A Guerra do Alvorecer

4 Apenas um evento de pjo


Depois de nos abraçarmos e o Dan ter me socado porque me atrasei por ter dormido demais, descemos em direção ao resto do pessoal. Chegando mais perto de onde estavam todos, o Pietro e o Du pegaram o Leo pelos braços e saíram não sei para onde, e o Dan foi para onde estava o chalé e eu continuei em direção do pessoal. Não andei quase nada quando ouvi um grito, era da Saraiva – REEEEEE – E ela veio correndo na minha direção e pulou pra um abraço. Ficamos abraçados por um bom tempo, pois não nos víamos há semanas. Ainda abraçado com ela, fomos andando em direção onde estava a maioria dos meus amigos. O bosque estava lotado, pois hoje era o grande dia do SUPUP (semideuses unidos por um picnic). Mais pulos e abraços demorados da Anna, Ju Pimenta, Thalles e pichu. Falei com todo o pessoal, dei abraços em todos, como sempre. A animação de todos estava grande, o que me deu um calafrio, pois isso tudo está ameaçado de acabar. Cada passo que eu dava encontrava mais conhecidos e amigos, ou seja, mais abraços e conversas rápidas, já que em evento grande é impossível ficar parado ou andar com uma só pessoa.

Agora fui em direção ao meu chalé, que acomodavam os que se denominavam filhos e se identificam com Poseidon. Todos os fãs da saga Percy Jackson e os Olimpianos e Heróis do Olimpo podem escolher um Deus para serem filhos e consequentemente um chalé para pertencer. Eu, Dan e a Ju Pimenta somos filhos de Poseidon, o Deus do mar e pertencemos ao chalé 3. O Leo, Du e Pietro são filhos de Hades, o deus dos mortos e senhor do submundo, e pertencem ao chalé 13. A Saraiva e o Thalles são filhos de Deméter, deusa dos grãos e da colheita e pertencem ao chalé 4. A Anna e a Gabi é filha de Dionísio, deus do vinho, do teatro e das festas e pertence ao chalé 12. Tudo isso teoricamente era apenas uma grande brincadeira, mas através dessa brincadeira grandes coisas acontecem, grandes amizades e namorodos se formam. E essa brincadeira é o que mais me faz feliz hoje, hoje eu sei o lugar que pertenço.

A primeira com quem falei foi a Cy, quem eu chamo de pai. Logo falei com a Gardenia, Luma (que por milagre estava no chalé, pois ela também não fica parada em eventos grandes), Gabe, Buzz e todo o resto do pessoal, que são muitos, já que Poseidon só perde pra Atena em quantidade de filhos. Vi o Dan gritando pra tentar organizar o chalé pra repassar a coreografia para a apresentação de melhor chalé que começaria daqui 30 minutos e nós seriamos o segundo a se apresentar. Ajudei o Dan e a Cy que são os atuais conselheiros, e tiramos a conclusão que estávamos todos prontos pra lutar pelo bicampeonato de melhor chalé do SUPUP.

Fiquei pelo chalé, treinando com os novatos, dando conselhos pra hora do caça à bandeira e repassando o grito de guerra e a letra da música da apresentação até chegar a hora de nos apresentarmos. Chegada a hora, o chalé de Zeus se apresentou, e foi uma apresentação meio sem graça. Então vi Lorenna, uma dos staffs do evento e responsável por avaliar meu chalé conversando com o Dan. Foi uma conversa rápida, então Dan se virou e deu um grito muito alto que chamou a atenção da grande maioria do chalé, emendei meu grito ao dele e então tínhamos a atenção de todos. O Dan deu um olhar dando a palavra à Cy, ela deu um passo á frente e começou a falar:

– Atenção filhos do mar, chegou a hora de deixar de ser a chacota do fandom, vamos mostrar a todos do que somos capazes e conseguir esse bicampeonato. Então deem tudo de si e cantem tão alto que seu grito possa ser ouvido do Olimpo.

A Cy tem os melhores discursos de todos, isso é um fato indiscutível.

Todos formaram um grande círculo em volta dos staff’s, que eram a Lorenna e o Marti. A Lorenna era responsável por avaliar e o Marti estava ali para ver a apresentação de seu chalé, e não podia participar pois era staff também.

A apresentação foi incrível, todas vozes em um ritmo só e gritos em uníssono. Conseguimos tirar uma cara de espanto da staff e gritos e pulos de alegria do Marti. Com isso eu tive quase certeza que a vitória seria nossa. Com uma sensação de dever quase cumprido, puxei o Dan e saímos pra procurar o Leo para conversarmos. O achamos duelando com o Lui. Eu o gritei e ele foi atingido no peito por uma estocada linda do Lui, com a estocada veio o grito:

– PORRA REZENDE.

Não aguentei e cai na risada. Meio “putinho” ele perguntou:

– O que você quer? Logo agora que a luta estava boa.

Forcei-me a parar de rir e falei – Vamos dar um rolê por ai, eu, você e o Dan– E ele respondeu:

– Vamos, fazer o que se já perdi.

Fomos para a margem do lago e nos sentamos. O céu estava completamente limpo e o sol fazia brilhar a gotas de suor no rosto dos três. Conversamos bastante dentre zoeiras e risadas, sobre tudo que vinha acontecendo, ou seja, colocamos o papo em dia. Então, eu sem querer falar nada sobre tudo o que aconteceu comigo no correr do dia, pois não queria os deixar assustados e eu sabia que provavelmente eles passariam por tudo isso logo mais. Resolvi “jogar verde” – E ai, vocês não tiveram nenhum sonho estranho essa noite? Não aconteceu nada de estranho hoje? – O Dan franziu o cenho tentando entender aonde eu queria chegar e o Leo me olhou uma cara de indiferença. Leo foi mais rápido e respondeu:

– Não, comigo está tudo ótimo. Faz semanas que eu não sonho com nada.

O Dan continuou com aquela cara de desconfiança, e me perguntou:

– Rezende, onde você está querendo chegar? Acho muito estranho você ter perguntado isso do nada.

Eu fiquei meio sem saber o que falar, mas não podia entrar no assunto, então usei minha benção de Dionísio – Relaxa Dan, foi apenas uma pergunta aleatória que escolhi pra puxar assunto. Mas está tudo nos conformes, relaxa – Eu realmente sei atuar bem e escolher desculpas que pegam. Mas isso não funciona muito bem com o Dan. Tanto quanto eu quanto eles sabemos quando tem algo de estranho um com o outro. Ele aceitou a desculpa que eu realmente esperava que ele tivesse acreditado, mas eu sabia que mais tarde ele puxaria o assunto. Ficamos alguns segundos observando a paisagem. Mas num pulo repentino eu me levantei e falei – Vamos voltar para o evento que daqui a pouco vai começar o caça. Os dois se levantaram logo em seguida.

Voltamos então pra onde estava o pessoal e encontramos a Agatha e o Dênis e paramos pra conversar. Na verdade o Leo e o Dan estavam conversando, eu fiquei calado e resolvi sair pra andar sozinho sem que ninguém percebesse minha saída. Atravessei a marquise e fui em direção à parte de trás do auditório onde tinha uns bancos e mesas de madeira. Estavam todos vazios, então me sentei num negócio feito de madeira também que dava pra deitar.

Sentei-me de pernas cruzadas, posição ereta e as mãos sobre as pernas. Tirei o boné, fechei os olhos e respirei fundo e fui aos poucos esvaziando minha mente. Entrei então numa profunda meditação.