— Está pronta? – Ouço a voz de Sophie pelo dispositivo preso ao meu ouvido.

Eu estava em cima do carro de Logan que não diminuiu a velocidade por isso, e nem podia. Ela e Ethan estavam juntos em outro carro e logo atrás de nós, Blair e Benjamim se posicionavam em seus devidos lugares. Não tive muito tempo para aprender mais sobre lutas ou coisa relacionada, mas me permiti tentar. A luta era mesmo como uma verdadeira dança, só precisava aplicar força bruta. Ter equilíbrio sobre um carro era mais difícil do que parecia, principalmente quando se segurava uma arma potente nas mãos: uma M4A1 Carbine, com uma velocidade de disparo impressionante e suporte para vinte balas.

— Não acho que pronto seja a palavra correta. – Murmuro engolindo em seco quando já nos aproximávamos do caminhão que transportava corpos de traidores mortos pela Cosa Nostra, arrancando uma risada de Sophie.

— Você irá se acostumar. – Diz ela dando de ombros em uma maneira de incentivo.

Quando já estávamos próximas o suficiente, miro nos retrovisores do caminhão, atirando com perfeição e estilhaçando todo o vidro. Logan faz uma curva, dirigindo de ré até encostarmos no automóvel e eu subo pela pequena escada que estava ali, ficando no topo dele e caminhando em direção a parte da frente do caminhão. O motorista para quase que imediatamente ao notar que aquilo era uma emboscada e quase caio, me apoiando no parabrisa, dando de cara com o próprio segurando uma arma e mirando em mim. Droga. Droga. Droga. Me jogo para a parte direita do caminhão assim que ele atira, estilhaçando o vidro e eu entro por ali mesmo, chutando seu rosto e mirando minha arma em sua cabeça.

— Sejam rápidos. – Aviso pelo pequeno rádio do automóvel que Benjamim manipulou para que somente eles escutassem. Ligo o caminhão, me sentando no lado passageiro sem tirar a arma na mira do motorista. – Você... Comece a dirigir e não ouse parar.

Ouço o barulho da porta traseira do caminhão sendo aberta e espero alguns minutos até ouvi-la ser fechada, e Logan aparecer dirigindo do meu lado esperando que eu pule. Havia uma longa curva naquele penhasco e o homem continua dirigindo me encarando como se eu fosse louca por não pedi-lo para parar. Nunca me imaginei em uma situação como aquela, de estar no controle enquanto alguém tremia diante de mim... Sinto muito se isso parecer com que eu seja uma pessoa ruim, mas aquilo enchia meu ego. Algo que estava vazio há muitos anos. Benjamim aparece do outro lado do carro, me passando confiança e então eu atiro na cabeça do homem e pego a lista de pessoas mortas que estavam no banco do automóvel. Ali continha o nome e a foto de todos os corpos que ele carregava. Retiro a foto de meu pai machucado e troco pela do motorista que Benjamim encontrou durante suas pesquisas. Vejo de relance ele abrindo a porta do caminhão e entrando, tomando a direção do automóvel.

— Precisamos ser rápidos. Anthony já está em meu carro. Agora pule. – Avisa e eu assenti abrindo a porta do caminhão e sentindo um frio na barriga.

— Tudo bem, Hannah. Você já fez coisas piores do que pular de um automóvel em movimento. – Sussurro baixinho.

— Hannah... Precisamos ser rápidos. – Avisa ele e eu encaro a grande curva do penhasco se aproximando, engolindo em seco.

Fecho os olhos e sem pensar muito, pulo e Logan segura meus braços com força, impedindo que eu caísse. Nunca rezei tantas vezes e tão rápido em toda minha vida e aquilo fez ele rir. Rastejo até a porta do carona e abro, entrando ali em um movimento rápido.

— Foi adrenalina demais para um dia só. – Sussurro e ele dá uma risada.

— Bem-vinda ao mundo mafioso. – Diz ele e eu ouso sorrir.

Sophie e Ethan iriam acompanhar Benjamim até a unidade onde a Cosa Nostra se encarregava de cremar os corpos, para trazê-lo de volta são e salvo. Saber que meu pai estava vivo trouxe um alivio enorme no peito, e passo a viagem inteira de volta para casa observando o carro de Blair, onde seu corpo estava. Os mafiosos não ousaram torturá-lo, somente Augustos então ele não está tão machucado quanto era para estar e esse é o único motivo para eu continuar aliviada.

Um objeto metálico foi colocado entre ele e a corda, impedindo que ela o enforcasse então, resumindo, tudo não passava de um plano bem elaborado por Anthony Gavin Brian.

Já estávamos no apartamento no centro da cidade, já que Augustos nos procurava feito malucos e fiz questão que Taylor e Lola nos acompanhasse.

Katheryn, cuidava dos machucados de meu pai, aproveitando que o mesmo estava desacordado, em função do remédio que tomou para que aquele teatro parecesse ainda mais real. Ela e Frederick, irmão de Blair, se instalaram nesse apartamento do centro depois que Ethan o abandonou para morar com Sophie em uma mansão próxima dos famosos rachas, que eles tanto adoravam. Aproveito aquele tempo de sobra para deixar o nervosismo de lado e ligar para Allan, deixando ele a par de todo o ocorrido.

— ...Agora eu não sei o que faremos, porque estamos sendo caçados por esse Augustos, mas Blair disse que Anthony sabe qual será nosso próximo passo. – Murmuro já afastada de todos ali.

— Acha que há alguma chance de mudarem de cidade? – Pergunta ele do outro lado da linha.

— Talvez. Mas eu só liguei porque seja lá qual for esse passo, terei que parar de ligar.

— Entendo. Ou pelo menos, tento. – Diz ele me arrancando um sorriso.

— Avise a Stella que não deixarei de enviar dinheiro a Carl e a cada um ano, darei um jeito de entrar em contato. Se precisar de alguma coisa, me diga, por favor, Allan. – Peço quase que em desespero.

— Eu prometo avisar você. Queria que estivesse em minha formatura. – Sorri ao me lembrar daquilo.

— Eu também. Mas estarei lá, do seu lado, sem que perceba. – Sussurro. – Até um dia, Allan.

— Até.

Volto a me sentar ao lado de Blair que agora, parecia gostar de mim. Ela me encara com os olhos marejados e eu a abraço quase que automaticamente entendendo o que ela sentia agora. Anthony quase morreu e ela presenciou tudo aquilo sem ter a chance de dizer algo. Ele fez todo esse teatro, não só pela neta que em alguns meses nasceria para alegrar toda a nossa família, como também fez por nós... E por ela. Acho que não poderia haver maior prova de amor e finalmente, as coisas irão melhorar. Era o que eu desejava. Benjamim, Sophie e Ethan aparecem algumas horas depois dizendo que o trabalho foi feito e eu me levanto automaticamente quando Katheryn aparece descendo as escadas.

— Ele está bem e acordado... Quer ver todos nós. – Diz com um sorriso cansado que sempre dava depois de um trabalho duro como aquele.

Todos nós corremos feitos desesperados escada acima e sinto meus olhos arderem ao vê-lo ali, salvo, com os olhos abertos e acima de tudo, vivo. Blair é a primeira a alcançar seus braços e colar seus lábios no dele. Logan aparece me abraçando por trás e todos nós ficamos ali observando a cena que mais esperávamos. Um sorriso escapa de nossos lábios ao observar os dois finalmente bem.

— Eu jamais deixaria nenhum de vocês. – Murmura Anthony com um sorriso no rosto limpando as lágrimas da esposa que caia sem parar.

— Então agora acabou. Podemos viver em paz? – Pergunta Sophie acariciando sua barriga com carinho e rapidamente entendemos o que ela queria dizer com aquilo... Poderia sua filha viver em paz e longe de constante perigo? Era o que eu me perguntava também caso um dia engravidasse. Imagino o quanto deve ser sufocante ter uma vida para cuidar no meio de toda essa guerra.

— Enquanto Augustos acreditar que estou morto, sim. – Diz ele e seus olhos pousam em mim. – Avisei que você e Ethan não precisavam se preocupar.

— É... Deveria ter entendido o que queria dizer com aquilo. Me assustou. – Sussurro me aproximando dele e lhe dando um abraço com cuidado, temendo que aquilo doesse.

— Acredite, aquelas dezesseis horas de tortura valeu a pena quando vi você e Blair unidas. – Balbucia e a encaro de relance que me encara segurando minhas mãos com força, sorrindo educadamente.

— Para onde vamos agora? – Pergunto confusa me levantando da cama e todos se reunimos em volta dela o encarando curiosos.

— Agora... Vamos para o Brasil.

— Brasil? – Me lembro vagamente de ter estudado sobre esse país e Logan sorri beijando meus lábios com carinho enquanto Ethan e Sophie se encaravam com um sorriso lindo no rosto.

— As coisas são bem mais fáceis no Brasil. – Diz Benjamim piscando para mim e arrancando uma risada de todos presentes ali.

FIM!

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MIRRORS* Introdução

O Rio de Janeiro era um lugar maravilhoso e viver naquele clima tropical, trazia uma verdadeira paz. Decidimos morar todos juntos em um mesmo casarão. Aprendi português com facilidade e era como se eu finalmente tivesse encontrado o meu lar. Éramos felizes ali e o que é melhor, não precisávamos nos esconder. Sophie teve a pequena Emily alguns meses depois e logo após, descobri que estava grávida também. Anthony não podia estar mais feliz com suas duas netas, sempre as mimando sem deixar de criá-las a ensinando sobre o mundo da máfia. Emily crescia se tornando cada vez mais parecida com os pais, a não ser a pele morena que adquiriu nesse maravilhoso país. O rosto era quase idêntico ao de Sophie, assim como o corpo cheio de curvas, o nariz fino e arrebitado, e os cabelos negros que caiam perfeitamente bem nela. Entretanto, os olhos cinza e o gênio difícil era o suficiente para saber que ela era mesmo filha de Ethan, que era um verdadeiro pai coruja.

Minha pequena Chloe nasceu com os cabelos castanhos do avô, os olhos verdes do pai e era a cópia fiel de minha mãe. Coloquei seu nome assim em homenagem a ela aliás... Que apesar dessa nova família, nunca foi esquecida por mim. Sabia que ela estava em um lugar melhor agora, observando sua neta ao longe. Emily e Chloe se tornaram melhores amigas e decidiram juntas irem para Chicago estudar fora, o que resultou em Sophie e eu tentando convencer os pais corujas – e o avô, por semanas. Acho que nos acostumamos tanto com a ideia de estar fora de perigo que nos esquecemos por alguns segundos que ainda havia pessoas desejando nossa morte, querendo ou não.

E talvez, só talvez, teríamos repensado duas vezes se soubéssemos que Emily se apaixonaria pelo novo chefe da Cosa Nostra e também neto de Augustos, Ian. Anthony e Augustos talvez deixassem essa briga de anos de lado por amor aos netos... Ou seguiriam as regras de nunca deixar nenhum empecilho familiar acima das políticas da máfia. Mas será que seus netos deixariam a política de suas origens falar mais alto também? Como imaginaríamos que nossa pequena Emily colocaria em risco as nossas vidas por um garoto? Entretanto, o amor brinca conosco e a vida adora pregar esse tipo de peças nas pessoas. Na verdade...

O amor está mais perto do ódio do que a gente geralmente supõe.

Notas finais
*Caso o link não esteja funcionando, copie a URL abaixo e cole no seu navegador: https://bit.ly/2VvO4qK ♥ Obrigada por ter lido A Herdeira da Máfia até aqui! Se quiser deixar algum comentário sobre o que achou da história, mesmo já finalizada, terei o imenso prazer em ler e responder com muito carinho =D Antes de partir, gostaria de pedir que lesse o Disclaimer, pois nele deixei algumas explicações que podem ser do seu interesse. Até mais! Beijão, Mari.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!