A Guerreira e o Demônio

1 A Guerreira e o Demônio


Há muito tempo, a Guerreira havia jurado derramar o sangue de um Demônio. Esse Demônio tinha fome e devorava tudo que se aproximasse. Era o nada encarnado. Tudo que passasse, era devorado, nada o satisfazia. Ele desejava apenas o nada, o abismo sem fim. A Guerreira também tinha fome. Tudo que ela desejava era matar tudo que aos seus semelhantes ameaçasse. Não tinha filhos, família, amigos, ou mesmo prazer, apenas o dever.

De espada longa e armadura (e nada mais), saiu pela floresta em busca de seu nêmeses. Ela passara três dias caminhando, vivendo apenas da floresta com sua sombra como fiel companheira. Então, pela primeira vez, ela sentira frio. Ocorrera naquele momento uma nevasca. Árvores, animais, tudo ao seu redor estava morto. Mas o mais morto de todos era um homem negro como a noite, de olhos prata mais frios do que o inverno, nu como nascera. Estava diante dela, encarando-a.

A fúria do Demônio era inconsolável. Aquele que sempre desejara o nada tinha um alvo que não sucumbira. Uma humana loira, de pele clara como a lua, de armadura prata, uma espada de aço negro e olhos azuis tão frios como os dele. Ambos atacaram, silenciosos. A Guerreira com a espada e o Demônio com o frio.

E por três anos, assim ficaram: os cortes não matavam o Demônio e o frio não matava a Guerreira. Foi então que viram o fogo do desejo em seus olhos: a Guerreira queria o Demônio e o Demônio queria a Guerreira. A cada dia, o desejo era mais intenso, a Guerreira esquecia o dever e o Demônio, o nada. E foi então que um dia, abaixaram as armas: a Guerreira consumira o Demônio e o Demônio consumira a Guerreira. E suas almas, assim se uniram no Abismo, a Guerreira tinha o Demônio e o Demônio tinha a Guerreira.

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