A Hóspede
31 O ruivo misterioso
Notas iniciais
–Vocês se conhecem? –Perguntou Ino também depositando uma vasilha com arroz na mesa de centro.
–Nã...
–Ela foi lá na farmácia ontem. –Prestava atenção, prestava muita atenção a conversa. Ao ver o semblante de susto que Sakura adquiriu ao bater o olho do moço, me senti desconfortável, de certa forma excluído da hostilidade que pairava entre os dois.
–Foi à farmácia ontem Sakura? –Perguntou Ino, desconfiada. Antes que Sakura pudesse responder, Hinata chegou toda animada com garrafas de vodka.
–QUEM QUER UMA ‘ÁGUA-QUE-GATO-NÃO-BEBE’?!!!!!!!!
–EU!!! –Naruto, todo idiota, se ergueu e pegou uma das garrafas da morena.
–Vodka com janta?! Ficou louca Hinata?! –Bronqueou Ino.
–Por que? É proibido? –Perguntou a desafiando.
–A tradição é vinho!
–Eu sou judia. Nem deveria estar comemorando natal. Ou seja, a tradição é um particular seu, eu e o Naruto... –Olhou para o loiro, deslizando as mãos pálidas por suas costas. -...vamos beber vodka!!! –Não tinha como não rir dela. Ela parecia estar louca, chapada. Falava com uma animação exagerada e Naruto, todo doido, acompanhava seu ritmo de felicidade extrema.
–Você me envergonha. –Comentou Ino se sentando ao lado do ruivo, nervosa. –Meninos, me desculpem por surtar, é que essas duas me dão mais dor de cabeça do que tudo!
–Eu estou quietinha! –Manifestou-se Sakura, pegando um prato e se servindo com um pouco de arroz, batata cozida, salada e milho verde com molho branco. –Pegue Sasuke! –Me estendeu um prato. –Sem inibições! Por favor! –Aceitei. Peguei um pouquinho de tudo para não fazer desfeita e comi tudo rapidamente. Estava tudo muito gostoso, sinceramente. O que não me agradou muito foi ver a Hinata e o Naruto flertando enquanto comiam as coxas do falecido peru, se banhando de vodka, entorpecendo-se sem o menor indicio de lucidez. Uma coisa era certa: eu não iria carregar Naruto nem fudendo!
–Você está muito calada. –Comentei no ouvido dela. Ela riu.
–Sou assim mesmo. –Explicou brincando com os cabelos exóticos.
–Essa não é a Sakura que eu conheci. –Falei por fim.
–Aquela era a Sakura no seu mundo, aqui fora as coisas são diferentes.
–Então você foi falsa?
–Pelo contrário. Fui verdadeira demais, mostrei minha verdadeira face, meu verdadeiro eu, mas tudo porque ali achei espaço para fazê-lo, aqui, nesse palco, os holofotes se concentram em quem se destaca e eu não estou nesse nível de grandeza. –Falou mexendo levemente a água da sua taça. Achei estranho ela estar bebendo água, que eu saiba, ela é louca por vinho e tinha duas garrafas bem na frente dela. Ignorei.
Porém, algo que me deixou inquieto foi a ansiedade que ela demonstrava ao apenas ligar seus olhos nos dele. Havia algo de errado com os dois. Seria um romance? Ela me disse que não, que não tinha nada a ver com isso, mas e se estivesse mentindo? Tecnicamente, não somos comprometidos(ainda), ela está livre e desimpedida para ficar com quem deseja, mesmo essa idéia sendo dolorosa para mim. Pelo que entendi, ninguém deveria conhecer o ruivo, mas este reconheceu Sakura. Ele disse que ela foi na farmácia. Ino não sabia que Sakura fora na farmácia ontem. Hinata propôs vodka com peru e acabou o assunto. Essa história está muito mal contada e algo me diz que não vou gostar de saber do final disso, embora seja necessário para alimentar minha curiosidade mórbida e a confiança que depositei na Sakura.
–Sakura.
–Hum?
–Você o conhece?
–Quem? –Perguntou tirando os olhos do sujeito e os depositando em mim.
–O Gaara. –Respondi arriscando errar o nome esquisito que o moço tinha. Ela ficou em silêncio um momento, o olhou rapidamente e pousou as esmeraldas de suas orbes em seus próprios joelhos escondidos por um grossa camada de linha.
–Não exatamente. –Respondeu tomando toda a água da taça.
–Não acredito. –Tomei em um gole o vinho que antes transbordava do cálice de cristal. Adquiri uma expressão séria e esperei uma resposta honesta.
–Então não posso mudar sua concepção.
–Pode.
–Como?
–Me diga quem é ele.
–Eu não o conheço, já disse.
–Me fala.
–Por que você quer saber? –Perguntou com uma leve irritação.
–Tem razão. –Concordei. –Você não me deve satisfações. Sou um estranho!
–Desculpa. –Falou preocupada, claramente arrependida das próprias palavras.
–Por que desculpa? Não me magoou nem me ofendeu, não há o que desculpar. –Realmente, aquilo não me afetou muito, já esperava essa reação, afinal, mesmo com o pouco tempo de convivência, sei perfeitamente que ela pode tornar-se agressiva sob pressão ou interrogatório. Falha minha não lembrar disso. –Eu pergunto à ele. –Ia me levantando para falar com o jovem dos cabelos de fogo, não era mais velho do que eu, também não parecia muito mais novo. Uns vinte e dois talvez?
–Não! –Advertiu apreensiva, para não dizer com medo. Isso me deixou mais curioso ainda.
–Pode largar minha camisa, por favor? –Pedi calmamente, com um sorriso.
–Eu te falo! –Sussurrou. –Mas não vá perguntar nada à com ele.
–Só preciso saber de uma coisa: ele é um ex seu ou algo do tipo? –Me sentei de volta.
–Não! Longe disso! –Olhou ao redor. Ino flertava com o ruivo, Naruto com Hinata, ambos os casais concentrados em como finalizar a noite com chave de ouro ou camisinha extra fina. –Vamos para outro lugar? –Concordei.
Notas finais
Comentem! Me instiguem! A história já está nas retas finais, mas posso cancelar a qualquer momento por falta de incentivo.
Obrigada!
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