A Guerra das Cápsulas
44 Declarações
Notas iniciais
A madrugada chegou, mas Vegeta ainda não tinha ido para o seu quarto. Abraçou-se à Bulma e secretamente desejou que nunca mais brigassem. Era só ela se comportar, parar de dar bola para o Turles, nunca mais responder pra ele, nunca mais bater nele. A lista era tão longa que só de pensar ele ficou irritado. Precisava encontrar um jeito para que ela começasse a obedecê-lo. Fez menção de levantar-se, ela o impediu.
— Eu ainda não sou nada para você? — ela perguntou.
— De novo essa história, mulher?
— Me responda de uma vez! Por que me trata como um lixo e depois me beija como se me amasse?
Ele piscou várias vezes, desviou o olhar.
— Eu não te amo, terráquea.
— Não mesmo? Por que me toca como se fosse o contrário, então?
— Você mesma havia falado que não queria violência.
— Mas você é romântico... não sempre, claro, mas na maioria das vezes.
— Eu não sou romântico — ele ruborizou.
— É sim.. por que não admite que sente alguma coisa, por menor que seja?
— O que você quer de mim, afinal?
Bulma considerou aquela batalha perdida. Vegeta nunca admitiria.
— Não quero nada... vá embora de uma vez, e não venha mais aqui por favor.
— Vai continuar me torturando com isso?
— Não é tortura, você mesmo me disse que eu não sou nada pra você.
Vegeta cruzou os braços irritado, já havia entendido o que ela queria, mas não estava disposto a ceder. Ela queria declarações e juras de amor eterno, coisas que ele não faria nunca. Já estava reconsiderando a ideia de começar a forçá-la, era muito mais fácil do que ficar naquela enrolação que não levava à nada.
— Você pode sair do meu quarto, por favor? Eu quero dormir — ela pediu.
Ele foi saindo. Então virou-se para ela, não queria prolongar aquela discussão, mas também não queria deixar as coisas assim e no dia seguinte ter que tolerar as mesmas rejeições de sempre.
— Olha só — ele começou — quando eu disse que você não significava nada para mim, eu não quis dizer exatamente isso.
— Ah é? O que você quis dizer então?
— Eu quis dizer que... eu quis dizer... — ele fechou os punhos com raiva — olha eu não sei o que eu quis dizer, está bem? Eu não sou de perder tempo com essas baboseiras de sentimentos, isso é fraqueza para um saiyajin!
— Tudo bem, se você diz. Agora saia por favor — ela continuou impassível.
Ele se aproximou, a pegou pelos braços.
— A gente vai ficar assim, então? Depois você vai se negar pra mim?
— Não sou eu quem estou me negando, você que me abriu os olhos... já que eu não sou nada, então tudo bem. Não precisamos continuar com isso.
— Eu preciso!
— Por quê?
— Mulher... eu não vou me declarar nem nada do tipo.
— Por que não?
— Porque não tem nada aqui... eu não sinto nada por você.
Bulma não queria declarações forçadas, mas ouvir assim bem na cara que ele não sentia nada era muito duro. A determinação foi para o espaço, uma lágrima escorreu. Queria ir embora daquele lugar, queria acabar com aquilo que gritava dentro de si, queria eliminar aquele desejo insano que acometia seu corpo cada vez que ele chegava perto dela, queria parar de desejar aqueles beijos, aquele corpo, aquela voz, o olhar... queria parar de amar Vegeta.
— Eu sinto — ela disse por fim — eu sinto algo por você.
— O que é?
— Você vai brincar comigo se eu te disser — ela desviou o olhar.
— Não vou.
— Eu não queria sentir, mas é assim que eu sou... começou pequeno, não era nada além de uma excitação quando você aparecia, e depois quando você me beijou pela primeira vez... e depois foi crescendo, crescendo... quando eu vi já não tinha mais jeito. Eu amo você, Vegeta.
Vegeta não conseguia tirar os olhos dela, nunca havia recebido uma declaração de amor na sua vida. Era engraçado porque ele não tinha vontade de ridicularizar aquilo que ela dizia sentir, e o mais impressionante para ele, era que ela falava a verdade. Ele sabia ler aqueles olhos como ninguém, e ela era transparente demais, naquele momento ele viu que ela o amava de verdade, isso era novo e assustador para ele. Queria uma mulher para satisfazer seus desejos carnais, e Bulma era perfeita para isso, mas esse negócio de amor era complicado. Já havia visto saiyajins apaixonados no passado, e quase nunca terminava bem, o amor era como uma praga que enfraquecia os homens, deixava-os tolos e submissos, fazendo tudo o que as suas companheiras exigiam. Ele nunca se colocaria nesta posição, nunca se permitira ser mandado e desmandado por uma mulher, ainda mais uma terráquea de linhagem inferior como Bulma, mimada como era, iria brincar com ele, fazê-lo de gato e sapato.
— Você me ama, então? De verdade? — ele perguntou.
— Eu não queria... mas eu amo, mais do que tudo. Por isso não posso suportar essa situação de não ser nada pra você. Se existir alguma nobreza nesse seu coração de príncipe, então me deixe em paz... me deixe esquecer isso o que eu sinto e dar esse amor pra quem vai valorizá-lo.
— O que está dizendo? — ele a pressionou com mais força.
— Isso o que você ouviu. Se despreza o meu amor, então me deixe dá-lo para outro.
— Você não vai dar nada pra ninguém! Vai ser tudo meu, entendeu? Tudo meu!
— Não pode ser seu se você não quer...
Vegeta a soltou. Já estava perdendo a cabeça com aquela discussão sem fim. Não duvidava que ela o amava, mas não retribuiria nada daquilo. As coisas continuariam como sempre foram, fariam sexo e só. Nada mais. E essa história de dar seu amor para outro, ele entendia muito bem o que aquilo significava, mas não a deixaria amar outro que não fosse ele, mataria todos os homens do universo antes de algum deles ser o escolhido de Bulma.
— Eu não quero o seu amor — ele disse por fim — mas você pode me amar em silêncio se quiser.
— Eu não quero assim... eu quero ser retribuída.
— Isso eu nunca vou fazer, nunca vou retribuir essa idiotice de amor.
Bulma sentiu as lágrimas descendo mais espessas, não podia acreditar no que ouvia.
— Meu amor não é idiotice, ouviu?
— Pra mim é. Esse seu amor é uma idiotice que não vale nada, que só está atrapalhando as coisas. Estava tudo bem, por que de repente você veio com essa palhaçada de amor?
— Nunca esteve bem, você não consegue enxergar isso? — ela gritou — você viu o que fez comigo? Me tirou da minha família, dos meus amigos, me trata como uma prostituta! Eu não estou feliz aqui, e você não quer nem me deixar tentar.
— Eu estou pouco me lixando para a sua felicidade — ele respondeu irritado — você só tem que me servir, trabalhando e trepando comigo, entendeu? Todo o resto, o que você faz ou sente não me interessa.
Ela não aguentou ouvir essas palavras dele, o tentou empurrar e abrir passagem para sair, mas ele a segurou pelos pulsos a impedindo.
— Me solta!
— Você vai continuar me servindo na cama, entendeu? Acabou esse teatrinho, esses joguinhos, esse choro, esse lixo de amor.
— Eu não vou, nunca mais você vai tocar em mim!
— Eu vou sim, nem que tenha que te matar!
— Me faça um favor então, Vegeta. Me mate...
Ali estava, aquele olhar que ele temia, os choros e lamentações do passado, voltando, firmes e fortes para assombrá-lo.
— Por que você chora? — ele perguntou.
— Porque eu estou triste! Você é imbecil por acaso?
— Não sou nenhum imbecil, mulher... só queria entender por que você tenta usar esses artifícios contra mim.
— Não são artifícios, eu estou triste de verdade.
— Por que eu não te amo e nunca vou te amar?
— É...
— Em mim não dói, eu não sinto vontade de chorar.
— É lógico que não, você não tem coração! Agora me solta.
— Mulher, olha só... porque não deixa tudo como estava? A gente continua de onde parou e finge que nada disso aconteceu.
— Não... eu não vou fingir, você me magoou muito.
— Eu tenho culpa de não te amar?
Bulma queria responder que sim, que ele tinha toda a culpa do mundo em não amar uma mulher especial, linda e maravilhosa como ela, mas isso seria injusto. Pode ser que ele não a amasse de verdade, que ele era desse jeito mesmo, e se de fato fosse assim, a única burra ali era ela, por ter cultivado sentimentos para um cara que se mostrou um verdadeiro tirano desde o começo.
— Não tem...
— Então...
— Mas você poderia pelo menos melhorar um pouco comigo, não poderia?
— Isso vai fazer você acabar com essa choradeira? Vai garantir que eu possa trepar com você todas as noites?
Ela o empurrou, estava irritadíssima com aquele palavreado dele. Andou até a porta e a abriu.
— Sai daqui logo! Eu não aguento mais as suas grosserias!
— Tudo bem, isso já me cansou. Eu vou voltar aqui amanhã.
— Vai dar com a cara na porta, eu não vou estar aqui!
— Veremos!
Ele saiu e bateu a porta. Bulma chorou o resto da noite.
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