A Guerra das Cápsulas
14 Vegeta tenta beijar Bulma
Notas iniciais
Bulma abriu sua cápsula de casa ao lado da casa do Mestre Kame e chamou as meninas para tomar banho lá e assim fugir do assédio dos rapazes. Vegeta não considerava nenhum daqueles terráqueos bons o suficiente para tomar banho antes ou depois dele, então foi até a casa de cápsula da Bulma, encontrou as meninas ainda semi nuas, terminando de se vestirem.
— Caiam fora suas terráqueas insolentes!
As meninas gritaram e saíram correndo assustadas, exceto Bulma que permaneceu impassível enquanto terminava de se arrumar.
— Prepare meu banho, mulher.
— Eu não vou preparar nada, se vira.
— Nós temos um acordo!
— Meu acordo com você é pra produzir as cápsulas, nada mais. E tem tudo aí, é só ligar o chuveiro e se virar.
Bulma saiu passando por Vegeta, estava perfumada do banho e a pele havia adquirida um brilho dourado devido ao sol da praia. Ele a segurou pelo braço.
— O que foi? — ela perguntou.
— Eu não gostei do que me disse.
— Então estamos quites, eu não gosto de nada que você diz.
— Não brinca comigo, mulher.
— Me solta, eu quero sair.
Vegeta se aproximou dela, Bulma estremeceu. Temeu que ele de repente se esquecesse do acordo de ambos e a tentasse machucar.
— Ficou com medo, mulher?
— Não — Bulma mentiu.
— Está fugindo de mim?
— Você mesmo mandou todo mundo embora, não lembra?
— Todas, menos você. É pra você ficar aqui pra me servir.
— Eu não vou te servir nada, já falei que tem tudo aí para o seu banho.
— Não é disso que eu estou falando.
Vegeta apertou mais os punhos dela e se aproximou, ela continuou recuando até o limite da parede, ao lado da porta de saída.
— Eu falei que eu não queria que você fizesse nada comigo — Bulma argumentou.
— Só fica quieta e deixa comigo.
Vegeta começou a cheirar o pescoço de Bulma, mordiscou, lambeu. As mãos percorreram a cintura, os seios, os braços. Apertou-a mais forte contra a parede, separou suas coxas com uma das pernas. Conduziu suas mãos até embaixo e a obrigou à toca-lo. Procurou sua boca pra beija-la, Bulma virou o rosto. Ele a segurou pelo queixo e obrigou que ela o beijasse, ela virou o rosto várias vezes para o lado fugindo dele.
— Que caralho, mulher! — ele esbravejou e socou a parede que afundou com o golpe.
— Eu falei que eu não quero — ela disse fingindo indiferença à explosão dele.
— Você tem que querer! Tem que querer igual àquela noite do baile.
— Eu não estava em mim daquela vez, aquilo foi um engano.
— Eu vou ter que te obrigar?
— As cápsulas...
— Esquece essa merda dessas cápsulas! — ele gritou — Isso agora é outra coisa, devia se sentir lisonjeada pelo príncipe querer te comer.
— Por que tem que ser tão grosseiro? — ela gritou.
— Já me cansei disso mulher! Quer que eu te mate agora?
— Não! Você prometeu!
Ele concentrou o poder nas mãos e Bulma começou a chorar, ele passou bem perto dos seus braços e a pele ficou avermelhada rapidamente.
— Você está me machucando Vegeta, pare — ela soluçava enquanto chorava.
Então Vegeta viu em seus olhos o pânico verdadeiro, desfez o poder das mãos e pegou em seu queixo, ela tremia dos pés à cabeça e não o olhou diretamente nos olhos um momento sequer.
— Você está fazendo isso pra me provocar, mulher?
— Não, eu só quero que me deixe em paz.
Aí estava, uma rejeição genuína, apesar do medo que ela sentia, era corajosa o suficiente para defender sua vida. Bulma era a única que não havia cedido às ameaças de Vegeta, e como a vontade dele era tê-la fogosa como a noite do baile, nenhuma ameaça adiantaria. Vegeta entendeu que a rejeição era definitiva, pela primeira vez ele sentiu havia sido rejeitado.
— Saia — ele disse finalmente.
Bulma saiu o mais rápido que pôde. No caminho encontrou Chichi vinda da praia após a conversa com Goku.
— Você está bem? — Chichi perguntou.
— Estou sim.
— Está pálida.
— Acho que estou passando mal de tanto sol que tomei — Bulma mentiu.
— Por que não vai descansar?
— O Vegeta está aí tomando banho, quando ele sair eu vou deitar um pouco. Por enquanto eu vou me reunir com o pessoal. E você? Estava chorando? Seus olhos estão vermelhos — Bulma observou.
— Eu ganhei o troféu de trouxa do século — Chichi disse desgostosa — Conversei com o Goku, como você me sugeriu, e ele fez o favor de me rejeitar definitivamente.
— Ai, Chichi... eu sinto muito. Mas é certeza?
— Sim, ele não vai se meter entre o Vegeta e eu. Tem um lance de lealdade, alguma merda do tipo... — as lágrimas recomeçaram a escorrer.
— No fundo você já sabia que seria assim, não sabia? Um casamento entre príncipes... Goku é um cara ótimo mas ele é só um servo, nunca estaria à sua altura. Você se entediaria com o tempo.
— Não Bulma, não diga isso, não você que me conhece muito bem, sabe que eu nunca me considerei melhor do que ninguém, eu só tive o azar de nascer na família real, mas eu não sou melhor do que ninguém.
— Não é azar.
— É sim... eu não posso nem amar quem eu quero sem provocar uma guerra entre dois planetas.
Chichi aproveitou para secar as lágrimas e colocou um sorriso forçado no rosto.
— Bom, mas agora que está tudo esclarecido eu vou seguir o seu conselho.
— Qual conselho? — Bulma perguntou.
— Vou tentar me aproximar do meu noivo. Você disse que ele está aí dentro?
— Está, mas toma cuidado. Ele parecia mais irritado do que o normal.
— Ele não vai fazer nada contra mim.
— Eu sei disso... bom, mas é que eu pensei que... sei lá.
— Relaxa, Bulma. Por pior que ele seja ele deve saber tratar uma princesa, não concorda? — Chichi disse e entrou na casa tranquilamente.
Então Bulma percebeu o ponto crucial que a igualava à Goku, ela também, no final das contas, era só uma serva. Ficou pensando que Vegeta a tratava daquela maneira, como um objeto porque ele reconhecia a diferença entre ambos, enquanto ela se considerava uma igual, ele a olhava como um pedaço de carne para ser comido e massacrado.
— "A Chichi ele vai tratar como uma princesa" — ela pensou entristecida — "Enquanto eu recebo xingamentos, violência, ameaças... acho que ele me mataria igual matou aquela criada do chá..."
Então ela se arrependeu das palavras que dissera contra Goku e percebeu que para Vegeta ela não era nada além de um brinquedo, ele a chutaria após usá-la como havia chutado a bola para longe naquela mesma tarde.
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