A Guerra Negra

6 Em direção à Junkerdai


Agatha e Merlin voltaram para a cabana na floresta. Ao chegar eles concordam em descansar um pouco da batalha e da noite sem dormir, descem para o andar abaixo e se ajeitam. Agatha logo pega no sono, ela havia se esforçado muito e estava exausta fisicamente e mentalmente, mas Merlin não, Merlin por anos a vigiou enquanto dormia, sempre se preocupou com sua segurança, nada, nunca podia acontecer a ela. Embora muito cansado, tanto quanto ou até mais que ela, não dormiu logo de imediato, ficou alguns minutos se esforçando para ficar alerta, para ficar “guardando o silencio" como costumava pensar em suas longas horas de prontidão durante a noite. Segundos antes de dormir ele pegou o livro da agua que estava ali próximo à ele embaixo da mesa e resolveu ler mais um pouco, procurar quais eram as novas habilidades da Agatha agora no novo nível de poder magico, assim ele adormeceu, segurando um livro, lendo e estudando o máximo de informação possível, como de costume.

Algumas horas depois, 5 horas e 45 minutos para ser exato, Agatha acordou e sua primeira reação foi olhar para onde havia visto Merlin pela última vez; debaixo da mesa. Ela o observou, completamente desconfortável, não conseguia imaginar como alguém podia dormir naquela posição, debaixo da mesa, no chão, sem um travesseiro, um cobertor, ou sequer espaço suficiente para se esticar inteiramente, continuando a observa-lo viu as mechas do seu cabelo cobrir parte dos seus olhos e o livro debaixo de seu braço e sorriu, ele podia não ter tido um ensinamento, um mestre, ou exemplo próximo para se espelhar e tentar aprender, mas definitivamente era esforçado, isso ela não podia ignorar. Ela ficou ali olhando para ele e imaginando tudo que ele tinha passado, tudo que ele tinha feito e lutado para mantê-la salva, isso a confortava, dava-lhe a sensação de segurança e sabia que podia confiar-lhe a vida. Ela se levantou com cuidado para não o acordar, ao sair da cama quase tropeçou no próprio vestido mas conseguiu se equilibrar, olhou mais uma vez para ele para se certificar que não o havia despertado e continuou seu trajeto, subiu as escadas e decidiu por um banho, se não lhe falhava a memória havia visto um pequeno lago próximo dali e se dirigiu até lá.

Enquanto Agatha se encaminhava para o lago, Merlin acorda, não está acostumado a acordar e não vê-la deitada dormindo como sempre, não que seja ruim, mas sempre se sentia mais aliviado ao se levantar e a ver ali, segura. Ele se põe de pé e estica o corpo, sobe as escadas e procura por Agatha dentro e envolta da cabana, não a encontrando expande sua busca e encontra o lago, de longe ele já a encontra, tomando banho, se aproxima devagar por entre as arvores e arbustos, chega a uma distância razoavelmente próxima e continua a admira-la, olha seu longo cabelo loiro molhado escorrendo por suas costas, a agua está na altura da cintura, ele pode ver as curvas do corpo dela, sua pele branca, lisa e macia, ela se vira e ele pode observar seus belos seios, redondos, macios e completamente expostos, ela mergulha a cabeça na agua e levanta de uma vez fazendo seus cabelos molhados jogarem agua para cima e seus seios balançarem, uma cena bem excitante.

Agatha termina seu banho e sai do lago, pega seu vestido e o coloca ainda sobre o corpo molhado, um pouco mais distante ela ouve Merlin chamando-a, então rapidamente termina de se vestir e reponde ao chamado se apressando para se ajeitar direito.

– Ai está você! Estava te procurando, devemos iniciar o treinamento de hoje. Estava tomando banho?

– Sim, precisava de um, aliás você também.

Ele apenas sorri e se vira em direção a cabana, ela o segue. Ao retornar eles comem algumas frutas que sobraram e saem para começar o treino. Já passam das duas da tarde. Por volta das quatro horas eles param e retornam para o vilarejo, novamente as pessoas trabalham alegremente na construção da fogueira, está quase terminada e as pessoas começam a armazenar lenha para a do dia seguinte. Frank está conversando com alguns homens sentados em uma mesa próxima a fogueira.

– Agatha, que bom que já chegou. Queria te mostrar algumas ideias que os moradores tiveram.

– Ok, me mostre então.

– Bom, primeiro as mulheres estão produzindo mais cobertores de lã para manter uma boa temperatura próximo do fogo, assim poderemos ficar mais juntos a ele sem passar tanto calor, também estamos projetando um muro de pedras, argila e madeira para forçar eles a virem só por um lado, e também para amanhã vamos começar a criar mais de uma fogueira, será uma grande aqui no centro que já estamos fazendo e outras menores ao redor para “expandir” a luminosidade, deixaremos também algumas dessas menores apagadas para que eles não percebam e se avançarem muito poderemos usar alguns homens que são bons arqueiros para atear fogo de longe nelas, será como uma armadilha. — Frank fala muito empolgado com as ideias que tiveram e que realmente iram ajudar bastante na defesa do vilarejo.

– Muito bom Frank, assim ficaram bem mais protegidos, Merlin, continue ajudando eles a projetar uma estrutura forte que vou até a casa do dele.

Agatha os deixa discutindo as novas defesas do vilarejo e vai até a casa de Frank. Ao entrar ela vai até o quarto da filha e pega a roupa que havia deixado lá, a mesma que que o Merlin havia lhe dado quando acordou, no fim das contas não era tão vulgar assim e ela até que gostava. Ela se trocou e saiu novamente, agora as pessoas estão se arrumando envolta da fogueira colocando objetos para ajudar a bloquear o calor e fazendo uma espécie de tenda com cobertores de lã.

Já está quase escuro e eles acendem a fogueira, como da última vez Agatha e Merlin ficam a frente. A noite passa hora após hora, inicia-se a madrugada e a maioria dos aldeões já estão dormindo ficam de guarda 4 homens, o Frank e claro Agatha e Merlin.

O sol começa a clarear no horizonte deixando-o alaranjado, a noite se passou e nenhum ataque foi feito, talvez tenham entendido o recado ou talvez estejam juntando forças para um ataque maior mais bem planejado quem sabe, de qualquer forma Agatha e Merlin não ficariam no vilarejo para saber.

Na manhã seguinte, logo que os galos começam a cantar os cidadãos acordam e já de imediato começam a limpar a bagunça da fogueira que ainda está acessa, bem mais fraca do que quando se iniciou mas ainda emana bastante luz, o suficiente para protege-los, eles apagam a fogueira e checam as madeiras que ainda poderão usa, Frank que foi dormir pouco antes de amanhecer também se levanta para coordenar a nova fogueira e os outros projetos que eles têm para melhorar as chances de defesa.

As horas se passam e a construção dos novos projetos está a toda, tudo parece ir bem. Ao longe um dos aldeões avista uma pomba, essa traz uma mensagem para ele de sua irmã que mora em Junkerdai, ele começa a ler e rapidamente corre para Frank perguntando sobre o paradeiro de Agatha, Frank aponta para uma das casas, ela está juntamente com Merlin e mais alguns homens passando-lhes instruções sobre o muro. O homem corre para o grupo e assim que alcança começa a falar interrompendo a conversa:

– Agatha, por favor, você precisa me ajudar.

– O que aconteceu homem?

– Minha irmã, está com problemas na cidade dela, eles tinham alguns esconderijos aonde os cidadãos se abrigavam durante a noite, mas parece que agora os Shadows estão começando a invadir esses locais, você precisa ir ajudar minha irmã, ela é tudo que eu tenho, mandei ela para lá por que sabia que era mais seguro, convenci algumas pessoas a deixa-la entrar, durante todo esse tempo ela esteve a salvo mas parece que não por muito tempo, por favor, você pode ajuda-la?

– Eu entendo sua dor, mas se eu for deixarei vocês desprotegidos.

O homem chamou a atenção de muitas pessoas ali em volta e começou a discursar, contou sobre a situação e que sabia que muitos ali tinham parentes lá também, ele conseguiu comove-los e convence-los a deixar que os magos fossem até lá ajudar assim como já tinham ajudado a eles e devolvido a todos a esperança e a força para continuar a viver e lutar contra o inimigo.

Agatha e Merlin então concordaram em mudar de cidade para ajudar o povo que sofre da mesma maneira, arrumaram roupas, comida e agua dadas pelos moradores do vilarejo com seus agradecimentos.

Frank também começou a arrumar as malas mas foi impedido por Agatha.

– Frank. – Chamou Agatha entrando pela porta acompanhada por Merlin.

– Sim minha filha, estou quase pronto.

– Frank... sei que prometemos que o levaríamos... Mas precisamos que fique.

– Por que? Prometo que não atrapalharei.

– Não é por isso Frank, as pessoas daqui precisam de uma liderança, precisam de alguém em quem focar, do contrário, elas não se organizariam e com o tempo perderiam a fé, eles precisam de uma voz que lhes mostre a direção, essa voz precisa ser você.

– Entendo, talvez tenha razão.

– Voltaremos assim que pudermos Frank você é um bom amigo pra mim. – Diz Merlin, estendendo a mão em comprimento.

– Você também Merlin, você também. – Cumprimentando de volta. – Trate de cuidar dela, é muito importante para mim.

– E você trata de se cuidar. – Fala Agatha abraçando-o.

– Hora de irmos.

– Adeus Frank.

– Adeus minha filha.

– Use óleo nas fogueiras, iram queimar por mais tempo e mais devagar, assim poderão economizar mais madeira e assim terão menos trabalho, afinal produzir óleo é bem menos cansativo que cortar lenha. –Orienta Merlin enquanto sai pela porta.

Agatha e Merlin saem em sua viajem a Junkerdai para livrar a cidade da escuridão, enquanto saem do vilarejo são aplaudidos e homenageados, pessoas desejam boa sorte e que tomem cuidado com o caminho.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.