A Herdeira Da Máfia
27 XXVII. When The Tragedy Comes.

Minhas mãos continuavam estendidas em frente à garota, que as encaravam como se fossem a coisa mais nojenta do mundo. Ela definitivamente não esperava por isso, e seus movimentos inquietos comprovavam que estava na defensiva. Não tirei o sorriso dos lábios esperando pacientemente pelo seu cumprimento – e a famosa bandeira branca da paz também, mas minha cabeça só pensava na torta deliciosa daquele lugar. A fome quase falava mais alto, mas continuava ali. Logan se aproxima de mim, segurando meu braço com carinho ao notar que eu poderia ficar horas ali e continuaria sendo ignorada.
— Então foi ele quem te comprou? Não me admira as roupas caras. Sinceramente, esperava alguém mais velho. – Engulo em seco diante de seu sussurro e seu sorriso vitorioso que sempre fazia após me humilhar. Não me admirava que todo o pessoal com quem estudei soubesse o que havia acontecido comigo no bordel.
— Elisa, quando vai deixar de ser imatura? – Pergunto calmamente a encarando com pena. Esperava alguém mais madura, mas ao contrário de mim, a vida não havia ensinado nada a ela durante esses três anos.
— Quando vai deixar de ser uma vadia? – Meus olhos se arregalam ao vê-la tão na defensiva e sinto vontade de correr dali, mas não ousei dar esse gosto a ela.
— Como é que é? – Logan questiona em um tom sombrio que jamais ouvi antes. Ele estava sério encarando Elisa que engole em seco, tão assustada quanto eu.
Tudo aconteceu muito rápido. A bancada que me separava de Elisa se chocava contra a parede com brutalidade, se estilhaçando em pedaços e o pai dela – já o vi algumas vezes nas famosas reuniões de pais, sai do lugar que julguei ser a cozinha com os olhos arregalados. Sua filha estava encolhida no canto e era a primeira vez que a via chorar.
— O que você fez Elisa? – Pergunta o pai dela aos gritos a puxando pelo braço. Ele havia trocado ternos caros por uma confeitaria. Será que a empresa dele faliu? Um milhão de perguntas sobre o que havia ocorrido me rondava.
— Eu não fiz nada, pai. Foi esse homem grosso e a vadia dele. – Diz e só então noto que todos os clientes não estavam mais ali.
— Senhor Porter, perdoe a falta de educação de minha filha. As coisas têm sido difíceis desde que o senhor me despediu. – Sussurra o homem e a garota encara o pai brava. Era a primeira vez que eu via ele defender alguém que não fosse sua filha.
— Pai...
— Vá para a cozinha agora e depois quero que limpe essa bagunça. – Grita o homem e ela espantosamente o obedece indo cabisbaixa até a cozinha.
— Acho melhor irmos embora, Logan. Está tudo bem... – Murmuro segurando suas mãos com firmeza e vendo seu corpo relaxar aos poucos.
— Não está nada bem, senhorita Hannah. Nos perdoe. Há algo que possamos fazer? – Pergunta para mim com um sorriso gentil no rosto. Minha cabeça ainda processava aquilo.
— Na verdade, há sim algo que possa fazer. – Logan sussurra e eu o encaro confusa.
(...)
Nunca tinha visto um parque tão lindo quanto aquele, repleto de muito verde, um grande lago, crianças brincando com bolhas de sabão e alguns casais embaixo de árvores se beijando ou simplesmente jogando conversa fora. Logan e eu jogamos um pano sobre a grama na enorme árvore que havia ali, bem no meio do parque. Nos sentamos em frente a torta que o pai de Elisa nos preparou e não nos cobrou nada por isso. Segurávamos uma colher e aos poucos a torna diminuía de tamanho.
— Como é possível essa torta ter ficado mais deliciosa depois de três anos? – Pergunto após engolir mais um pedaço do paraíso. Logan sorri encarando algumas crianças que corriam em volta do lago. – E que história era aquela de “as coisas têm sido difíceis desde que o senhor me despediu”?
— Edward era contador do hotel da cidade que cobre as negociações mafiosas existentes aqui dentro. Ele se considerava dono do lugar já que sempre ficou encarregado de tudo. Mas quando me tornei parceiro de Anthony, despedi o homem e decidi cuidar daquilo por conta própria. – Sussurrou dando de ombros. – De onde você conhece a filha dele?
— Longa história. – Respiro fundo tentando desviar o assunto, mas Logan arqueia a sobrancelha incentivando que eu continuasse. – Nos conhecemos desde o jardim de infância. Éramos melhores amigas, até ela descobrir que minha mãe era... Prostituta. Então ela me tratou como lixo desde então. Me humilhava todo santo dia e acabou se acostumando comigo sendo seu saco de pancadas. Quando Chloe descobriu, levantou essa questão em uma reunião de pais, mas o pai de Elisa agiu indiferente. E a tratou mal. Fingi depois que nada acontecia e que eu não sofria mais nenhuma humilhação da garota e minha mãe acreditou, por um tempo.
— É um mundo pequeno. Quem poderia imaginar que o pai dessa garota trabalhava para Anthony? – Murmura Logan apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Eu sempre sonhei com esse dia. O dia em que eu a visse daquele jeito e pudesse humilhá-la como ela me humilhou tantas vezes. – Digo mais para mim mesma do que para o homem ao meu lado. – Mas acho que mesmo sem ter dito nada, Elisa conseguiu aprender a lição sozinha.
— Lição?
— O mundo pode ser pequeno, mas ele dá voltas também Logan. Ela pode estar no topo hoje e cair amanhã. Será sempre assim. A gravidade sempre nos puxa de volta para o chão, entretanto temos que continuar lutando, já que a visão lá do topo vale muito a pena. – Encaro o chão incapaz de observar a expressão de Logan. – Se me dissesse há seis anos que minha mãe morreria, eu encontraria meu pai, seria a herdeira de uma grande máfia e me apaixonaria por um mafioso cabeça dura, eu chamaria a pessoa de louca e...
Calo a minha boca assim que me dou conta do que falei e fecho os olhos me amaldiçoando internamente por isso. Quando crio aqueles vinte segundos de coragem, ouso encarar um Logan atento.
— E quem seria esse mafioso cabeça dura, Hannah? – Pergunta me observando com intensidade. Suas orbes verdes quase saltando para fora esperando uma resposta que sabia muito bem qual era.
— Você. – Sussurro apreciando suas mãos acariciarem meus fios de cabelo.
— Se me dissessem há quatro anos que eu me apaixonaria por uma ruiva confusa depois da morte de alguém com quem eu me importava, eu também chamaria a pessoa de louca. Na verdade, eu mataria ela, mas isso não vem ao...
Minhas mãos seguram seu rosto com firmeza, o puxando contra mim e beijando seus lábios com força. Ele corresponde quase que imediatamente e sinto meu coração saindo pela minha boca. Nossos corpos estavam colados me passando uma corrente elétrica prazerosa. O beijo era lento e intenso, e nossas línguas se envolviam em uma dança torturosamente deliciosa. Em um gesto rápido e ousado, Logan me coloca sobre seu colo deixando nossos corpos ainda mais próximos e minhas mãos abraçam seu pescoço com carinho.
O amasso durou poucos minutos e não tenho ideia de como conseguimos chegar até a casa dele. Continuávamos agarrados e mal tive tempo de matar a saudade daquele casarão, muito menos ir cumprimentar Lola e Taylor pela primeira vez desde que cheguei de viagem. Já estávamos em seu quarto no terceiro andar e ele me carregava como se eu fosse uma pena até a sua cama.
Minha jaqueta já estava no chão e ele trata de tirar minha blusa também. Parecia um sonho e até poderia me beliscar para ter certeza disso, mas não queria acordar. Nossos beijos agora eram selvagens e sem nenhum cuidado ou carinho. Aquele era um desejo guardado por tanto tempo que não poderíamos esperar nada disso.
Eu só queria nossos corpos juntos de todas as formas possíveis. Me afasto somente para retirar minha legging preta e meu tênis. Logan retira sua camiseta e seu calçado ficando somente de calça e eu subo sobre ele o beijando e o tocando com ousadia sem vergonha nenhuma. Ele pressiona seu quadril contra meu ventre e acabo gemendo descaradamente sem me importar que algum funcionário ouça.
Que o mundo todo ouvisse! Estar com ele fazia com que minha cabeça se desligasse diante do que era certo ou errado. Sinto seus lábios deslizarem até o meu pescoço e arfo diante das sensações tão desconhecidas ao contrário daqueles atos. Luke e eu sempre fazíamos aquilo sem nenhum sentimento envolvido e confesso que nada se compara a agora. Eu não precisava me xingar baixinho ou me sentir mal por imaginar aquele que eu amava em seu lugar. Ele estava aqui agora e era real. Os espasmos em meu corpo comprovavam isso ao sentir seu membro duro roçando contra minha calcinha já molhada.
— Esses três anos foram uma merda sem você. Tem ideia disso, Hannah? – Sussurra próximo ao meu ouvido ao se virar ficando sobre mim. Seus olhos estavam mais escuros que o normal e aquela pergunta me pega de surpresa, me fazendo voltar a parte ruim da realidade.
— Você me mandou embora. – Digo me levantando da cama e ficando em pé de costas para ele. Ouço seus movimentos cada vez mais próximos e respiro fundo ao sentir seu corpo próximo do meu, e suas mãos no fecho do meu sutiã.
— Sempre achei que fosse verdade quando dizia que me conhecia bem. Olha nos meus olhos e diga que não notou o quanto eu queria que ficasse quando foi. – Pede Logan, mas não ouso encará-lo, ficando inerte diante das sensações que me causava. Meu sutiã desliza pelos meus braços até ir de encontro ao chão e seus lábios se aproximam de minhas costas decorando aquele espaço aos poucos. Vejo de relance ele se sentando na cama e me virando de frente a ele.
— Por que não me impediu? – Pergunto baixinho sentindo meus olhos se encherem de lágrimas.
— Porque era seu sonho. – Sussurra beijando minha barriga com carinho enquanto suas mãos iam em direção a minha calcinha. – Mas eu queria que ficasse. Pensei que nada mais me traria de volta a vida desde que deixei a máfia me consumir. Então você apareceu... Você apareceu, Hannah. E antes mesmo disso, quando a investigava, já sabia que isso aconteceria.
— Isso?
— Nós. – Murmura depois de longos minutos de silêncio terminando de retirar minha calcinha e depositando um beijo em minha área mais intima. Logan se levanta, me puxando até a cama novamente e colocando minhas mãos acima de minha cabeça, segurando elas com força enquanto descia a boca até meu seio, chupando com maestria. Sinto meu corpo responder ao seu com facilidade e fecho os olhos com força ansiosa por mais contato. – Ainda tem tempo de ir embora.
— Não mesmo. – Sussurro em meio a um gemido. Seus lábios descem mais uma vez, rodeando meu umbigo até chegar as minhas coxas e suas mãos largam as minhas, entretanto não ouso me mover.
Não demora muito para sentir sua língua em minha intimidade, e minhas costas arqueiam desejando ainda mais contato. Suas mãos seguram minhas coxas com firmeza, impedindo que eu me movesse mais. Sinto a respiração pesada e continuo de olhos abertos encarando o teto de seu quarto. Seus dedos penetram minha intimidade de forma lenta e deliciosa. A língua circula meu clitóris enquanto seus olhos encaravam atentos meus movimentos.
— Logan. – Minha voz falha em um gemido alto ao sentir ele me chupar e o orgasmo vir com força quando seus movimentos se tornam mais rápidos.
Me sento na cama puxando seu rosto para perto do meu em um beijo delicioso sentindo meu gosto em seus lábios enquanto desabotoava sua calça e a jogava longe dali junto com sua cueca box preta. Aproveito sua posição sentada e me aproximo dele que rapidamente segura seu pênis ereto se posicionando em minha entrada enquanto encarava meus olhos. Antes mesmo que eu pudesse me recompor diante do último orgasmo, Logan me penetra com força, sem nenhum aviso prévio.
Cravo minhas unhas em suas costas e mordo seu lábio inferior me demorando ali, soltando um sorriso sujo. O quarto estava todo claro em função do horário e a janela dava uma visão privilegiada da praia e do píer. Ele mexe os quadris contra meu sexo enquanto eu rebolava loucamente sobre seu membro. Trocamos de posição, com Logan ficando em pé e eu abro ainda mais as pernas deixando que ele fosse mais fundo a cada estocada. Nem mesmo com tamanho prazer, ousei fechar os olhos e me deixei entregar aquela sensação de olhos bem abertos.
Sinto o suor escorrer em nossas testas e era impossível tentar abafar os gemidos. Ergui o tronco agarrando seu pescoço e ficando sobre seu colo. As minhas paredes apertavam seu membro anunciando o meu segundo orgasmo. Meus seios quicavam próximos a seu peitoral e suas mãos agarravam minhas nádegas com força e quando sinto o prazer se aproximar, Logan me prensa contra a parede mais próxima, retirando seu membro somente para me penetrar com tudo e mordo seu ombro com cuidado segurando um gemido mais alto que todos os outros e gozamos praticamente juntos.
Nos jogamos na cama sorrindo abertamente como se tivessem nos contado a melhor piada do mundo e adormeço em seus braços enquanto encarava seu rosto sereno observando o meu com carinho. Acordo já no fim da tarde e Logan não estava no quarto. Me levanto colocando uma de suas camisetas e aproveito mais para explorar um dos únicos cômodos que não vi na sua mansão.O quarto era todo branco sem muitos detalhes. Somente uma parede tinha cor diferente, preto. Uma porta que dava para o closet que era praticamente acoplado ao cômodo do banheiro.
Uma grande escrivaninha logo em frente à cama com um notebook e vários papéis com textos em várias línguas. Supus que fosse algum negócio mafioso com outros países. Passo o dedo sobre o notebook quase que sem querer e vejo uma página com várias pastas e uma delas estava com meu nome. Clico quase que imediatamente vendo uma série de imagens minhas. Saindo do bordel e indo para o colégio; voltando para o bordel; na praça com o pequeno Carl; sentada na mesa conversando com minha mãe... Então me lembro que Logan comentou sobre me investigar antes de finalmente me comprar e cuidar de mim até que Anthony pudesse. Dou um pulo ao ouvir a porta do quarto sendo aberta, mas o susto passa ao ver Taylor e Lola adentrando com sorrisos enormes no quarto. Assim que as mesmas deixam a bandeja repleta de comida na cama, pulo em seus braços dando um abraço apertado em cada uma.
— Não tem ideia do quanto senti saudade de vocês! – Quase grito de tamanha animação.
— Também sentimos sua falta. – Diz Taylor com um sorriso no rosto. – Allan também sentiu.
— Tem conversado com Allan? – Pergunto e a vejo corar. – Não creio! Estão namorando.
— Ele é um garoto especial. – Sussurra Lola encarando a filha com orgulho.
— Sentem, vamos comer isso aqui juntas, parece estar uma delícia e eu estou morrendo de fome. – Resmungo me sentando na cama.
— Dá para imaginar depois dos acontecimentos nesse quarto. – Taylor solta aquilo com naturalidade e Lola lhe dá uma cotovelada. Foi a minha vez de corar. Noto uma pílula no canto da bandeja acompanhada de um copo de água e encaro a mulher a minha frente confusa.
— Se não quiser engravidar cedo, sugiro que tome. – Diz ela e a encaro agradecida, engolindo aquele remédio rapidamente.
— Onde está Logan?
— Lá no porão. Se eu fosse você, esperaria aqui. – Sussurra Taylor e entendo perfeitamente o recado.
— É algum infiltrado? – Pergunto e Lola arqueia a sobrancelha. – Não se preocupem, já sei de tudo. Meu pai me contou.
— É, sim. As coisas não tem sido fáceis nesses últimos três anos que ficou fora. Ficamos felizes em saber que finalmente descobriu o paradeiro de seu pai.
— Vocês não sabiam?
— Ninguém sabia, Hannah. Eu desconfiava, mas não ousei tocar nesse assunto com você na época para não te deixar paranoica. – Balbucia Taylor e assenti, entendendo. – Adoraria ficar aqui te ajudando a comer essas delícias, mas tenho trabalho a fazer.
— Eu também. Não suma de nós mais, viu? – Diz Lola de maneira autoritária me envolvendo em um abraço confortante, em seguida Taylor se aproxima de mim fazendo o mesmo.
— E obrigada por amansar o leão indomável. É a primeira vez em três anos que o trabalho vai voltar a ser prazeroso. Você arrasa, garota. – Grita minha amiga animada recebendo mais cotoveladas da mãe, arrancando risadas minhas.
Era bom estar de volta.
Passo o restante da tarde no quarto e depois de horas procurando uma folha de papel e um simples lápis, aproveito o tempo fazendo o que amava e há muito tempo não fazia: desenho a paisagem do lado de fora. Aproveito o tempo e tomo um banho demorado no meu antigo quarto, colocando uma das peças de roupa que deixei ali. Desço as escadas e passeio pelo jardim cumprimentando cada um dos funcionários. Definitivamente sentia muita falta daqui e de todos que ali moravam. Volto para o quarto dando de cara com o Logan em uma expressão nada legal.
— Eu iria reclamar pela sua ausência de hoje, mas acho que não é uma boa hora. – Sussurro mordendo o lábio inferior. – O que aconteceu?
— Temos que voltar para a casa de Anthony.
— Está tudo bem?
— A Sophie sumiu.
SOPHIE
Estou há horas no banheiro da farmácia mais conhecida da cidade segurando o teste de gravidez que havia acabado de comprar. Respiro fundo esperando algum resultado depois de todo o procedimento ter sido feito. Sinto vontade de chorar ao comprovar as minhas hipóteses. O que eu menos precisava agora era de um filho. Tudo bem que é algo que eu teria algum dia, afinal, Anthony insiste com essa história de herdeiros para sua máfia, mas eu precisava ter um justo agora que estamos tendo problemas com a Cosa Nostra e minha vida corre perigo o tempo todo? Tento deixar esse problema esquecido por alguns segundos para apreciar aquela informação.
Me levanto somente para me encarar pelo espelho e observar minha barriga que havia crescido um pouquinho de um mês para cá. Sabe Deus como consegui me enfiar dentro do vestido de noiva. Acaricio por alguns segundos observando feito boba aquela mudança tão pequena no meu corpo e que aos poucos cresceria. A pergunta que não queria calar era se seria um menino ou uma menina.
Sorri imaginando como Ethan seria o pai perfeito e meu coração dói ao me lembrar do meu. O bebê com certeza seria cercado de muito amor, mas ainda assim, não deixaríamos de correr perigo. Saio daquele banheiro depois de jogar o teste no lixo e lavar as mãos sem pressa. Aproveito que tenho o tempo livre à tarde para averiguar o estado dos amigos de Hannah no bordel.
Entendo a situação dela e seu pedido apesar de ter feito com calma, ter aparentado desesperado. Ligo o carro e vou até a cidade onde ela morava, passando em uma lanchonete e comprando algo saudável para comer e estacionando por fim em frente ao bordel, apenas uma quadra ao longe. Ultimamente eu tenho uma fome de leão e agora entendo o motivo. Em poucos minutos, não havia mais nada naquele prato de plástico e o só sobrara aquele copo descartável que veio acompanhado de um belo suco de maçã. Ouço o barulho da porta do carro sendo aberta e retiro a arma de meu bolso apontando para o homem ao meu lado.
— Poupe suas balas querida, aqueles homens do lado de fora irão matar você antes de qualquer movimento seu. – Murmura ele com um sorriso de lado e só então noto o número de homens que haviam do lado de fora apontando a arma para mim. Todos usavam ternos com o símbolo que rapidamente notei ser o da Cosa Nostra. – Saia do carro.
Engulo em seco, saindo do carro, deixando a arma sobre o banco e assim que fecho a porta, dois dos homens ali se aproximam me prensando no automóvel e certificando que eu não tinha nenhuma arma escondida em minhas roupas. Encontraram dois punhais presos ao cós da minha calça e os jogaram longe enquanto o homem que entrara no meu carro se aproxima sorrindo.
— Quem é você?
— Augustos Baldocchi. – Seus olhos eram claros e seus cabelos possuíam uma cor castanha assim como sua barba rala. Ele era alto e musculoso, provavelmente da mesma idade que Anthony. Rapidamente liguei o nome ao chefe da Cosa Nostra e só então notei no que havia acabado de me meter. – Veja só que coincidência... Eu e meus homens viemos até aqui a procura do amiguinho da filha bastarda de Anthony e encontramos algo ainda melhor. Por que persuadir a filha se posso persuadir o próprio usando sua nora e pelo que fiquei sabendo, a mulher do novo chefe de sua máfia? Levem ela daqui.
Os homens me levam com brutalidade em direção a um carro a poucos metros dali e não ouso gritar, sair correndo ou qualquer outra maneira de fugir. Se eu ainda tivesse somente meu próprio nariz para cuidar, até faria. Mas, agora, algo que crescia em meu ventre precisava que eu ficasse quieta e tivesse esperança de que alguém descobrisse onde estávamos. Que alguém descobrisse que fomos levados por Augustos.
Eles me jogam com brutalidade no porta-malas do carro e fecham sem muito cuidado. Respiro fundo tentando não deixar meu lado claustrofóbico falar mais alto e minhas mãos vão em direção ao meu ventre. Achava que essa coisa de instinto materno só surgisse depois do nascimento do bebê, mas eu algo dentro de mim gritava para que nada de ruim acontecesse com ele. Ouço o barulho de Augustos e alguns homens entrarem no carro. Pelo pequeno vidro que dava uma visão do interior do carro, vejo que ele segurava o celular discando o número de alguém.
— Ethan Gavin Brian? Você não me conhece, mas vai querer conhecer.
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