A Guerra do Alvorecer
25 What's going on?
Seguíamos a estrada sentindo ao acampamento meio sangue de Nova Iorque. Na minha cabeça pairava a escuridão, e no meio dela, eventualmente aparecia flashs do momento em que decapitei Jack. Eu sentia como se eu não fosse mais capaz de sentir compaixão ou bondade novamente. Era como se o momento em que eu já senti isso, não passasse de um sonho perturbado.
O sol nascia ao meu lado e seguíamos para o norte do estado enquanto o vento batia em meu rosto. Bianca Almeida estava à salvo, alimentada e com seus ferimentos curados por Martinato. Conseguimos salvá-la, nossa missão estaria cumprida quando voltássemos com ela para o Brasil. Mas isso não parecia fazer diferença para mim. Mas num lampejo de consciência eu consegui reagir e submergir daquela escuridão que a morte trazia.
Num sobressalto fui em direção ao painel do carro e liguei o rádio. Os primeiros acordes de violão da música que estava tocando já conseguiram me arrepiar. O mais engraçado foi perceber que aquela música havia tocado nós seis naquele carro.
"Twenty-five years and my life is still
I'm trying to get up that great big hill of hope"
Nos entreolhamos sem dizer nada.
"And so I cry sometimes when I'm lying in bed
Just to get it all out what's in my head
And I, I am feeling a little peculiar"
Eu sentia ao olhar nos olhos de cada um que apesar de tudo, estávamos juntos e sempre estaríamos.
" And so I wake in the morning and I step outside
And I take deep breath
And I get real high
And I scream from the top of my lungs
What's going on?
And I sing, hey, yeah, yeah-eah
Hey, yeah, yeah
Todos nós estávamos com lágrimas a escorrer em nossos rostos, mas sorríamos. Era um momento feliz, de união e apoio. Tínhamos um ao outro.
"I said, hey! What's goin' on?"
Era nós contra o mundo.
Nos últimos segundos da música ainda consegui ver seu artista e o nome dela no painel do carro. Era "4 non Blondes — What's up?". Agradeci aos deuses e gravei aquele nome na memória.
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