A Guerra das Cápsulas
9 O segredo dos terráqueos
Notas iniciais
Na manhã seguinte, Bulma mal conseguiu tocar no seu café da manhã. Chichi percebeu.
— Você está bem, Bulma?
— Estou ótima, só um pouco cansada — Ela respondeu com um sorriso forçado.
— Quer ir deitar? Eu peço para levarem um chá para você.
— NÃO! — ela gritou, mal podia lembrar da pobre criada que morreu por nada.
Vegeta deu risada do outro lado da mesa.
— "Que pessoa horrorosa que ele é" — Bulma pensou enojada.
Vegeta saiu para conhecer os arredores, pois dissera que queria aprender os costumes do povo terráqueo, Goku o acompanhou. Ele tentou ao máximo evitar o olhar de Chichi, lembrava das ameaças de Vegeta.
Chichi sabia que algo havia acontecido entre Bulma e Vegeta e Bulma sabia o mesmo sobre a amiga e Goku. Mal os rapazes saíram e Bulma anunciou que voltaria para sua casa.
— Por quê? — Chichi perguntou.
— Eu tenho um projeto importante para terminar — Bulma disse e não era mentira, embora sua verdadeira intenção fosse ficar longe do príncipe.
— Mande um alô para os seus pais — O Rei Ox pediu.
Ela assentiu com a cabeça e voltou para os seus aposentos para arrumar suas malas nas cápsulas. Chichi entrou atrás dela.
— Você vai me contar tudo o que aconteceu ontem.
— E a majestade também — Bulma emendou.
— Tá bom eu conto, mas conta você primeiro — Chichi insistiu.
Bulma sabia como retirar uma confissão da amiga.
— O Goku estava muito animado ontem, o que você fez para ele?
— Eu o beijei, ele me beijou, foi tão lindo!
— Como foi isso? — Bulma queria todos os detalhes.
Chichi não poupou nenhum, nenhum mesmo. Ao final da narrativa ela suspirou se jogando na cama.
— Vou falar com o meu pai para cancelar esse casamento, não tem jeito de eu me casar com esse Vegeta. Eu não vou me casar com ele de jeito nenhum.
Bulma achava ótima a nova resolução da amiga, embora achasse que o príncipe não iria concordar com isso de bom grado.
— E vocês dois afinal? O que ele estava fazendo no seu quarto?
— Foi como ele disse, ele foi te procurar e errou a porta, eu já estava deitada tentando dormir e tomei um susto quando o vi, por isso gritei.
Bulma optou por mentir, pois não queria revelar a sua situação humilhante para a amiga. Chichi pareceu acreditar pois já emendou uma nova narrativa, de como faria para contar ao pai que não se casaria e todos os planos românticos que faria com Goku. Bulma ouvia sorridente enquanto terminava as malas.
— Você tem que ir mesmo? Eu queria tanto que você estivesse aqui comigo quando fosse contar para o meu pai. Eu imagino que o Goku vai ser expulso da guarda real, então vamos ter que arrumar um emprego pra ele por aqui.
Bulma tinha uma grande dificuldade em dizer não, principalmente para Chichi.
— Tá bom, mas assim que você contar e seu pai resolver tudo com o Vegeta eu vou embora.
Chichi ajudou Bulma a desfazer todas as malas.
***
Ao dizer que pretendia conhecer a cultura dos terráqueos, Vegeta estava mentindo descaradamente, ele queria descobrir o que todos estavam escondendo dele, o motivo da riqueza da Terra, porque eles não forneciam mais os suprimentos na quantidade que eles precisavam, porque os saiyajins da Terra não obedeciam mais ele. E para completar o dia com chave de ouro, pretendia conseguir um bom puteiro, pois a terráquea de cabelo azul havia deixado ele em uma situação complicadíssima. Já havia se masturbado várias vezes desde a noite anterior e nada daquela vontade louca passar, precisava agora de um corpo de mulher para descarregar a sua fúria.
Andou de carro pelo reino terrestre, Goku ao seu lado estava mais quieto do que o normal, ele sabia que Goku estava apaixonado por Chichi, mas não se importava nenhum pouco com a tristeza do amigo, não daria a sua princesa nas mãos de um saiyajin de classe inferior, mesmo que não a amasse.
Não viu nada de diferente. As pessoas trabalhavam, compravam, pagavam as contas, os preços eram justos, eles pareciam felizes, os impostos não deveriam ser exacerbados, nada justificava aquela riqueza que ele via ao redor. Encontrou alguns saiyajins que estavam na Terra há um bom tempo para fazer a segurança e sentiu nojo deles. Estavam destreinados, podia perceber por seus kis, alguns até estavam gordos. Viu muitos deles acompanhados de mulheres terrestres com seus filhos mestiços. Ficou impressionado que as crianças pareciam perfeitas, algumas até mais fortes que os pais, mesmos as mais pequenas. Pelo visto a mestiçagem entre humanos e saiyajins produzia guerreiros de qualidade e não aberrações como ele imaginava.
A tarde chegou ao fim e ele não viu nada de diferente.
— Vamos arrumar um lugar pra jantar, Kakarotto — ele avisou.
— Por que não vamos para o palácio? Eles devem ter um jantar maravilhoso lá — ele na verdade queria ver Chichi, nem que fosse de longe.
— Eu quero ir para um lugar depois.
— Aonde? Rodamos o dia todo.
— Você vai ver.
Jantaram em um restaurante de alto nível e depois Vegeta mandou que o levassem na melhor "casa" da cidade. O motorista entendeu o recado e levou-os à um prostíbulo de luxo no centro da cidade.
As mulheres o agradavam, loiras, morenas, ruivas, negras, orientais, todas tinham corpos esculturais e rostos angelicais. Agora comparando percebeu que as mulheres terráqueas tinham corpos menos musculosos que as saiyajins, eram mais curvilíneas e delicadas, o cheiro da pele delas e do seu sexo o inebriava. Solicitou todas e monopolizou a atenção da casa, exigindo que fosse fechada para ele e que todos os outros homens fossem mandados embora.
— Pra quê isso Vegeta? — Goku não gostou do exagero.
— Cala a boca, Kakarotto! E aproveita que hoje é por minha conta.
— Eu não quero.
— Ah, mas vai querer. Eu sei que você quer comer a Chichi, mas eu não vou deixar. Escolha uma mulher e transe com ela até esquecer da minha noiva.
Goku pegou qualquer uma pelo braço e se retirou.
— Aqui na minha frente, Kakarotto.
— Não seja vulgar, majestade.
Vegeta resmungou enquanto Goku saiu das suas vistas entrando em um quartinho.
Ao chegar lá, pediu com toda a educação e respeito.
— Moça, você é muito bonita, muito linda mesmo, eu adoraria fazer de tudo com você, mas tem uma garota que eu gosto e não quero fazer nada até saber o que vai ser da gente.
— Tudo bem.
— Vamos ficar aqui e depois de um tempo a gente sai e finge que tudo aconteceu.
— Ok, sem problemas, mas você vai ter que pagar.
— Eu pago. Mas quando sairmos você diz para ele que eu fui muito peculiar, caso ele pergunte.
— Pra quê isso?
— Porque sempre funciona.
Lá fora, Vegeta esbaldava-se com todas as mulheres que podia. Transou com várias, ofendeu outras, bateu em algumas, causou tantos constrangimentos que o dono da casa pediu que ele se retirasse, pois estava assustando as moças.
— Essas putas estão aqui para me servir! — ele gritou.
— Eu peço que o senhor se retire por favor, não podemos mais atendê-lo com respeito uma vez que o senhor já ultrapassou todos os limites.
Vegeta continuou ofendendo as mulheres e o dono da casa. Os seguranças foram chamados e ele pulverizou alguns. Com a confusão, Goku saiu para ver o que estava acontecendo.
A música havia parado, Vegeta já havia matado várias pessoas inocentes e agora ameaçava o dono da casa.
— Vocês vão me servir sim, eu sou o príncipe dos saiyajins, eu tenho dinheiro para pagar pelo o que eu quiser!
— Seu dinheiro não vale nada aqui — o dono da casa respondeu.
— Vale sim, olha aqui — Vegeta atirou algumas notas sobre o homem.
Este pegou as notas e mentalmente converteu para os valores da moeda humana.
— Isso é uma mixaria, eu tenho muito mais!
— Como você pode ter mais que um príncipe?
— Meu negócio está prosperando, e eu tenho cápsulas.
— O que é esse negócio de cápsulas?
— É um ignorante mesmo — o homem respondeu e tirou do bolso uma pequena cápsula, ao jogar no chão ela abriu-se e uma quantidade absurda de ouro, jóias preciosas e dinheiro saiu de lá de dentro — E isso é só uma parte do que tenho, tenho muitas outras em casa.
Vegeta estava estupefato. Agora entendia porque a terráquea de cabelo azul havia oferecido uma cápsula para ele. Ele estendeu a mão para incinerar tudo, mas o homem foi mais rápido, jogou a cápsula de volta e todo o seu conteúdo voltou para dentro dela, ele rapidamente a guardou no bolso. Vegeta estendeu a mão para ele e assim o matar, mas Goku o impediu antes.
— Vegeta, vamos embora, deixe essas pessoas em paz.
Mesmo abismado Vegeta arrumou tempo pra perguntar para a garota com quem Goku esteve como tinha sido.
— Foi muito peculiar, majestade.
Goku enrubesceu, Vegeta deu risada.
— Um dia vou entender o que isso significa.
No caminho de volta, Vegeta foi ligando os pontos e sozinho chegou à conclusão de que os terráqueos estavam acumulando recursos escondidos dele, e provavelmente os saiyajins também já que não o obedeciam mais.
— Você sabia disso? — ele perguntou para Goku.
— Claro que não! Não fazia ideia.
— Mesmo?
— Mesmo Vegeta, senão eu mesmo já teria conseguido uma dessas cápsulas pra mim.
— Ah, Kakarotto, seu verme!
— Estou tão cansado quanto você. E você é um príncipe hein, imagina eu que sou um guerreiro de classe baixa?
— Está ficando muito saidinho, são esses terráqueos que estão fazendo a sua cabeça.
Goku deu de ombros, se aquele era o comportamento de um príncipe saiyajin, queria cada vez mais se parecer com um terráqueo.
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