A Guerra Do Amor

20 Se eu vou você também vai


Notas iniciais
Heeeeey everyone !!! tem muita ação e suspense nesse capítulo... como vocês gostam =) bom domingo e boa leitura

Capítulo 20 – Se eu vou você também vai

Já fazia três dias desde a minha inesperada vitória no torneio. Eu havia conseguido certo respeito entre os guardas russos, e sempre que fazia algum passeio pelo acampamento pegava algum deles me olhando admirados e ainda chocados.

Mesmo tendo recuperado Excalibur eu não tive permissão para ficar com ela. Eu queria socar Victor quando ele acabou com a minha alegria pegando Excalibur e a guardando em algum lugar supersecreto. Eu deveria saber que isso aconteceria afinal eu era a prisioneira e eles viram o que eu era capaz de fazer com uma arma em mãos.

Meus dias tinham sido completamente monótonos. Eu tinha permissão para sair algumas vezes ao dia, mas sempre acompanhada de muitos guardas. Passei boa parte do meu tempo nas salas de curas com o senhor Gregori, e estava aprendendo muito. Sem falar em Paul, o garoto tinha se apegado muito a mim e eu tinha quase certeza de que ele era filho de algum lorde muito rico, pois sempre tinha guardas e uma empregada acompanhando-o.

Eu não tinha visto Dimitri todos esses dias e morria para fazer ao menos uma curta visita na prisão, mas isso levantaria suspeitas. O lorde Badica sempre me atualizava e dizia que Dimitri estava bem e mandava o mesmo recado, que ele estava com saudade e não via a hora de me ter em seus braços novamente. Um arrepio sempre me subia o corpo imaginando ele aqui.

O lorde também vinha me dizendo para estar preparada para uma possível fuga, disse que ele e Dimitri estavam planejando algo. Eu sempre pedia por mais informações, mas ele sempre dizia que era melhor eu ficar as cegas para não mostrar ansiedade para os guardas. Eu tinha que concordar com ele, eu não podia confiar muito no meu temperamento.

A única coisa que ele me perguntou foi por quem eu tinha total confiança aqui dentro. Eu citei os nomes do senhor Russell, Gregori e Mikhail, apesar de não ter tanta certeza sobre esse último.

Eu também tinha visto Victor muito pouco nesses últimos dias, ele sempre estava em reuniões de guerra com seus conselheiros, com certeza planejando algo ainda mais cruel.

Era manhã e eu estava na sala principal da tenda comendo meu mingau na refeição da manhã quando Victor entrou acompanhado de guardas e de um jovem. Olhando atentamente para ele vi que tinha o brasão vermelho e amarelo. Era um dos mensageiros do meu pai.

– Aqui está a princesa. Pode ver pelos seus olhos que ela está completamente inteira, pelo menos por enquanto. – Victor disse para o jovem mensageiro.

– Princesa Rosemarie. – o jovem se curvou. – Venho em nome do seu pai, o rei Ibrahim. Ele está em busca de um acordo para tirá-la daqui o mais rápido possível.

– Que tipo de acordo você está fazendo? – apertei os olhos para Victor.

– Isso ainda não foi decidido Rosemarie, eu tenho muito a pensar sobre isso. Afinal você é a única princesa herdeira do reino de Teremur, é valiosa e nada mais justo do que um acordo equilibrado. – eu apertei ainda mais os olhos para ele.

– Nenhum acordo foi selado minha princesa. – o jovem continuou. – Estou aqui para me certificar de que a senhorita está em segurança. O rei e o seu noivo estão preocupados.

– Tranquilize-os em meu nome senhor. – eu pedi. – E peça que não façam nada estúpido. – Victor ia jogar alto e eu tinha certeza de que o meu pai iria concordar com qualquer coisa para me ter em segurança novamente.

– Eu irei. – o jovem respondeu.

– Não se preocupe Rosemarie, eu cuidarei de tudo. – Victor disse com um sorriso. – Agora nos dê licença que temos assuntos a tratar em particular, tenho algumas mensagem para passar aos reis do oeste. – com isso todos saíram novamente, me deixando sozinha com meu mingau agora frio.

...

No dia seguinte o céu estava completamente limpo e azul, sem nenhuma nuvem o manchando. A neve grossa que tomava conta do chão estava branca e brilhando com a luz do sol e um vento gelado vinha das montanhas do norte. Um dia típico de inverno.

Eu tinha colocado um vestido azul semelhante ao vermelho do torneio e por baixo sempre usava minhas calças de couro e botas, se eu precisasse montar, o vestido não seria um problema, eu tinha passado a usá-la desde que a serviçal o lavou.

Eu queria fazer uma visita até as salas de cura quando o sol já estava começando a descer, depois de colocar minha capa para me proteger do frio segui o conhecido caminho, acompanhada por uns seis guardas.

– Rose! Você veio me ver de novo. – Paul veio correndo abraçar minha cintura. Eu nunca gostei de crianças, mas com Paul era diferente. Ele me lembrava tanto Dimitri e isso de alguma forma me confortava.

– Eu disse que viria não disse. – sorri bagunçando seus cabelos compridos.

– Sim você disse, e hoje você vai me ensinar como usar uma espada? – Paul não tinha visto minha luta, mas ouviu as historias completamente exageradas contadas pelos homens do rei. Ele achava que eu era um tipo de heroína.

– Podemos tentar mais tarde? – eu disse apontando para a senhora que sempre cuidava dele. Ela não era muito adepta a ideia e nos olhava feio.

– Eu acho que é uma boa ideia. – Paul disse rindo da carranca da senhora.

Nós nos sentamos em um banco de madeira que ficava debaixo de um velho carvalho, formando uma sombra gelada, mas gostosa e refrescante.

– Rose você realmente tem que conhecer o meu tio, ele é o melhor guerreiro que eu conheço. Se vocês dois me ensinarem a lutar ninguém nunca me vencerá em um duelo. – ele sempre ficava empolgado falando sobre esse tio.

– Eu adoraria conhecê-lo um dia. – sorri.

– Por que meu tio não encontrou você antes que ficasse noiva? – ele disse triste. Eu tinha dito a ele que estava noiva quando ele ficou muito esperançoso sobre eu me casar com esse seu tio, eu não queria dar falsas esperanças para uma criança de dez anos.

– As coisas sempre acontecem por algum motivo Paul. Talvez seu tio ainda vá encontrar a mulher da sua vida, e ela pode até ser mais legal do que eu. – o encorajei.

– Isso é impossível e eu queria poder te chama de tia Rose um dia.

– Você pode me chamar de tia Rose, eu não preciso me casar com o seu tio para isso. – tentei animá-lo apesar de me sentir velha. Tia Rose, sério?

– De verdade? – ele sorriu animado.

– É claro.

– Tudo bem tia Rose, mas eu posso apostar que o tio Dimka vai ficar com ciúmes quando descobrir. – Dimka? Eu já tinha ouvido esse nome, mas antes que eu pudesse perguntar mais meus guardas se aproximaram.

– Princesa, o rei mandou que a levássemos até o estábulo imediatamente. – suspirando eu me despedi do pequeno e segui os guardas.

Eu não tinha estado no estábulo antes, mas nossa, era enorme. Nunca tinha visto tantos cavalos juntos. Havia desde grandes garanhões de batalha até pequenos burros de carga. Os cavalos mais nobres e de puro-sangue haviam sido presos em baias de madeira enquanto alguns homens estavam polindo seus pelos e limpando os cascos.

O cheiro de feno, couro e cavalos me invadiu. Não era um cheiro ruim como eu pensava, era apenas diferente do que eu estava acostumada.

– O que o rei quer comigo aqui? – perguntei depois de pararmos em frente a uma grande baia com um garanhão negro, estávamos afastados de qualquer movimentação aqui.

– O lorde Badica não disse o por que, só nos mandou esperar aqui como ordens diretas do rei. – o soldado respondeu. Luzes se estalaram no meu cérebro.

Depois de esperarmos por um tempo eu reconheci Russell preparando a cela do garanhão, ele agia como se não nos conhecêssemos e estivesse tendo um dia completamente normal.

Os soldados já pareciam impacientes e quando um deles já estava se preparando para ir atrás de informações, Mikhail apareceu acompanhado do soldado teimoso que eu curei a perna na noite em que cheguei aqui.

– Senhores, eu sinto dizer que quando acordarem vocês estarão com uma enorme dor de cabeça. – Mikhail disse. Os soldados se olharam confusos e antes que pudessem dizer alguma coisa os dois homens os atacaram com suas espadas.

Mikhail derrubou o primeiro depois de acertar sua cabeça na madeira da baia. Enquanto o homem do orgulho masculino estava brigando com dois deles.

– Rose, pegue. – Mikhail me jogou uma espada e foi para derrubar seu segundo.

Um dos guardas tentou me pegar, mas eu fui mais rápida e desviei chutando sua canela e o empurrando para o chão, para logo depois acertar sua cabeça em um golpe forte com o cabo da espada. Ele caiu desacordado.

Eu corri para ajudar Mikhail que lutava contra dois grandes guardas experientes. Aproveitando que um deles estava de costas eu mergulhei minha espada na sua perna o fazendo cair de joelhos, por impulso da luta eu passei a ponta afiada da espada em sua garganta, sangue jorrou o fazendo se engasgar e cair morto na minha frente.

A espada caiu da minha mão com um barulho estridente de metal, meu olhar parou em um ponto qualquer. Eu estava em choque. O que eu fiz? Eu matei um homem inocente.

– Rose! – alguém me gritava e balançava os meus ombros. – Rose, nós temos que ir agora. – eu pisquei algumas vezes e foquei minha visão. Mikhail estava na minha frente com olhos preocupados.

– Eu o matei. – consegui murmurar.

– Você fez o que era preciso pequena flor. – o outro homem que me ajudava respondeu.

Olhando ao redor eu vi todos os seis guardas caídos. Três deles estavam mortos.

– Eles são guardas do rei e matariam mulheres e crianças sem piedade se essa fosse a ordem dada. Não sinta remorso Rose, o mundo não precisa de mais homens como eles.

As palavras de Mikhail não me fizeram sentir melhor. Era a primeira vez que eu tirava a vida de alguém, afinal de contas.

Eu acenei e tomando respirações peguei a espada de volta, precisámos seguir em frente. Esse não era o momento para sentir remorso ou entrar em pânico.

– O cavalo já está pronto. – Russell abriu a porta da baia me dando as rédeas do garanhão negro. Eu aproveitei e coloquei minha nova espada presa na bainha da cela, ela poderia ser útil em breve.

– Preste atenção Rose, você terá que seguir o rio. Vá em direção a floresta e espere por Dimitri. – Mikhail disse me olhando nos olhos para se fazer entendido.

– Vocês também o soltaram? – perguntei esperançosa.

– O lorde Badica estava encarregado dessa parte. – era isso que eles vinham planejando.

– Tudo bem. – eu disse montando o cavalo e ajeitando minha saia da melhor forma possível. As calças tinham sido úteis afinal.

– Nós vamos tentar conseguir o máximo de tempo. Seja rápida, em breve outros guardas perceberão algo errado e irão atrás de vocês. – eu acenei em concordância.

– Mas e quanto a vocês? – perguntei preocupada, ajudar um prisioneiro inimigo era punido com a morte.

– Lorde Badica vai fazer todos pensarem que nós dois estávamos nos campos de treinamento, tudo por algumas moedas de ouro. E todos sabem que você seria muito bem capaz de se livrar de alguns guardas por conta própria.

– E vamos fazer com que esses guardas não se lembrem de nada quando acordarem. – O homem orgulhoso disse levantando um frasco contendo um líquido amarelado, eu nem queria saber o que tinha ali dentro, mas sabia que Gregori era o responsável. — Agora vá pequena flor, quanto mais vantagem conseguir melhor. E me desculpe, mas eu acho que não consigo me acostumar em chamá-la de princesa.

– Obrigada por fazerem isso por mim, eu nem sei como agradecê-los. – eu sorri tentando mostrar minha gratidão.

Os homens sorriram para mim antes de eu virar as costas e sair em disparada para a saída. Eu gostaria de saber se eu os veria novamente algum dia, eu realmente esperava que sim.

Os estábulos ficavam na extremidade do acampamento e foi fácil sair sem ser percebida, pelo menos por enquanto. Eu corria o máximo que o cavalo podia, fazendo o vento ricochetear meu cabelo comprido com força.

Eu atravessei todo o campo aberto e coberto por neve até que finalmente cheguei ao rio de corredeiras. Mikhail disse para segui-lo em direção à floresta, era assim que eu finalmente encontraria Dimitri de novo. Um sorriso involuntário se formou no meu rosto.

O cavalo já estava se cansando e eu desacelerei o ritmo, sempre seguindo bem próximo ao alto barranco que dava acesso ao rio volumoso.

Eu estava tão feliz por enfim ter minha pouca liberdade de volta. Mas principalmente pelo fato de que mais nenhum acordo prejudicial precisava ser feito.

Eu já avistava a entrada da floresta quando ouvi o som de cavalos se aproximando. Droga eram os guardas. Eu acelerei o ritmo novamente.

Olhando para trás eu vi ao menos doze guardas vestidos com as cores verde e branco, entre eles Rurik. O grandão se destacava dos demais pela altura, e pelo visto já tinha se recuperado do torneio. Eu esperava que os meus cumplices não estivessem com problemas.

Uma flecha passou do meu lado me assustando. Eles estavam atirando para matar?

Eu continuei correndo, tentando me aproximar da divida da floresta onde eu poderia me esconder, mas algo inesperado aconteceu. Uma flecha acertou em cheio o meu cavalo. A alta velocidade nos fez cair grosseiramente. Eu fui atirada para frente, rolando na neve e batendo a cabeça em alguma coisa dura, minha capa ficou perdida em algum lugar no processo. Eu me senti tonta e manchas escuras dançavam na minha frente me fazendo imóvel por um movimento.

Eu esperava que até agora os guardas já tivessem me alcançado. Mas não foi o que aconteceu. Eu me forcei a ficar de pé e clarear a visão.

A primeira coisa que vi foi Dimitri montado em um cavalo e lutando contra três homens, sua espada parecia ter vida própria, ele era incrível e gracioso. Eu também vi que havia uma mulher e um homem lutando lado a lado e impedindo os guardas de se aproximarem e outro rapaz tinha um arco na mão e estava matando uma grande quantidade de homens.

Uma grande sombra apareceu na minha frente.

– Eu estou disposto a ignorar as ordens do rei apenas para poder ver a luz deixar seus olhos. – Rurik, e ele queria vingança.

– Eu achei que ser derrotado uma vez estava de bom tamanho. – eu dei passadas lentas em direção ao meu cavalo que estava caído muito próximo a margem do rio. Eu tinha que chegar até a espada.

– Você deu sorte aquele dia. Eu vou garantir que isso não aconteça agora. – mais um pouco, eu estava tão perto. – mas eu devo admitir que você é muito corajosa, mas como eu já disse sua coragem não vai salvá-la. – ele pulou em cima de mim tentando me acertar um golpe na cabeça, mas eu já estava próxima o suficiente da minha espada.

Eu a puxei do couro da cela a tempo de me defender. Os olhos do grandão se acenderam de raiva.

– Agora o jogo está justo. – eu sorri o intimidando e levantando minha espada em posição.

Nos atacamos algumas vezes, e dessa vez eu não fiquei apenas na defensiva. O problema é que ele vinha me empurrando cada vez mais para o barranco íngreme do rio, me deixando sem espaço. Eu precisava me esquivar.

Eu consegui acertá-lo na perna e braços, tentando cansá-lo. Mas em troca eu também tinha um corte no pescoço e joelhos.

Meus pés escorregaram na neve quase me fazendo cair nas águas geladas, isso foi o que Rurik precisava, ele ia mergulhar sua espada no mesmo local em que eu o tinha ferido, mas então uma flecha acertou suas costas, o fazendo soltar um murmúrio incoerente. Eu procurei de onde ela tinha vindo para ver Dimitri com um arco apontado na nossa direção, seus olhos formavam uma fenda sombria e furiosa.

Rurik me olhou com raiva e sem nenhum remorso dessa vez, eu afundei minha espada em seu peito. Ele deu um gemido de dor enquanto sangue saia da sua boca. Eu estava puxando minha espada de volta quando ele me agarrou pelos ombros e me puxou para o seu peito.

– Eu não vou morrer sozinho. – ele agonizou no meu ouvido antes de se jogar nas águas me levando junto antes que eu pudesse se quer pensar em reagir.

Antes que as águas geladas me encobrissem por completo eu ouvi meu nome sendo chamado em desespero.

– Roza! – eu sempre saberia de quem era essa voz e sotaque.

A água gelada batendo no meu corpo foi como milhares de espinhos me atravessando ao mesmo tempo. Eu tentei subir para a superfície, mas eu me movia rápido e havia muito água que sempre insistia em me empurrar cada vez mais para baixo.

Eu já estava sem fôlego quando minha cabeça se chocou com alguma coisa sólida tornando meu mundo completamente escuro e silencioso.

Notas finais
BAAAAAM e agora? merece um favoritar? Me contem o que vocês acharam e o que esperam acontecer agora!!! Beijos e até o próximo