A Guerra Negra
5 O Ressurgimento da Esperança.
Na manhã seguinte, Frank acorda com o sol, muitos anos trabalhando em colheita o condicionaram a acordar sempre por volta das 6 da manhã, ele se levanta e estica o corpo sentindo-o todo dolorido pela noite dormida no chão, antes tivesse pensado em fazer uma cama com gramado durante o dia agora sente na pele a consequência. Ele sai do quarto com cuidado para não acordar os dois companheiros e só depois que passa pela primeira porta é que reclama das dores pela primeira vez logo depois de tentar se espreguiçar, vai ao andar de cima, se fosse em sua casa começaria a retirar as travas da porta, mas nesta nova casa isso não é necessário já que a porta nunca era travada. Ele sai da casa se senta nos degraus de madeira da casa e sente o cheiro bom da mata molhada, havia tido sereno durante a noite e a terra está macia. Após alguns minutos observando a floresta ouve o alçapão abrir, rapidamente se levanta entra.
– Já acordada minha filha?
– Sim, tive uma ótima noite de sono, me sinto ótima. – Muito bem humorada.
– Que bom, eu ia fazer o café da manhã, mas não temos nada nesta casa.
– Ah, não se preocupe, eu encontro algumas frutas na floresta.
– Escute minha filha, eu tenho alguns colchoes finos na minha casa, que podem ser facilmente transportados para cá, estava pensando em ir busca-los junto com alguns mantimentos, acho que não aguento outra noite no chão. – Diz colocando a mão nas costas fazendo careta de dor.
– Mas é claro Frank, vamos lá assim que eu comer algo, tudo bem? – Indo para a pia lavar o rosto.
Merlin escuta o barulho no andar de cima e acorda inicialmente agitado, pois a muito tempo não acordava com barulho e sempre que isso acontecia era sinônimo de problema, mas em seguida houve a voz da Agatha e do Frank e se acalma, sai de baixo da mesa, sente um pouco de dor nas costas mas já está acostumado com ela.
Merlin sobe pelo alçapão e cumprimenta Frank, que observa o sol brilhar na mata pela porta. Procura entre a sala, cozinha e dispensa por Agatha, não a encontrando retorna para Frank.
– Aonde está ela?
– Está ali comendo algumas maças. – Apontando para o Oeste, aonde pode se ver Agatha ao longe. – Está com fome?
– Não, ainda cheio com o javali. O que me lembra que me deve uma disputa de arco.
– He he. Tem razão, está pronto?
– Sim estou.
– Então vou pegar o arco velho que encontrei na casa pra pegar o javali. – Fala entrando para a casa.
Enquanto isso, Agatha vinha voltando para a casa, quando chega oferece a Merlin algumas frutas que colheu, maça, laranja e pera Merlin pega um pera e fala que vai caçar com o Frank agora pela manhã para que ele prepare algo para o jantar enquanto eles treinam.
– Pronto, aqui está o arco. – Segurando um arco velho capaz de arrebentar a qualquer momento.
– Você conseguiu caçar com isso?
– Já desistindo antes de começar? – Em som de deboche.
– Não, claro que não.
– Bom enquanto vocês vão caçar vou até o vilarejo pegar as coisas que disse Frank.
– Tome cuidado Agatha.
– Não se preocupe Merlin, está de dia, essas coisas não podem com a luz, mas você sabe disso não é?
– Sim, não é com as criaturas das trevas que estou preocupado, o mundo mudou muito nesses anos, e as pessoas não são mais as mesas, além do mais, sempre existiram muitas coisas perigosas no mundo mesmo antes da vinda da escuridão, você deve conhecer bem.
– Sim, como disse, não se preocupe. – Se vira e segue em direção ao Sul, indo para o vilarejo.
– Vamos então?
– Vamos Frank, mas vamos acabar com isso rápido, não gosto de deixa-la sozinha, ainda está muito fraca. –Saindo da casa começando a caminhada para mais ao meio da floresta.
Eles se afastam bastante da casa e então começam a caçar, a regra é: uma flecha de cada, quem acertar o jantar, ganha. Eles tem exatamente 12 flechas. Merlin começa atirando contra um coelho que havia passado a alguns metros à frente, mas não passa nem perto, Frank começar a soltar gargalhadas. – Foi o sol Frank, foi o Sol. – Diz Merlin tentando se justificar. Frank pega o arco, ainda visualizando o coelho tenta acerta-lo, não obteve muito sucesso também. Ficaram a manha toda nessa disputa.
Agatha já começa a enxergar o vilarejo, as pessoas já andam pelas ruas algumas vão para o campo outras conversam, como normalmente fazem, sussurrando. Ela chega a cidade como da última vez, a maioria das pessoas se lembra dela mesmo assim a olham como estranha, ninguém fala nada, nem mesmo conversam entre si. Ela chega à casa do velho Frank, a porta está aberta mas nada foi tocado, ela sobe até o quarto e procura pelo tal colchão fino que o Frank havia falado, procura embaixo da cama e nos cantos do quarto, ao abrir o armário, ela encontra algumas roupas do Frank e sua esposa, resolve então levar algumas para ele e para ela mesma, acreditando que Frank não se importaria, encontra também mais dois cobertores finos e dois grossos, decide levar os finos, pois como não está em uma época de frio isso deve bastar além de não conseguir leva-los junto com as roupas e os colchoes mesmo que finos. Sai deste e entra em outro quarto, presumindo que era o de sua filha, pelo tamanho da cama, ela se aproxima e percebe em cima uma boneca de pano, pega e se lembra que seu pai costumava contar histórias de magos poderosos e suas bravas aventuras salvando o mundo do mal para ela antes de dormir, se lembra também que sua mãe sempre brigava com ele por não achar aquelas historias para se contar a crianças antes de dormir, com isso solta em breve sorriso, que se apaga amargamente quando se lembra a morte terrível que a garotinha dona daquela boneca teve. Ela se agacha e procura embaixo da cama, avistando os colchoes enrolados e amarrados, ao todo três mas só vai conseguir levar dois em um braço e com o outro as roupas juntamente com um cesto com algumas coisa pra comer, ela pega os colchoes e desce para a cozinha, deixando as coisas na porta de entrada, procura nos armários e encontra farinha, leite, pão e algumas frutas, coloca tudo na cesta que havia no chão próximo a pia e leva pra porta da casa, se arruma e sai, quando seu olho se acostuma com a claridade do lado de fora da casa, o vilarejo todo está reunido na praça em frente da casa do Frank esperando por ela, um homem se aproxima com um forcado de palha.
Longe dali Merlin e Frank ainda caçam o jantar.
– Ahh vovó, você não está com nada. – Diz Merlin debochando da última tentativa frustrada de acertar um esquilo fujão no mato.
– Disse que sou melhor que você, não disse que sou bom nisso. – Rindo.
– É mas isso acaba agora. – Pegou a decima primeira flecha sobrando assim só uma para Frank e mirando para o algo avista um gavião, que sobrevoa a área também procurando alimento, se concentra um instante e atira acertando-o em cheio que cai a poucos metros da onde estão já morto. – Ahá, não disse que acabaria agora. – Se vangloriando.
– É mais eu ainda tenho uma tentativa, sabichão. – Tomando o arco pra si.
Eles caminham até o gavião, Frank avista mais um coelho, os malandrinhos são espertos e rápidos mas não podia sair perdendo dessa, mira e espera o momento certo, quando o coelho começa a se movimenta dando pulos Frank atira, atingindo o animal ainda no alto, que também já cai morto.
– Viu, tiro certeiro, acho que empatamos. – Indo em direção a caça abatida.
– É parece que sim, na conclusão somos bons, e só não acertamos nas outras tentativas por piedade as pobres criaturas. – Em tom sarcásticos, dando inúmeras risadas.
– É.... pode ser.... – Com um sorriso amigável.
Eles pegam suas caças e caminham de volta para a cabana que serve de morada temporária para eles. Chegando lá já é próximo as 10 da manhã eles procuram por Agatha mas não a encontrar, chama algumas vezes mas sem resposta, Merlin decide ir até o vilarejo pois já devia ter voltado, mas é tranquilizado por Frank com justificativa à demora devido ter que procurar o colchão e pegar mantimento, então eles aguardam mais um pouco até começarem a se preocuparem.
No vilarejo a “multidão” observa Agatha, e o homem de aparentemente trinta e poucos anos indaga-a.
– Foi você que esteve aqui há duas noites, não foi?
– Sim, o que quer?
– Por favor forasteira, nos ajude, vimos o que fez com a criatura das trevas, você pode nos salvar, nos livras desta peste terrível, eu lhe imploro, damos o que quiser, só nos ajude por favor. – O homem fala implorando.
– Desculpe, mesmo que eu quisesse não conseguiria, vejam, um único me feriu em menos de dois minutos de confronto, imaginem três, quatro ou um exército. – Fala virando a perna machucada mostrando a faixa que está manchada de sangue. – Eu não consigo lutar com eles, sou fraca! – Exclama com certo tom de raiva e vergonha.
– Por favor forasteira, eu lhe imploro. – Se ajoelhando próximo aos pés dela – Ontem levaram minha esposa e eu não pude fazer nada, não quero que hoje seja meus filhos, eu lhe peço moça, nos ajude, por favor, por favor. – Fala com tristeza e com olhos cheios de agua.
– Eu sinto muito, serei mais útil longe recuperando forças para ajuda-los, me desculpe. – Começando a andar.
– Não vá moça, não faça isso com essa pobre gente que não tem certeza do amanhã, se você se for terá em suas mãos o sangue dessa gente, quando poderia ter ajudado e não o fez, terá o sangue dos meus filhos, dos nossos idosos, eu lhe peço que não vá, você é nossa última esperança. Nós te vimos lutar, nós acreditamos em você, não nos deixe, por favor. – Fala enquanto as lagrimas escorrem em seu rosto abatido.
Agatha para de andar se sensibilizando com o homem em sua dor e tristeza, percebe que esse era seu dever, proteger as pessoas era sua responsabilidade como maga, foi pra isso que aprendeu a arte da magia, tinha a obrigação com seu povo e honrar seu juramento ao seu mestre quando iniciou seu aprendizado, não podia simplesmente deixar está gente sofrer por ser covarde e ficar coagida, amedrontada por essas criaturas, não, tinha de ficar e lutar mesmo que isso custasse sua vida.
– Está bem, eu ajudarei, mas precisamos de um plano. – Agora fala em alto e bom som para todos do vilarejo. – Quero que todos vocês juntem lenha para uma grande fogueira aqui mesmo perto do poço, precisaremos de muita luz, todos vocês durante a noite ficaram aqui no poço perto da fogueira se protegendo na luz, eu vou até a floresta mas voltarei. – Se agacha perto do homem. – Eu vou voltar, eu prometo. – Se levanta e caminha em direção a floresta.
– Obrigado moça, muito obrigado. – Fala enxugando suas lagrimas.
Na cabana Frank prepara o coelho que haviam caçado para o almoço e Merlin está no andar abaixo lendo. Agatha entra na cabana com as coisas que havia juntado, coloca em cima da mesa com pressa e pergunta aonde está Merlin, Frank aponta para o alçapão e ela em seguida desce apressada, quando se aproxima do quarto vê uma luz brilhante vinda de dentro e se aproxima devagar. Merlin está sentado mexendo os dedos de sua mão como se manuseasse uma marionete a alguns centímetros de altura da mesa e abaixo de sua mão existe uma espécie de bailarina feita de vento, muito abstrata por vezes e em outros momentos muito bem definida, ela faz movimentos simples e graciosos, mas, de repente ela some de uma só vez se dispersando movendo algumas páginas do livro próximo, em seguida Merlin bate na mesa com certa raiva e abaixa a cabeça.
– Merlin? – Pergunta ainda na porta somente com a cabeça para dentro do quarto apoiada no batente da porta curiosa.
– Ah você voltou, estava começando a ficar preocupado. – Se levanta e fecha o livro.
– O que estava fazendo? – Entrando no quarto.
– Nada, só estava em uma tentativa frustrada de me aperfeiçoar na arte do vento. Mas não muito bem sucedido. – Um pouco envergonhado.
– Você foi ótimo... – Em devaneio se recordando dos movimentos graciosos da dançarina de vento.
– Obrigado.
– Mas preciso de sua ajuda. — Assumindo um tom sério.
– Sim, do que precisa.
– O vilarejo, precisamos ajuda-lo, as pessoas estão morrendo aleatoriamente, todas as noite, precisamos ajuda-los, as pessoas não tem mais esperança, é nosso dever protege-los.
– Eu entendo Agatha, mas se formos lá morreremos, você ainda não está forte, e eu nunca foi treinado além de ter tido poucos combates, ainda por cima essas criaturas são extremamente perigosas, você quer mesmo arriscar todo o destino do mundo com apenas um vilarejo?
– Sim eu quero, foi pra isso que me formei maga, de que vale salvar o mundo se você sequer sabe o que é fazer o bem ao próximo? Temos que salvar o mundo sim, uma cidade por vez, uma criança por vez. – Diz confiante.
Merlin vendo que não tem jeito de mudar a ideia de Agatha consente com um simples gesto coma cabeça e ambos sobem. Ao checar na cozinha explicam o que vão fazer para Frank e pedem que ele fique na cabana, mas ele se recusa argumentando que se eles iriam para uma missão suicida ela iria junto, e os faz prometer que seguira junto com eles aonde quer que eles fossem, não tendo escolha, seria isso ou deixa-lo para traz sozinho na noite, enquanto tenta segui-los, então eles concordam. O coelho fica pronto e eles comem antes de sair.
Por volta das duas da tarde pode-se ver os três chegando ao vilarejo e já ao longe eles enxergam a grande armação de fogueira e as pessoas trabalhando para criar sustentação para a noite toda de luz conforme havia sido solicitado. Eles vão entrando na pequena cidade e observando a movimentação, no rosto das pessoas pode-se perceber um ar de esperança e até mesmo as crianças ajudam como pode, carregando pequenos tocos de madeira eu palha para perto da fogueira. Ao chegar próximo ao poço aonde estava sendo armado a defesa da cidade as pessoas agora conversam em alto e bom som, pedindo, chamando, gritando, ajudando, todas elas animadas com tudo que estava sendo preparado e se sentem ainda mais confiantes quando percebem a presença da maga junto a eles cumprindo a promessa de volta. O homem que havia implorado por ajuda a horas atrás assim que a vê se depressa para lhe agradecer a ajuda já com um sorriso expressivo no rosto.
– Que bom que voltou, estamos construindo como nos ordenará.
– Vejo que fazem a todo vapor. – Olhando em volta.
– Sim, todos ficamos agradecidos pela sua ajuda e faremos o que for preciso para expulsar essa maldição que assombra nossa humilde cidade. – Com um tom alegre.
– Agatha, tem um problema. – Diz Merlin preocupado.
– Então diga homem, precisamos nos preparar.
– Veja, mesmo que esse seu plano dê certo, afugentaremos eles por uma noite, e na noite seguinte viram mais deles e com mais raiva, eles não tem fim, eles vêm das sombras, e seus números são infinitos, não podemos ficar aqui defendendo esse vilarejo o resto da vida.
– Justo. – Concorda com ele e sobe alguns níveis na fogueira.
– Escutem... Escutem todos, prestem atenção em mim um instante. – Falando alto em tom de discurso. – Estamos construindo uma defesa para essa cidade com luz, sabemos que essas criaturas não podem com ela, então construiremos essa fogueira alta e forte para que dure a noite toda afastando-os para longe. – Fala com entusiasmo, todos neste momento soltam um grito tímido de entusiasmo. – Mas... – Tomando um ar sério. – Com isso, chamaremos muito mais atenção para vocês, essas criaturas iram se sentir desafiadas, e viram aos montes com sede de vingança e não iram mais parar, se quiserem isso pra vocês, se quiserem viver guerreando noite após noite, tendo um trabalho duro durante o dia de buscar alimento e sobrevivência, além de construírem dia após dia uma fogueira igual a está, tendo que dormir pouco e trabalhar muito, se quiserem realmente isso pra vocês, estarei aqui para ajuda-los HOJE, pois não poderei ficar aqui eternamente vencendo batalhas e não a guerra, preciso sair e procurar acabar com esse sofrimento que domina o mundo, mas se não quiserem viver dessa forma e serem mortos aos poucos noite após noite rezando para que Deus proteja sua casa e família então voltem para suas casas e façam seus afazeres cotidianos.
Ouve-se várias conversas paralelas entre eles por alguns instantes até que um levanta a voz.
– Não podemos mais viver com medo, temos de lutar, lutar por nossas famílias, nossos filhos, precisamos nos opor ao mal e se tivermos que morrermos, que morramos de uma vez, sem angustia, sem medo, sem arrependimentos, lutaremos e enfrentaremos essas criaturas malévolas que nos acuam e matam com frieza como se fossemos nada, temos de lutar.
Em seguida há um gritaria de apoio ao homem.
– Então que assim seja, vamos lutar! – Brada Agatha.
Todos voltam a seus afazeres em função de montar a grande fogueira. O dia vai passando e a tal estrutura inflamável foi ficando firme e vigorosa, assim com o tempo passando, nuvens vêm se formando e se intensificando.
– Agatha, parece que vai chover, se isso acontecer estaremos com grandes problemas.
– Concordo Merlin, deixaremos tudo pronto para acender a fogueira a qualquer momento antes que comece a chover, se a madeira molhar não conseguiremos acende-la de forma nenhuma.
– Então é melhor nos apressarmos, pois acho que não demora muito. – Apontando para o chão que já se pode ver algumas gotas de agua, bem espalhadas.
– Meu Deus, rápido Merlin acenda a fogueira. – Correndo para aonde tem um grupo maior de pessoas.
– Mas ainda não está de noite. – Diz quase gritando. Sem reposta faz o ordenado.
– Rápido, vocês, avisem a todos para colocarem roupas de lã para amenizar a temperatura próximo ao fogo. – Chegando próximo do grupo de aproximadamente 15 pessoas que imediatamente vão as casas avisando. Agatha vai em direção a casa do Frank pegar algumas roupas de lã para eles também que se bem lembra-se viu algumas mais cedo. Ao entrar avista Frank com a boneca da sua filha na mão mas continua, vai até o quarto e encontra um vestido longo para ela e duas camisas de lã para os companheiros, desce e joga uma para o Frank.
Do lado de fora, Merlin, observa o céu, pela claridade deve ser umas 18:30 da tarde, mas não sabe ao certo por causa das nuvens negras. Ele então, estica os braços rapidamente para próxima as pernas com os punhos fechados e virados para frente abrindo-os logo em seguida, ao fazer isso nascem em suas mãos duas bolas de fogo, que ele arremessa contra a estrutura da fogueira que imediatamente acende a palha no centro que por sua vez aumenta rapidamente pela estrutura fazendo-o se afastar devido ao calor. Quando Agatha sai da casa de Frank já com o vestido de lã olha para Merlin que cobre seus rosto com o braço protegendo do calor, ela então corre para perto dele e lhe entrega a camisa que a coloca rapidamente.
– Agora é aguardar... – Olhando para o horizonte.
– Sim, só aguardar.
O tempo avança noite a dentro e a chuva se intensifica um pouco, mas ainda leve, as pessoas deixam suas casas com lençóis de lã e algumas mesas e ripas de madeira para se proteger do calor, da chuva e da batalha o máximo que puderem, todas elas se reúnem próximo a fogueira o mais próximo quanto o calor permite, com a claridade bem alta. A noite chega e tudo ao redor do vilarejo fica escuro. Bem ao longe já se pode ouvir os rosnados das feras se aproximando. As pessoas neste momento começam a sentir o medo percorrer a espinha e o frio no estomago. Agatha e Merlin estão um pouco mais a frente prontos para qualquer coisa, confiantes, Frank está com as outras pessoas.
As criaturas chegam no início da madrugada ao vilarejo através da estrada principal, elas caminham em direção ao centro e já percebem a grande fogueira, se aproximam até aonde a luz não lhes causa desconforto, são cinco e parecem furiosas, elas rugem e por vezes tentam avançar mas logo voltam devido a claridade se intensificar próximo a fonte de luz que as causa dor e irritação profunda. A cada minuto que se passa o clima se torna ainda mais tenso para Agatha e Merlin que não sabem o que vai acontecer.
– Acho que não vão avançar. – Fala Agatha olhando fixamente para um deles que não para de bater a calda no chão violentamente.
– Não sei, eles não vão querer ficar só olhando a noite toda, não é do feitio deles.
– Mas aqui eles não podem nos atacar.
– Você está certa, mas amanhã eles poderão vir em maior número e com isso podem tomar coragem a avançar e rapidamente derrubar a defesa facilmente acabando com todos da vila em seguida.
– Então precisamos mostrar para eles que não somos covardes e que lutaremos com força e coragem. – Ela fala dando alguns passos para perto deles.
– O que vai fazer?
– O que viemos... acabar com eles...
O fogo está agora a 20 metros dos magos e a 35 dos Shadows, com a aproximação de Agatha alguns se alvoroçam e se enfurecem ainda mais, quem é essa que ousa os desafiar? O que essa simples mortal quer provar? Vamos acabar com ela de uma vez, é o que se passa na cabeça das feras que deixam a mostra esse sentimento sem disfarçar. Eles rugem ainda mais forte a cada passo, eles esperam que ela venha até uma distância aonde eles possam rasga-la, corta-la em pedaços facilmente, mas não antes de brincar um pouco, não antes de faze-la sentir um pouco de dor por ousar desafia-los e assim ensinar aos demais que eles não tem chance contra a força deles.
Agatha fica a pouco mais de 5 metros de distância deles e logo em seguida Merlin se põe ao lado dela, a chuva se intensifica com gotas mais pesadas, Merlin olha para a fogueira que ainda está firme sem nem um pouco de chance de apagar. Ela dá mais um passo à frente, aponta para um deles vira a mão e faz um sinal como se o chama-se para briga, em seguida disso os outros ali presentes começam a rugir intercaladamente para o desafiado batem com as patas no chão como quem vaia alguém, com isso o alvo ruge mais forte que os outros fazendo-os calar e bate com o rabo duas vezes no chão aceitando o desafio avançando alguns passos, os outros se afastam e observam. Merlin também.
Ele ruge e sai em dispara pra cima dela que bate as palmas das mãos e ao afasta-las uma bola de agua surge, cresce e se divide em duas quando as mãos se afastam o suficiente, ela aguarda o momento e quando a criatura está há dois metros ela lança a primeira bola reta que atinge a cara da criatura fazendo-a parar a corrida então ela corre para cima do Shadow e quando chega de frente atira a segunda bola de cima para baixo com força fazendo com que o Shadow que tentava se nortear acerte o focinho no chão já enlameado, depois ela levanta os dois braços e deixa suas mãos abertas, acima cria-se uma bola de agua bem maior do que as que ela costumava criar cerca de 70cm de diâmetro, então ela ataca a fera como muita potência que chega a afundar meio metro na terra quase que imóvel. Merlin que a observa nem acredita no que acaba de ver, finalmente Agatha o surpreende em combate e por um breve momento seu coração se enche de alegria e esperança, Agatha se vira para ele e sorri. As outras criaturas que estavam quietas até o momento começam a rugir e param logo em seguida quando a calda da criatura caída volta a se mover, ela não percebe por estar de costa mas quando se dá por conta Merlin já conjurou uma bola de fogo e corre para perto dela, ela então perde o sorriso e se vira a calda está pronta pra fincar no seu peito, quando avança em sua direção a bola de fogo a atinge parando seu movimento, com isso a criatura se levanta e com as garras acertam seu braço fazendo um corte triplo que começa a sangrar imediatamente. Os outros Shadows vendo a intromissão do humano na batalha se sentem no direito de intervir também pois o duelo foi violado sendo assim eles uivam e avançam ferozmente indo ataca-los. Agatha e Merlin se afastam alguns passos mas mesmo com a luz incomodando, as feras furiosas não deixam de avançar a primeira então dá dois passos mais largo e gira cortando com o rabo, Merlin se vira, para e com o braço para baixo com o punho fechado faz força como quem levanta um peso, rapidamente uma pequena pilastra de rocha se levanta e impede o trajeto do rabo em seguida Agatha atira uma bola de agua na criatura que ruge em reclamação, outra criatura vem logo atrás pula coloca as patas dianteiras na pilastra crava as garras servundo de apoio e gira o corpo ficando de costas para Merlin e rapidamente disfere um golpe na vertical com o rabo e consequentemente com o corpo para baixo, Merlin se põe de lado e vê bolas de agua passando chegando a fazer vento e seu rosto acertando em seguida o Shadows que cai rolando afastando-o um pouco, então ele olha para o lado e a vê lançando bolas uma atrás da outra sem parar afastando as feras, ele se concentra novamente nos dois que ficou a seu cargo, a pilastra se arrebenta e os dois Shadows ficam de lado balançando o rabo sinistramente, o primeiro vem, Merlin com o mesmo movimento puxa uma estaca da terra inclinada contra o sentido do Shadow ficando em sua garganta prendendo-a com a estaca travada entre o dorso e o crânio da besta que com as garras tenta se soltar a outra sem nem se importar para o aliado bate o rabo no chão, pula em cima da que está presa e salta novamente em direção ao mago com ambas as garras a frente do corpo, Merlin por sua vez gira o pulso direito criando assim uma bola de ar e lança contra o Shadow mas antes que pudesse cair no chão o Shadow é acertado de novo com força por uma bola de agua o lançando muito próximo a fogueira que o faz em pó, a fera presa enrola o rabo em espiral na estaca de pedra e quando puxa a faz se despedaçar assim se libertando.
Agatha faz o que pode para segura-los atrás, mas mesmo com seus esforços eles de pouco em pouco avançam, um deles pula do lado dela e tenta dar um garrada em sua perna, ela rapidamente tira a perna e atira uma bola de agua na cabeça da fera e outra no corpo fazendo-a rolar no chão, de repente à sua frente aparece outra em velocidade pulando com a garra afim de acertar seu rosto, ela se joga para o lado oposto de onde havia derrubado o anterior, porem a criatura vendo que errou o ataque vem cortando a terra com a ponta do rabo, ela então junta as mão na direção do Shadow e cria uma bola maior de agua mas ela não impulsiona o arremesso, simplesmente a bola se lança contra o Shadow fazendo com que seus braços sejam lançados para trás como o impulso de um disparo, a bola acerta o Shadow como uma violência ainda mais intensa do que quando ela própria arremessa, o impulso é tão forte que faz com o que a fera acertada acerte a outra que se levantava atrás e se embolam, uma terceira é joga junto. Enquanto elas se recompõem Agatha e Merlin se juntam dando a volta no outro Shadow que estava em pé fazendo assim com que todas as criaturas fiquem mais próximas ao fogo do que eles, mas ainda distantes. Enquanto eles se levantam e se agrupam, Agatha com as mãos próximas e movimentos circulares entre elas se interagindo as gotas de chuva que caem ali próximo vão se juntando fazendo a bola ficar ainda maior, quanto maior mais gotas se misturam e cresce ainda mais, os Shadows se agrupam e veem todos de uma vez em cima de Agatha que apoia uma perna na frente do corpo e lança a esfera gigante que assim como dá última vez ganha um impulso enorme fazendo Agatha se desequilibrar para trás após o lançamento, a bola atinge os quatro de uma só vez e o levam para o fogo ficando bem próximo, antes que possam tentar se mover, Merlin com movimentos abertos dos braços toma controle da chama da fogueira e os certa fazendo-os desintegrar com a claridade ficando assim somente seus crânios.
Envolta de Agatha começa a se formar uma aura azul como o mar e ela começa a absorver essa aura, ela sente-se renovada, fortificada os ferimentos são curados e a energia corre por seu corpo. Ao verem os crânios no chão, o povo do vilarejo grita em alegria e agradecimento aos magos, correm ao abraço deles e os levantam acima da multidão por alguns momentos.
– Você nos salvou! Nos salvou! Muito obrigado. – Diz o homem que a implorou ajuda com imensa alegria, e pela primeira vez em muitos anos pode-se ver um sorriso de grande alegria no rosto de todas as pessoas daquele local, pena que por pouco tempo.
Agatha, embora muito alegre com a vitória, continua preocupada com a noite seguinte e Merlin sabe o motivo. Após um pouco mais de algazarra as pessoas vão dormir ainda próximas a fogueira só que desta vez muito mais aliviadas, tranquilas.
– Então você evoluiu? – Perguntou Merlin.
–Sim... – Embora Agatha estivesse feliz pelo feito no vilarejo e ter evoluído seu nível de magia ele ficava muito frustrada por que correr todo o caminho de evolução novamente, ela sabe que o caminho é longo e muito perigoso mas isso não a assusta somente a decepciona.
– Sim Merlin evolui para o segundo nível, e você em que nível está?
– Não sei dizer ao certo, mas isso já aconteceu comigo então presumo que no segundo também.
– Hunnn, sem mestre e passou para o segundo nível? Fico imaginando aonde você chegaria se tivesse tido um. Por que nunca se interessou por magia antes de tudo isso acontecer?
– Não sei, acho que nunca prestei muita atenção neste assunto, eu era só um ferreiro na cidade de Misk, haviam alguns magos por lá protegendo a cidade mas nunca os vi fazendo alguma coisa interessante, na maior parte do tempo estavam lendo, a verdade é que só os via lendo.
– Faz sentido, magos mais que tudo precisam ler, o conhecimento é passado de geração em geração para que sempre possamos nos aperfeiçoar, aprendendo com os erros e acertos de outros e quando ficamos experientes o suficiente, normalmente no fim da vida, também escrevemos para passar nosso conhecimento adiante.
– Você escreveu algum?
– Não, ainda estou muito jovem, ainda não devo passar minhas experiências adiante. Normalmente magos de níveis mais altos, 5 e 6 não escrevem livros, eles ensinam pupilos, assim o conhecimento fica mais seguro em boas mãos.
– Mas você não acaba de dizer que o conhecimento deve ser compartilhado?
– E deve, mas níveis altos de conhecimento quando caem em mãos erradas acaba sendo uma catástrofe, muitos magos quando adquirem muito poder caem em soberba e causam muita destruição com sua ganancia, por isso escolhemos muito bem nossos pupilos e cada mestre é responsável pelo seu até o dia de sua morte mesmo que muito tempo depois da sua graduação. Um mestre é como um pai para o pupilo, ele deve obedecer ao seu mestre sempre e deve confiar nele cegamente. Um pupilo renuncia sua família, sua herança e seu passado até o momento do seu juramento. Isso não significa que você não pode ter sentimentos por seus familiares ou amigos, significa que você intende que se for necessário você irá deixar sua família e tudo que conhece para um bem maior, e se tiver que escolher entre salvar uma criança ou salvar sua mãe, você salvará a criança pois tem muito mais para viver e aprender além de ser mais inocente. Uma promessa é algo inquebrável para um mago e o juramento que fazemos é sagrado superior a qualquer coisa e a qualquer um, por isso se deve pensar muito bem antes de fazê-lo.
– Nossa jamais havia pensado dessa forma, é claro que já havia lido sobre isso mas nunca pensei que fosse neste nível de confidencialidade a causa.
– Pois pense agora.
A noite avança e logo os raios de sol começam a brotar no horizonte, Agatha e Merlin ainda conversam sobre a arte da magia e suas responsabilidades. Frank acorda, é o primeiro do vilarejo, sempre foi, caminha até eles e começa a ouvir um pouco da conversa.
– ... Foi quando meu Mestre soube que estava pronta. – Explica Agatha.
– Bom dia Frank, acordando cedo como sempre.
– Embora toda a tensão de ontem à noite, dormi mais aliviado do que nunca, graças a vocês.
– Bom devemos voltar a floresta e continuar treinando.
– Ok, eu vou só pegar algumas coisas e já vamos.
– Não Frank. – Diz Agatha. – Precisamos que fique ai e coordene a construção da nova fogueira de hora, eles terão mais trabalho, pois desta vez terão que limpar os destroços desta outra terão de se organizar mais.
– Você está certa, ficarei então, mas me prometam que não vão embora sem mim.
Agatha consente com um gesto afirmativo.
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