A Guerra do Alvorecer

31 Dionísio enlouqueceu


Notas iniciais
Obrigado a quem ainda está acompanhando essa história. Agora me dei conta de que ela está durando mais de 3 anos! Queria que soubessem que ela carrega com si a melhor época da minha vida, e por isso estou disposto a dar continuidade à ela até seu merecido fim! Tentarei postar 2 capítulos por semana, mas isso não exclui a possibilidade de postar até mais em semanas de inspiração. Ah... E eu ficaria muito agradecido se puderem me dar algum feedback. Obrigado.

Eu nunca recebi tantos abraços de uma vez só na minha vida. O acampamento inteiro se transformou na torcida do corinthians. Eu sentia a energia na minha pele, o que fez os pêlos do meu corpo inteiro se eriçar. Gritavam nossos nomes com suas armas erguidas. Foi um experiência e tanto passar por isso. Eu não faço certos sacrifícios para ser vangloriado, mas sentir o reconhecimento e gratidão daqueles semi deuses me deixou mais feliz ainda.

Depois de mais ou menos uns 20 minutos falando com todos, finalmente vinha na nossa minha direção Dionísio e Quíron. O centauro estava com um sorriso de orelha à orelha, mas já Dionísio... Não parecia muito feliz com nossa chegada. Quanto mais eles se aproximavam, mais a carranca do deus do vinho se tornava assustadora. Agora a poucos metros de nós, percebi que a carranca de Dionísio estava direcionada à Lelo. O garoto tentou fortemente não demonstrar seu medo, mas se tornou impossível quando o deus levantou os braços e uma luz roxa se formou em volta deles. Ninguém moveu um músculos, nem mesmo o próprio Leonardo ou Quíron. Ali naquela fração de segundo por algum motivo que eu desconheço, eu tomei a frente do deus com storm nas mãos.

Meu corpo estava adormecido, só tive tempo de fechar os olhos e abaixar a cabeça. Dionísio não conseguiria parar o ataque nem se ele quisesse no momento em que me joguei entre os dois. Eu definitivamente não pensei no que poderia acontecer. Senti uma grande pressão vinda de storm, passando pelo meus braços, chegando nos meus joelhos e me jogando ajoelhado no chão.

Quando a pressão passou, eu ainda estava com os olhos fechados e a cabeça baixa. Acho que não estou morto, pelo menos espero que não. Aos poucos fui levantando a cabeça até que enfim abri os olhos. Olhei ao meu redor, vi que alguns estavam com os olhos fechados e os braços ao redor da cabeça e alguns com a boca aberta petrificados. Olhei para o gigante parado à minha frente. A visão de um deus baixo para cima, não é nada legal. Me levantei com dificuldade para tentar me sentir menos insignificante diante dele. Dionísio olhava para minha espada. Ela brilhava e pulsava mais intensamente do que nunca.

— Me dê a arma, garoto. — Falou o deus com as mãos estendidas.

Mas... Mas...— Tentei argumentar mas o olhar dele me fez esquecer até meu nome, então entreguei a arma à ele.

No exato momento em que soltei a espada ela parou de brilhar. Dionísio olhou de volta para mim e eu desviei o olhar para a multidão e ele foi parar diretamente em Nicholas, meu meio irmão. Seu olhar de quem acabou de matar uma charada me intrigou.

— Empreste sua arma à ele, garoto. — Falou Dionísio para Lelo. O garoto imediatamente desembainhou sua espada e me entregou.

— Se defenda. — Gritou Dionísio me atacando com storm sem me dar tempo para me preparar.

De qualquer jeito levantei a espada de Lelo e defendi a investida de cima para baixo do deus. Novamente meus joelhos cederam, mas no exato momento que as duas armas se tocaram, storm voou das mãos do deus que pareceu completamente incrédulo.

— Me dê sua arma garoto. — Falou o deus para outro semideus que estava próximo de nós.

Eu já sabia o que iria acontecer então gritei para Dan pegar storm. Em seguida Dionísio me atacou na altura das costelas, rapidamente dei um pulo para trás em tempo da espada rasgar minha camisa. Ele atacou novamente o golpe mais rápido que já recebi na vida. Defendi o golpe de cima para baixou empurrando a espada dele para um lado e meu corpo para o outro, mas esse toque de espadas foi o suficiente para fazer meu corpo latejar por conta da força do ataque. Por algum motivo idiota eu resolvi atacar Dionísio. Percebi o quanto isso era estúpido no exato momento que fiquei ciente que eu não poderia mais recuar o golpe. Dionísio baixou sua espada com uma velocidade que mal me deixou ver o rastro da arma. No exato momento que as espadas se tocaram, eu fui jogado ao chão aos pés do deus. A arma foi cortada ao meio como manteiga e meu pulso quebrado.

Olhei para cima. O deus já havia largado a espada e inesperadamente ele me ajudou a levantar.

— Alguém de Apolo venha ajudar o garoto com o pulso. — Ordenou o Dionísio. Rapidamente Martinato nos alcançou, colocou meu pulso no lugar e em questão de segundos não doía mais.

— Pegue sua arma e venha comigo. — Ordenou Dionísio e sem abrir a boca peguei a espada da mão de Dan e o segui em direção à casa grande.

Os olhares confusos nos seguiram até sairmos da multidão.

Ao chegar no escritório da casa grande, Dionísio ainda parecia confuso.

— Onde você conseguiu essa espada? — Perguntou ele olhando em meus olhos.

— No bunker de Dédalo que ficamos antes de virmos para cá, senhor. — Respondi, felizmente sem gaguejar.

— O que ela tem de especial? — Perguntou ele.

— Pertenceu à meu pai, Poseidon. — Era estranho falar Poseidon e pai na mesma frase em voz alta.

— Não minta para mim, garoto. — Explodiu o deus com um soco que partiu a mesa do escritório ao meio.

Minhas pernas estavam tremendo, mas eu tinha de convencê-lo, então comecei contar primeiro como exatamente a achei e depois sobre a rainha do rio Hudson em NY e sobre tudo que ela me revelou sobre a espada e sua história ¹. E no final de tudo, para meu alívio ele parecia convencido.

— Sendo assim... Você tem noção do poder que você carrega? — Ele falava muito sério e um tanto preocupado. — Ela parece ter sido destinada à você, sobre isso eu não tenho nada o que fazer... Agora voltando ao mais importante, a missão! — Meu coração finalmente desacelerou. — Parabéns! Volte para seu chalé, mande todos que chegaram com você descansarem, se alimentarem porquê à noite depois do jantar eu quero um relatório oral dos 6 aqui no escritório. — Ele apontou para porta me convidando a me retirar e isso foi a 3ª coisa melhor que me aconteceu hoje.

Ao abrir a porta frontal da casa, praticamente o acampamento todo me esperava do lado de fora. Bianca e Anna estavam juntas especulando o que estava acontecendo lá dentro e quase arrancando os cabelos antes de perceberem que eu já havia saído da casa.

Desci as escadas e pude sentir a curiosidade de todos como se elas pudessem gritar. Eu não falaria nada ali agora, apenas me dirigi ao meus companheiros de missão e repassei o recado de Dionísio e cada um foi para seu chalé.

Chegar com Dan em nossa "casa" foi inexplicável, mas excitação despencou quando dei de cara com Nicholas saindo do banheiro.

— O que foi aquilo ali fora, irmão? — Perguntou o outro filho de Poseidon.

— Cara, eu to tentando entender até agora. — Respondi tentando colocar o fim no assunto que mal tinha começado.

— Mas o que vocês conversaram na casa grande? — A curiosidade dele era quase doentia. Aquela era minha chance de demonstrar meu ranço por ele.

— Eu acho que não é da sua conta, ou é? — Na mesma hora apareceu Dan colocando o braço sobre meus ombros.

— Nós estamos muito cansados cara. Depois conversamos, beleza?! — Dan me puxou em direção de nossas camas que ficavam uma do lado da outra.

Enquanto tirava minha roupa para ir tomar um banho, Nicholas se vestiu e deixou o chalé.

— Caraca, Gabriel. Você não se controla mesmo, ein!? — Falou Dan um tanto decepcionado comigo.

— Desculpa, cara. Você sabe que eu não sei disfarçar muito bem quando não gosto de alguém e no meu nível de estresse e cansaço, é impossível. — Falei.

— Tudo bem. Relaxa. — Falou ele no momento em que estávamos prontos pro banho.

Saímos do banheiro e ambos os dois caíram na cama apenas de toalha. Adormecemos em questão de segundos.

Acordei com a buzina avisando que era hora do jantar. Eu juro que se não fosse pelo relatório que tínhamos que dar para Dionísio, eu esqueceria do jantar e continuaria a dormir até amanhã, mas não podia. Juntei o resto de força que me restava, levantei, coloquei uma roupa e acordei Dan. O esperei se vestir e deixamos o chalé em direção ao salão de refeição.

Todos iam no mesmo sentido que nós, e de todos os lados eu ouvia as pessoas cochicharem e isso estava me incomodando.

Enfim chegamos ao salão, nos sentamos com alguns de nossos amigos já que não cabia todos na mesma mesa. Anna e Bianca estavam uma do lado da outra, parecia que uma forte amizade estava se formando ali.

— Você vai me contar tudo que aconteceu agora, Gabriel. — A mão quente que pousava no meu ombro era de Marcelo, filho de Apolo.

Cara... Eu nem sei se posso contar, mas mesmo assim eu ainda estou exausto para pensar nisso agora. Vamos deixar isso pra outra hora!?— Até minha voz estava cansada. Dormir menos do que eu precisava terminou de acabar comigo.

— Ah... Tudo bem cara, relaxa. — Ele pareci bem decepcionado, mas eu não estava em condições de me importar agor. O garoto se virou e sentou na mesa ao lado da nossa com outros filhos de Poseidon. A mesa deles era uma falação e cantoria gigante.

― Atenção todos. ― Pediu Quíron ― Primeiramente boa noite a todos. Antes que comecemos nosso jantar, vamos dar boas vindas à nova guerreira que se uniu a nós hoje, Bianca, filha de Apolo. ― Todos aplaudiram, o que fez Bianca corar ― E uma salva de palmas também para Gabriel e Danilo do Chalé 3, Agatha do chalé 6, Martinato do chalé 7 e... ― Quíron hesitou e Dionísio fechou a cara ― Leonardo do chalé 13. ― Todos aplaudiram novamente.

― Antes que vocês encham mais o saco dos meninos, eu os proíbo de falarem sobre qualquer coisa da missão com qualquer um do acampamento até segundas ordens. ― Falou Dionísio olhando para minha mesa ― E agora, podemos começar nosso jantar. ― Dionísio se sentou em sua cadeira mas logo se levantou novamente como se tivesse esquecido de algo. ― Ah... Hoje tem festa. ―A gritaria foi alta!

Eu não me sentia nada afim de uma festa hoje, mas tentaria dar uma passada só pra não dar tão na cara que eu só queria estar na minha cama.

Depois do jantar fizemos como foi combinado com Dionísio. Nós 6 demos cada detalhe da missão para os dois diretores do acampamento. A conversa durou em torno de 3 horas e foi acompanhada de vinho.

Quando enfim terminamos a relatório, me levantei da cadeira no escritório na casa grande e senti uma leve tontura. Agora eu estava louco por uma festa. Me sentia revigorado, só podia ser o vinho. Seguimos em direção ao chalé 12 onde Dionísio abençoou e deu início à festa.

Daquele momento em diante quanto mais eu bebia mais fora do meu corpo eu parecia estar. Beijei todo mundo que pude independente do gênero. Mas terminei a festa na cama com um filho de Ares.

Acordei no dia seguinte às 5 da tarde faminto, porém outra pessoa. Tomei um banho, vesti minha camisa do acampamento e um short e deixei o chalé enquanto Dan ainda estava desmaiado.

¹ Ler o capítulo 23 — storm.