Conhece aquela expressão “Vi minha vida passar diante dos meus olhos”? Então, foi quase isso que aconteceu enquanto aquele porrete de madeira descia em minha direção e quando vi Léo no chão rendido na mira de outro porrete. Eu não esperava que nada fosse acontecer como nos filmes ou em contos. O Dan estava desarmado e ainda tinha outro ciclope pra ele dar conta, sem contar na distância que ele estava da gente, ele só pôde gritar. Então o inesperado aconteceu. Eu estava com as mãos na cabeça, como se fosse adiantar algo, e os olhos fechados. Antes de fechar os olhos e aguardar a morte vi Léo sentado no chão apoiado em um braço e o outro cobria seu rosto. Mas ai uma nuvem de pó cobriu nós dois. Mas como havia acontecido isso?

Tirei o excesso de pó que me impedia de abrir os olhos e vi Léo fazendo o mesmo. Nos levantamos e eu fui em sua direção – Está tudo bem? – E ele respondeu:

– Está tudo sim. Mas como aconteceu isso?

Eu não tinha resposta, mas me virando avistei no final da rua um cara com um arco de swordplay na mão, camisa do acampamento e calça preta. Minha visão estava embaçada e eu me sentia um pouco tonto, acho que por causa daquele jato de água que usei outrora pra derrotar um dos ciclopes. Dei uma piscada forte tentando desembaçar a visão e quando olhei novamente para a pessoa com o arco na mão tomei um susto – Marti? – Era assim que a maioria chamava Vinicius Martinato. Marti tem mais ou menos minha altura, pele e cabelos bem claros. Seu cabelo estava cortado bem baixo dos lados e atrás, e em cima estava penteado para trás formando um topete no cabelo inteiro. Ele se virou para o lado levantando um braço e chamando alguém. Logo em seguida veio em nossa direção. Eu e Léo fomos na direção de Dan e ao lado dele tinha um homem com pernas de bode – “PERA” – Gritei e parei de andar Léo parou junto e perguntou:

– O que foi Re?

Como assim “o que foi”? Léo, ao lado do Dan é um…Ele me interrompeu.

Sim, um sátiro. – Falou Léo

Não posso acreditar cara. Nosso sátiro veio nos buscar. – Eu pulava de alegria. Até ontem tudo isso era apenas uma saga de livros. E hoje um dos meus sonhos que eu julgava impossível, estava ali. Léo me olhava com uma cara estranha e com certa frieza no olhar. Ele estava assim desde que foi reclamado por Hades. Mas também não é pra menos, só de pensar na sensação que ele teve eu sinto calafrios.

Marti se aproximava e logo atrás dele vinha Thay, Giu, Gabi e Anna, que caminhava lentamente com Jujubs ao seu lado. Quando elas se aproximaram vi que Jujubs não mexia seu braço direito e havia um pedaço de pano laranja enrolado logo acima de seu cotovelo. Fui imediatamente até ela e perguntei – O que aconteceu no seu braço? – Ela começou a contar a história, mas Marti a cortou, pois ela tinha dificuldade pra falar. Então ele me explicou tudo, desde a hora que eles pararam numa lanchonete até agora. Eu já estava preparado pra tudo isso, mas eles mesmos ainda tinham dúvidas. Marti falava apressadamente e logo começou as perguntas:

– O que é tudo isso? De onde veio aquela coisa e esse… esse sátiro? Como eu consegui curar a Jujubs e o Matias? Como a Gabi transformou meu arco e minhas flechas em bronze celestial? PELOS DEUSES ME EXPLIQUEM! – Ele terminou com um grito e logo depois se desequilibrou e caiu, o sátiro conseguiu segurá-lo.

O medo e a confusão pairavam no rosto de todos. Então o sátiro falou:

– Precisamos sair daqui urgentemente e ir pra um lugar seguro.

Eu ainda esperava dele uma apresentação, então falei – Espere ai! Primeiro me fale quem é você que ai podemos conversar sobre sair daqui. – Ele fez um cara como se estivesse entediado e segurando o Marti com um braço me ergueu o outro e abriu a mão me cumprimentando e falou:

– Sou Matias. Enviado por Dionísio para levar vocês pro acampamento meio-sangue onde vocês estarão seguros para treinar e blá blá blá. Você já conhece essa historinha garoto. Agora vamos se não quiserem ser atacados por uma dezena de monstros. O cheiro de vocês, três filhos de dois dos três mais poderosos deuses do olimpo os atrai de longe.

Eu não tinha o que falar, apenas saímos apressadamente daquela rua. Marti nas costas de Matias e Jujubs nas costas de Dan. Ainda no começo do caminho que eu não fazia ideia de onde nos levaria eu falei – Espere! – Todos pararam – E os outros, Matias? Eles estão no Burguer King, e eu sei que lá tem mais semideuses e eles podem ser atacados á qualquer momento. – Eu queria ir pra lá pra ficar com os outros, então falei – Vá com eles pra esse tal lugar seguro que eu volto e depois você vem nos buscar. – Dan me apoiou e falou:

– E eu vou com você.

Léo concordou:

– Exato! Eu vou com vocês também.

Matias bufou e falou:

– E você acha que eu já não pensei nisso? DRRR. Fiquem tranquilos tem dois sátiros lá pra cuidar deles. Mas creio que nenhum foi reclamado ainda. Não sinto o cheiro. E o cheiro só dá pra ser sentido de longe quando são reclamados. Então apressem esse passo.

Fiquei mais tranquilo então fizemos o que o sátiro mandou, apressamos o passo e o seguimos.

Chegamos numa rua mais deserta do que as outras, apenas uma luz funcionava. Matias colocou Marti no chão e ainda o segurando deu dois tampinhas em seu rosto:

–Acorda filho do sol. Já chega de dormir. – Marti foi acordando aos poucos e Matias o apoiou num carro. Pegou Jujubs e a apoiou no mesmo carro. Os dois estavam exaustos e Jujubs ainda sentia dor no braço. Matias tirou a mochila das costas, abriu-a e tirou um pote transparente que tinha uma espécie de pasta verde. Pegou um punhado e virou-se pro Marti e falou:

– Coma, é ambrósia.

E assim Marti o fez. Ele virou-se pra Jujubs pra fazer o mesmo, porém ele hesitou, chegou mais perto dela e a cheirou e falou depois:

– Seu cheiro é estranho, garota. Mas tenho certeza que não é uma mortal comum. Então coma. – E deu a pasta em sua boca.

E assim ele fez com todos nós.

Depois de mastigar e engolir aquela coisa maravilhosa eu senti como se todos os músculos do meu corpo dançassem. Uma sensação de felicidade me preencheu, e percebi que isso aconteceu com todos. Depois de alguns segundos todos estavam rejuvenescidos. Jujubs conseguia esticar seu braço normalmente até a Gabi voltou pra seu estado normal. Matias deu uma risada olhou pro alto e disse:

– Deuses. Muito obrigado por terem inventado essa maravilha.

Agora ele se dirigiu ao meio da rua e deu um assobio tão alto que doeu em meus ouvidos. Falei em seguida – Você está louco, cara? Quer nos deixar surdo? – Ele me olhou por cima do ombro e deu uma risadinha.

Segundos depois vi uma nuvem de fumaça se formar no fim da rua á minha esquerda. Logo depois surgiu um carro branco, era um táxi. Ninguém estava entendendo nada, pra variar.

O táxi veio em alta velocidade em direção á Matias e ele não saia do meio da rua, então Thay gritou:

– MATIAS PULE!

Ele seria atropelado ali em nossa frente e eu não queria ver isso então fechei os olhos. Ouvi um barulho de freada e nenhum de ossos quebrando e cabeça batendo no para-brisa do carro, então abri os olhos. O carro tinha acabado de encostar no joelho do sátiro. Respirei fundo aliviado.

Matias foi até o lado direito do carro e a janela se abriu então pude ver um rosto com dois buracos escuros no lugar dos olhos. Era uma das Gréias da mitologia grega. São três irmãs filhas de Fórcis e Ceto, irmãs também das Górgonas, o que fazia as confundirem. As Gréias já nasceram velhas e apenas com um dente e um olho para as três usarem.

Foi uma surpresa pra todos claro. Mas nós já conhecíamos essa história. Matias tirou algumas moedas de ouro do bolso, eram dracmas, e as deu na mão da velha. Imediatamente as portas fizeram um “CLACK”, e se abriram. Matias olhou pra trás e nos chamou:

– Venham. Mas teremos que nos apertar é claro.

Como iria caber 10 pessoas no banco de trás de um carro que originalmente foi feito pra acomodar 3? Matias entrou primeiro no carro e em seguida Thay entrou e sentou-se ao lado dele. Quando eu fui entrando falei – Como assim, Thay? Você vai ter que sentar no colo dele – Thay balançou a cabeça e disse:

– No colo dele eu não sento nem ferrando.

O carro de repente deu uma acelerada e ouvi uma voz rouca á nossa frente falar:

– Anda logo garota, deixa de “mi mi mi”. Temos mais o que fazer.

Thay olhou com uma cara mortal pra mulher e eu falei – Anda Thay. Não enrola. – E bufando ela sentou-se em uma das pernas do sátiro e falou apontando o dedo na cara de Matias:

– Olha aqui seu bode sem raça. Se eu sentir alguma coisa eu juro que você nunca mais mija e nem faz filho. Eu juro pelo Estige.

Depois dessa última frase Matias fez uma cara de medo e eu dei risada. Fora do carro ouvi Léo dizer:

– Vixe sátiro. Trancou o cú agora né? – E deu uma risada maliciosa.

O Rio Estige se localiza no mundo inferior. Pra ele vão todos os sonhos e desejos dos mortos. Jurar algo em nome desse Rio pode nos trazer coisas horríveis para depois de nossa morte, caso não cumpramos o que prometemos. E até os deuses temem as consequências de jurar algo em nome do rio e não cumprir. E por isso o sátiro estava ferrado.

Entrei no carro e Anna se sentou em meu colo e Giu no colo do Léo. Ainda faltava o Dan, Marti, Gabi e Jujubs e não ia caber todos, o que me fez mandar Gabi ir pro porta-malas, já que era a mais magra de todos. E reclamando ela foi. Então Dan se sentou no ultimo espaço que faltava e Jujubs entrou e sentou em cima da perna direita do Léo e na perna esquerda do Dan. E pro Marti sobrou sentar no colo do Dan, o que eu sabia que ele ia reclamar:

– Sério isso? Eu não vou sentar no colo de um macho nem fodendo.

Todos começamos a rir, deu até pra ouvir Gabi rir dentro do porta-malas. Como Dan é o mais zuero de todos ele não pode perder a piada:

– Vamos Marti, eu sei que você quer sentar no colo do negão aqui.

Depois dessa as gargalhadas foram altas, até mesmo as Gréias que estavam impacientes riram.

E esse foi jeito de irmos pra onde quer que fosse.

Antes de dar a partida começou uma discussão entre as irmãs de um olho só pra saber quem ia ficar com o olho pra dirigir. Como eu já conhecia essa história, falei – Ei as três ai. Eu conheço bem essa história de briguinha pelo olho e com isso vocês vão nos matar em quanto dirigem. Então se decidam logo antes de começar a dirigir. – Falei com o tom firme na voz.

Porém começou uma longa briga que durou cinco minutos até que Giu falou firme:

– Parem! – E todos do carro pararam pra ouvir sua voz que acariciavam nossos ouvidos, e ela continuou – Quem de vocês dirige melhor? Sejam sinceras! – A velha do meio levantou a mão. – Então quem vai dirigir hoje é você. – De imediato a irmã velha que estava no canto esquerdo do carro deu o olho pra Gréia do meio e finalmente partimos.

Se a do meio era a melhor motorista, eu não queria andar com as outras no volante. Ela virava sem frear, pulava lombadas, passava por buracos sem desviar e trocava as marchas pessimamente mal. Eu sentia que meu coração fosse saltar do meu peito. Aquela velocidade não era normal. Pensei como estava Gabi naquele porta-malas, o que me fez rir.

E depois de uns 2 minutos o carro parou bruscamente e Giu quase bateu no para-brisa. Pulamos para fora do carro quase vomitando e muito tontos, menos Matias. O carro deu uma partida e sumiu no fim da rua deixando apenas uma fumaça pra trás.

Matias foi até um muro de concreto e começou a passar a mão em várias partes do muro, parecia que ele procurava por algo então perguntei – Está procurando o quê, Matias? – Ele não respondeu. Depois de uns 5 segundos ele parou de passar a mão de disse:

– Achei.

Ele apertou algo que parecia com um botão. Logo uma luz branca formou um triângulo no lugar que Matias apertou. Ele se afastou e falou em voz alta:

– Portas! Sequência de comando: Dédalo 97. Abrir!

Automaticamente a parede foi se afundando e mostrando uma escada que levava pra abaixo do nível do chão. Todos estavam de boca aberta. Depois de um tempo tínhamos uma grande escada iluminada pra descermos. Matias cochichou pra si mesmo:

– Você é foda, Dédalo. – Depois virou-se em nossa direção e disse – Vamos pessoal… Ver o que nos aguarda lá embaixo.

A entrada era pequena, então os mais altos tiveram que se abaixar um pouco. Havia luzes nas partes de baixo das paredes que iluminava até o fim da escada e mostrava lá embaixo uma porta de ferro. Deixei pra ir por último, e logo que passei a entrada da escada, a parede ruiu e se fechou á minhas costas.

Matias que já estava lá em baixo quando a porta se abriu automaticamente. Logo todos entraram e eu fui o último, e como antes a porta se fechou sozinha depois que entrei.

A visão do lugar me deixou de queixo caído. Eram apenas dois cômodos, mas dois cômodos gigantes. A minha frente havia mais ou menos 10 triliches e entre elas altas cômodas de roupas. E a minha direita duas portas, eram os banheiros. Fui andando pelo lugar e logo depois das portas do banheiro estava a cozinha. Depois que meu cérebro processou a palavra ‘cozinha’ meu estômago fez um barulho monstruoso e eu me lembrei de que estava com fome. Aconteceu tanta coisa que eu não tive tempo nem pra lembrar que eu apenas tomei um café da manhã antes de sair de casa ao meio-dia. E aposto que todos os outros estavam igualmente famintos. Jogamos nossas mochilas no chão e fomos apressadamente pra cozinha na esperança de ter comida nos armários.

A cozinha era imensa. Ao centro havia uma mesa gigante que imagino comportar umas 30 pessoas, já que havia 10 triliches. Em volta da mesa havia grandes armários, um fogão imenso, uma geladeira imensa, etc. Fui vorazmente abrir um dos armários e quando abri quase chorei, porém, de decepção. Estavam vazios, não tinha nada. Virei-me para Matias frustrado e falei – Como assim não tem comida, cara? – E todos começaram a resmungar. Ele tentava falar, mas ninguém deixava. Então ele deu um grito:

– Calem a boca seus insuportáveis.

Nos calamos e ele continuou:

– Uffa, bem melhor assim. Agora apenas observem.

Ele parou e pensou durante alguns segundos e disse:

– Lembrei. – Limpou a garganta e continuou – Mantimentos! Sequência de comando: Dédalo 274. Aparecer!

O silêncio tomava conta do espaço. Nem um barulho se fez nada aconteceu. Então falei:

– E ai sátiro?

Ele fez uma cara de confuso e falou:

– Eu nunca usei esse comando, mas devia funcionar.

Ele foi em direção aos armários abriu e pra surpresa de todos, a comida apareceu. Os armários estavam abarrotados de comida. Tudo que eu podia imaginar tinha naqueles armários. A felicidade tomou conta de todos ouvi gritos e Léo ao meu lado falou:

– Santo Hades. Eu vou comer pra sempre!

Abri a geladeira e quase tive um orgasmo de felicidade. Estava lotada com tudo que eu podia imaginar nos meus melhores sonhos. Cada um fez seu prato com o que queria comer e foi sentando ao redor da mesa. Comemos todos em silêncio como se essa fosse a refeição mais importante de nossas vidas.

Agora todos estavam satisfeitos e felizes. Então me levantei e falei – É gente, está tudo bom, tudo bonito, mas agora temos que esclarecer tudo o que está acontecendo. – E antes que eu pudesse começar a falar, Thay se levantou e falou:

– Realmente, precisamos esclarecer tudo isso. Eu preciso de uma explicação pra tudo antes que eu fique louca.

Giu, Anna, Jujubs e Marti à acompanharam e começaram a fazer um monte de perguntas uma atrás da outra todos ao mesmo tempo. Então Matias deu mais um de seus gritos:

– CALADOS! – E assim o obedeceram – Vamos deixar o Biel começar a falar depois vocês perguntam, certo? Certo.

Olhei pra ele e levantei um polegar agradecendo e então comecei a contar tudo detalhadamente desde o sonho em que a Gabi me atacava até a hora que eu, Dan e Léo lutamos com os ciclopes. Contei também sobre Hécate ter sido sequestrada, sobre acálicis e sobre a guerra. Porém não contei que eu deveria achar a pessoa que poderia usar os poderes da pedra, achei que contar isso poderia despertar o interesse de alguém, então preferi guardar isso comigo e a partir de agora observar as pessoas para encontrar a responsável pela pedra.

Gabi se levantou. Agora ela estava em seu estado normal e começou a falar:

– Gente, deixem eu me apresentar melhor pra vocês agora. Eu sou Gabrielli filha de Hécate e tenho a mãe sequestrada por alguém ou algo, e é isso ai. Beijão.

Todos deram uma risadinha. Agora que as coisas estavam se esclarecendo, o ponto de interrogação no rosto de cada um ficava mais fraco. Matias começou a falar:

– É exatamente isso pessoal, e se vocês estão aqui é porque cada um de vocês é fruto de um deus com um mortal.

Jujubs se levantou e falou com um tom irritado:

– E porque eu ainda não consegui usar meus poderes?

– Porque você ainda não foi reclamada pelo seu pai ou mãe olimpiano. – Respondeu Matias.

– Então como você sabe que sou uma semideusa? – Perguntou Jujubs.

– Pelo seu cheiro, óbvio. Mesmo não sendo reclamada você pode ver os monstros, as armas e todo o resto. E se você não for filha de um deus, você é filha ou no máximo neta de um semideus. O que em alguns casos dão os mesmos poderes de um semideus ou apenas a visão. – Esclareceu Matias.

Jujubs se sentou mais calma.

Dan virou-se pra mim apontando pro meu bolso e perguntou:

– Rezende, o que é isso brilhando no seu bolso?

Olhei pra baixo e realmente, a pedra exalava um brilho roxo que dava pra ver através do pano do meu short. Então a tirei do bolso e ela continuava a brilhar. A chave dourada no centro da pedra piscava sem parar. Todos na mesa olhavam diretamente pra pedra. Ela emanava poder.

Mas o olhar mais atencioso e brilhante em cima da pedra era o de Jujubs, ela parecia estar num tipo de transe ao olhar a pedra. Então a guardei novamente no bolso e os olhares voltaram ao normal. Então comecei a explicação – Essa é acálicis. Apenas com ela conseguiremos trocar de dimensão e ir para o acampamento que tem reservado para treinarmos em segurança. E o motivo de termos que usá-la para fazer algo que segundo Poseidon poderíamos fazer normalmente sem risco é Hécate, a responsável pela magia que esconde o acampamento numa dimensão paralela estar sequestrada e sobre o poder de algo mais poderoso que os próprios deuses do olimpo. – Quando terminei Matias se levantou. Em seu rosto estava uma expressão de alegria e alívio, então ele falou:

– Graças aos deuses encontrei essa pedra, ops, você encontrou essa pedra, Gabriel. – Falou o sátiro – Você tem noção do tempo que não vou pra casa, ou melhor, que eu e os outros dois que estão vigiando seus outros amigos não vemos nossas famílias e amigos? Tem mais de 3 meses, o tempo que Hécate foi sequestrada.

Então falei – Agora você pode voltar, Matias. E nós conhecermos nosso novo lar. – Quando falei a palavra ‘lar’ um aperto tomou conta do meu peito, tinha outro assunto que precisávamos conversar. – Matias, e nossos pais ou mães mortais? Temos que contar isso pra eles. Mas como será que vai ser a reação deles? – Falei com certo tom de tristeza na voz.

E Matias respondeu:

– Quanto a isso vocês podem ficar tranquilos. Pois quando um deus tem um filho com um humano eles são obrigados por Zeus á contar tudo pra eles e contar também que uma hora tudo isso ia acontecer com seus filhos que não seriam meros mortais. E quando vocês são reclamados seus pais ou mães olimpianos fazem uma visita a seus pais mortais pra contar que chegou a hora de vocês irem pra seu novo lar.

Gabi se levantou e falou:

– E no meu caso que minha mãe está sequestrada? – Perguntou ela.

– No seu caso, Gabi. Esse papel é transferido pra Hermes, o deus mensageiro. – Respondeu Matias.

Jujubs, Anna, Thay e Giu se levantaram e falaram mais ou menos a mesma coisa:

– Mas eu ainda não fui reclamada.

Matias virou-se pra Anna e falou:

– Como não, mulher? Por que você acha que estava bêbada e com cheiro de vinho sem beber? Você é filha de Dionísio, o deus do vinho, uvas, festas e da orgia também.

Anna abriu um sorriso de orelha a orelha e se sentou.

– E você Giuliana, é filha da deusa do amor e da beleza, Afrodite. Ou você acha que você ficou mais bonita de uma hora pra outra do nada? – Falou Matias encantado com o charme da filha de Afrodite. — E essa beleza descomunal e essa influência sobre os homens é consequência da fortíssima aura da benção da deusa.

– E vocês duas Thay e Jujubs. Vocês são um caso curioso, eu não vi o porquê de vocês ainda não terem sido reclamadas. Mas fiquem tranquilas que vou mandar uma mensagem de Íris para Hermes avisando de vocês duas.

– Agora vocês podem descansar enquanto eu passo as mensagens de Íris e aguardo notícias de Jazy e Joseph que estão com seus outros amigos. – Falou Matias – Ah, espere. Abrão as gavetas das cômodas elas tem roupas que se ajustam com seus corpos automaticamente, no banheiro tem tudo que vocês precisam pra um banho relaxante.

Teria algo melhor que uma casa que fizesse tudo por si só? Realmente não. Ou melhor, teria sim. Uma poção que me fizesse capaz de enfrentar tudo que está por vir sem dificuldade. Mas isso é impossível. Então o jeito é encarar.

E pra terminar a noite, ainda na mesa um barulho estrondoso tomou conta do lugar – Meu Deus Anna, isso foi um arroto ou um rugido? – Caímos na gargalhada e logo em seguida Léo soltou um arroto mais alto. Eu gritei ‘auê’ e dei um tapa na testa de Thay que estava ao meu lado. As gargalhadas foram altas e durou um bom tempo. Me levantei da mesa e fui em direção a uma cama e me joguei. Depois de relaxar vi uma porta que estava atrás de uma cama como se quisesse ser escondida, e como sempre minha curiosidade se atiçou. O que teria atrás daquela porta?