A Guerra Do Amor
36 Fim?
Notas iniciais
Capítulo 36 – Fim?
Alguns meses depois...
– Dimitri! – eu gritei. – Dimitri, corre!
Meu marido apareceu na porta do salão respirando com dificuldade.
– Vocês estão bem? O que aconteceu? – ele era sempre tão preocupado com o nosso bem estar.
– Mais do que bem contendedor. Olha isso. – eu apontei para o nosso filho no tapete. Eu estava sentada ao lado dele no chão e o nosso pequeno Yurik estava dando seus primeiros passos. Olena estava no sofá terminando um bordado, mas jogou as coisas de lado e não conseguia tirar o sorriso de empolgação do rosto.
Dimitri abriu um sorriso e se colocou de frente ao nosso filho, se abaixando e abrindo os braços.
– Yurik, venha com o papai. – nosso bebê levantou os braços e deu um gritinho empolgado. Cambaleando ele foi até o pai, enquanto eu seguia atrás com um sorriso.
– Você conseguiu meu garotão. – Dimitri levantou Yurik nos braços, beijando seu rosto. Nosso filho estava com dez meses, ele tinha a cara do pai, mas a minha atitude. Ele era tão teimoso e irritado. Há algumas semanas ele tinha conseguido ficar de pé, eu sabia que era uma questão de tempo até que ele andasse, ele era muito esperto.
– Mama. – ele esticou os braços na minha direção. Eu o peguei, beijando sua testa.
– Muito bem meu pequeno, o papai está orgulhoso. – suas pequenas mãozinhas se fecharam no meu rosto enquanto ele soltava seus lindos gritinhos.
– Ele é tão lindo. Dimka também andou com essa idade Rose, mas aprendeu a andar para correr das suas irmãs que sempre o incomodavam. – Olena disse divertida. Dimitri sorriu e me puxou para estar ao lado.
– Você vai ser igual ao papai não é? – Dimitri tinha se tornado um bobo perto do filho. Totalmente o oposto do guerreiro centrado e forte que eu conheci.
Nosso filho pulou no meu colo, como se concordasse com o pai.
– O que é essa reunião aqui? – meu pai perguntou, entrando na sala.
– Yurik deu seus primeiros passos. – eu sorri. O rosto do meu pai se iluminou.
– Esse é o garotão do vovô. Mais alguns dias eu vou ensina-lo a montar um garanhão.
– Pai. – eu ri divertida. Dimitri pegou nosso filho no colo, como se o protegesse das ideias malucas do meu pai. – Ele ainda é um novo para pensar nisso.
– Bem, o que posso fazer. Estou empolgado com o nosso homenzinho.
– Eu acho que já está na hora da Rose nos trazer outro bebê. – Olena disse e meu pai concordou ansiosamente.
Dimitri sorriu para mim. Algumas noites atrás, tínhamos conversado sobre isso, ele queria mais filhos, mas tinha concordado em esperar, com muita relutância, até que Yurik estivesse um pouco maior.
E eu ainda me lembrava como se fosse ontem das horas de pura dor que passei para dar a luz. Dimitri tinha ficado desesperado com os meus gritos e quase perdeu a mão quando sugeriu que eu a segurasse. Mas no final tudo valeu a pena, segurar meu filho pela primeira vez foi a melhor coisa que me aconteceu e a partir desse dia Dimitri tinha se tornado um daqueles pais orgulhosos, e se possível, nossa relação só se intensificou ainda mais.
– Nós queremos mais bebês, mas vamos esperar até Yurik ficar um pouco mais velho. – Dimitri disse.
Meu pai parecia aborrecido e Olena deixou os ombros caírem.
– São só alguns meses. – eu ri. – E Yurik ainda é um bebê, vocês podem mima-lo muito ainda.
Dando-se por satisfeitos os dois concordaram.
Hoje era um lindo dia de verão. Eu pedia que todas as janelas do castelo fossem abertas em dias assim, deixando a brisa quente entrar e nos aquecer. Era quase hora da refeição do meio dia, um dia comum no castelo. Não havia ameaças nas fronteiras, as colheitas para o inverno vinham batendo recordes e a paz estava finalmente completa.
Uma mesa de metal tinha sido colocada nos jardins, Yurik adorava aquele lugar e por isso passávamos bastante tempo ali.
Eu me sentei comendo meu assado com batata que eu amava, eu estava com um apetite e tanto ultimamente. Yurik estava no colo do Dimitri que estava o alimentando com frutas amassadas. Pássaros cantavam, parecendo que tínhamos músicos durante a refeição.
– Eu estou atrasado, desculpem família. – Ivan apareceu no portal de pedra e nos cumprimentou.
Ele não tinha dormido no castelo, provavelmente estava em alguma taberna. O cortejo com Lea terminou há um tempo, Ivan estava se apaixonando por ela, mesmo que ele negasse o tempo todo, e não queria entrar em um casamento quando se julgava tão novo. Eu sabia que ele não ia aguentar muito, ele não conseguia parar de falar na moça.
– É para Lea que você deve desculpas. – Dimitri acusou. Ele também não estava muito feliz com as atitudes do amigo.
– Dimitri, você sabe que eu sou um espírito livre. – ele disse se sentando à mesa e se servindo. – Yurik, meu sobrinho favorito. – meu filho soltou um gritinho, ele amava o tio e suas brincadeiras irresponsáveis.
– Onde você estava? – Olena perguntou.
– Sim, em qual taberna você estava dessa vez? – eu completei.
– Eu adoro você também Rose. – ele sorriu. – Eu estava no Vlad, aquela é a melhor cerveja em milhas. E Tasha perguntou por você Dimitri. – Ivan disse casualmente. Eu apertei o garfo na minha mão.
– O que ela queria dessa vez? – Dimitri perguntou enquanto limpava a boca do nosso filho, que pedia por mais comida. O apetite dele era igual ao meu.
– Você sabe que ela nunca perde as esperanças. É uma tola. – Dimitri fez uma cara de pena. Eu sabia que ela não era uma ameaça, Dimitri me amava e ao seu filho mais do que qualquer coisa, mas ainda sim eu não a queria perto da minha família. – mas o Vlad me disse que um rico barão do norte da Rússia a está cortejando, pobre coitado. Quando ela perceber que você não a quer vai acabar se amarrando ao homem, eu tive que desejar boa sorte a ele. – Todos na mesa riram. Mas eu só esperava que Tasha se casasse logo e que se mudasse para bem longe.
– E quando você vai admitir que ama a Lea? Você é quem está se fazendo de tolo. – eu provoquei.
–Só porque ela é bonita, carinhosa e tem os mais lindos olhos dourados não quer dizer que eu queira ser seu marido. – eu levantei as sobrancelhas, enquanto os outros sufocavam uma risada.
– Eu soube que agora que ela está disponíveis novamente vários senhores foram até Norton procura-la. – eu menti. Dimitri me olhou divertido.
– O que? – Ivan quase pulou da cadeira.
– Como você disse ela é uma jovem bonita e alguns homens são espertos o suficiente para não deixa-la escapar.
– Ela não faria isso. – Ivan ponderou, voltando para a sua comida. Eu peguei Yurik para que meu marido pudesse ter sua própria refeição. Dimitri piscou para que eu continuasse.
– Bem, ela já não é tão nova mais e provavelmente vai aceitar algum dos pedidos. – eu continuei casualmente. No momento eu que eu me virei para conversar com o meu filho, Ivan se levantou as pressas e praticamente correu para fora. Todos riram.
– Muito bem minha filha. – meu pai sorriu.
– Roza, você é diabólica. – Dimitri me puxou para um beijo.
– O que posso fazer?
Quando eu pedi para comer torta de pêssego com ervas fortes, Dimitri me olhou como se eu fosse louca. Eu dei de ombros, eu tinha vontade de comer isso de sobremesa.
O prato foi colocado na minha frente e quando o cheiro de calda doce me invadiu eu me senti tonta, agarrando a borda da mesa e fechando os olhos. Percebendo que havia algo errado, Olena tomou Yurik dos seus braços enquanto Dimitri se abaixou ao meu lado.
– Roza? – ele sussurrou preocupado. – O que há de errado?
Quando o vento bateu fazendo o cheiro voltar mais forte eu me levantei e corri para o mato, vomitando todo o meu almoço. Dimitri segurava meu cabelo e passava as mãos nas minhas costas gentilmente.
– Eu sabia que essa mistura de alimentos não era uma boa ideia Roza. – Dimitri me ofereceu um copo de água, eu aceitei agradecida. – Melhor? – ele perguntou acariciando minha bochecha. Eu acenei, mas ainda me sentia tonta.
– Minha filha, você já está melhor? — meu pai ia se levantando, mas eu acenei para ele ficar onde estava.
– Talvez você devesse se sentar um pouco Rose, um ar fresco vai fazer bem. – Olena sugeriu.
Eu podia jurar que já me senti exatamente assim.
Eu me arrastei até um banco que ficava debaixo de uma macieira, mas quando eu estava a uns três metros dele senti minha visão escurecer, eu me senti fria por dentro e então eu apaguei, sentindo alguém me pegar antes que eu alcançasse o chão.
A primeira coisa que eu senti quando eu acordei foi minha cabeça sendo colocada em algo macio, então alguém pegou minha mão e sussurrou meu nome com um sotaque.
Eu abri os olhos e Dimitri estava na minha frente, parecendo totalmente aliviado.
– Eu não acho que tenha sido a comida Roza e já pedi que um curandeira viesse Roza.
– Não é a comida, definitivamente. – Olena me olhava desconfiada. Meu pai também estava na porta, segurando Yurik que parecia inquieto para ir para o chão e aprontar.
– Eu sei. – Eu sabia o que era. Esses sintomas eram os mesmos do ano passado. Entendimento caiu sobre o meu marido, que me olhou com olhos arregalados de surpresa e felicidade mesclados.
– Você acha que está grávida? – Eu acenei e a próxima coisa que eu sabia era que eu estava sendo envolvida por grandes braços.
Olena e o meu pai praticamente pularam de felicidade. Parece que o plano de esperar alguns meses era muito difícil pra mim e pro Dimitri. O que eu podia fazer? Um homem quente como aquele dormindo ao meu lado toda noite era algo irresistível.
Várias luas depois tivemos uma enorme surpresa, eu tive gêmeos. Aleksandra e Anya eram gêmeas idênticas e muito parecidas com a mãe orgulhosa, a propósito. Dimitri mal se continha de felicidade. Ver a nossa família crescendo era a melhor coisa que eu poderia desejar e dar para ele. Yurik tinha sido enciumado no começo, mas com o tempo ele se apaixonou por suas irmãs mais novas e se empenhava em ensina-las algumas poucas palavras.
No dia em que eu descobri que estava grávida, Ivan tinha corrido para pedir a mão da Lea em casamento. Ela aceitou mais do que depressa e quatro meses depois eles se casaram. Eles estavam morando com Robert, mas praticamente viviam aqui. Ivan amava meus filhos e não via a hora de ter os seus próprios.
Lissa estava morando com Christian no castelo do forte em que ele era marechal. Eles tinham uma linda menininha que era uma mistura exata dos dois, ela se chamava Rosalie e tinha alguns meses. Quando eu soube que seu nome seria uma homenagem para mim chorei feito um bebê, tudo culpa da gravidez, eu ponderei.
Já Viktoria e Mason estavam planejando o casamento para o próximo ano. Eu estava muito feliz por eles.
– O que você está pensando Roza? – Dimitri perguntou enquanto se dividia em brincar com nossos três filhos. Estávamos todos deitados na nossa enorme cama de dossel em uma manhã tranquila.
Anya tentava se virar sobre a sua barriga e ficava frustrada por não conseguir, já Aleksandra era calma e apenas ficava brincando com a própria mão no ar. Yurik não largava o cavalo de madeira que tinha ganhado do avô. Eu amava meus bebês.
– Estou pensando em quão sortuda eu sou. – eu disse. Dimitri se abaixou pegando os meus lábios. Quando ele me beijava era sempre como se fosse a primeira vez, eu sentia uma sensação gostosa na boca do estômago.
– É, o seu marido é um homem incrível. – eu ri, o puxando mais uma vez.
– Ele é. – não havia como negar. – Eu nunca pensei que fosse ser tão feliz assim um dia.
– Eu pensava assim, até o dia em que eu te conheci. Tão teimosa. – ele lembrou.
– Minha teimosia fez você se apaixonar por mim. – ele riu. Se colocando em cima de mim.
– Não foi isso. – eu levantei as sobrancelhas. – Foi você toda. – ele sabia o que fazia. Eu o beijei dessa vez com paixão. Mas as coisas não foram longe, porque em seguida, eu escutei um choro. Agora as interrupções eram diferentes.
– Não me deixe esquecer contendedor, filhos agora só daqui a alguns anos. – ele riu e se levantou para acalmar as nossas filhas que choraram.
– Eu vou lembra-la disso hoje a noite Roza. – ele piscou. Droga, eu sabia onde isso ia dar.
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