A Herdeira - Book 1, A Série Trono de Luz
3 II. Novo lar
Notas iniciais
A primeira coisa que Cara notou ao adentrar na ala de recepção do Aeroporto Internacional de Porien fora o clima. Era gelado e denso ao mesmo tempo. Como se algo pesasse naquele ar. Isso a fazia ter a aquele tipo de sensação estranha de quando você vai a cemitérios. Felizmente, dificilmente seria algo que a incomodaria. Afinal, ela amava dias chuvosos.
A segunda, foi a circulação de pessoas. Ali parecia quase deserto em comparação ao Aeroporto de Addis. Talvez fosse pelo fato de ser uma segunda-feira, ela ponderou sobre esse ser o motivo. Mas apesar de tudo, esse fato também a agradou. Foi por esse motivo que ela podera notar rapidamente onde Frederik estava. Fora impossível não reconhecê-lo. Cara não podera segurar o sorriso com a imagem.
Ele segurava uma pequena placa escrito "Cara Hughes " em rosa choque e glitter. As cores tão vivas que só de olhá-las seus olhos doíam. Tudo era tão chamativa e impossível de não se notar, que até mesmo as poucas pessoas que circulavam por ali lançavam-lhe olhares, alguns curiosos, outros incomodados. Seu tio parecia bem retesado e tenso ali, e Cara sabia que ele deveria estar culpando a placa por toda aquela atenção extra. Cara teve certeza de que fora Judith qua a fizera.
Se ela fosse daquele tipo de pessoa que se divertia a custa do sofrimento alheio ela teria-o deixado por mais alguns instantes daquela maneira e até mesmo ter tirado uma foto sua. Mas como ela não era assim...
Rapidamente ela se aproxima dele.
— Tio Freddie?
Ele estava distraído, também parecia exausto. Cara poderia até mesmo dizer que ele estava ali a esperando já a algum tempo. Cara ao se aproximar notou que o tempo parecia ter parado para seu tio. Ele esbanjava a mesma aparência de quase dez anos atrás. Os cabelos cacheados de coloração castanha quase loira ainda pareciam os mesmo de dez anos, ele ainda usava o mesmo corte, as feições eram sempre suaves e transmitia uma calma. Cara notou que naquele lugar desconhecido ele era uma das poucas coisas familiares para ela.
— Cara?
Ele aparentava estar surpreso ao vê-la. Cara entendia o porquê. Da última vez que ele a vira ela ainda era apenas uma criançc e seus cabelos eram curtos, agora, ela já era uma adolescente, apesar de ela não ter crescido tanto quanto queria, seus cabelos estavam muitos centímetros mais logos e ondulados. Ela também havia abandonado os óculos, substituídos pelas lentes, e o aparelho dentário.
— Sim, sou eu. — ela soltou um pequeno riso causado pela reação de seu tio.
— Oh, meu Deus. Como você cresceu! — ele soltou a placa em um canto qualquer e se aproximou de Cara. Cara recebeu o curto abraço de seu tio, apesar de toda sua aversão adquirida na adolescência por toques prolongados. — Está tão linda agora!
— Obrigada, tio. O senhor não mudou nada também. — ela o elogiou, com sinceridade.
— Olha — ele apontou um dedo em sua direção, seriamente, então sorriu, os olhos azuis sendo iluminados pelo humor. -, assim você me iludi. Já que a última vez que me viu foi a quase dez anos atrás.
— Não é mentira. Foi muito fácil reconhecê-lo por isso.
Ele a ajudou com as bagagens. Já que eram ambas muito pesadas, Cara ficou agradecida. Logo os dois caminhavam para a saída do aeroporto. A placa chamativa permaneceu no mesmo local, ignorada por ambos que não tiveram coragem de andar com ela por ali.
Sem mais atenções, por favor.
×××
— Como foi a viagem? — ele lhe perguntou assim que entrou dentro do carro, sentando-se ao lado de Cara que ocupava o lugar do carona, óbvio. Antes disso, pusera as malas de Cara no bagageiro do carro.
—Terrível. — Cara resmungou. Então esticou-se sentindo o corpo dolorido. — Meu corpo inteiro dói.
— Imagino. Deve ter sido desconfortável. — ele dissera enquanto dava ignição no carro. Logo, eles já estavam na estrada.
Cara concordou.
— Pior que sim! — ela olhou-o com os olhos arregalados. — Sinto-me como se tivesse sido impiedosamente atropelada por uma manada de uns cem elefantes.- ela ergueu as mãos em sua direção, em um ato exagerado.
Seu tio riu de seu exagero, logo Cara o acompanhou.
— Cara — de repente, o tom de voz de seu tio havia perdido o riso. Cara o olhou, esperando. -, eu… Sinto muito. Sinto por não ter comparecido ao enterro.
Cara ficou em silêncio. Ela já tinha a consciência de que em algum momento aquele assunto surgiria. Ela o deixou desabafar. Era o que ele parecia precisar.
— Eu também sinto por tudo o quê está passando. Eu sei o quanto deve estar sendo duro para você.
— O senhor não deveria sentir. — ela disse, seu tom agpra era distraído e seus olhos estavam focados na paisagem ao lado de fora, apesar de ela não focar em realmente nada interessante. — Afinal, a culpa não é sua.
— Mesmo assim, isso não me tranquiliza. Me sinto culpado por não ter estado lá ao seu lado. Você é apenas uma criança e já teve que passar por tanta coisa.
Ele lamentou.
— Cara. Sei que vai ser difícil se acostumar. Mas agora somos sua família. E você já é preciosa para cada um de nós.
— Eu sei disso, tio. E eu tentarei meu máximo. Porque, como o senhor dissera, vocês são tudo o que me restaram.
×××
Parada em frente a casa dos Steele's Cara não podera evitar lembrar o passado. Se ela estivesse ali a exatamente dez anos atrás, no dia 24 de dezembro, ela veria duas menininhas de vermelho correndo por aquele mesmo jardim enquanto brincavam de pega-pega até que uma delas caísse e então o pai desta a levaria para dentro, a carregando seguramente em seus braços.
Seu tio sorriu-lhe, então acenou em direção a casa, como se dissesse "Vamos?". Cara assentiu.
Então assim que a porta fora aberta...
— Bem-vinda!
— Oh.
Ali estavam sua tia e sua prima que a tanto tempo ela não via. Elas, diferentes de seu tio, haviam mudado. Judith, a qual Cara ainda tinha recordações de criança, havia crescido igualmente como ela e se tornado uma bela jovem. Sua tia Natty também não passava por despercebida. Seu estilo havia mudado completamente! Agora estava mais moderno, e ela havia ficado maravilhosa! E Elas estranhamente pareciam se combinar com os cabelos em tons acinzentados, Cara não pudera evitar compará-las. Ambas pareciam o antes e o depois da outra.
Judith ergueu uma faixa de onde estava. Nela havia os dizeres " Seja bem-vinda, Cara!" em azul florescente.
Novamente, havia glitter. Exageradamente.
— Oh, muito obrigada. — Cara estava um pouco sem reação. Como ela deveria reagir diante daquilo? Ela nunca passara por algo semelhante em toda sua vida.
— Seja bem-vinda, priminha! — Judith animadamente se jogou contra Cara. E quando digo que ela se jogou é da forma mais literal da palavra. Cara se assustou e se não fosse por ela ter conseguido equilibrar-se ambas teriam parado no chão. — Ops. — ela riu, enquanto ainda abraçava-a. Cara retribuiu-lhe. Então ela lhe largou e analisou-a de cima abaixo. Erguendo os dois polegares para cima, ela fez um gesto positivo para Cara enquanto dizia: — Wow, prima! Você está um filé que só, hein!
— Hã, oi? — Cara ficou confusa e corada com o linguajar da outra, apesar de ter noção do que ela o que ela queria dizer. Judith apenas ergueu novamente os polegares enquanto sorria, dessa vez, meio marota.
— Querida — sua tia aproximou-se dela e abraçou-a. -, não ligue para o que ela diz. As vezes, até eu acho que ela nasceu com algum distúrbio. — ela sussurrou em seu ouvido. Cara riu, ao mesmo tempo em que ouviu Judith chiar.
— Ei, eu posso ouvir tudo! Ok?
— Ok. — Natty riu ao soltar-lhe.
Judith se encaminhou até uma pequena mesa de centro e pegou um embrulho prateado que repousava em cima dela.
Ela lhe entregou.
— Isto é para você. — Judith explicou. — É um presente de boas-vindas! Esperamos que goste.
— Hã, não precisava.- Cara ficou sem jeito.- Realmente, não. Tudo o quê eu mais quero agora é apenas descansar. — Ao ver as feições de Judith se tornarem tristonhas. — Sinto muito mesmo.
— Não sinta querida. Você está apenas cansada. Entendemos. — sorriu Natalie, compreensivamente. Cara retribuiu-lhe, agradecida.
— Sim. Apenas descanse. — fora Judith que o dissera. Mas seu tom ainda era um tanto chateado. E, em relação a isso, Cara não poderia fazer nada. Não quando ela estava sendo verdadeiramente sincera com elas.
Sinto muito.
— Leve-a para o quarto onde ela irá ficar. — ordenou Natalie a filha, a mesma assentira energeticamente com a cabeça e, em seguida, se virou e disse a Cara:
— Por favor, siga-me. — então após fazer uma mesura, sorrindo, ela se virou e começou a subir as escadas.
×××
Surpreendentemente, eles haviam escolhido para Cara o quarto a qual ela sempre ficava quando ela visitava-os em suas férias de verão quando mais nova. Talvez fosse pelo motivo de não quererem que ela se sentisse assim tão desconfortável. Quase tudo naquela casa a lembrava de seu falecido pai.
— Cara? — chamou-lhe Judith. Isso fez a voltar a realidade.
— Sim?
— Você está realmente bem? — ela a observava, preocupada. Talvez aquela pergunta tivesse surgido pelo fato dela estar distraída. Ou talvez fosse por sua aparência abatida, Cara tinha noção sobre este fato. Na verdade, parecia que todos que a viam queriam-lhe questionar esta questão. Você está realmente bem?
Ela parecia bem? Eles achavam que isto era discutível, ela estar bem?
Cara, respirou fundo, então respondeu a resposta de sempre, a que era mais conveniente para todos, principalmente para ela mesma:
— Eu vou ficar.
Então Cara sorriu-lhe um que dizia para ela não se preocupar. Sua prima acenou, compreendendo talvez o que ela dissera, ou não. Cara ainda não compreendia aquela versão nova de Judith por completo. Ela sabia que assim como ela, a prima também havia mudado. Mas que não demoraria para ela se acostumar. Então ela entrou no quarto e após colocar as bagagens para dentro fechou a porta e a trancou.
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