A Guerra Do Amor
15 Mudança de planos
Notas iniciais
Capítulo 15 – Mudança de planos.
Eu tentei abrir os olhos, mas os fechei rápido devido à dor de cabeça. De onde tinha vindo isso? Então eu senti minha garganta seca e áspera. Água. Eu precisava de água. Eu tateei o lado da minha cama em busca do copo de água que sempre ficava na mesa de cabeceira. Onde estava?
Relutante eu abri os olhos e vi que não havia água e muito menos mesa de cabeceira. Eu estava deitada em uma cama improvisada por cobertores, dentro de uma tenda de lona verde musgo. Não. Então não era um sonho, eu tinha sido raptada por guerreiros russos. Maldição. Olhei ao redor me perguntando como vim parar ali. O espaço interno era relativamente grande, mas não havia muita coisa. Além da cama, eu vi uma tabua colocada sobre pedras lisas, servindo como uma espécie de mesa e em cima uma jarra e copos de barro. E no canto um homem dormia sobre um cobertor. O quê?
Aproximando-me e reconheci os cachos de Mikhail caindo sobre o seu rosto adormecido, então lembranças da noite passada me inundaram.
Flashback
Aqueles olhos negros me encaravam com raiva e desprezo. Eu tive medo. Medo de ser fraca por àqueles que esperavam por mim.
– E agora princesa, eu vou fazê-la gritar como uma garotinha desesperada. – Eu não o deixaria saber do meu medo, meu rosto tinha uma expressão vazia de qualquer sentimento.
– Gostei da nova cicatriz, combina com a antiga. – Rurik me agarrou pelo pescoço, o que deveria ser a milésima vez só naquele dia.
– Você é mais corajosa do que eu imaginava. – seu hálito gélido tinha cheiro de cerveja. Minhas costas estavam sendo pressionadas firmemente contra a áspera casca da árvore, enquanto ele apertava ainda mais suas mãos, tornando minha respiração escassa. – Mas sua coragem não vai salvá-la. – seu rosto estava a centímetros do meu agora.
– Tem razão. Mas os guardas reais já devem estar a caminho, e eles vão nos encontrar. E quando isso acontecer, eu quero ter o prazer de eu mesma afundar minha espada em seu coração demente. – para o meu desgosto ele riu alto e soltou suas mãos do meu pescoço, eu estava arfando.
– Você me diverte princesa. Mas não é esse tipo de diversão que eu quero de você. – eu tentei usar minhas pernas para chutá-lo longe de mim, mas seus reflexos de guerreiro experiente o fizeram prever meus passos. Ele colocou seu peso todo em cima delas, e sem minhas mãos, eu estava completamente a mercê dele.
– Fique longe de mim, seu porco nojento. – eu me debatia abaixo dele.
– Sabe quanto tempo eu não me deito com uma mulher? Tudo por conta dessa busca incansável atrás de você. Onde está seu noivo para salvá-la agora? – ele tirou o broche que prendia minha capa e a jogou para longe.
– Alguém? – eu gritei em busca de ajuda. Era minha última opção.
– Você acha que algum desses guardas virá em seu auxilio? – ele riu. – Eles não ousariam me enfrentar. Na minha terra sou conhecido como Rurik, o invencível. – ele tinha um sorriso orgulhoso.
– Não estamos nas suas terras seu idiota. – eu cuspi na sua cara, acertando o seu olho. Eu não ia perder minha dignidade.
Ele ficou vermelho de raiva. Provavelmente eu não deveria ter feito isso.
– Daqui a pouco você irá implorar para eu lhe dar prazer. E quando você for totalmente descartável para o rei, eu é que terei o prazer de matá-la lentamente. Ninguém insulta Rurik, o invencível e conta a história. – eu senti mais nojo das suas palavras do que medo da ameaça.
– Você é um covarde. – eu atirei.
Subitamente ele chocou seus lábios no oco do meu pescoço. E nada gentilmente mordeu e lambeu minha pele. Eu tentava mover minhas pernas para poder acertá-lo, já que gritar por ajuda seria inútil.
Suas mãos pesadas passeavam pelo meu corpo sem pudor e eu senti sua boca subindo até encontrar a minha. Seu hálito com gosto de álcool e tempero forte me invadiu, lábios machucavam os meus e uma ideia me veio à cabeça.
Eu abri a boca, apenas para morder seu lábio inferior com toda força. Eu senti o gosto de sangue antes dele se afastar bruscamente gritando uma maldição.
Seus olhos ficaram ainda mais negros e antes que eu previsse ele pegou minha cabeça e a acertou com tudo no tronco da árvore. Então eu só via escuridão.
Fim do Flashback.
Automaticamente eu levei a mão até a parte de trás da minha cabeça, onde a dor era concentrada. Havia uma faixa envolta ali. Eu franzi a testa, não me lembrava dessa parte. Olhando em volta eu também encontrei minha capa jogada num canto e ao lado uma bacia com água ensanguentada. Em busca de resposta segui até a saída da tenda. Puxei o pano para o lado, apenas para encontrar dois guardas com espadas apontadas na minha direção. Levantei as mãos em rendição.
– Princesa, temos ordens para não deixá-la sair da tenda.
– Como eu vim para aqui? Eu me lembro de estar amarrada naquela árvore. – apontei para a árvore que tinha apenas uma corda caída agora.
– Mikhail a trouxe, depois que... – ele não precisou terminar, mas tinha um olhar culpado. Deveria ser um dos guardas que faziam sentinela enquanto Rurik tentava se divertir.
Olhando para o céu percebi que o sol estava apenas apontando no horizonte. A fogueira tinha chamas fracas e os homens provavelmente estavam todos dormindo.
– Eu preciso ir ao banheiro. – disse para um dos guardas. Ele parecia desconfortável.
– Você não sai da tenda. – ele afirmou.
– Mas eu realmente preciso.
– Mentira. Você não precisa. – uma voz forte disse atrás de mim. Ignorei os guardas inúteis e soltei os panos da tenda ficando de frente para Mikhail, que agora estava de pé.
– O que o faz pensar assim? – cruzei os braços.
– Você é esperta. Viu que nenhum homem além dos guardas está acordado e pensou que poderia aproveitar a chance de fuga. – pontos para ele.
– Por que me trouxe aqui?
– Estou te levando para o rei Victor. – ele despejou um pouco de água no copo de barro e bebeu um longo gole, como se minha presença ali fosse algo que não o incomodava.
– Eu sei disso. Estou falando da sua tenda. Por que me tirou daquela árvore?
– Queria que a deixasse sangrar até a morte? O rei teria minha cabeça em uma bandeja na manhã seguinte.
– Tudo bem, eu entendi. – eu gemi de dor. – O que houve com a minha cabeça?
– Um corte. Nada grave, mas eu nunca vi tanto sangue. Por isso coloquei o curativo. Mesmo assim eu não pude te livrar da dor.
– Eu percebi isso. – me sentei na cama me sentindo tonta, acho que efeito da perda de sangue. – Rurik? — minha voz tremeu involuntariamente.
– Ele passou por cima das ordens do capitão e vai ser punido. Eu disse para não provocar a raiva dele, você é imbecil? – ele disse com raiva.
– Obrigada por avisar isso agora, mas agradeceria ainda mais se fosse um pouco antes de eu acertá-lo no rosto.
– Você é teimosa. Não chame a atenção para si mesma se quiser chegar ilesa até o acampamento do rei. – ele bufou.
– Eu só estava sentada no meu tronco, tentando dormir.
Ele me ignorou e saiu da tenda. Eu me levantei para segui-lo, mas assim que ia puxar o pano ele apareceu com uma expressão nada amigável.
– Não ouviu os guardas? Você não sai da tenda. – Com isso ele se virou e saiu. Eu gemi e voltei a me sentar.
Pelo menos agora eu não tinha aquelas malditas cordas me cortando. Olhando para os meus pulsos eu via um círculo roxo completo. Levantei-me e peguei minha capa, a prendendo com a broche. Olhei em volta procurando algo útil. Água. Minha boca quase salivava, eu enchi dois copos os saboreando lentamente.
– O capitão mandou trazer isso. – eu pulei de susto, derrubando a água no chão gramado.
Mikhail depositou sobre a mesa um prato de prata contendo pão e um pote de mel.
– Coma depressa. Já estamos partindo. – Sem dizer mais nada ele saiu novamente.
Era bom comer algo doce. Eu ainda podia sentir o gosto da língua áspera do Rurik. Eu tremi com a lembrança. Mas eu estava realmente com muita fome e não perdi tempo.
...
Quando o sol subiu completamente já estávamos no nosso caminho. Os homens foram rápidos em desmontar tudo e carregar os cavalos.
Eu tinha as mãos amarradas novamente, mas dessa vez em meu próprio espaço. O próprio Sir Vanig ligou os nossos cavalos através de uma corda enquanto Mikhail e Rurik seguiram na frente como batedores. Eu não vi o grandão desde ontem, o que eu agradeci. Dessa vez o capitão fez questão de também amarrar a minha boca em um lenço, me impedindo de gritar por ajuda.
O capuz da minha capa cobria meu rosto e me protegia da neve que caia constantemente agora. Nosso caminho era pela floresta, nenhuma estrada ou campo aberto. E o frio aqui era fazia meus ossos doerem.
Seriam dois dias de viagem até o acampamento, com parada durante a noite para descanso. Ia ser uma longa viagem.
POV Dimitri
Enfim encontramos o acampamento. Mas era tarde demais.
– As brasas ainda estão quentes. Não tem muito tempo que deixaram. – Mason observou, olhando os arredores.
Tínhamos virado a noite vagando pela floresta de Fall River. Eu guiei os homens do Mazur, uma vez que eu conhecia a região como a palma da minha mão. Todos os possíveis locais de acampamento foram visitados, mas a sorte não estava ao nosso lado.
A neve remexida, lenha armazenada e o resto da fogueira foi o que restou. Os homens faziam uma busca pelo local, em busca de alguma pista.
– A neve encobriu qualquer pista de que a princesa esteve aqui. – Um dos soldados disse. Todos já estavam exaustos e frustrados.
– Nós temos a prova de que estão com ela. – eu disse. Ninguém respondeu. Os homens ficaram com medo de mim depois de ver minhas reações a cada fracasso que tivemos durante a noite. Depois de encontrar o terceiro provável local vazio eu não conseguia mais esconder meus sentimentos. Eu estava furioso. Com os guardas do meu pai, mas principalmente comigo mesmo. Agora todos mantinham certa distância e tinham olhares questionadores.
Eu bufei e continuei com minha teoria.
– Eles não partiriam dessas terrar sem a princesa. – conclui.
– Como sabemos que eles apenas não trocaram o local? – Christian perguntou. Em baixo dos seus olhos havia manchas escuras, além de estarem injetados de vermelho. Provavelmente eu não estava tão diferente.
– Eu os conheço. Treinei com a maioria deles quando era jovem. Eles montam um acampamento e permanecem ali até que o objetivo seja cumprido, por isso escolheram um local tão bem escondido. Eles devem estar a caminho do acampamento do rei Victor. Se nos apressarmos podemos alcança-los.
– Os meus homens mal podem carregar suas espadas agora. Precisam de descanso.
Olhei incrédulo para Christian. Agora que estávamos perto eles queriam recuar?
– Nós vamos perdê-los se pararmos agora. – eu gritei e ele recuou.
– Dimitri, você precisa se acalmar. Está tão exausto quanto qualquer um de nós, olhe para você. Mal pode parar em pé. Vamos voltar e nos organizar. – eu ignorei a dor nas costas e o peso das minhas pálpebras.
– Eu não vou descansar até trazê-la de volta. – eu me virei e ia seguindo para o cavalo quando ele puxou meu ombro me parando.
– Ouça o que está dizendo. Eles devem ter seguido pelas florestas, caminhos desconhecidos. É como procurar uma agulha em um palheiro.
– Se pararmos agora talvez nem agulha haja amanhã. – eu sabia que Rose era importante demais para ser morta, mas ela ainda estava fadada a outros tratamentos.
– Vamos descansar no vilarejo de Norton, é o mais próximo daqui. Eles devem parar durante a noite, tomaremos nosso atraso. E de lá eu consigo noticias do castelo, caso a princesa apareça. – era o mais sensato a se fazer. E de qualquer forma, sozinho, minha melhor chance seria durante a noite, quando todos estivessem de guarda baixa. Relutante eu concordei. Imediatamente ele deu ordem para seguirmos viagem.
Antes que eu montasse meu garanhão, Christian me parou e fez sinal para que os outros seguissem na frente.
– Eu vejo o desespero nos seus olhos Dimitri. E reconheço um homem apaixonado quando vejo um. – eu fechei os olhos por um momento.
– Rose é mais importante para mim do que você possa imaginar.
– Eu peguei a duquesa Vasilisa brigando com ela ontem. Seu nome foi citado. Eu sabia que havia algo faltando.
– Desde o dia em que a encontrei caída naqueles campos de lavanda, eu vi que Rose era diferente. Minha primeira atração por ela foi algo indomável, e eu precisava saber mais sobre ela. – eu não tinha motivos para mentir para ele, eu sabia que ele era de confiança.
– Então vocês passaram a se encontrar?
– Exatamente. Eu sabia que ela estava noiva e que eu deveria me afastar. Mas ela me queria também e isso tornou tudo mais difícil. Eu perdi o controle, para falar a verdade. Enquanto o casamento não chegasse não víamos problemas em permanecer juntos, mas...
– Mas vocês se apaixonaram. – ele concluiu.
– Eu posso falar por mim. – eu não sabia como Rose se sentia. Eu tinha medo de ser apenas uma fuga, Rose queria liberdade e estar comigo quando era proibido lhe proporcionava isso. Mesmo eu sabendo que esse não é o tipo de pessoa que ela é, eu tinha medo.
Christian suspirou e passou a mãos pelos cabelos pretos.
– Agora tudo faz sentido. O porquê você tem agido com raiva a noite toda e o porquê dela ter sumido misteriosamente do castelo. – culpa se arrastou por mim novamente.
– Eu deveria encontrá-la na passagem secreta, mas Viktoria apareceu e eu me atrasei.
– O que aconteceu não pode ser mudado. – ele me deu um olhar de compaixão. – Agora vamos nos empenhar em trazê-la de volta. – eu acenei em concordância.
– O rei já soube? – Victor conseguiria despertar a raiva do Rei de Teremur dessa vez.
– Mandamos um mensageiro quando tivemos certeza do sumiço dela. O rei já deve ter sido notificado. — Ótimo. Quanto mais pessoas empenhadas em trazê-la de voltar, melhor.
O nosso grupo seguiu até o vilarejo de Norton, que era um dos maiores da região. A movimentação de pessoas estava começando a aumentar a essa hora da manhã. Lenhadores, padeiros, artesões, comerciantes, todos estavam começando seus afazeres.
Moças jovens olhavam esperançosas em nossa direção, casar-se com um cavaleiro seria uma honra para qualquer uma delas. Algumas crianças brincavam com a neve nas estreitas ruas, fazendo as mães gritarem. Tudo parecia normal.
Nós paramos em frente à casa de dois andares do senhor do vilarejo. Quando um velho gordo saiu pela porta, acompanhado de sua esposa e nos cumprimentou.
– Cavaleiros do rei. A que devo a honra?
– Senhor Castille, precisamos de um local para descanso. – Christian como capitão da guarda do castelo tomou à dianteira. – Estamos sem dormir ou comer à noite toda.
– São bem vindos à minha casa senhores. Podem utilizar o grande estábulo, meus homens cuidarão dos seus cavalos. E ficarei honrado em recebê-los na minha casa.
Agradecendo, levamos os cavalos até o estábulo e nos dirigimos para a casa do senhor Ewan Castille.
Sua esposa mandou os empregados preparam uma refeição reforçada, enquanto Christian seguiu para o escritório no intuito de atualizar o senhor das terras.
Foi-nos servida uma saborosa comida que consistia em veado assado com alcachofra, sopa de vegetais, pão e vinho. Os Castille eram uma família nobre que possuía muitos bens, e famosos pela boa hospitalidade. Eu conhecia o filho mais velho deles, ele era um dos melhores arqueiros dessas terras. Seu nome era Eddie e ele defendia as mesmas causas que eu.
A bela filha do senhor Ewan chamou a atenção dos homens, mas Christian os repreendeu por cortejá-la dentro da casa do anfitrião. Eddie parecia querer matar os que se atrevessem a olhar para ela, assim como todo irmão ciumento. Eu entendia o que ele sentia. Duas das minhas irmãs já estavam casadas e tinham filhos, na época eu não aprovava as escolhas de Victor, o que no final não fez diferença para meu desgosto. Mas com Vikka seria diferente, eu garantiria.
...
Eu estava tendo um pesadelo. Rose estava nele, eu a havia encontrado. Mas não da forma que eu imaginava. Seu corpo estava coberto de vermelho, seu sangue, se destacando na neve branca da floresta. Seu peito não se mexia, ela estava morta.
Eu acordei num sobressalto levantando o punhal que eu guardava debaixo de travesseiro. Velhos costumes nunca mudam, o acampamento me ensinou isso.
– Príncipe Belikov, desculpe acordá-lo mais o capitão Christian quer falar com você. – O motivo para o meu despertar repentino disse.
– Obrigado, eu já vou descer. – o soldado deixou o quarto num piscar de olhos. Eu tinha certeza de que agora ele teria ainda mais medo de mim. Eu estava meio tonto e atordoado do sonho, parecia tão real.
Tomei respirações profundas antes de levantar e me dirigir até a bacia que servia de lavatório. Eu tinha dormido demais. Coloquei minha cota de malha, armadura e espada no lugar e desci para encontrar Christian.
– Belikov, você parece bem melhor de se olhar. – Olhando pela janela eu vi seus homens preparando os cavalos para partir.
– Eu dormi tempo demais. Já estamos partindo? – eu não via a hora de encontrar minha Roza logo. Depois do sonho, parecia que um medo tinha me consumido.
– Eu e os meus homens sim.
– O quê?
– Estamos voltando para o castelo.
– Como assim voltando? Temos que seguir para leste. – então algo me bateu. – Já a encontraram? – perguntei com esperança.
– Não. – só havia tristeza na sua voz. – O mensageiro real chegou aqui faz pouco tempo. O rei deu ordem para voltarmos e proteger o castelo, uma batalha acontecerá amanhã ao nascer do sol.
Raiva, desespero e medo me inundaram. Eu queria algo para bater, para dispersar essa raiva. Eu andava de um lado para o outro no salão, enquanto os soldados passavam por mim levando comida e água para a viagem de volta. Christian parecia não saber o que fazer.
– Ibrahim vai deixar sua filha com apenas a própria sorte? – eu gritei.
– Ele mandou alguns dos seus homens de confiança atrás da Rose. Sinto muito Dimitri, são ordens diretas do rei. Isso não está mais em minhas mãos.
– Eu sei o que fazer. – na verdade eu deveria ter feito isso desde o primeiro momento.
– Mason foi com mais dois homens se encontrarem com os soldados responsáveis por achá-la. Ele vai atualizá-los a respeito de suas teorias. E me jurou trazê-la com vida. – eu acreditava na capacidade deles, mas eles não conheciam as florestas como eu.
– Mantenha o castelo seguro como lhe foi pedido. Eu estou indo por ela.
– Evite os campos de Elsydeon, a batalha acontecerá naquelas terras. – eu concordei.
Depois dos agradecimentos pela hospitalidade os soldados partiram de volta ao castelo. Agora eu precisava agir rápido, então fui à procura de Eddie.
Eu o encontrei nos quintais da casa, que faziam divisa com a floresta. Ele tinha um arco posicionado diretamente para um alvo de madeira. E as flechas lançadas brigavam pelo espaço vermelho do centro.
– Sabe que eu encontrei alguém que pode vir a superá-lo. – eu pensei em Rose. Ela era incrível com um arco em mão.
Ele abaixou o arco e se virou na minha direção sorrindo divertido.
– Com certeza adoraria conhecê-lo. – ele largou e arco e tirou as luvas de couro se aproximando de mim.
– Ela. – cruzei os braços orgulhoso.
– Então com certeza quero conhecê-la. – ele não chegaria perto dela se dependesse de mim.
– Eu preciso da sua ajuda, na verdade. – fui direto ao assunto.
– O que precisa dessa vez? – ele sorriu. Eddie era um aventureiro.
– Vamos ao resgaste da princesa Rose. – ele levantou as sobrancelhas.
– Isso é inesperado. Homens do rei Mazur já não estão fazendo isso?
– Eles não sabem o que os esperam no acampamento russo. Ela não pode chegar até lá. Vai me ajudar ou não?
– Eu vou convocar os outros. – eu sorri agradecido. – Tem alguém que devemos deixar para você como da última vez? – eu me lembrei da ultima vez que ele estava falando. Barton.
Depois que ele fugiu eu reuni os outros cavaleiros que estavam no baile e fomos atrás dele. Aquele velho nunca mais ia atormentar nenhuma jovem. Ele era conhecido por estuprar jovens inocentes, e quando eu o vi com Rose, perdi todos os sentidos. Nós tínhamos cedido rendição aos guardas, mas quando eles nos atacaram, não houve alternativa. Depois levamos os objetos valiosos e trocamos por comida, distribuindo nos vilarejos. Era o melhor a ser feito.
– Não. Àqueles que arriscarem a vida da princesa devem ser mortos. Sem exceção.
– Entendido. – nenhum de nós gostava da parte da matança. Nosso objetivo inicial era ajudar aos necessitados. Mas muitas vezes o que os colocavam em risco eram os próprios homens. — Ivan não está com você? Isso é novidade.
– Ele já está me fazendo outro favor. – ele concordou. Eu havia deixado Ivan cuidando de Viktoria. Ele era o único que eu confiaria a vida da minha irmã.
– Por que esse interesse pela vida da princesa? – ele perguntou desconfiado. – Ela é a rainha herdeira do meu reino e nossa suserana, mas por que você tem interesse nisso?
– Eu devo minha vida a ela.
Sem mais perguntas ele saiu para reunir os outros cavaleiros. Eu realmente devia minha vida a ela. Porque sem ela, eu não seria nada.
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