A Hóspede
33 'Não me deixe!'
Notas iniciais
Agora me digam: quebrei algum recorde ou coisa do tipo?
Bem, espero receber a quantidade devida de review pelos capítulos porque são raras as fanfics que são atualizadas tão frequentemente como essa.
Não precisam de grandes comentários.
colem alguma coisa como.. sei lá... um coração ♥ kkkk ou qualquer outro nipe( ♦ ; ♣ ; ♠ )
grata desde já!
–Onde ela está? -Perguntei nervoso. Hinata estava na sala com o celular na orelha.
–Não sei, estou tentando ligar. –Respondeu estressada. –O que você falou para ela?
–Ela sabe dirigir?
–Sim, mas...
–Onde estão as chaves do seu carro? –Perguntei ao notar que no chaveiro não havia chave alguma a não ser na porta.
–Por que quer saber? –Perguntou sem paciência. Isso já confirmou a minha pergunta. Peguei meu casaco e a chave que estava no bolso, a chave do meu Sonata, e desci correndo a escadaria até o estacionamento. De longe pude ver a rosada correndo em direção à um Fusion preto. Chamei:
–Sakura!!! –Ela se virou e correu, destravando a porta do carro. Corri o dobro da velocidade dela, mas não cheguei a tempo, ela já entrara no carro e travara a porta. –Abre a porta! –Pedi batendo. Ela chorava, as mãos tremiam no volante e as lágrimas lhe banhavam o rosto. Só podia ler seus lábios dizendo ‘Sai! Sai!’. –Abre essa droga de porta Sakura!!! –Bati mais forte sem me importar se amassaria a lataria bem polida. Ela deu partida, saiu cantando pneu.
Fui correndo para o meu Sonata e fiz o mesmo, mas era impressionante a distância que ela já havia tomado de mim. Minha sorte é que não havia muitos carros na rua e os poucos que tinham não passavam de 40km/h, Sakura estava pra lá de 80km/h. Em toda esquina ela entrava no intuito de me despistar, mas eu continuava ali, segurando as rédeas em tempo que perder minha carteira de motorista pelas várias inflações já cometidas. Estávamos já na rodovia para a cidade vizinha, uma estrada curva, praticamente vazia e escura. Ela não hesitou em seguir em frente, foi bem na contramão e eu fui atrás, tentando alinhar nossos carro para poder conversar com ela, convencê-la a parar, mas ela só acelerava mais.
Desviava de todos os veículos, parecia voar, parecia não ter medo nem consciência do que fazia. Eu tentava ligar para ela do telefone, mas ela não atendia e o telefone já perdia o sinal, o que significava que eu já estava bem longe dos subúrbios de Ottawa. Comecei buzinar constantemente, chamar-lhe atenção, mas ela me ignorava. Quando eu já estava a alcançando, ela foi desviar de um Corolla que estava na nossa mão, mas logo quando o fez, vinha outro no sentido contrário e ela arrancou destemida, calculando o tempo certo para ultrapassar que, incrivelmente, deu certo, mas havia um porém: Ao mesmo tempo que ela ultrapassara o Corolla a frente, outro veículo ultrapassava o Citroën que vinha do outro extremo.
Brequei. Sustei. Tentei rever em minha mente o que acontecia. O Citroën passou por mim, o Corolla se jogou para o acostamento, e Fusion foi embora. Foi por cerca de meio segundo, até colidir com o carro a frente formando um estrondo tão brusco, tão severo que tive que piscar quatro ou cinco vezes para constatar que era real, que aquilo não estava acontecendo. A parte traseira do carro de Hinata se elevou por cima do outro que parou atravessado na pista, a poucos metros do meu carro, e o Fusion ficou lá, invertido, franzido, acabado e com a minha mulher ali dentro.
–Itachi... –Sussurrei comigo. Lembrei do acidente de nove anos atrás. Itachi capotou o carro. Lembro de quando vi a carcaça do carro virada na rua, exatamente igual como o carro dali estava.
Abri a porta, trêmulo, mal me sustentando sobre minhas pernas. Fui andando em pequenos passos em direção a ela, com um medo que jamais, jamais na minha vida senti. Com pouco ar no pulmão, olhos secos, boca aberta, prestes a libertar um grito de horror e desespero extremo. Não me pergunte como meu coração batia, não me pergunte como eu ainda respirava ou me mantinha em pé, porque eu não fazia idéia, não sabia nem o que eu fazia. Ao passar pelo outro carro atravessado na pista, o vejo explodir, sinto o calor das chamas em minhas costas, os cacos de vidro cravando na minha pele, mas eu não me importei. Caí. Fui sobre meus joelhos e palmas até o Fusion, chorando, incontrolável, inconsolável, completamente insano, cheio de temor e trauma.
–Mãe... –Sussurrei ao me aproximar, ao já ver no lugar onde deveria estar a janela, a cabeça de Sakura invertida, banhada de lágrimas, sangue e cinzas. Ela puxava ar, tinha os olhos vivos, inquietos, apavorados como um bicho engaiolado lutando para sobreviver. Senti uma pontada no coração, uma dor horrível, mas forte do que tudo que já senti. –Sakura! –Ela me mirou, assombrada fazendo um esforço agonizante para respirar. –Calma! Calma meu amor! Vai ficar tudo bem! Calma! Eu to aqui! -Fiquei repetindo isso enquanto tentava achar um jeito de tirá-la dali. Estava com medo do carro explodir como o outro e acabar de vez com ela.
Como o vidro estava quebrado, pude destravar a porta por dentro, me cortando um pouco com os estilhaços. Abri. Com uma mão fui em busca no fecho do sinto de segurança(que por sorte ela havia colocado) e com o braço livre apoiei seu corpo para que quando eu soltasse o cinto, ela não caísse e se machucasse mais ainda.
–Moço! Moço! Eu já liguei para a ambulância, eles estão vindo, deixe eles retirá-la daí! –Falou a senhora que dirigia o Corolla. O carro que Sakura ultrapassou. Essa senhora deu sorte, percebeu o resultado da coisa e já se jogou para o acostamento.
–E você quer que eu a deixe aqui? Sabe lá quando vai chegar ajuda! Essa carro pode explodir a qualquer instante! Eu não vou correr esse risco! –Falei nervoso, a agarrando no momento que tirei o cinto. Fiz o máximo possível para não encostá-la na lataria fragmentada do carro, consegui deixá-la ‘intacta’. A deitei ali no asfalto e tentei analisar seu estado que era péssimo.
Ela respirava com dificuldade e seus olhos que a pouco se moviam alarmados, tentavam se esconder sob as pálpebras avermelhadas. Cortes, hematomas, fraturas expostas... Ela estava de um jeito que jamais pensei que alguém pudesse ficar. Nem minha mãe ficou assim quando eu fui fazer o reconhecimento do corpo dela. Eu temia por Sakura, tremia ao vê-la daquele jeito, não sabia o que fazer, o que dizer, eu só queria uma prova de que ela ficaria bem.
–Sakura! Olha para mim! Olha aqui! –Pedia insistente, segurando seu rosto para de fronte ao meu. Toda vez que eu a soltava, sua cabeça caia para o lado impotente, me causando calafrios ao vê-la branda como uma boneca de pano. –Vai ficar tudo bem! Já ligaram para o resgate, eles já estão vindo cuidar de você! Agüenta firme! –Ela se esforçava para manter os olhos abertos e para se manifestar, mas a dor devia ser absurda, afinal, ela parecia ter quebrado vários membros. –Eu quero pegar um pouco da sua dor para mim. –Falei chorando, acariciando seu rosto surrado, ferido, enquanto segurava seus dedos magros e mortiços e beijava-os com todo o amor e carinho que eu podia demonstrar.
–Sasuke... –Murmurou com a voz esvaecida.
–Diga! –Falei chorando, tentando acalmá-la, quem sabe assim o oxigênio aliviasse seus pulmões.
–Não me deixe ir... –Rogou. Um filete de lágrima desceu por seus olhos verdes extinguidos. Ela puxou mais ar.
–Não vou! Não vou! –Assegurei lhe beijando a mão. –Eu prometi! Não vou te deixar! Você é meu anjo! –Eu chorava, desesperado, rezando internamente para Deus aliviar o sofrimento da minha pequena, do meu amor, mas já estava ficando sem esperanças.
Notas finais
Obrigada por acompanharem.
Boa noite!
.
PS estou pensando em cancelar a história por falta de review.
Comentem! Me instiguem! A história já está nas retas finais, mas posso cancelar a qualquer momento por falta de incentivo.
Obrigada!
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