A Guerra das Cápsulas

43 O conselho de Turles


Notas iniciais
Yoo mina-san! Aproveitem o capítulo de hoje!

Turles tinha achado ótimo ver com seus próprios olhos como Vegeta tratava Bulma. Desde sempre desconfiou que o príncipe agia como um escroto com ela, pois esse sempre foi o tratamento que todas recebiam. Estava cada vez ficando mais próximo dela, sabia levar alguém no papo, e, sensível e machucada como estava, Bulma estava muito fácil de ser levada. Seus planos estavam cada vez mais firmes. Os saiyajins que o acompanhavam estavam tão ou mais engajados do que ele. Estava há um tempo batalhando a brecha que precisava, e quanto mais Vegeta se afastava de Bulma, mais ele se aproximava. Mesmo que ela não soubesse, Bulma era a principal chave para concretizar seus planos.

Já no dia seguinte, ele foi procurá-la no laboratório. Bulma estava cabisbaixa, os olhos avermelhados revelava que ela havia chorado a noite toda.

— Ele te bateu? — Turles perguntou se aproximando em silêncio.

Bulma se assustou com a presença dele.

— Não. Mas brigamos feio.

— Me desculpe, a culpa foi minha — ele disse sentando-se ao lado dela.

— Não, ele é que é um idiota de um estúpido. Ah! Como eu o odeio!

— Odeia?

Bulma balançou a cabeça, odiava Vegeta o dia todo, mas à noite se derretia de amor naqueles braços.

— "Eu sou uma vadia mesmo, como ele sempre diz" — ela pensou desanimada.

— Odeio — ela disse com firmeza, embora não fosse verdade.

— Por que não sai dessa então? — Turles perguntou.

— Como?

— É simples, pegue suas coisas e vá embora do castelo.

— Não posso fazer isso... eu nem conheço esse planeta direito. Pra onde eu iria?

— Volte para o seu planeta, oras.

— Não tenho nem uma nave decente para essa viagem.

— Por que não pega uma das nossas? Duvido que alguém vá sentir falta.

— Demoraria três meses para chegar — ela ponderou.

— Sabia que ele está precisando fazer uma viagem rápida para resolver alguns assuntos diplomáticos?

— Não, eu não sei de nada do que o Vegeta faz.

— Bom, eu sei porque sou o chefe da guarda pessoal dele. Em alguns dias ele vai viajar, Tarble vai junto. É só uma semana, mas é tempo suficiente para você conseguir uma nave e fugir.

Bulma o olhou intrigada. Apesar dos olhares estranhos ele nunca havia tentado nada com ela, e diferente dos outros saiyajins que a enchiam de propostas favoráveis à eles mesmos, aquela proposta de Turles parecia muito desapegada, ele não ganharia nada com isso.

— Como eu conseguiria essa nave? Aquele hangar vive cheio de soldados.

— Eu posso te ajudar com isso.

— Como, se você vai na viagem também?

— Eu tenho um homem da minha confiança... ele vai ficar avisado e vai facilitar sua entrada.

— Não sei se isso daria certo... quem é esse cara?

— Na verdade não é um cara, é uma guerreira, mas entre os soldados nós não enxergamos gênero. Enfim... ela e eu, nós... você sabe... o fato é que me irrita ver a maneira como Vegeta a trata. Essa moça a quem me refiro já foi amante dele no passado, ele a machucou muito.

— Seria como uma vingança, então?

— Não é algo bonito de se dizer, mas eu não concordo com muitas coisas que nosso soberano faz, a maneira como ele trata as mulheres é uma delas.

Bulma ponderou. Se até mesmo Tarble já havia chamado atenção de Vegeta pela maneira como ele a tratava, ela imaginava que outros eram da mesma opinião, mas a diferença é que eles não podiam falar ou fazer nada.

— Eu não sei, vou precisar pensar — ela disse finalmente.

— Pensa. A viagem vai ser em uma semana. Até lá você pensa bem, veja se vale a pena continuar sendo tratada dessa maneira ou se está na hora de fazer algo por si mesma.

Turles saiu. Deixou Bulma perdida em seus pensamentos. Noventa por cento do que disse era mentira, mas não tinha como Bulma checar. Colocou o dedo na ferida, revirou bem e deu à ela uma oportunidade de escapar. E ele acreditava que Bulma era esperta o suficiente para agarrar aquela oportunidade e fugir dali.

***

A proposta de Turles acompanhou Bulma o resto do dia. À noite, como sempre, Vegeta foi procurá-la. Encontrou-a olhando o céu que à noite se tornava escuro e avermelhado, com as duas luas sempre minguantes brilhando quase ofuscadas pela quantidade imensa de estrelas que intensamente enchiam o céu. Ele estava com aquele olhar de cão arrependido, mas a mesma postura arrogante de sempre. Ela odiava muito como ele nunca abaixava a cabeça. Ele se aproximou e postou-se atrás dela.

— Vai se negar pra mim hoje?

Ela suspirou profundamente, abandonou a bela e exótica visão do céu daquele planeta e virou-se para o homem atrás dela. Aquele olhar duro de sempre, implacável, mas somente ela conseguia ver uma ínfima chama. Esteve pensando o dia todo no que Turles havia falado, mas não iria embora assim sem antes tirar uma dúvida. Ela ainda não acreditava que não significava nada para ele.

— Me beija — ela pediu.

Ele a envolveu pela cintura, pressionou as carnes dela com força.

— Com carinho, igual aquela primeira vez — ela acrescentou.

Vegeta lembrava muito bem como havia sido o primeiro beijo deles. Nunca uma mulher o havia enrolado tanto para dar um simples beijo. A coisa parecia ter acontecido há milênios, mas na verdade, há pouco menos de um ano ele a havia beijado. Ambos estavam alcoolizados naquela noite de verão no planeta Terra. Ela tinha aquele delicioso sabor de morango, depois disso a fruta tornou-se a preferida dele. Mandou vasculhar as sementes da Terra e assim que encontrou mandou plantá-las, mas nenhuma havia vingado até aquele momento. As plantas não germinavam, e as que conseguiam duravam pouco, morriam antes, o solo seco e duro de Vegeta não era o ideal para cultivar aquela delicada fruta.

Ele pressionou a nuca dela de leve, aproximaram os rostos, naturalmente inclinaram as cabeças e logo os lábios se uniram. Ele beijou-a com cuidado e aparente ternura, como se tocasse com os lábios um moranguinho delicado que facilmente se romperia se sofresse uma pressão maior. Aos poucos ambos começaram a se entregar mais àquele momento, e o beijo suave tornou-se quente, incisivo, sensual. Vegeta a conduziu para a cama e deitou-a com cuidado, logo estava em cima dela. Acariciou seu corpo com delicadeza, percorrendo as mãos pelos contornos das curvas ousadas daquela mulher que o enlouquecia.

Em poucos minutos estavam nus, se amando apaixonadamente sob o céu avermelhado, como as duas luas que assim como eles, nunca se completavam.

Notas finais
Um capítulo fofo depois de toda aquela tempestade. Mas a gente sabe que calmaria não é algo que dure para esses dois, não é mesmo? Aguardo os comentários de todos vocês. Abraços!