A Herança Do Pecado
1 Lembranças em um funeral
2013. Pássaros voam dando início a uma manhã fúnebre e chuvosa. Um cortejo fúnebre segue rumo ao cemitério. O ar de falsidade reina. Há pessoas das mais diversas classes sociais, sentimentos, corações, mentalidades. Á frente do cortejo está a "viúva negra" Victória Gusmão, com seus ares de sofredora pela morte do marido Gabriel. Ela é consolada pelos ingênuos e hipócritas. Seu genro preferido, Marcos Junqueira, faz as vezes de um político em época eleitoral com os demais participantes do enterro. Sofia, ao lado dos pais Maria Clara e José Pedro, observa indignada tanta promiscuidade. José Pedro chora, abraçado a Maria Clara, a morte de seu pai. Terna, Sofia se aproxima do caixão e atira um punhado de terra.
SOFIA: Descanse em paz, vô. O senhor foi um grande homem. Que Deus o acolha de braços abertos. Que assim seja.
Sofia é fitada pelos olhos pérfidos de Victória Gusmão. O corpo de Gabriel é enterrado, as pessoas começam a deixar o cemitério, Victória, quase indiferente, senta-se no túmulo:
VICTÓRIA: Descanse em paz no inferno e leve consigo toda sua pobreza, que já dela não preciso mais! Velho decrépito!
A viúva negra se levanta, deixa escorrer uma lágrima e faz o sinal da cruz. Em voz alta, diz:
VICTÓRIA: Que Deus o acompanhe, meu amor. AMÉM! – vocifera, olhando cruelmente para sua neta espírita. Como pode a rainha da paróquia São João Batista ter uma neta entregue ás prevaricações mundanas de religiões pagãs? Essa explosiva troca de olhares entre avó e neta rebobina o calendário.
Prédios de São Paulo. Pessoas andam apressadas, carros andam naquela confusão. Janeiro do ano de 1993. Maria Clara trabalha no escritório administrativo de uma empresa de carnes. Mas recentemente formada em Arquitetura e Urbanismo, planeja deixar o emprego e as humilhações que sofre na mão de seu gerente, Marcos Junqueira, para abrir seu próprio escritório de arquitetura e urbanismo. Maria Clara deixa o elevador rumo a sua sala, e lá encontra Marcos Junqueira apreensivo.
MARCOS: A vida não é uma festa, dona Maria Clara.
MARIA CLARA: Sim senhor. E com todo respeito, por que o senhor decidiu fazer demagogias filosóficas no meio do expediente? Algum problema?
MARCOS: A senhorita sabe que eu, como superior a você não só aqui como também como ser humano...
MARIA CLARA: Acho que...
MARCOS: Cala a boca. Eu estou falando e você me deve respeito. Não é muito difícil ser superior a uma mulherzinha vulgar e pobre, que sequer sabe se vestir bem. O que tem de chamativo? É quase uma machinha. Esses trapos bregas, essa falta de cuidado te deixam ridícula. E você acha mesmo que dando o golpe do baú naquele pé rapado do José Pedro, só porque ele é meu cunhado, vai conseguir algum beneficio?
MARIA CLARA: José Pedro?
MARCOS: Já não engoli essa historinha de você comprar roupas na loja da minha mulher. Sua amizade com a Margarida não me desceu. E agora ataca o irmão dela? Sabe o que me consola? Ele é tão incompetente, tão fraco, tão desgraçado que só vai ter uma vida miserável mesmo ao seu lado. O meu dinheiro jamais vai contribuir em nada pra vida vazia de dois vadios como vocês. Eu lamento pelo que você é. Agora sai da minha frente.
Maria Clara, perplexa, sai quase chorando do escritório de Marcos.
MARIA CLARA: Mas pera... o que ele falou sobre o Zé Pedro? Golpe do baú? Ele é meu amigo...
Uma secretária passa e abraça Maria Clara.
SECRETÁRIA: Amiga, sem essa carinha de choro. O Marcos tá mesmo com a macaca hoje. Ele é mal-amado, não liga não. Você está de férias, já deu o horário, sai, aproveita o fim do expediente. Vai passear, tirar isso da cabeça...
Maria Clara passa pela garagem e apanha seu fusca. Na saída da empresa, porém, encontra Victória Gusmão, que a encara com desdém, mas não obtém sua atenção.
Victória conversa com um homem: Fez o que eu te pedi?
HOMEM: Sim, senhora. E o meu dinheiro?
VICTÓRIA: Que dinheiro? Já te paguei, filhinho.
HOMEM: Pedi seu adiantamento.
VICTÓRIA: Você não se enxerga não? Aposto que nunca fez um serviço decente. Aliás, nem serviço uma ratazana novinha dessas já deve ter feito. Detesto trabalhar com gente que tá começando... (diz a vilã, enquanto apanha dinheiro em sua carteira, entregando ao rapaz). Toma, agora some daqui, que só de respirar o mesmo ar que a classe assalariada já sinto manchas surgindo na minha pele. Preciso marcar uma limpeza na minha cútis de pêssego o quanto antes. Filhinha, chamou o Marcos Junqueira?
SECRETÁRIA: O Dr. Marcos não está pra ning...
VICTÓRIA: Querida, não perguntei o estado de espírito do Marcos. Eu apenas disse que eu quero falar com o meu genro, eu fui perfeitamente clara.
Num casarão não muito longe dali, Margarida sai de um quartinho com um rapaz.
MARGARIDA: Então você traz semana que vem todos esses pedidos da lista, Ricardo. Não quero cliente reclamando na minha orelha.
RICARDO: Farei como sempre, minha bela flor do campo. Agora preciso ir.
Ricardo beija a mão de Margarida e se retira. Tereza bebe uma xícara de café e assiste ao Vale a Pena Ver de Novo.
TEREZA: Margot, vem ver a novela. Depois você trabalha mais. Deixei o Arthur brincando com a Melina e o Júnior, tem problema?
MARGARIDA: Nenhum, Tê. Aliás, é até bom que as crianças brinquem e se distraiam um pouco.
TEREZA: Você também tem que se distrair, tava lá tratando de negócios com esse Ricardo até essa hora.
MARGARIDA: E que negócios... mas você tem razão. Desliga essa TV, vem aqui no meu quarto que eu quero te mostrar umas semi-joias incríveis que eu comprei pra minha loja.
Margarida pega ternamente na mão de Tereza e a leva até seu quarto com uma maleta nas mãos. Tereza sorri para o filho ao vê-lo brincando com Melina. A menina e Junior são ignorados por Margarida.
Lurdes e Clara estão na estrada, a jovem dirige e conversa com a mãe.
LURDES: Estou tão ansiosa pra levar essas tortas pro bingo comunitário que vai ajudar o centro assistencial espírita, filha...
MARIA CLARA: Também não vejo a hora mãe.
LURDES: Fazer o bem é tão bom...
MARIA CLARA: Mãe, sabe o José Pedro?
LURDES: Sei sim, filha, o que tem?
MARIA CLARA: Ah, sei lá, o meu patrão veio falar cheio de arrogância pra cima de mim hoje umas coisas estranhas sobre ele. Parece até que ele estaria a fim de mim...
LURDES: Esse rapaz te olha diferente mesmo. Mas esse Marcos não se emenda. Não dê ouvidos a esse canalha, filha. Ele não vale a pena.
MARIA CLARA: Nem ligo, mãe. Ele é digno de pena.
LURDES: Eu sei filha, mas... CUIDADO!
Um caminhão vem com tudo na direção do fusca de Maria Clara, que tenta desviar, mas bate violentamente o veículo.
Enterro de Lurdes. Roberta chora copiosamente. Sua filha Juliana está nos braços da avó paterna. Francisco se aproxima de Roberta com uma flor.
ROBERTA: Se veio aqui pra me torturar ainda mais, pode ir embora... acho que já tô sofrendo demais com a morte da minha mãe, não tá dando pra notar?
FRANCISCO: Só quis deixar minha última homenagem a essa pessoa incrível que foi a dona Lurdes. E prestar minha solidariedade a essa pessoa extraordinária que é a filha dela.
ROBERTA: Pessoa extraordinária que pra você teve bem menos valor que qualquer piranha mais atraente ou mais rica lá de Maringá, não é Francisco? Eu era uma caipira pobre filha do velho careca da maria-fumaça. Agora eu tenho dinheiro, eu estudei, eu sou alguém, eu trabalho num banco. Sou gerente. Agora você quer alguma coisa não é?
FRANCISCO: Não é isso, você nunca me deixou explicar direito as coisas. Eu sempre fui rico, que interesse ia ter em te trocar por uma mulher rica? Se você não tivesse conseguido subir na vida, eu me casaria com você por amor e não deixaria te faltar nada nunca. Mas com ciúme bobo, você preferiu agarrar o Luiz assim que a gente desceu daquele ônibus. Levou a sério aquela história de que se vingaria de mim se casando com o primeiro otário que aparecesse, já que eu estaria supostamente namorando a Renata.
ROBERTA: Chega, chega. Quem vive de passado é museu. Olha a aliança no meu dedo esquerdo, olha a minha filha ali no colo daquela mulher. Aquela mulher é avó da Juliana, e ela não é sua mãe. Você perdeu a chance de um dia ser chamado de pai por um filho meu.
FRANCISCO: Não que seu marido mereça isso. Onde tá o canalha?
ROBERTA: Canalha porque me mereceu melhor que você?
FRANCISCO: Cê tá brincando, Robertinha? Você sabe que o cara te chifra com qualquer vagabunda, passa a noite na farra, cai de bêbado por aí, nem emprego fixo esse infeliz tem. Que tipo de amor de pai ele dá pra essa menina?
ROBERTA: Eu prefiro assim. Pelo menos as pessoas pensam que somos um casal feliz. E a Juliana não precisa saber que o pai dela não presta. Eu tenho dinheiro, posso comprar até um pai novo de aluguel se ela quiser. Com tudo que vou dar pra ela, com tanta roupa, tanta viagem, escola boa, cursos, balé, piano, inglês, coisa que eu nunca pude ter o luxo de possuir na minha infância ela nem vai notar que o pai dela enche a cara e come qualquer vadia por aí...
FRANCISCO: Tu ainda vai se arrepender disso, Roberta. Mas eu sempre vou estar esperando por você.
ROBERTA: Você tá noivo daquela safada da Regina. Não me faz de boba não. Eu não nasci ontem.
FRANCISCO: Seu marido agora tá na cama com alguma vagabunda. Nem no enterro da sua mãe ele veio. Tu quer ir comigo lá no hospital dar uma força pra Maria Clara ou não?
Hospital. Maria Clara chora muito, totalmente imobilizada, costelas e nariz quebrados. O que mais lhe dói é sua alma, em pedaços.
MARIA CLARA: Eu matei a minha mãe...
No elevador do hospital, no entanto, o que não está morta é a paixão que une Roberta e Francisco. Os dois se beijam intensamente, sendo flagrados por uma enfermeira quando a porta se abre. Ela os fita, indignada.
Flashes. Solitária na casa em que vivia com sua mãe, Maria Clara é tomada por uma depressão constante em pleno carnaval. José Pedro aparece lá com alguns amigos e tenta animar a amiga de todas as formas possíveis.
JOSÉ PEDRO: Vem com a gente sair, rir, se divertir um pouco. Você, no fundo, sabe que sua mãe tá num lugar legal agora, que um dia você vai ver ela de novo e que ela não quer que você fique sofrendo por algo que ela já te perdoou.
MARIA CLARA: Mas eu não tô com cabeça pra festa.
JOSÉ PEDRO: Com cabeça pra ficar em casa remoendo tanta tristeza? Vem comigo, tira seus pensamentos desse sofrimento só um pouquinho? Me deixa ter a oportunidade de fazer você feliz essa noite.
MARIA CLARA: Tá bom vai, você me convenceu (ela esboça um sorriso).
FESTA DE CARNAVAL. Os amigos de Zé Pedro deixam ele e Clara a sós. Pedro diverte Clara um pouco, e ela come uma maçã do amor.
PEDRO: Consegui te fazer feliz por essa noite.
CLARA: Haha, parabéns. Ou obrigada... você foi incrível.
Começa a tocar a música Infinita Highway.
CLARA: Olha, Engenheiros... haha.
PEDRO: Deixa eu te fazer feliz por mais noites...e mais e mais noites.
Os dois se beijam apaixonadamente.
PEDRO: Tá ouvindo? Essa é nossa música a partir de agora.
Os dois trocam outro beijo.
Flashs.
PEDRO: Vem morar comigo na casa da minha mãe. Lá é grande e espaçoso. E vai ser só por um tempinho. Até tu estar totalmente recuperada, te ajudo a montar teu escritório de arquitetura.
CLARA: E seu emprego na empresa de carnes? É pra sempre?
PEDRO: Nada é pra sempre.
CLARA: E a casa da minha mãe?
PEDRO: Vende... O dinheiro da venda vai te ajudar a montar seu escritório.
CLARA: É tão difícil me desfazer...
PEDRO: Você não me disse que seu irmão queria comprar? Tecnicamente nem vai ser uma venda... tu vai poder ir lá sempre que quiser.
*
VICTÓRIA: Essa caboclinha paranaense que você tanto despreza está grávida de um neto meu. Sangue do meu sangue. Será um Gusmão. E eu exijo que você se coloque no seu lugar.
MARCOS: Essa joia que tá nesse seu pescoço de víbora foi comprada com o meu dinheiro.
VICTÓRIA: E quem fez o favor de te ajudar a crescer na vida, tirar a pobre diaba da sua mãe da prostituição fui eu. Então antes de tentar controlar meus adornos, controle a sua existência. Você é insignificante. Um rato que eu posso esmagar a qualquer momento. Um verdadeiro filho da...
MARCOS: VICTÓRIA! Contenha-se!
VICTÓRIA: Gosta de rebaixar os outros? Pois contra o meu neto você não vai fazer nada seu verme.
MARCOS: Não sabia que você ia receber tão bem o filho da filha da Lurdes.
VICTÓRIA: Cala essa boca! Aqui dentro da minha casa você não fala esse nome nunca mais. Ninguém vai saber que eu conhecia aquela mulher, você tá me entendendo?
MARCOS: Tantas ameaças... o que eu ganho com tudo isso?
VICTÓRIA: A minha gratidão. Te garanto que ela é valiosa. Mais valiosa que os remedinhos que você toma pra dar conta da minha filha, seu inválido. Eu te jogo no mesmo esgoto da onde eu te tirei, Marquinho.
MARCOS: Não tenho mais medo de você.
VICTÓRIA: Seria ótimo que tivesse. Pro bem do seu próprio pescoço.
MARCOS: Quero ver por quanto tempo você suporta a caboclinha lasciva aqui na sua casa se fingindo de sogra agradável.
VICTÓRIA: Você deveria saber que eu sou praticamente um poço de paciência. Se tem uma coisa que eu sei fazer é conviver harmoniosamente com gentalha quando me convém.
MARCOS: As ações já estão pro seu nome...
VICTÓRIA: Ótimo! O dinheiro daquelas notas superfaturadas vai ter que ser generosamente repartido entre nós dois, senão você vai pagar um preço bem salgado por essa carne.
MARCOS: Competência é meu sobrenome.
VICTÓRIA: Assim espero. Assim eu quero. E assim eu adoravelmente te desprezo... Rato!
Os dois sorriem e se encaram.
*
Final de janeiro de 1994. Em parto cesariano em uma clínica particular, Maria Clara dá á luz uma menina. Ela chora emocionada ao abraçar a filha pela primeira vez.
CLARA: Sofia, minha Sofia... Minha filha! Finalmente você tá comigo, meu amor!
Olhares pérfidos de Victória Gusmão nos corredores do hospital.
Flashes acompanham a infância de Sofia. Na escola, ela é perseguida.
MENINA: E aí nerdzinha? Vai passar as tarefas de matemática pra gente ou vamos ser obrigadas a te darmos uma lição?
Sofia é desprezada em reuniões de família.
VICTÓRIA: Júnior e Melina são crianças encantadoras, os orgulhos dessa família.
TEREZA: Sofia também é linda...
VICTÓRIA: Nunca tive paciência pra gente apática. Criança ou adulta, se é uma songa-monga quando pequena, dificilmente se torna algo importante depois de adulta...
Sofia ajoelhada no milho.
VICTÓRIA: AJOELHA NESSE MILHO, GAROTA INSOLENTE!
SOFIA: Mas vó...
VICTÓRIA: Sem mais nem menos... Respeita sua avó. Você adora louvar ao capeta, agora louve ao milho.
SOFIA: Louvar ao capeta? Você é maluca... Eu tava vendo desenho. Aquilo lá não tem cada a ver com isso... é só desenho...
Victória esbofeteia Sofia.
VICTÓRIA: Cala sua boca. Menina insuportável! Me respeita...
Sofia é alvo das perseguições de Juliana.
JULIANA: Olha essa boneca linda que minha mãe comprou. Fala, anda, tem um guarda-roupa super fashion...
SOFIA: Nossa, que linda, vamos brincar com ela? Eu posso ser a...
JULIANA: Alguém te ofereceu alguma coisa garota? Cresce e aparece. Antes de querer trocar minhas bonecas com sua mão de porca, usa uma roupa mais decente, menina chata.
ALLAN: Ju, chama a Sofia pra ir na festa que vai ter.
JULIANA: Acha que essa pirralha lá tem idade pra ir em festa? E ainda mais em festa pra gente que nem nós. O máximo que essa filha de bebum conhece é churrasquinho de gente cafona no domingo. Deus que me livre.
SOFIA: CALA SUA BOCA! EU VOU TE MATAR, SUA RIDÍCULA!
Sofia puxa o cabelo de Juliana, que grita:
JULIANA: Socorro! Essa idiota quer me bater, mãe! Socorro, mãe!
2009...
Sofia estuda bastante na escola. Vai em festas com seus amigos. Namora um rapaz de sua sala de aula.
2010...
Maria Clara trabalha em projetos de restauração de casas. Margarida agora tem uma loja de doces e encontros com fornecedores muito suspeitos. Sofia decide estudar Jornalismo. Todos os dias após fechar sua oficina mecânica, José Pedro vai beber no bar, para desgosto de Maria Clara e Sofia.
2011...
Maria Clara anuncia que poderá pagar cursinho para a filha se for necessário. Sofia tem sua primeira noite de amor. Juliana passa no vestibular para Engenharia Civil e começa a transar com Danilo, o garoto mais rico, bonito e popular de seu curso. Roberta lhe dá um carro.
2012...
Margarida pensa em abrir um salão de beleza e fechar sua loja de doces. Melina faz seu primeiro aborto, do namorado Diego. Júnior se casa com a interesseira Beatriz. Embates são frequentes entre Victória e Gabriel, seu marido. Sofia arruma emprego de garçonete num café. Luiz flagra Roberta mandando um e-mail de amor para Francisco e manda a mulher ir embora de casa. Juliana chama a mãe de ordinária e leva um tapa.
2013...
Sofia passa no vestibular, mas a USP é distante e ela aluga um apartamento com seu salário perto do campus. A despedida dos pais é dolorosa. Durante violento embate com Victória, Gabriel perde a paciência e empurra a esposa. Ela atira um vaso na direção do marido, que segura o objeto. Victória dá um tapa no peito de Gabriel, a beira da janela, e ele cai, morrendo.
VICTÓRIA: Pobre homem... enfartou e perdeu o equilíbrio. É isso que o Dr. Celso vai dizer, afinal esse meu anel de rubi vale essa versão da história, não é mesmo?
Enterro de Gabriel. Sofia sai do cemitério acompanhada dos pais. Victória entra em seu carro, mas é barrada por Marcos:
MARCOS: A gente tem que conversar, Victória.
VICTÓRIA: Agora não... Não vê que eu estou indo pra casa aproveitar minha viuvez?
MARCOS: Cala a boca que a coisa é séria... a casa caiu, viúva negra. Pra nós dois.
Victória o fita, apreensiva, mas tão firme quanto diabólica. Congela.
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