A Herdeira
2 Capítulo 2 – Nem sempre o que reluz é bonito
Aquele rapaz bêbado era o meu noivo, o homem que teria que passar o resto da vida, o ver daquele jeito me fez repensar se eu poderia me submeter aquilo.
— Belo príncipe. _Murmurei e me retirei do salão, aquele castelo era enorme caminhei por alguns instantes e ouvi Chloe me chamar.
— Ella! Me espera. _Ela correu até mim e fomos caminhando até o jardim juntas.
— Aquilo é meu noivo Chloe, um bêbado. _Suspirei e me sentei perto de algumas arvores frutíferas.
— Seu pai não iria te entregar a alguém que não fosse digno Ella, talvez ele só esteja como você. _Eu a encarei.
— Sentir raiva do próprio destino não vai me levar a virar uma bêbada rasgada. _Deitei a cabeça para trás e fechei os olhos.
— Você o defende porque não será você daqui 4 dias a se deitar com ele. _Arrepiei com o pensamento, ainda não havia pensado nisso.
— Ella, como vai ser? _Olhei Chloe assustada.
— Eu não sei, eu não quero isso, vamos fugir. _Segurei a mão dela e a tentei puxar comigo, ela firmou seu peso e me puxou de volta.
— Ella é o seu povo que morreria se fizesse isso. _Revirei os olhos e soltei sua mão.
— Obrigada por acabar com minha última esperança. _Sai do jardim caminhando de volta para dentro do castelo, permaneci olhando para o chão, trombei com alguém, o corpo era forte e firme.
— Me perdoe eu não... _Ergui o olhar era Aaron, minha respiração parou, ele já estava bem vestido e usando sua coroa, ele era realmente lindo, olhos verdes, ele sorrio para mim.
— Eu sou Aaron. _Ele pegou minha mão, se curvou e a beijou.
— Você é Ella, certo? _Ele deu espaço para que eu passasse e começou a caminhar ao meu lado, voltei a olhar para o chão, a presença dele me deixava envergonhada.
— Sim, eu sou. _Sussurrei e caminhamos para fora do castelo.
— Vejo que não fiz uma boa impressão para a senhorita. _Ele riu baixo e colocou os braços para trás.
— Pensei que era algum mendigo quando você entrou. _Ri baixo e ele parou e me olhou.
— Não estava tão ruim, meu pai que exagera. _Ele então me convidou para sentar em um banco, o castelo ficava no alto das montanhas então dava para ver a cidade toda daquele lugar.
— Sim você estava, saiba que não estou aqui por vontade própria e depois de ver como você chegou tive ainda mais certeza que isso tudo é um sacrifício. _Não deixaria aquele rapaz me intimidar.
— Você é muito petulante sabia? Se não fosse pelo meu povo eu te jogaria daqui de cima. _Eu o encarei.
— Se eu morrer você pode ter certeza que te levaria comigo. Na verdade me empurre mesmo, cair daqui será melhor que viver uma vida com você Sr. Eu mando na porra toda. _Me levantei o encarando com a feição emburrada.
Ele se levantou segurou meus braços e me encostou na beirada do corrimão que nos protegia de uma queda, encostou seu corpo no meu parei de respirar ele ficou me olhando nos olhos.
— Pensei que você era aquelas princesinhas chatas e frescas, eu ainda estava sendo otimista, você é petulante e mimada. _Ele se afastou e voltou a caminhar para dentro do castelo.
— Mimada é a sua bunda. _Gritei, respirei fundo e me sentei novamente, tampei meu rosto com as mãos.
— Não vou aguentar um cara desse. _Sussurrei.
Caminhei de volta para o castelo, uma das criadas me acompanhou até o meu quarto entrei e fechei a porta, olhei meus pertences já estavam colocados em seus devidos lugares, caminhei até a cama, meu arco e flecha estava lá, intacto. Olhei pela janela já estava escuro.
— Poderia matar aquele arrogante, assim me livraria disso. _Tirei minhas roupas e caminhei até o banheiro, tomei um banho rápido. Vesti uma camisola e me deitei, não estava com animo nenhum de jantar. Mesmo com todos aqueles pensamentos me perturbando adormeci rapidamente, estava cansada demais para algo me tirar a vontade de dormir.
Acordei cedo, me sentei na cama e comecei a tremer, aquele lugar iria me congelar, então levantei, vesti uma roupa de caça, coloquei uma capa com capus, amarrei meu cabelo em um coque, coloquei botas e luvas. Peguei meu arco e as flechas, sai do quarto sem fazer barulho, sai do castelo pela porta da cozinha que dava a uma escada que me levava direto a uma floresta, sorri de lado e desci sem hesitar. Entrei na floresta, estava tudo úmido por conta do sereno, coloquei uma flecha no arco e fui caminhando a fundo da floresta.
Depois de alguns minutos caminhando cheguei até um riacho, fiquei perplexa em como aquele reino era lindo, subi em uma pedra e me sentei observando a água, abracei minhas pernas.
— Não vai ser tão difícil viver aqui. _Sussurrei e sorri.
Ouvi um barulho vindo da floresta, senti meu corpo esfriar ainda mais, me levantei rapidamente e armei o arco e flecha mirando onde o barulho veio.
— Calma, não precisa me matar. _O rapaz ergueu as mãos, eu abaixei o arco e flecha.
— Quem é você? _Eu o encarei.
— Riley Tarvell e você? _Ele se sentou em outra pedra.
— Ella. _Desci da pedra e me aproximei.
— Prazer arqueira. _Ele sorriu e eu ri baixo.
— Você não parece daqui. _Ele jogou uma pedra na água.
— E não sou, estou aqui para fazer algo que eu não quero, mas preciso. _Suspirei.
— Sinto muito, mas se é por algo bom não vai ser um sacrifício. _Ele ajeitou sua capa, ele era bonito, cabelo e olhos negros e barba rala.
— Sim, bom pensamento para quem não imagina o que é. _Ri baixo.
Ficamos conversando por algum tempo sobre aquele lugar, quando dei por mim já tinha passado horas.
— A merda! Preciso ir. _Peguei minhas coisas e sai correndo antes que ele falasse algo, meu pai iria me matar.
Corri o mais rápido possível até que uma raiz me fez cair no chão batendo a perna em uma pedra, gritei ao sentir o impacto.
— Merda. _Me sentei sentindo as lágrimas escorrerem de dor, subi a barra da calça e olhei, estava roxo o meio da minha canela, mexi a perna e ela correspondeu, não parecia quebrado. Me levantei e voltei a caminhar com dificuldade até a escada do castelo, a subi devagar pois cada passo minha perna intensificava a dor, quando abri a porta me deparei com a cena de Aaron aos beijos coma criada que estava cuidando do almoço.
Abaixei o rosto, eles não haviam percebido que eu estava lá, tentei passar sem ser percebida até que minha perna trava e eu consigo cair no chão.
— Merda. _Gritei de dor, Aaron ficou paralisado me encarando no chão, a criada saiu de lá correndo.
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