A Guerra das Cápsulas
20 Chichi tenta romper o noivado
Notas iniciais
Vegeta estava estupefato. Nunca na vida havia tomado um tapa na cara, nem do seu pai, nem de ninguém. E nesse momento aquela terráquea insolente o batia. Não que o tapa tivesse doído, mas era a situação humilhante que o irritava.
— Você quer morrer, mulher? — ele perguntou massageando a face onde ela batera.
— A culpa é sua por ficar falando essas merdas pra mim.
— Minha culpa? Você estava querendo.
— Eu não quero nada com você, quando você vai entender? — ela gritou.
— Eu nunca recebi um não na minha vida.
— Bom, com prazer eu dou o seu primeiro e definitivo não!
— Ah, sua terráquea insolente... deveria ter te matado antes. Espera só até eu ter as minhas cápsulas...
— Você não vai fazer nada contra mim, Vegeta. Nem contra os meus pais e nem contra ninguém! Se for fazer eu não te dou as cápsulas.
— Por ora eu vou deixar assim, mas quando você menos esperar...
— Você já falou isso tantas vezes. Pelo visto o extraordinário príncipe só sabe prometer — ela desdenhou.
— Pode brincar à vontade... — ele se dirigiu até a porta — Mas você vai fazer tudo o que eu quiser e ainda vai gostar e depois que eu te usar bastante eu vou te exterminar como um inseto.
Bulma jogou uma almofada na direção dele, Vegeta evitou ser acertado incinerando a almofada com um raio.
— Desgraçado! — ela gritou.
***
Durante do jantar no palácio, o Rei Ox conversava alegremente com Chichi sobre a tarde que passou atirando. Chichi odiava esse passatempo do pai, achava rudimentar demais que a terapia dele fosse destruir coisas, isso não combinava com o seu jeito bonachão de ser. Porém naquela noite, como esperava conseguir a aprovação e apoio dele no rompimento do noivado, sorria amigavelmente enquanto ele contava pormenores da sua tarde. Goku não entendia nada sobre dar tiros mas parecia genuinamente interessado. O Rei Ox percebendo o entusiasmo do rapaz o convidou para ir junto com ele algum dia daqueles. Chichi incentivou, já previa que Goku se daria muito bem com o futuro sogro.
Ao final do jantar, Chichi pediu uma audiência particular com o pai, ao qual Goku foi convidado para desconfiança do Rei. Conforme ela contava sobre a sua vontade de romper com o noivado com Vegeta, o Rei Ox entendeu o motivo de Goku estar ali.
— Filha, eu só quero saber... até onde você e esse rapaz foram?
— Como assim pai?
— Você entendeu minha pergunta.
— Nós não fizemos nada impróprio papai — Chichi mentiu.
— Bom, se é esse o caso, então eu vou dizer à vocês que esqueçam isso. Case com o príncipe Vegeta e faça o máximo que puder para ser feliz com ele.
— Mas eu não quero me casar com ele, pai!
— Eu não posso entrar em detalhes, mas se você ainda é uma noiva adequada, permaneça assim. O casamento precisa acontecer.
— Mas papai, é impossível! Eu não posso me casar com ele, eu o odeio!
— Filha, quando eu me casei com a sua mãe eu também não a amava. Mas conforme fomos nos conhecendo e convivendo no dia a dia eu passei a amá-la com toda intensidade.
— Mas o caso de vocês era diferente! Você é um homem bom e mamãe era maravilhosa! O Vegeta é um monstro! Sabia que ele andou matando pessoas por nada?
— Eu sei, fui reportado dos crimes do seu noivo aqui na Terra.
— Então pai...
— Mas está além das minhas possibilidades romper esse noivado.
— Como além das suas possibilidades? Você é o rei! Se você não tem poder para desfazer isso, ninguém mais tem!
— Exatamente... ninguém tem esse poder.
Goku que até então ouvia a conversa calado perguntou.
— Com licença majestade... mas isso por acaso isso tem algo a ver com o contrato?
O Rei Ox suspirou profundamente.
— Então você também sabe?
— Eu não sei dos detalhes, mas sei que existe um contrato antigo que o Rei Vegeta assinou com o senhor — Goku respondeu.
— Sim, tem tudo a ver com esse contrato.
— Então se falássemos com o Vegeta... — Goku sugeriu.
— Me admira você como um súdito leal, além de trair a confiança do seu soberano querer insistir nessa loucura. Coloque-se no seu lugar rapaz, só não o delato pois sei da afeição que minha filha tem por você, mas qualquer assunto do casamento não te diz respeito.
Goku ruborizou profundamente, nunca havia sido chamado atenção daquela maneira.
— Papai, não fale assim com ele... — Chichi interviu.
— Filha, eu estou decepcionado com você... Agora eu gostaria de poder ficar à sós para esquecer isso, e vocês esqueçam desse flerte bobo também, vocês são só crianças ingênuas que não sabem o que estão pedindo. Esse casamento não é sobre romance e amor eterno, é a segurança e a prosperidade do povo saiyajin e do povo terráqueo que está em jogo.
Goku e Chichi olhavam para o chão, se o Rei soubesse até onde eles tinham ido talvez suas palavras fossem mais duras.
— Filho — ele se dirigiu para Goku — eu vou pedir que você se afaste da princesa, não posso incentivar vocês e fingir que não estão em perigo. Por favor, vá embora do palácio amanhã mesmo, você poderá ficar no quartel militar até partirem da Terra, mas não quero mais ver você perto da minha filha. E se desobedecer à essa ordem vou avisar o seu soberano e você vai ter que se entender com ele, creio que ele não será tão amigável quanto eu.
— Papai, você não pode fazer isso! — Chichi protestou.
— Tudo bem, princesa... eu realmente me esqueci momentaneamente do meu lugar — Goku disse. Ele fez uma profunda reverência ao Rei Ox — Majestade, eu imploro que me perdoe, eu vou agora mesmo acatar as suas ordens e me afastar da princesa, mas por favor, não mencione nada ao príncipe, pois temo que ele possa se vingar tentando machucá-la... e se eu tiver que pagar por isso, eu quero pagar sozinho.
Goku estava acostumado a se humilhar e pedir perdão em situações muito menos graves do que aquela, para ele não foi difícil ter que fazer isso mais uma vez, afinal ambos tinham sido tolos e levianos achando que um casamento da realeza poderia ser desfeito porque ele, um mero soldado se interessou pela princesa. Ele permaneceu curvado alguns instantes e depois saiu sem olhar para Chichi.
— Goku! — ela gritou enquanto ele saia.
— Deixa ele filha, que bom que pelo menos ele tem um pouco de juízo — o Rei Ox falou — Mas o que deu na cabeça de vocês? Acharam que seria simplesmente vir aqui e me pedir para cancelar tudo e num instante estaria feito?
— Papai... eu o amo de verdade, achei que você fosse perceber isso e nos ajudar!
— Filha, entenda que eu percebi a conexão de vocês desde o início, mas está fora das minhas mãos agir à favor de vocês neste caso.
— Pai, pelo menos me explica o porquê. Você não quer me ver feliz?
— Claro que sim, filha, mas isso foi uma coisa que eu e o Rei Vegeta tivemos que fazer contra a nossa vontade, nem ele e nem eu queríamos envolver você ou o príncipe nisso, mas fomos obrigados.
— Como foram obrigados pai? Vocês, os reis dos seus planetas foram obrigados? Quem os obrigou?
— Filha, se eu te contasse você realmente não acreditaria.
— Me conte pai, por pior que seja eu quero entender que maldita merda está escrita nesse contrato que me impede de ser feliz com o homem que eu amo.
— Bom, filha, se quer mesmo saber eu te conto. Supostamente você deveria saber disso somente após o casamento, mas dadas às circunstâncias...
— Fala pelo o amor de Kami-sama, pai! O que é afinal?
— Bem, esse contrato não foi somente firmado entre o Rei Vegeta e eu... ele foi firmado pelos deuses.
— O quê? — Chichi pareceu não entender uma palavra sequer.
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