fazendo-a gritar de dor. E Bella soluçou horrorizada, Rabastan forçou Marlene a abrir as pernas prendendo-a no lugar.
- Diga as palavras... –Voldemort sussurrou para Bella tendo como som de fundo Marlene implorando para Rabastan parar.
Rabastan segurou seu pênis posicionando-se, seu olhar subiu para Bella maníaco e monstruosamente, ele voltou a olhar para Marlene e inclinou-se para frente.
Lilian, Fleur, Molly, Minerva e Tonks fecharam os olhos para não olhar, seu choro aumentando.
- NÃO! PARE! EU ACEITO! EU ACEITO! PARE ELE! POR FAVOR, PARE ELE! – Bella gritou desesperadamente.
As mulheres abriram os olhos vendo o olhar de dor extrema em Bella e horrorizadas ao ver inúmeros cortes se abrindo em seu corpo como se um tipo de Maldição fosse lançada em seu corpo.
- Pare. – Voldemort ordenou com triunfo em sua voz. Rabastan olhou em dúvida, como se não quisesse parar. O rosto de Bella se contorceu em ódio, fúria, dor. O sangue fluindo por seus cortes, de repente ela se impulsionou para frente se libertando as amarras invisíveis e das mãos de Voldemort a segurando para baixo. Os cabelos dela se clarearam para branco, então escureceram para laranja escuro quase vermelho, uma parte azul escura e algumas partes ainda eram acinzentadas. Seus olhos eram uma mistura de todas essas cores, expressando fúria enlouquecida, descontrole e ódio mortal.
Num milésimo de segundo seu corpo bateu no de Rabastan levando-os ao chão, ela o prendeu ali parecendo incrivelmente perigosa.
Voldemort parecia surpreso, mas interessado. Bellatrix parecia horrorizada, Severo em choque, e Marlene com medo e um pouco de alívio.
Bella ergueu os punhos fechados brilhantes com poder, e socou Rabastan fortemente. O som de seu nariz se partindo ecoou pelo quarto, mas isso não a parou. Ela o socou várias e várias vezes, o ruído da mandíbula dele se partindo ecoou, juntamente com os respingos de sangue ao redor dos dois. Rabastan tentava gritar, engasgando com o próprio sangue e Bellatrix berrava com Bella, tentando se aproximar, mas parou ao receber um olhar de alerta de Voldemort.
Ela parou de socá-lo de repente fazendo todos, exceto Voldemort pensarem que ela estava satisfeita.
- Ainda bem... Eu pensei que ela fosse... — Tonks parou no meio da frase arregalando os olhos ao ver a expressão escura de Bella. Seu rosto cheio de respingos de sangue, contorcido em fúria escaldante.
Bella rosnou descendo as palmas para o peito de Rabastan olhando-o diretamente nos olhos. Bellatrix gritou ao perceber as intenções de Bella, mas a garota não deu sinal de reconhecimento.
- CRUCIO! – Bellatrix gritou apontando a varinha para Bella, o raio azul a atingiu, mas ela nem ao menos vacilou sob a maldição. Voldemort apontou a varinha para Bellatrix o rosto contorcido em raiva por sua desobediência e Lançou a maldição da dor nela fazendo-a soltar um grito estridente e cair no chão se contorcendo de dor.
Marlene se encolheu na cama com medo, e Severo engoliu em seco se conseguir desviar o olhar de Bella, que rosnando outra vez com um sorriso mortal nos lábios, cravou as mãos no peito de Rabastan que gritou por sob a mandíbula quebrada cuspindo sangue.
O ruído dos ossos das costelas de Rabastan se quebrando ecoou grotescamente pela sala. Ela mergulhou as duas mãos juntas até o pulso, então retirou uma das mãos nem piscando quando sua pele se rasgou em um dos ossos quebrados. Ela parou de mergulhar sua mão em um ponto profundo e sorriu maniacamente para Rabastan que tinha os olhos arregalados em choque, dor, medo e incredulidade. O sorriso de Bella aumentou então ela impulsionou a mão para trás com força, o ruído úmido de carne se rasgando ecoando pavorosamente pelo quarto.
Voldemort parou de torturar Bellatrix voltando a olhar para Bella, enquanto Bellatrix ofegantemente olhava chocada pra Bella.
O sangue de Rabastan borbulhou um pouco e assim que a mão de Bella emergiu de seu peito com o seu coração preso firmemente entre seus dedos, um ruído abafado e molhado de explosão soou de dentro de Rabastan e um segundo depois sua pele parecia se mutilar como se algo cortasse seu caminho de dentro para fora, então todo seu sangue explodiu para fora de seu corpo não deixando nenhum canto da sala intocada pelo líquido rubro.
Bella sentou-se ofegantemente acima do que sobrara de Rabastan e olhou para o órgão em sua mão. Um olhar de choque e pânico surgiu em seu rosto banhado de sangue. Ela olhou para o corpo e nenhum traço de culpa foi visto em seu rosto, apenas desprezo e nojo.
Lágrimas cortaram seu caminho por seu rosto assumindo uma coloração rosada ao misturar-se ao sangue e pingando no buraco do peito de Rabastan desaparecendo entre todo o sangue. Seu choro aumentou gradativamente, um som doloroso e quebrado.
Ela largou o coração como se a queimasse, e se afastou freneticamente com repugnância do corpo. Encolhendo-se no lugar mais distante do corpo um pouco próxima a Severo, olhando com horror para suas mãos tão vermelhas que pareciam cobertas por luvas vermelhas e brilhantes.
Ela olhou para o espelho do outro lado do quarto e sua expressão se tornou de nojo e choque, seus olhos agora estavam em uma tonalidade vermelha semelhante aos de Voldemort, as raízes de seu cabelo eram de um tom vermelho profundo, clareando para o laranja em sua extensão até ficar cinzento e por fim tornar-se branco como a neve nas pontas.
Um olhar enjoado cobriu seu rosto e ela movimentou-se rapidamente ficando de quatro no chão e regurgitando em sua maioria, sangue e ácido.
Bellatrix olhava horrorizada para o corpo de seu cunhado, Severo olhava para Bella também com horror algo em seu rosto florescendo, olhando como se nunca a tivesse vista antes, Marlene encolhia-se chorando com medo na cama, e Voldemort tinha tal olhar de satisfação que era enjoativo.
Ela soluçou ainda em suas mãos e joelhos e se encolheu para longe do vômito, enterrando a cabeça em seus joelhos e mergulhando em um choro profundo e alheio a tudo que ocorria ao seu redor.
Voldemort sorriu maldosamente para Bella e voltou-se para Bellatrix, Severo e Marlene.
- Bellatrix, vá e avise ao seu marido sobre a morte de seu irmão, talvez isso faça os Lestrange aprenderem a obedecer ordens corretamente, mande os elfos para limpar o quarto. Severo, leve Mckinnon para as masmorras, entregue-a para Lúcio e diga para ele colocá-la em sua cela. Acredito que o que se passou aqui tenha sido punição o suficiente para você aprender a não me esconder nada. – Com isso ele se virou caminhando em direção à Bella.
- M-Meu S-Senhor... – Bellatrix chamou em um sussurro fazendo Voldemort parar e encará-la como se perguntasse “O que você ainda está fazendo aqui sua inútil?”. Bellatrix se encolheu e perguntou. – E- e o c-corpo? – Perguntou sem encará-lo.
Voldemort sorriu Cruelmente e sibilou.
“Nagini”
A cobra sibilou contende e avançou para o corpo.
As mulheres se encolheram ao ouvir o bote da cobra e o choramingo de Bellatrix.
Voldemort andou até Bella passando os braços ao redor dela então a puxando para seu colo e se levantando. Ela se apertou a ele se encolhendo, ainda chorando e Severo engoliu em seco indo até a cama pegando Marlene pelo braço jogando um lençol ao redor dela e a puxando para fora do quarto o mais rápido que seus passos iam sem correr. Marlene soluçava fortemente murmurando incoerentemente “M-minha f-filhinha... O que... Ele f-fez com ela... M-minha f-filhinha...”.
Um longo silencio tenso e chocado se formou enquanto a tela escurecia e desaparecia. Ninguém conseguia por em palavras o que sentia. Lentamente os soluços das mulheres aumentaram enquanto elas abraçavam as pessoas próximas a si.
Sirius se levantou bruscamente perturbado e sem olhar para ninguém ele saiu da sala. Um minuto depois o som de uma porta se batendo ecoou pelo Largo Grimmauld e ninguém ali tinha dúvidas de que ele não estava em seu quarto e sim no quarto de Bella onde passara a maior parte dos últimos meses, saindo naquele dia somente pela confusão do aparecimento de James e Lilian.
Harry se levantou olhando para Dumbledore com raiva.
- Isso é culpa sua! – Cuspiu com raiva. – Você não deixou nem ao menos tentarmos salvá-la! Você é um velho bastardo e eu na vou fazer mais nada do que você diga. A partir de agora eu tomo as minhas decisões! – Rosnou e deixando todos em choque ele saiu da sala pisando duro e se trancando em seu quarto.
Jasper tinha uma expressão de dor sentindo todas as emoções das pessoas da sala e se levantou rigidamente murmurando que precisava caçar, sendo acompanhado por Emmett, Rosalie e Alice.
Edward subiu para seu quarto sem uma palavra. Esme se encolheu soluçando contra Carlisle.
Severo estremeceu e se levantou parecendo querer sumir dali. E anunciou que iria para casa beber o máximo de álcool que seu sistema permitia.
Lentamente cada uma das pessoas ali presentes se retiraram perturbadas de mais com o que acabaram de ver deixando apenas Dumbledore que tinha uma expressão culpada e preocupada no rosto. Ele por fim se levantou caminhando para a lareira na biblioteca e usando a rede de flú para voltar para Hogwarts, ele precisava ficar sozinho para planejar seus próximos passos.
[...]
Harry se recusou a dizer uma palavra sobre o que tinha visto na reunião, sem explicar sua súbita aversão a Dumbledore, deixando Rony, Gina e Hermione frustrados. O clima entre os membros da ordem eram agora tenso, e os gêmeos já não passavam o tempo todo fazendo brincadeiras, quando Bella foi seqüestrada as brincadeiras diminuíram, mas agora tinham parado completamente, e ambos andavam constantemente de mau humor, tão aversivos à Dumbledore quando Harry. Sirius não suportava ouvir o nome do diretor e mal saia do quarto. As poucas vezes que fizera foi sendo arrastado para fora por James e Remus.
As férias de meio de ano rapidamente se encerraram e Harry, Rony, Gina, Hermione e os gêmeos tiveram que voltar para a escola.
[...]
Levou duas semanas inteiras de choro e depressão para Voldemort conseguir fazer Bella começar a superar o assassinato de Rabastan, ele a convenceu de que não era nada de mais, que Rabastan tinha merecido, e que matar alguém era normal entre os comensais, embora geralmente eles matassem apenas o inimigo.
Lentamente ele a distraiu dando-a livros sobre magia para ler, ou mesmo os livros elementares que só se abriam para ela. Rapidamente ela se perdia por entre as páginas dos livros aprendendo mais e mais e esquecendo sua tristeza. Ele lentamente a introduziu livros de artes das Trevas, ficando surpreso quando ela não mostrou resistência e assumiu que o velho tolo ainda não tinha explicado direito sobre isso para ela.
Em um mês ela já não pensava mais em Rabastan, embora muitas vezes ficasse triste por seus amigos na ordem. Ela não saia do quarto de Voldemort, embora os elfos sempre a traziam roupas e comida. Nagini era sua companhia constante, e às Vezes Voldemort que aparecia em sua maioria, à noite.
Mesmo sem estar ciente disso, ela lentamente foi criando um tipo de vínculo com Voldemort. Ela sabia que se irritasse-o o bastante ele se tornava cruel e violento, mas geralmente ele a tratava razoavelmente bem, sem perder seu modo frio e sarcástico de ser. Ele também, era a única pessoa, além de Nagini, com quem ela conversava em seu cárcere, e isso a inclinava a conversações com ele, para não enlouquecer com a solidão.
Voldemort estava feliz em estar tendo sucesso em seus planos. Ele lentamente sentia Bella a contragosto se ligando a ele, e em breve ele poderia ir para a segunda parte do seu plano. A parte em que ela o colocaria na frente de seus sentimentos por seus amigos na ordem da Fênix. Apesar de gostar das discussões sobre os livros que eles muitas vezes tinham, seu foco estava em seus poderes. Ele estava ansioso para ver suas demonstrações de poder, e para começar a treiná-la corretamente.
Depois de abordá-la aos poucos sobre prática, deixando-a ansiosa, a ponto de pedi-lo para treinar com ele, ele a levou para fora da torre, para uma sala de treinamento especial.
Ela se mostrou muito poderosa, mas ainda assim muito inexperiente, o velho não tinha ensinado nem mesmo o básico de magia para ela, embora ela saiba controlar seus poderes com os elementos razoavelmente.
Ela podia fazer magia sem varinha o que era um trunfo muito valioso. Ele a treinou por meses somente em magia sem varinha e a ajudando a treinar seus poderes com os elementos, antes que ele trouxe Gregorovitch,um fabricante de varinhas da Bulgária, que se aposentara vários anos atrás, embora ainda passasse seu tempo fabricando algumas poucas varinhas. Ele produziu duas varinhas para Bella, uma regular, e uma não vigiada pelo ministério com a qual ela poderia usar artes das trevas sem se preocupar em ser delatada.
A varinha regular tinha 25 centímetros, feita de cerejeira, fina e inflexível, seu núcleo surpreendentemente não era feito de apenas um material, na verdade continha pena de hipogrifo, lágrimas de fênix e essência de cinzal. Já varinha não regulada pelo Ministério também tinha 25 cm, fina e inflexível, feita de ébano, seu núcleo era de pêlo de calda de unicórnio, pena e cinzas de uma fênix negra e escamas de sereianos. Ambas tinham padrões em sua intenção dando um ar belo e artístico.
Eram varinhas muito poderosas, capacitadas para uma magia muito forte, seu poder poderia rivalizar com a varinha das varinhas, mas ao contrário da varinha da Morte, estas não mudavam sua lealdade com a morte ou derrota de seu dono.
Na opinião de Voldemort cada núcleo era a personificação dos poderes de Bella. Cinza de fênix para o fogo, escamas de sereianos para a água, pêlo de calda de unicórnio para a terra, pena de hipogrifo para o ar, essência de cinzal para a Morte, ou necromancia, já os outros, significavam o poder normal de um bruxo, juntamente com sua personalidade. Pena de fênix negra para capacidade forte de poder, incluindo o escuro e lágrimas de fênix para inteligência e coragem.
[...]
Severo não foi chamado novamente para uma reunião de comensais durante o resto do ano letivo, Harry ainda e os gêmeos ainda tinham aversão à Dumbledore, embora sua fúria para Umbridge era muito maior. Depois de algumas semanas Harry cedeu e contou à Gina, Rony e Hermione o que acontecera na reunião e todos os três ficaram irritados com Voldemort e Dumbledore, embora com o último, não tanto quanto Harry.
James e Lilian tiveram um tempo difícil em descobrir o que ocorreu nos dezessete anos em que estiveram mortos. Ambos só lembravam-se a partir do momento em que Bella fez contato com eles e descobrir tudo o que Harry, Sirius, Alice, Frank e todos os seus amigos e conhecidos nesses anos foi um choque e tanto.
Alguns meses depois de retornar a escola Harry teve um pesadelo com o Sr Weasley sendo atacado, o que ele descobriu ser uma visão, que o ajudou a salvar Arthur. Sua cicatriz doía constantemente, e algumas vezes ele sonhava com Voldemort e Bella, juntos, Voldemort a ensinava magia, não uma magia comum, mas magia das Trevas.
[...]
- Vamos minha querida... Mate-o... – Sibilou Voldemort às costas de Bella que apontava a varinha para um trouxa à sua frente, a quem usara como cobaia para testar os feitiços novos que tinha aprendido. Sua mão tremia fortemente e ela soava frio. Não se importava tanto em torturá-lo, escolhendo não pesar nele como uma pessoa, mas somente a palavra ‘matar’ enviava calafrios de medo e flashs de sua experiência traumatizante com morte. Ela não conseguia... Não conseguia matar alguém... Não depois do que fizera ao Comensal. Rabastan, como descobrira que era seu nome. – Faça! Ele é inútil... E está com dor... Tire a dor dele, mate-o, acabe com sua vida insignificante... – As palavras de Voldemort tinham, de alguma forma o objetivo de incentivá-la, mas naquele momento só a fazia mais e mais doente com a idéia.
- Eu... Eu não posso... – Choramingou ela em uma voz trêmula. Voldemort suspirou irritado, estava tentando convencê-la pela ultima hora. Sem resultados.
- É simples. Lance a maldição, não haverá dor, nem será lenta. Somente a morte. Mate-o! – Disse ele em uma ultima tentativa enquanto o trouxa se encolhia de medo. Bella soluçou baixinho negando com a cabeça. Não conseguia. Voldemort resmungou para si mesmo, não tinha jeito. Ele tentou fazê-la matar novamente por meses, e ela sempre recuava. Ele teria que usar um método mais... Eficaz.
Ele levantou a varinha apontando para o trouxa lançando a maldição da morte. Bella soltou um pequeno grito assustado e se encolheu girando rapidamente escondendo o rosto no peito dele. Voldemort ainda não se sentia confortável com a proximidade que Bella criou naturalmente entre os dois, também não entendia o medo dela, afinal matar era simples, mas mesmo assim a deixou chorar sabendo que isso descarregaria um pouco da pressão que sentia, ficando mais adepta aos treinos pesados depois disso.
Mas dessa vez, ele não sugeriu outro treino. Apenas a levou de volta para a torre mandando-a se limpar e trocar de roupa para jantar. Eles comeram em silencio enquanto ela olhava melancolicamente para um ponto específico nos lençóis da cama, até que ao fim da refeição ele quebrou o silencio.
- Eu tenho uma proposta. – Bella levantou rapidamente a cabeça em direção a ele, seus olhos desfocados por um segundo antes de se fixarem nele em confusão. Outra proposta?
- Que tipo... – Ela limpou a garganta. – Que tipo de proposta? – Perguntou hesitante.
- Você não vai conseguir continuar os treinamentos se não avançar essa parte específica. – Ela estremeceu. – Se não pode matar alguém não pode ser um Comensal da Morte, e você concordou em se tornar uma. Mesmo que você esteja progredindo em outras áreas, você não pode esperar para matar alguém em uma missão, isso vai abalá-la de mais durante a ação, e lhe deixar vulnerável. Você tem que aprender e se acostumar com isso antes. Mas desse modo você está deixando seus sentimentos, seus medos interferirem...
Ela o olhou o esperando chegar ao ponto.
- Você precisa deixar isso para trás. – Ele falou a olhando com intensidade. Ela franziu as sobrancelhas em confusão. Deixar o que para trás? Ela já não tinha deixado tudo? Seus amigos... Sua família... Sua Lealdade... Sua Vida...
Ele crispou os lábios irritado com o rumo de seus pensamentos, mas ignorou.
- Seus sentimentos de gentileza e pena para todos. Você tem que deixar de pensar nisso, tem que esquecer seus medos. – Ele falou olhando-a firmemente. Os lábios de Bella tremeram um pouco com a força de suas palavras e ela desviou o olhar sussurrando.
- Eu não posso...
- É claro que pode! Você já fez isso quando disse que aceitava! Só precisa fazer isso de verdade. – Ele tentou vendo o mesmo tipo de resistência na expressão dela, que vira quando tentara convencê-la de se tornar uma comensal da Morte.
- Mas...
Ela não estava disposta, nem iria ceder tão fácil. E ele não tinha meses de espera para convencê-la... Talvez se oferecesse algo em troca... Mas o que? O que ele tinha para oferecer valioso o bastante para fazê-la concordar?
A imagem de sua fúria ao ver Malene Mckinnon sendo torturada veio à sua mente e ele sorriu friamente. Ele acabara de achar algo valioso o suficiente para convencer Bella a desistir de seus sentimentos, de seus medos e sua bondade. A vida e a liberdade de Marlene Mckinnon era tentador o suficiente para isso...
Ah, sim... Ele estava olhando para a criação da mais poderosa, ardilosa, fria e cruel comensal da Morte, com um poder tão grande, que poderia decidir quem venceria a guerra. E do modo que as coisas estavam indo... O lado vencedor ficava mais evidente.
Fim Do Capitulo.
Notas finais
Bjs e até a próxima!
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