A Guerra das Cápsulas
12 Bulma sugere um passeio
Notas iniciais
Chichi aproveitou a manhã para ler um livro no jardim, não tinha muito com o que se ocupar já que a amiga passaria os dias trabalhando, ela teria que inventar uma distração para si.
Goku a encontrou no jardim, ela estava muito diferente dos dias anteriores, os cabelos longos e soltos brilhavam sob o sol da manhã, usava roupas comuns, nada extraordinário como os vestidos que usava no palácio. Ele realmente preferia essa versão mais acessível dela. Ele chegou perto dela, queria começar algum assunto, mas assim que ela percebeu que estava sendo observada por ele, levantou e saiu.
Bulma não perdeu tempo, acordou cedo no dia seguinte e foi para a fábrica após um café rápido que ela tomou junto com o pai.
Vegeta passeou pela casa e os arredores e concluiu que aquela era de fato a casa mais luxuosa que já havia visto. Eles com certeza eram muito ricos, muito mais do que ele imaginara ao descobrir que Bulma era dona da Capsule Corporation.
Depois de ver toda a casa, Vegeta resolveu ir cobrar a produção das cápsulas. Entrou na fábrica e encontrou Bulma em uma sala de controle, com muitos painéis eletrônicos.
— Já terminou a produção das minhas cápsulas, mulher?
— Ah, claro que sim, estão todas aqui no meu bolso, olha só — ela respondeu ironicamente.
— Não brinca comigo, mulher.
— E você me deixe trabalhar!
Vegeta observou a linha de produção lá de cima da sala, pessoas e robôs faziam um trabalho aparentemente simples.
— Quantas já tem?
— Poucas.
— Quantas? — ele insistiu.
— Muito poucas, umas mil e duzentos cápsulas, no máximo — Bulma chutou um número estimado.
— Só isso? Quantas vocês conseguem produzir por dia?
— Se tudo correr bem, cinco mil cápsulas.
— Não vai ser suficiente — Vegeta concluiu.
— Não mesmo e se você ficar me apressando aí que não vai dar mesmo.
— Aumenta essa produção aí e cumpra o que prometeu. Quero todas elas antes do meu casamento.
Essas exigências de Vegeta além de serem sem pé nem cabeça tiravam Bulma do sério.
— Você vai receber suas cápsulas, mas eu vou precisar trabalhar em paz, então por favor, não venha mais aqui.
— Eu vou vir todo dia, mulher.
— Então venha! Mas não fale uma palavra e não mexa em nada — ela o advertiu.
— Você não vai me dar ordens.
— Bom, se quiser suas cápsulas, eu vou dar ordens sim e você vai ter obedecê-las — ele riu com desdém.
Vegeta ainda continuou reclamando e ameaçando, mas Bulma entrou no modo automático. Trabalhava fortemente focada quando precisava. Sua meta era conseguir aumentar a produção em trinta por cento para conseguir cumprir os prazos do príncipe. O quanto antes se livrasse dessa encrenca seria melhor.
Vegeta, vendo que estava sendo ignorado, foi conhecer a fábrica. Andou por todos os lugares, viu tudo, fez perguntas aos funcionários, observou as experiências do dr. Briefs. Os terráqueos eram um povo estranho para ele. Dominavam tecnologia mas não tinham armas, não usavam nada disso para aumentar o seu poderio militar.
Os dias que se seguiram continuaram do mesmo jeito. Bulma saindo cedo para trabalhar, Vegeta indo atormentá-la dia após dia. Goku correndo atrás de Chichi, e Chichi fugindo de Goku. Ao final da segunda semana naquela rotina, todos estavam frustrados, tensos e querendo algum alívio. Bulma achou que não teria problema em passar um final de semana na casa do Mestre Kame e rever alguns amigos, ela sugeriu isso no jantar.
— Onde é isso? — Vegeta quis saber.
— Fica em uma ilha, é um lugar muito gostoso e relaxante.
— E quem é esse velho?
— É só um velho mestre de artes marciais, foi mestre do Rei Ox, não é Chichi? — Bulma incluiu a amiga na conversa.
— Sim, é verdade, mas faz muito tempo — Chichi respondeu mecanicamente.
— Uau! Seu pai treinou artes marciais também? — Goku estava empolgado.
— Treinou — Chichi respondeu secamente, não queria prolongar a conversa com Goku — Eu vou subir para o quarto, estou cansada, você vem Bulma?
— Já vou. Você não vai querer a sobremesa?
Chichi fez um sinal negativo lá do alto da escada.
A mãe de Bulma trouxe a sobremesa, uma torta de morangos. Bulma e seu pai comeram com gosto já que era a favorita de ambos. Vegeta adorou a tal torta mas não demonstrou, já Goku comeu o resto da bandeja e ainda pediu mais.
— Esses jovens são tão bonitos, não são, otou-san? — a mãe da Bulma não cansava de tecer elogios à beleza dos saiyajins.
Enquanto Vegeta revirava os olhos, Goku ria sem graça.
Bulma pediu licença e subiu para o seu quarto.
— Por que você teve que inventar um passeio com esses dois? Eu não quero ir — Chichi estava realmente mal humorada.
— Vai ser legal, vai ter outras pessoas lá, você não precisa ficar perto deles se não quiser.
— Tá difícil, muito mesmo... esses dias todos com ele me rondando.
— Eu acho que vocês precisam conversar e resolver logo isso. Você vai se casar com o Vegeta em um pouco mais de dois meses.
— Nossa, ainda tem isso... — Chichi parecia realmente ter se esquecido do próprio casamento.
— Ele não desistiu do casamento, fala nisso o tempo todo.
— Ele fala pra você mas não pra mim?
— Talvez ele falasse se vocês passassem mais tempo juntos — Bulma sugeriu.
— Então agora você está defendendo ele?
— Não é isso... é que ele está sempre por perto.
— Eu não confio nele — Chichi declarou.
— Eu também não confio, mas já que vocês vão se casar, deveriam pelo menos tentar se conhecer um pouco mais.
— Você gosta dele? — Chichi perguntou de repente.
— Não gosto dele, eu não gosto do seu noivo! — Bulma respondeu desconcertada.
— Esquece que ele é o meu noivo. Você gosta do Vegeta?
— Eu não gosto do Vegeta, sendo ele o seu noivo ou não, é sério — ela insistiu ruborizando fortemente.
— Seria bom se você gostasse, assim ele se casaria com você.
— Eu não me casaria com ele, de maneira alguma!
— Nem por mim? Nem se eu pedisse pra você seduzir ele? — Chichi sugeriu.
— Está louca? — Bulma não tinha gostado dessa ideia.
— Eu acho que o Goku gosta de mim — Chichi continuou — Mas ele não vai fazer nada enquanto existir esse compromisso.
— Por isso que vocês deveriam conversar.
— Eu não vou me humilhar pra ele.
— Não é se humilhar! É conversar pra se entender. Vocês estão desperdiçando o tempo de vocês.
— Ele já falou que acabou, não tem mais o que fazer. Eu nunca fui rejeitada, eu não sei o que fazer! — Chichi começou a chorar.
—Você precisa resolver sua vida, seu casamento ainda está marcado, você não vai poder chegar no dia e dizer que desistiu assim do nada. E se você casar sem se resolver com o Goku vai ser pior, lembre-se ele é o braço direito do seu noivo e vai continuar sendo. Como você pretendo conviver com ele sem resolver isso?
— Eu não pretendo viver, essa é a verdade — Chichi secava as lágrimas.
— Para de falar besteira! Você é nossa princesa, mais auto estima, menina!
— Não é que eu não tenha auto estima, é que me coração está despedaçado mesmo. Eu não tenho direito nem de sofrer um pouquinho?
— Claro que tem! Mas levante a cabeça, fique bem bonita e mostre pra ele que o superou — Bulma a animava.
— Mas eu não superei!
— Finja até superar!
— Vai demorar — Chichi declarou desanimada.
— Vai nada... aproveita essa viagem pra casa do Mestre Kame para se envolver mais com o Vegeta. Nós estaremos em uma ilha paradisíaca, não é possível que ele continue sendo um escroto até em um lugar assim — Bulma parecia empolgada.
— Será mesmo? Ele é tão "brucutu"... já o Goku é tão fofo, adoro o sorriso dele — Chichi sorriu ao lembrar-se.
— É justamente essa comparação que você não deve fazer...
— Eu não sei, Bulma. Vai ser difícil me aproximar do Vegeta, principalmente porque ele não tem interesse nenhum em se aproximar de mim... e se ele me rejeitar?
— Como? Ele é o seu noivo!
— Mas vai saber o que se passa na cabeça dele. Eu acho que ele está afim de você... tipo "afinzão" mesmo.
Bulma ruborizou novamente.
— Não está, é só impressão sua. Agora vamos dormir que amanhã acordaremos cedo — Ela achou melhor encerrar a conversa antes que Chichi começasse a ter mais ideias.
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