A Herdeira
1 Prólogo
Notas iniciais
— Mas que diabos?!
— Emma, você precisa se acalmar, só assim poderei lhe explicar o que realmente está acontecendo. – falou o homem à sua frente.
Emma sentou-se no sofá, encarando a sua xícara de café. Tudo parecia ser processado com uma aparente dificuldade. Sua vida, tão simples e normal, parecia ter sido virada de cabeça para baixo em poucos minutos. Talvez, quem sabe, em segundos.
— Então quer dizer que eu sou herdeira de uma fortuna imensurável e a verdadeira dona de uma empresa inteira?
— Uma multinacional.
— Que seja. — Ela deu um pequeno bufo. — Chega de piadinhas, detetive.
Aquilo só poderia ser uma piada, ela pensou.
Ele a encarou.
— O quê? Eu não estou brincando.
— Você não sabe nada sobre mim. Como saberia da minha vida?
O detetive colocou as mãos nos bolsos de sua jaqueta e soltou um breve sorriso.
— Nascida em 1998, a bela e revoltada Emma Swan passou a adolescência mudando de orfanato em orfanato. Ninguém queria adotar uma garota tão mal criada, não é mesmo?
— Como você...
— Depois de muito tempo, a jovem Emma cansou e fugiu. Logo mudou-se para uma nova cidade, vivendo agora de pequenos furtos. Foi presa três vezes, duas por furto e uma por brigar na rua. Você realmente tem um currículo bem vasto...
— Escute, eu não tenho tempo pra uma reflexão de como foi a minha vida, detetive. Mas é melhor sair agora da minha casa, eu tenho trabalho a fazer.
— É verdade, hoje você trabalha como caçadora de recompensas, não é mesmo? Engraçado, isso é contra lei, sabia que com apenas uma liga...
— O que você espera que eu faça? — A loira interrompeu o homem. — Que eu saia cantando Singing in the Rain por aí por causa de uma herança? Nós vivemos no mundo real, essas coisas só acontecem em contos de fadas.
— Eu quero você volte para casa. Você precisa. — Ele soltou o ar que preenchia seu peito, já cansado de discutir com a mulher. — Se isso apenas acontece em contos de fada, Emma, você é a salvadora daquele castelo.
A loira calou-se. Ainda inquieta. Real demais para ser mentira ou fantasioso demais para ser verdade?
Aquela proposta parecia assustadora. Por mais singela e inofensiva que fosse, parecia assustadora. Suas mãos suaram com tais palavras.
Mesmo com o silêncio da loira, o homem continuou.
— Entrei em contato com com a atual responsável pela empresa dos seus pais: Cora. Ela está tomando conta de tudo desde as tragédias que abalaram aquela mansão. Ela me disse que não há problema algum com a sua volta. Aliás, a casa é sua.
***
A mansão podia ser facilmente confundida com um palácio. O piso, feito de madeira maciça, anunciava a chegada de Emma ao local. As luzes do sol invadiam as janelas espalhadas pela casa, iluminando mais ainda o local. A loira sentia sua cabeça girar com um dos enormes lustres presos ao teto da casa, aos quais brilhavam refletindo o cristal puro. Logo a sua frente, a casa possuía duas escadas ao canto. Um grande tapete, do qual Emma tinha certeza que custava mais que sua casa, cobria o piso.
Duas escadas levavam à parte superior da mansão, seus degraus cobertos por um fino tapete de cor avermelhada declaravam o bom gosto do responsável pela decoração. Foi quando uma mulher de cabelos e olhos castanhos desceu as escadas.
— Olá, querida! Seja bem-vinda! — A mulher sorriu. Emma poderia dizer que aquele sorriso era no mínimo forçado, mas resolveu responde-la com um olhar amistoso.
A mulher vestia um vestido vermelho sangue. Seu cabelo estava amarrado em um coque e suas mãos estavam repletas de anéis, já em seu pescoço, permanecia um colar com o pingente de uma coroa.
— Boa noite, senhora. — O detetive saudou a mais velha.
— Boa noite, detetive. — Ela sorriu. — Me chame apenas de Cora, rapaz.
Ele assentiu.
— Pois então, sem formalidades. Sou Killian, mas pode me chamar de Hook. — Ele deu um sorriso torto e virou para Emma. — Cora, venho lhe apresentar a resposta para as perguntas que assombram sua mente, a herdeira da família.
Emma sentou-se obrigada a se apresentar. Estendeu a mão para a mulher e deu um breve sorriso.
— Swan, Emma Swan. É um prazer conhece-la.
A mulher a observou calmamente. A olhou de todos os modos possíveis, a avaliando. Por fim, respondeu a mais jovem com uma falsa bravata.
— O prazer é todo meu, senhorita Swan. — repetiu. — O prazer é todo meu.
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