A Guerra das Cápsulas
49 A sugestão de Tarble
Notas iniciais
As reações de Vegeta foram completamente sem prévio planejamento. Ele lançou um raio e incinerou a cabeça de Turles de onde estava, correu até Bulma, temia que ela já estivesse morta, mas ela estava desacordada. Pegou-a com cuidado e a levou para a nave. O saiyajin que o acompanhava jogou o corpo de Turles para fora da casa e fechou-a de novo na cápsula à mando de Vegeta. Na volta, ele permaneceu com Bulma no colo, desejando fortemente que desse tempo de ela voltar com vida para colocá-la em uma câmara de regeneração.
***
A respiração de Bulma estava muito fraca, assim como os batimentos cardíacos quando Vegeta entrou correndo na sala de regeneração e a colocou em uma das câmaras. O médico olhava espantado, nunca havia visto um corpo tão machucado, o rosto havia sido socado e espancado, com o impacto, a arcada dentária e maxilar racharam, assim com o nariz e outros ossos da face. Ambos os olhos estavam inchados e ele ainda não poderia avaliar se a visão havia sido afetada. Havia marcas de mordidas por todo o corpo, principalmente nos seios, sendo que a pele havia sido rasgada nesses locais. Os braços, mãos, pernas e pés haviam sido quebrados bem nas juntas, de modo que precisariam da regeneração completa para que ela pudesse voltar a andar e se movimentar livremente. Fora isso, as cavidades genital e anal estavam dilaceradas. O médico não estava acostumado com esse tipo de paciente ali, mas nas regiões mais afastadas, principalmente nos prostíbulos, já havia atendido várias mulheres com os mesmos danos.
— É um milagre que ela esteja viva — ele disse por fim, após programar a câmara para a regeneração completa.
— Quanto tempo ela vai precisar para se recuperar? — Vegeta quis saber.
— Dadas as circunstâncias, provavelmente uma semana, mas sendo ela terráquea, não sei como o corpo dela pode se comportar, provavelmente vai ter mais problemas, já que é mais frágil. Acredito que em dez dias ou no máximo duas semanas ela estará bem.
— Tudo isso?
— Sim.
— Maldição! — Vegeta gritou e esmurrou o vidro da câmara.
— Majestade, é melhor não bater no vidro, se quebrar a câmara a moça estará com problemas piores, já que essa é a única que está funcionando, as outras estão na manutenção.
Vegeta se afastou da máquina constrangido. Ficou observando Bulma inerte dentro do líquido azulado, a pele machucada sendo refeita aos poucos, bem lentamente. Ele queria poder acelerar aquilo. Ou melhor, queria poder voltar no tempo e desfazer tudo aquilo.
—"Se a tivesse levado, ela teria chorado e esperneado, mas pelo menos estaria bem e viva... depois eu lidaria com ela" — ele pensou.
— Maldição! — ele berrou.
O médico saiu assustado. Logo depois, Tarble chegou com Gure e as crianças. Uma nova babá cuidava dos bebês em um carrinho triplo.
— O que aconteceu? — Tarble quis saber, assustado ao ver o estado de Bulma.
— Turles a pegou...
— Você a encontrou assim? — o irmão perguntou.
— Não, eu a deixei para trás... fui buscá-la depois.
Tarble revirou os olhos, queria censurar o irmão mais velho por todas as besteiras que ele fazia. Acabou optando por não piorar o humor de Vegeta.
— Gure pode ajudar — ele disse por fim.
— Como? — Vegeta quis saber interessado — ela pode acelerar o processo de cura?
— Não, não assim... é algo que a mudaria muito.
— Mudaria como?
— Ela esqueceria de algumas coisas.
— Esqueceria do quê?
— Tudo o que se refere a Turles seria esquecido.
— Faça isso, é melhor que ela esqueça dessa monstruosidade mesmo.
— Então... ela esqueceria de tudo o que se refere à Turles, todas as memórias que tem sobre ele, até as que estão ligadas a nós.
— Mas assim ela... ela acabaria esquecendo até de mim?
— Sim... de todos nós, já que as memórias dela a respeito de Turles estão ligadas à nós. À você principalmente, afinal ela nunca teria conhecido Turles se você não a tivesse trazido para cá.
Vegeta observou Gure com as mãos sobre o vidro da câmara de regeneração, o olhar triste da cunhada. Nunca imaginou que ela tivesse um poder assim.
— Não... pode esquecer então... não quero que ela se esqueça de mim. Eu tive muito trabalho para... para... bem, eu não quero que ela me esqueça, entendeu?
— Quanto egoísmo, irmão — Tarble observou.
Vegeta sabia que era muito egoísta da sua parte, Bulma tinha a chance de ter aquele momento horrível da sua vida apagado da memória, mas ele não queria perder tudo o que havia conseguido com ela, não poderia admitir que ela o esquecesse, sendo que ele pensava nela o tempo todo como um louco.
— Bem... pense com mais calma sobre isso — Tarble continuou — Seria bom dar uma nova chance à ela, quem sabe mandá-la de volta para o planeta Terra, esse tipo de coisa, sabe?
Vegeta olhou Tarble irado.
— Nem pense em fazer nada pelas minhas costas, moleque! Estou farto de todos tentarem me trair!
— De fato, todos que tentaram, conseguiram...
Tarble pegou Gure pela mão e saiu com ela, a babá e os filhos. Vegeta ficou remoendo suas palavras.
—"Todos que tentaram, conseguiram."
— Insolente! — ele berrou.
***
Uma semana havia se passado, o corpo de Bulma estava quase que completamente regenerado. Vegeta não saiu de frente da câmara de regeneração nem para dormir. Usava um dos leitos para isso. Cobrava relatórios do progresso dela ao médico duas vezes por dia, atormentava o pobre coitado o tempo todo, queria acelerar o processo, mas era impossível, o médico alegava que se acelerasse, a regeneração poderia não ficar completa e Bulma teria sequelas terríveis no futuro.
Tarble foi mais uma vez observar o progresso dela e ver como o irmão estava. Vegeta debruçado sobre o vidro, com as mãos sobre ele e o rosto colado, queria entrar ali e resolver ele mesmo aquele assunto, nesse momento desejava ter ele mesmo algum mágico poder de cura.
— Como ela está? — Tarble perguntou.
— Pergunte à esse inútil desse médico — Vegeta respondeu mal-humorado.
— Nii-san, ele é médico, não mago. O que ele pode fazer além do que já está sendo feito?
Vegeta resmungou e deu de ombros.
— Venha jantar com a gente hoje — Tarble convidou — é bom você sair um pouco daqui.
— Não quero.
— Vamos sim... você precisa comer direito e dormir em uma cama de verdade.
— Não preciso ser mimado, seu paspalho. Caia fora daqui! — Vegeta ralhou com ele.
— Bem, o convite está feito — ele pousou uma das mãos no ombro do irmão mais velho — venha e converse com Gure sobre aquilo que eu te disse, ela pode te explicar mais detalhadamente como funciona.
— Já falei que não quero que ela me esqueça!
Tarble observou o semblante irritado e infeliz do irmão, ele conhecia os sintomas, ele mesmo havia passado por isso tempos atrás.
— Se você admitir vai ficar mais fácil, irmão.
— Admitir o quê? — Vegeta quis saber.
— Que a ama.
— Idiota! Até parece que eu me rebaixaria amando um ser vulgar e fraco como ela!
Tarble riu. A negação era o sintoma mais clássico, quanto mais forte a negação, maior o amor do individuo.
— Sendo assim, não se incomodaria que ela o esquecesse, certo? Se não a ama, não tem porque negar isso à ela... seria uma grande mostra de generosidade, verdadeiramente honroso para um príncipe — Tarble provocou.
— Caia fora daqui antes que eu te mate... — Vegeta disse olhando o irmão com ódio extremo.
***
Finalmente o médico liberou Bulma. Ela acordou confusa, não lembrava de nada, mas aos poucos a memória foi voltando, ela lembrou dos acontecimentos que antecederam aquilo e chorou muito. Vegeta a olhava desesperado para tirar aquela dor do seu semblante, mas ele pouco podia fazer quanto a isso. O médico administrou alguns calmantes, assim ele pôde examinar o corpo dela com calma, concluiu que tudo estava perfeito, novinho em folha como antes. A visão não havia sido afetada, bem como os ossos estavam completamente restabelecidos e firmes como antes. Não havia sequelas ou traumas físicos, somente emocionais.
Vegeta a envolveu em sua capa e a levou no colo até o castelo, chegando lá a levou para o seu quarto. A deitou com cuidado na cama, deitou-se ao lado e ficou velando o seu sono, logo ele mesmo estava dormindo profundamente. Agora ele poderia descansar depois de toda aflição que passou pensando que ela morreria.
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