A Guerra das Cápsulas
2 A princesa terráquea e o príncipe saiyajin
Notas iniciais
Chichi havia recebido o comunicado oficial do planeta Vegeta há três meses e hoje era o dia em que seu prometido chegaria. A noite anterior havia sido a pior, não dormira direito, revirara na cama mil vezes, teve dor de estômago. Duas vezes por ano recebia um comunicado oficial do planeta Vegeta, sempre relacionado à questões diplomáticas e políticas, pedidos de mais recursos, ameaças. Ainda não conhecia o príncipe Vegeta, mas o odiava com todas as forças que alguém pode odiar. Ele sempre era estúpido, arrogante, a pior pessoa do mundo para conversar e ela sequer havia conversado com ele! Toda a comunicação era feita através de cartas e ele conseguia ser escroto até assim. Sabia que o pai havia assinado um contrato com o pai dele quando ela sequer havia nascido e embora odiasse esse pensamento arcaico de casamento arranjado, sabia que como princesa teria que cumprir com o seu dever.
Para aguentar a cerimônia oficial de apresentação ao seu "noivo" mandou chamar Bulma, que além de ser sua melhor amiga era a herdeira da Capsule Corporation, a organização mais poderosa e grande mantenedora e responsável por toda a riqueza do reino terrestre.
De acordo com o último contato da nave saiyajin com a Terra, eles chegariam exatamente ao meia dia e após descansarem e se prepararem, seguiriam para a recepção às dezoito horas, evento esse que seria transmitido para o mundo todo, às oito haveria o jantar e o grande baile de recepção do príncipe onde seria anunciado oficialmente o noivado e o casamento aconteceria em três meses, tempo esse em que os noivos deveriam se conhecer melhor e entender mais sobre a cultura um do outro. Após o casamento, Chichi iria viver com Vegeta no seu planeta.
De tudo, o que ela mais odiava era a ideia de ter que ir embora do seu planeta, deixar família e amigos para trás para ir para um lugar pobre e estranho, governado por um tirano e habitado por um povo violento. Como princesa, Chichi havia sido muito bem treinada a nunca revelar seus pensamentos e deixar transparecer seus sentimentos, então havia aproveitado os últimos três meses para chorar tudo o que podia escondida no seu quarto. A única pessoa que sabia que ela havia detestado desde o início esse casamento era Bulma, com quem ela compartilhava todos os segredos. Ambas tinham mais ou menos a mesma idade, e apesar dos gostos completamente diferentes, Chichi amava artes marciais, enquanto Bulma amava ciências e engenharia, ambas haviam tido a mesma infância solitária, uma sendo princesa e outra sendo herdeira da empresa mais rica do mundo e entendiam muito bem a solidão apesar de viverem cercada de todos os luxos.
Bulma havia prometido passar os últimos três meses da solteirice de Chichi junto com a amiga. Elas já haviam planejado como despistar o príncipe saiyajin e ignorá-lo o máximo possível, mas Chichi sabia que teria alguns eventos diplomáticos a cumprir, e esses que seriam televisionados pelo menos não haveria como escapar, do resto, pretendia passar o máximo de tempo possível longe do príncipe e junto com os amigos.
O dia passou rápido, ela cumpriu a agenda com o máximo de estoicismo que pôde, mas as dezessete e trinta, quando todos os oficiais já estavam reunidos para a recepção, Bulma ainda não havia chegado. Sua família tinha sempre um lugar reservado nos eventos oficiais, sempre ao lado direito do trono. Poucos minutos antes da chegada do príncipe, Bulma apareceu soltando fumaça com a sua motoca, guardou-a rapidamente na cápsula hoi-poi e postou-se ao lado dos pais que já aguardavam sua chegada impacientes. Sua roupa estava um pouco suja e seus cabelos bagunçados. Chichi imaginou que ela estivera trabalhando em alguma invenção e veio correndo de última hora.
As trombetas soaram e a entrada do príncipe foi anunciada em alta voz. Todas as câmeras postadas na entrada do salão capturaram a entrada de um jovem alto e musculoso com um belo sorriso.
Chichi não podia acreditar. Nunca na vida imaginara que o príncipe Vegeta fosse tão belo e simpático. Ele cumprimentou todos ao redor enquanto caminhava elegantemente. Sua armadura estava reluzente em branco e azul e seu sorriso era tão ofuscante quanto. Chichi já havia desistido de todos os planos de despistar o príncipe, pelo contrário queria se casar com ele naquela mesma hora e que as núpcias fossem consumadas o mais breve possível. Estava tão extasiada que não se importou com seu rosto sorridente mostrado em todos os telões, os súditos felizes sorriam ao ver que a princesa estava encantada pela beleza do príncipe. O Rei Ox não poderia estar mais feliz, aquele era o genro que todo pai desejaria para a sua filha. O jovem se aproximou e seu cabelo negro chamou a atenção de todos, era rebelde e espetado, mas ninguém achou que isso diminuísse sua beleza, pelo contrário, caia-lhe perfeitamente bem. Ele fez uma reverência diante do trono e aguardou em silêncio.
Chichi estava tão encantada que levantou-se e foi até ele, pegou-o pelas mãos e sem esperar que ele dissesse uma palavra e para mostrar como estava feliz com a sua presença e com aquele casamento, o beijou na frente de todos, um beijo rápido sobre os lábios que o rapaz recebeu assustado e recuou para trás.
— Er... o que está fazendo? — o jovem perguntou.
— Eu te beijei, essa é a maneira que nós damos as boas vindas aqui na Terra e como você é meu noivo eu pensei que...
— Não, eu não sou seu noivo, eu... bem, venha aqui.
Ele puxou Chichi para o canto e fazendo conchinha com as mãos, cochichou no seu ouvido. Ela não conseguiu esconder o desapontamento.
Antes mesmo que eles terminassem outra pessoa irrompeu ao salão. Era um sujeito grosseiro, baixinho porém com porte atlético, andava com o nariz empinado e mal olhou para as pessoas ao redor. Postou-se diante do Rei Ox e Chichi e esbravejou.
— Ajoelhem-se, vermes malditos! Eu, o príncipe Vegeta exijo que se ajoelhem diante de mim!
O Rei Ox se ajoelhou e todos ao redor repetiram o gesto assustados, menos Chichi que o olhava espantada.
— Se você é o príncipe, quem é esse? — ela perguntou apontado para o jovem ao seu lado.
— Esse é Kakarotto, o chefe da minha guarda pessoal.
— Oi, eu sou o Goku! — o jovem disse alegremente.
Chichi sentiu as pernas fraquejarem e foi ajudada por Goku a se ajoelhar diante de Vegeta. Este olhou ao redor e ao ver uma cabecinha coberta de fios azulados foi até ela e esticou uma das mãos, puxou o queixo da jovem e olhando friamente para os olhos azuis ordenou.
— Matem essa mulher!
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