A Herança
9 Cap.8 – Breadstix
Tina P.O.V
Quando chegamos ao restaurante foi hilário. Primeiro entraram Puck e Kitty, e uma mulher veio sorridente atendê-los, mas seu sorriso se fechou assim que viu um monte de gente entrando logo atrás.
_ V-vocês e-estão todos juntos? — ela perguntou gaguejando. Kitty lhe mandou um sorriso agradável antes de todos começarem a falar ao mesmo tempo feito um bando de loucos.
A mulher parecia muito confusa e prestes a perder a paciência e chamar o gerente pra tomar de conta da gente, quando Santana foi com passos decididos e começou a falar mais alto que todo mundo, mas ninguém ouvia até que ela colocou os dois dedos na boca e soltou um assovio alto que fez todo mundo se calar.
_ Nós queremos uma mesa beeeeem grande, muito macarrão e pãozinho até a morte. E vou logo avisando, se tiver uma mesa mais afastada, melhor. Porque os sem educação vão ficar falando bem alto, e aquela loira ali e o de moicano vão ficar se pegando, pode não ser agradável... Ou próprio para menores, a não ser que confundam a Quinn e o dublê do Michael McGonaguey com Ken e Barbie, aí vai encher de pivete... Mas resumindo, queremos uma mesa enorme, e longe do resto dos Lima losers. De perdedores já basta os que a gente deixou em casa. – tagarelou a latina e todos prenderam o riso da cara que a moça fez, apenas balançando a cabeça afirmativamente.
Fomos até uma mesa do outro lado do restaurante, que era simplesmente enooooorme, acho que nunca vi mesa tão grande desde o casamento de um primo do meu pai em que estava absolutamente TODA a família. Nos sentamos e a conversa começou a correr, ninguém calava a boca, os casais paqueravam e se beijavam, as pessoas olhavam e cochichavam, Puck e Kitty quase se comiam.
_ EI! ARRUMEM UM QUARTO! – Quinn gritou do outro lado da mesa. Puck apenas lhe deu um sorriso antes de voltar sua atenção a loira em seu colo.
Finn P.O.V
_ Tchau mãe, te vejo amanhã cedo! – falei da porta. Mamãe até queria que eu dormisse com ela no hotel, mas as regras são que não pode dormir fora da casa a não ser em feriados como Natal, Ação de Graças ou Páscoa.
Assim que fechei a porta, ouvi uma melodia ecoando na sala de música. Caminhei cautelosamente, evitando fazer barulhos. Na sala estava a tal nova-iorquina baixinha e irritante, Rachel. Ela estava no piano de calda preto e eu me sentei em uma das cadeiras, encarando-a fascinado.
_ Now I've had the time of my life, No, I never felt like this before — ela cantou e eu finalmente reconheci a música. Sorri em silêncio, sua voz era linda demais.
_ Yes, I swear it's the truth, and I owe it all to you — cantei e ela me olhou assustada – Desculpa, não queria atrapalhar.
_ Sem problemas. Apenas não tinha te visto ai. – comentou ela, limpando os olhos. Só então percebi que ela chorava e saltei para o banco do piano junto dela.
_ Tudo bem? – perguntei e ela concordou.
_ Ah, claro, é só que... To com saudade dos meus pais sabe? Nunca passei tanto tempo sem eles. – ela explicou e eu concordei.
_ Eu também to sem minha mãe e ta sendo bem duro. — confessei e ela deu um sorrisinho.
_ Não consegui dormir e fiquei aqui... Escolhendo algumas músicas. — ela disse.
_ Essa é boa... Podemos tentar de novo? Do começo? — eu pedi e ela sorriu concordando – Now I've had the time of my life, No, I've never felt like this before – cantei e ela acenou com a cabeça, incentivando – Yes I swear it's the truth, And I owe it all to you – continuei me esforçando para manter as notas que ela tocava no piano.
Ficamos ali várias vezes repassando a música, arrumando essa ou aquela nota, um ou outro trecho, até chegarmos ao que consideramos satisfatório para ambos.
_ Acho que poderíamos mostrar pro Mr. Schue amanhã, talvez ele goste. — ela disse colocando uma mecha do cabelo nervosamente atrás da orelha.
_ É, talvez. – concordei, me perdendo em seus olhos. Ficamos ali por alguns segundos até ouvir a porta bater com força e uma voz gritar.
_ CHEGAMOS MEU POVO! – gritou Quinn, cambaleando pelo corredor toda alegrinha – Oi gente! Ah, desculpa. Atrapalhei alguma coisa? – perguntou parecendo um pouco embriagada.
_ Atrapalhou a noite de todo mundo. – disse Puck aparecendo sem camisa e a pegando pelos ombros – Já chega loira, direto para cama... Ah, atrapalhamos alguma coisa mesmo?
_ Não. – apressou-se em responder Rachel – Quinn está bem? – perguntou apontando a loira que parecia dormir em pé.
_ Ela e Britt descobriram algo chamado “Coquetel de Cereja”. – explicou ele – E eu descobri que as identidades falsas que fiz funcionam.
Puck P.O.V
Logo depois do grito da Quinn no restaurante, acho que deu a louca nela. De repente ela e Britt começaram a pedir coquetéis de cereja e quando vi, já estavam embriagadas.
Seria legal vê-las competindo quem bebia mais, só que o pessoal não tava curtindo e quando a coisa começou a ficar tensa, resolvemos pagar a conta e pegar nosso bonde. Ao invés de sumir com Kitty, preferi voltar para ficar de olho na Quinn. Não que eu me importe com ela, é claro.
Assim que descemos dos carros, Quinn começou a pular que nem um flamingo e logo esbarrou em mim, fazendo Sam ficar de cara feia enquanto ela ria.
_ Eu levo ela pra cima cara, relaxa. – eu disse, quando ele se aproximou. Ele ia revidar, mas a loira soltou todo o macarrão ingerido a pouco na camisa dele.
_ AI MEU DEUS, QUINN! — ele gritou, puxando a camisa para que não grudasse no corpo.
_ Desculpa. – pediu ela rindo, antes de virar e vomitar bem em cima de mim.
_ MAS QUE MERDA! — eu gritei, tirando a camisa o mais rápido que pude. Quando me vi livre da peça, olhei de novo e só vi Quinn entrando em casa toda tonta. Larguei a camisa no chão e entrei atrás dela.
Tivemos uma "conversa" toda tensa com o Finn e a Rachel, e quando a olhei de novo, tinha dormido em pé encostada a mim. Resmunguei um tchau para os dois dentro da sala de música e peguei a loira no colo com cuidado, me perguntando onde estava o Sam. Provavelmente tinha ido pro banheiro se lavar, já que o estrago nele foi bem pior do que eu mim. Acho que também tinha que me despedir de Kitty, mas bom, ela se vira.
Entrei com Quinn no vestiário feminino, sentando-a na bancada e pegando um pouco de água. Molhei uma toalhinha e passei em seu rosto, tirando todos os vestígios de vômito enquanto ela ainda estava bem tonta de sono. Lhe dei a escova de dentes e ela fez a higiene bucal quase morrendo em cima da bancada enquanto eu me limpava.
_ Isso é pra aprender a se embebedar bobinha. — falei pegando-a no colo de novo e levando seu corpo até nosso quarto.
_ Você faz parecer que é legal. — ela disse grogue e eu sorri.
_ É legal pra mim, que sou acostumado. Você é uma garota, milagrosamente, certinha de Nova York e tem muito a aprender nos próximos dois anos e meio. – eu disse, deitando-a e puxando as cobertas para cima do seu corpo.
_ Eu to... Tentando. — ela sussurrou, antes de bocejar e apagar geral. Sorri e lhe dei um beijo na testa.
_ É claro que está. — falei ainda sorrindo e caindo na cama com a calça jeans, para adormecer logo em seguida.
Kitty P.O.V
Na manha seguinte nos reunimos para tomar café, todos comentando o ocorrido na noite anterior.
_ O melhor foi o Puck largando a Kitty para ir socorrer a Quinn. – contou Santana em voz baixa para Marley, que riu baixinho junto de Sebastian. Malditos perdedores.
A escola foi um tédio como sempre. O mais “emocionante” foi o coral, onde Finn e a baixinha irritante fizeram um dueto de “Time Of My Life”. Foi bem tedioso, mas fofo e todos gostaram. Então ficou decidida como música de abertura nas Seletivas.
Em casa, enquanto Mercedes, Tina e Mike, os encarregados do dia, faziam o jantar, a galera aproveitou a piscina. Sebastian e Santana estavam no maior pega dentro d’água e isso me incomodou. Algo nesse mané me excita, talvez o fato de dividirmos o quarto e eu ter acesso a sua privacidade.
Foi então que decidi que aqueles dois precisavam acabar. Kitty Cat quer um churros, e é desse loiro de olhos claros com peitoral de deus grego.
_ O que acha, Kitty? — perguntou Quinn do meu lado. Ela estava deitada encostada no peitoral do Sam depois deles terem feito as pazes pela noite anterior.
_ Do que? – perguntei confusa.
_ Das músicas... Eu falei que a gente tem que tentar escolher músicas mais agitadas. Ou que nós possamos deixar mais agitadas. – ela explicou e eu pensei por alguns momentos.
_ Bom, certa vez ouvi uma versão de Lovin’ Touchin’ Squeezin’ com Any Way You Want It do Journey que ficou bem legal. Acho que os meninos conseguem recriar. – sugeri e os dois sorriram.
_ Boa... – concordou Sam, chamando a atenção de todos e propondo a música. Todos concordaram e ele foi para dentro com os meninos, trabalhar na sonoridade.
_ Kitty, vem ajudar. – chamou Sebastian da porta e eu sorri. Tudo para você Apolo.
Kurt P.O.V
_ E é por isso que Patti LuPone é mais perfeita do que Barbra Streisand. – conclui.
_ Ah não mesmo. Streisand é bem melhor! Só porque a Patti LuPone tem um alto mais agudo não quer dizer que seja melhor que a grande Barbra! Eu gosto da Patti, mas compará-la com minha, eu diria, mãe de coração, Barbra. — discursou Rachel e eu me sentia com cada vez mais sono e tédio.
_ Nisso eu concordo com Kurt. Patti LuPone é melhor. – disse Blaine. Estávamos no meu quarto porque Blaine estava com um pouco de labirintite, então não podia ir pra piscina. Rachel não queria pegar sol por alguma frescura. E eu só não estava muito no clima.
_ Affe, vocês não sabem de nada! — exclamou Rachel, levantando e saindo na sua melhor pose crazy diva. Assim que a porta se fechou atrás dela, eu olhei para Blaine e começamos a rir.
- CONSEGUIMOS! — ele exclamou e eu ri, batendo hi-five.
Notas finais
N/W: Nem me culpem, a demora foi da Clara UHAHUAHUAHUAHU Brinks. Espero que gostem desse capítulo, é um dos meus favorito, de verdade.
Bom, até quarta ou sexta, não sei ao certo como vai se desenrolar a semana.
Mil beijos ;@
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