A Hóspede

32 ‘Muito além do seu conceito!’


Notas iniciais
9º da noite (penúltimo)

Ela então me conduziu para o quarto da Ino, onde havia uma grande janela, grande mesmo que pegava do assoalho até um metro do teto. –Se importa de sentar no chão? –Sentei-me sem cerimônias. Ela encostou a cabeça no vidro bem polido e olhou a cidade agitada, coberta por um lençol denso de neve que ocultava boa parte do brilho das casas. Não havia mais lua, tudo neblina e uma brisa tão fria que chegava a ser capaz de congelar os olhos. –Não o conheço, Sasuke. –Começou. –O vi uma vez, ontem quando fui na farmácia. –Até aí, não tinha nada demais. Ela foi na farmácia e o viu. Ponto. Será que... Não. Não... Não não! Ela também montou em cima do ruivo da farmácia?


–E o que você foi fazer na farmácia? –Bem, essa pergunta não é decente, principalmente para mulher. O que uma mulher faz numa farmácia? Compra remédios anticoncepcionais, para dor de cabeça, dor disso ou daquilo, compra aquele bagulho que elas tem que usar todo mês, compra isso, aquilo e coisa e tal. Mas esse detalhe é importante. Já pensou ela me responder “Fui na farmácia transar com o cara ruivo.”. Eu morro de desgosto!


–Aí que tá o problema. –Pronto. Confirmada as minha teorias maldosas mas bem aplicadas. Os dois se foderam ferozmente em pleno estabelecimento, a coitada da Ino num sabia de nada(óbvio) e agora Sakura está sem graça com a presença de seu recém parceiro de cama.


–Acho que já sei.


–Sabe? –Perguntou assustada.


–Os dois...


–Sasuke!!! –Me chutou nos países baixos. Urrei de dor. –Acha que eu sou o que? Tá me estranhando? Acha que sou uma rapariga que sai por aí dando? –Achava até uns segundos atrás quando perdi meu membro mais precioso! –Não é nada disso! Já falei: não o conheço!


–Você também não me conhecia...


–Cala a boca! –Ri.


–Então por que essa aflição toda com a presença dele? –Perguntei fazendo esforço pois meu ‘amigo’ ainda latejava. –E qual é o problema? –Ela virou o rosto para a janela. –Me fala amor! –Ela sorriu e começou.


–Falei para as meninas que ia ver a decoração do quarteirão, mas ao invés disso, fui na farmácia. –Fez uma pausa e limpou as lágrimas que estavam prestes a cair. –Fui comprar um teste de gravidez. –Espera aí... –Comprei dois. –Não...


–Sakura... –Eu não estava acreditando.


–Eu estava nervosa!!! Desesperada!!! Ele veio fazer um comentário sobre as coisas que comprei e as vezes que voltei lá... Fiquei nervosa e mostrei o dedo do meio.


–O que ele disse? –Perguntei com a garganta meio travada, o corpo mole, os olhos pedindo para caírem e não serem despertos tão cedo.


Deu positivo, né? –E começou chorar. Minhas mãos tremeram. A brisa gélida não me afetava. Não podia acreditar naquilo que ouvia, mas continuei forte antes de sair por aquela porta e me soterrar vivo nos sentimentos mais perversos que um humano possa sentir.


–Qual foi o resultado? –Não sei de onde tirei forças para fazer essa pergunta. Acho que de Deus, mas Ele não deu forças o bastante para ela responder-me, talvez porque a resposta eu já sabia, já podia imaginar.


Não agüentei. Me levantei, meio que cambaleando e fui em direção a porta totalmente desnorteado. Eu não estava bem. Não estava nada bem! Precisava sair dali, ficar sozinho, quem sabe então esse desespero passe?


–Sasuke... –Chamou-me entre os soluços. A voz se perdera no choro. O brilho de seus olhos sumira junto. Não era a Sakura, era seus fragmentos. Não era seus pedaços que eu queria, queria ela completa, completa para mim não para um filho de um outro homem. –Me escuta!!! –Suplicou.


–Não há mais o que dizer.


–Mas Sasuk...


–Me dê um tempo! Por favor! Só te peço isso!


–É seu! –Me virei instantaneamente. Tentava me convencer de que ouvira errado, mas eu sabia que não, apesar de tudo foi bem claro. –Estou grávida de você Sasuke! –Disse com uma vergonha palpável, com um pedido de desculpas quase que chanfrado na testa. Frágil, quebradiça, com uma estrutura de um castelo de cartas prestes a cair com um sopro. Essa era sua imagem. Digna de misericórdia, de clemência.


Queria abraçá-la, segurá-la no colo. Ela cabia no meu colo, era pequena, delicada e moldada como uma boneca. Eu podia segurá-la, mas não o fiz. Fiquei ali, inerte, tentando ligar uma informação à outra, entender as palavras dela que afirmavam que em seu ventre residia um filho meu. Mas como? Como?! Transamos sim, umas três ou quatro vezes, não me lembro, mas uma coisa eu lembro: estávamos sem nenhum tipo de preservativo. Também tenho que dizer que isso não foi culpa da rosada pois ela exigiu camisinha em uma das vezes e eu neguei(não exatamente porque eu não tinha. Esqueci de contar que no dia em que Tenten fez a arrumação na minha casa e eu fui checar o serviço, achei uma cartelinha com três preservativos no armário do lavatório do banheiro. Não procurei por preguiça.).


Sabe, pensar que ela, minha ‘amada’, está grávida de um outro homem é mais desesperador do que saber o bebê é fruto meu. Não que eu fiquei feliz com essa notícia, fiquei uma ova! Estava assustado, completamente sobressaltado, melancólico com isto. Mas pior ainda do que vê-la grávida de outro ou de mim, é a possibilidade de vê-la mentindo. Não. Eu não iria amparar de jeito nenhum, afinal, que certeza eu tinha? Que provas? Que garantias? E é muita conhecidencia ela fazer o teste em um dia, eu procurá-la no outro e ela dizer que está grávida de mim. Alguma coisa está errada. E se ela Estiver dizendo isso porque quem a engravidou foi um cara sem termo e ela achou em quem se apoiar financeiramente e emocionalmente? Eu não deixaria ela me usar, usar uma criança para usufruir de minha compaixão(que não é muita).


–Meu? Está dizendo que está grávida de mim, um cara que dormiu duas ou três vezes? –Fui frio. –Sakura, se você quer ajuda, eu te darei ajuda. Eu já disse que estou apaixonado por você e, apesar disso não me instigar em nada, eu continuarei com você, não importa o preço que você custe.


–Como é que é? Meu preço? Acha que eu estou usando gravidez para conseguir dinheiro? Acha que estou aqui fazendo teatrinho para você sentir pena e me assinar um cheque cheio de zeros? Não quero nada seu!!! Não te pedi nada!!! Estou dizendo que estou grávida de você!!! Isso é pedir alguma coisa? Nem se quer uma resposta sobre isso eu te pedi, só te informei que daqui nove meses vai ter uma criança aí no mundo sem o sobrenome do pai!!!


–Como espera que eu confie na sua afirmação?! É a segunda vez que nos vemos e você já vem me dizer que está grávida!!! E se eu não te procurasse? Pra quem você diria isso?! –Ela me deferiu um tapa no rosto, calando minha boca no mesmo instante.


–Olha aqui, não sei o que você pensa que eu sou, mas vou deixando claro que estou muito além do seu conceito, que enquanto você acha que eu transbordo vulgaridade, eu ralo mais de 16h por dia para pagar minhas contas e as da minha mãe, que enquanto você só julga as pessoas e prega preconceito, você é composto por avareza e egoísmo!!! –Gritava, chorando. –Eu não preciso de misericórdia! Não preciso do seu dinheiro, de você... não preciso de nada!!! Você me perguntou qual era o problema, eu dei minha resposta: o problema é que estou grávida de você! Ponto! Se tem uma coisa que eu quero nesse mundo é que você saiba disso, que você tenha ciência disso! –Ino apareceu na porta do quarto com Hinata e os caras.


–Gente! O que está havendo?! –Perguntou a loira que já ia se intrometer, mas Hinata a segurou.


–Deixe!


–Minha religião condena aborto, se não eu já o teria feito pois principalmente agora eu sinto pena dessa criança por ser filha de um cara tão repugnante e tão baixo como você!!! –E saiu correndo do quarto, chorando.


–Oh, o Sasuke não é nada disso que... –Naruto tentou me defender, mas Sakura já havia se distanciado.


–A Sakura está...? –Perguntou Ino.


–Grávida. –Respondeu Hinata correndo atrás dela. Eu permaneci ali, imóvel, sem ação.


–Vocês não sabiam? –Perguntou o ruivo à loira que já se encontrava aos prantos em seu ombro magro e ósseo.



–Sasuke... –Naruto se aproximou com aquela expressão que dizia ‘Isso não está certo’. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, saí dali.


Notas finais
PS estou pensando em cancelar a história por falta de review.
Comentem! Me instiguem! A história já está nas retas finais, mas posso cancelar a qualquer momento por falta de incentivo.
Obrigada!