A Guerra Do Amor

1 Destino traçado


Notas iniciais
Oi gente! Fazia tempo que eu queria escrever uma história sobre VA. Esta é a minha primeira vez aqui, sejam boazinhas. É uma ideia bem legal que eu tive, espero que gostem.

Capítulo 1

Destino traçado.

“Dizem que amar é sinônimo de dor. E o que dizem é coerente e certo. Mas nesta história há uma página incompleta. Se amar é sinônimo de dor, digo que por mais torturante a dor, lutar por um amor é algo excêntrico, e o que vem depois vale por cada lágrima derramada.”

Esas são frases de minha amada mãe Janine. A cada ano que eu completava, ela falava essas sábias palavras para mim. Ouvi pela última vez aos doze anos. Perder minha mãe foi a pior dor que já enfrentei. Durante o parto do meu irmão ambos morreram para maior tristeza entre todos. Rosemarie Hathaway Mazur , meu nome foi escolhido pela minha mãe, pelas rosas serem sua flor favorita. Eu era mais conhecida como princesa Rose, por ser filha do rei Ibrahim Mazur do reino de Teremur. Tenho 17 anos, e hoje fazem cinco anos desde a morte da mulher que me deu vida. Por um motivo inexplicável acordei me lembrando de suas sábias visões do amor.

A maioria das moças do reino se casava aos quinze anos, mas meu pai não havia achado um pretendente à altura para mim. Ele ainda estava em sua procura, e dizia que queria alguém de extrema confiança para herdar-lhe o trono e reinar.

Estava deitada, enquanto tudo isso movimentava pela minha cabeça. A luz do sol já tomava conta do quarto, nem mesmo as grossas cortinas creme eram capazes de segurá-la.

Minha ama, Alberta entrou ao quarto.

– Rose, seu pai a aguarda na sala de reunião, e está acompanhado de um jovem moço, se apronte, pode ser mais um pretendente. — eu gemi.

– Sim Alberta, obrigada. Quanto antes isso acabar, melhor.- Respondi me levantando.

– Não seja reimosa,Rose. Você precisa de um rei e sabe disso. — Enquanto falava ela ia abrindo todas as cortinas, me fazendo piscar devido a luz repentina.

– Você nunca entenderá, Berta. – Disse chamando-a pelo apelido

– Vou deixá-la, se precisar de algo me chame, com licença.

Saindo, ela deixou uma abandeja com frutas em cima de uma mesinha.

Comi algo rápido. Penteei meus longos cabelos negros e me vesti. Coloquei um vestido azul turquesa, com mangas longas e largas, o inverno se aproximava e já se podia sentir pelo frio gelado que se passava pelos longos corredores do castelo. Desci.

Meu pai sentava-se à frente de um jovem, belo, eu tinha que admitir. Cabelos curtos e de um castanho bem claro, mas com olhos verdes esmeralda que iluminavam seu rosto, robusto, forte, e usava roupas pesadas, que só um guerreiro nobre usaria. Meu pai, por sua vez, era de uma reverência esplendorosa, mesmo sendo quem é, admito sua enorme arrogância, e maldade no coração, sempre pensando em si antes de qualquer coisa, bem, isso pelo menos desde a morte da sua esposa, era difícil para ele superar. Seus cabelos eram ondulados de um castanho escuro igual ao meu manchado com tons brancos, que iam até os ombros, e uma barba lhe adornava a face bronzeada. Mesmo com seus cruéis defeitos, eu o amava e confiava-lhe mais que tudo. Mas uma onda de choque me passava pelo corpo. Já havia visto mais de dez pretendentes, todos não agradavam ao meu pai após o primeiro assunto. Esse parecia diferente, meu pai tinha um sorriso no rosto e um brilho de aprovação no olhar. Então eu gelei.

Na sala havia uma grande porta de madeira trabalhada. Os sofás escuros ficavam ao centro com um enorme tapete de pelos. Nas paredes de tijolos cinza, candelabros enfeitavam o ambiente, e uma grande lareira acessa ficava por entre enormes janelas de vidro cobertas por pesadas cortinas de veludo vinho. Espadas, escudos, lanças e armaduras enfeitavam a grande e fria sala. O ambiente tinha um cheiro incenso de canela no ar, o que me fez sorrir por um instante. Todo o castelo era assim, rústico, com colunas gigantescas por grandes corredores vazios e guardas vigiando por todos os lados.

Ao ver-me parada à porta meu pai acenou para que eu me aproximasse.

– Minha filha, que bom que já está aqui, estávamos a sua espera. Este é o príncipe Adrian Ivashkov.

Respirei fundo e caminhei até os dois com um sorriso simpatizante, o príncipe então se levantou, me beijou a mão e voltou a se sentar com um sorriso.

Sentei-me ao lado de meu pai que ficava olhando de mim para o príncipe, como se medindo o quanto nos dois combinávamos.

–Querida, ele é filho do rei Nathan e da rainha Daniela, de Menfis. É um bom moço, um verdadeiro guerreiro e cavalheiro, e se interessou por você. Acho que este há de ser um ótimo pretendente.

– Princesa Rose, é uma grande honra enfim conhecê-la.

– Igualmente. – disse em um meio sorriso. Em resposta ele sorriu também, mas um sorriso aberto. A maioria dos pretendentes tinham essa reação quando me viam, eu admitia que eu tinha uma beleza exótica.

– Adrian, minha filha foi muita procurada por vários príncipes, além se sua beleza, minha filha, sabe costurar otimamente, alem de ter uma incrível voz, um verdadeiro rouxinol. E tem estudado desde pequena para se tornar uma rainha.

– Quero ouvi-la cantando em breve para mim. O senhor perdoe-me a indelicadeza, mas sua filha , assim como o senhor disse, é ainda mais bela do que poderia imaginar. Estou encantado. – Ele disse me olhando de cima a baixo.

– Já que gostou tanto dela, não temos muito que discutirmos. Creio ter lhe achado à altura para casar-se com ela. Já combinamos que o dote será as minhas terras, isso está de bom tamanho?

– Está de grande tamanho, só sua filha pagaria o dote, com tamanha beleza e talentos. — eu revirei os olhos. Ele já tinha convencido meu pai, não precisava bajula-lo ainda mais.

–Vou deixá-los conversando um pouco. Filha, eu vou chamar Alberta para acompanhá-la em um passeio no jardim com o príncipe.

Meu pai levantou-se, beijou a minha testa e foi atrás de minha ama.

O príncipe me olhava com olhos curiosos. Já eu, mal podia acreditar no que estava acontecendo. Meu pai não me interrogou uma vez se quer. Nem mesmo para perguntar o que eu tinha achado do meu futuro marido. Eu me sentia doente e só queria sumir.

Apesar de tudo não podia negar que ele era um belo príncipe. Melhor do que todos que eu já tinha visto pelo menos.

Em pouco tempo meu pai estava de volta.

– Podem ir agora. A ama de minha filha os acompanhará. Quero que se conheçam melhor, estou ansioso para marcarmos o casamento.

Espantei-me com suas palavras. Tão rápido assim? Eu achei que teria mais tempo.

– Claro senhor, se depender de mim, será logo. — disse o príncipe.

Então nos levantamos, e seguimos para o jardim. Nós caminhando à frente e Alberta logo atrás, nos vigiando.

Ele andava ao meu lado com meu braço sobre o seu. Sempre sorrindo, um sorriso de lado e um pouco arrogante.

Em frente ao castelo havia um grande lago, ao lado um jardim, ou o chamado pátio, com incontáveis flores e árvores, chafarizes estavam espalhados e pássaros banhavam-se em suas águas, fazendo muito barulho e à volta de todo o castelo havia uma enorme muralha, com sete enormes torres de vigia. O castelo ficava no alto de uma montanha, bem no pico, do lado leste e sul e floresta de pinheiros descia por montanha abaixo, e ao restante do lado havia o vilarejo, que também descia pelo resto da montanha, com seus mercados e trabalhadores do castelo. Eu, por incrível que pareça, nunca havia visitado o vilarejo. Meu pai tinha uma culpa nisso.

Fomos caminhando por entre as flores, em um caminho de pedras que se seguia. Ao som dos pássaros, e ao voar das borboletas, estava um lindo dia de sol, e uma brisa gelada vinha de encontro com nossos rostos.

– Princesa Rose, admito que eu não imaginava encontrar tamanha beleza em uma só mulher. Você roubou o mel de todas as mulheres. E já posso confessar que me apaixonei ao vê-la entrar por aquela porta. — ele quebrou o silencio com suas frases de efeito, eu quase bufei.

– Obrigada. — sorri gentilmente.

– Mas e você, o que achou de mim ? – Ele tinha um sorriso lindo e seus olhos mostravam expectativa.

Eu queria dizer a verdade, que eu não havia gostava dele, não dele na verdade, porque o que eu realmente não gostava era da ideia de me casar sem estar amando. Mas eu não poderia magoar meu pai, ele havia escolhido Adrian e eu deveria respeitar sua vontade.

– Bem, não posso dizer grande coisa ainda. Não o conheço há tanto tempo assim. Mas como primeira impressão, você parece ser uma boa pessoa, bom pretendente pelo que afirma meu pai, então acho que seria feliz ao seu lado, é o que eu prevejo ao menos. — eu esperava que ele fosse realmente tudo isso.

Não estava me sentindo bem mentindo desta forma. Minha vontade era realmente ser bem verdadeira com ele, mas realmente não poderia.

Ele abriu um largo sorriso. A vontade que eu tinha era de sair correndo e nunca mais olhar para trás. Eu queria que eu pudesse escolher meu próprio marido. Queria me apaixonar primeiro, mas com a petulância de meu pai, seria impossível. Minha mãe me contava que só se apaixonou pelo meu pai anos depois de seu casamento, e que sofreu muito por estar apaixonada por outro, mas nada ela poderia fazer, eu apenas esperava não ter este mesmo destino. Mas pelo modo do andar das coisas, seria mesmo este.

Continuamos a caminhar, falamos sobre nossas famílias, reinos, e sobre nós. O tempo parecia não passar, e o frio me incomodava cada vez mais. Mas o passeio em si estava sendo agradável, Adrian sabia me divertir e entreter.

...

No dia seguinte, nos encontramos de novo, mas desta vez fossos a um passeio de barco em um rio próximo ao castelo.

Saímos ainda pela manhã, meu pai estava muito entusiasmando com nossos encontros, e podia perceber-se o mesmo em relação a Adrian.

Caminhamos até o cais de madeira, e lá um pequeno barco todo colorido já nos esperava. Adrian ajudou-me a subir pela rampa, mesmo sob meus protestos, e veio logo atrás. Eu olhava para todos os lados, menos para ele, mas podia sentir seus olhos o tempo todo em mim. Foi ele quem cortou o silêncio.

– Princesa já saiu do castelo alguma vez?- disse se aproximando ao meu lado e olhando para a floresta assim como eu. Eu observava como o vento balançava o topo das árvores, pareciam que elas estavam dançando.

– Só nos arredores, tenho vontade de conhecer o vilarejo, o mercado e os próprios camponeses. — Resolvi responde-lo com sinceridade.

– Está maluca? – me assustei com suas palavras e o olhei estreitando os olhos. — Estes lugares não são para pessoas como nós. Não deve se misturar.

Não sabia de tamanha arrogância e preconceito em seu coração. Perdi a única gota de expectativa que em mim havia. Agora eu passava a ter repugnância dele.

– Me desculpe Adrian, não vejo desta forma para ser bem sincera. São pessoas, assim como nós, e devem ser respeitadas. E sim, tenho vontade de conhecê-los melhor, só não tive oportunidade.

– Nem eu nem seu pai aprovaríamos tal atitude, aquiete. – Ele nem se quer me olhou ao responder. Eu resolvi ignora-lo, não me aborreceria por conta dele. Mas eu podia prever que se ele continuasse assim em breve iria conhecer meu humor não tanto admirável.

Não podia acreditar que me casaria com um homem com a cabeça igual ao meu pai. Eles se colocavam ao topo, e pisavam nas outras pessoas, totalmente o meu oposto. Eu queria ser uma boa rainha, minha mãe tinha me ensinado a amor o povo.

E quando ele retirou um cigarro de cravo e passou a fumar ao meu lado, lhe lancei de olhar de nojo e enruguei o nariz. Eu realmente odiava essa fumaça repugnante. Nada mais dissemos e o passeio se seguiu em silêncio.

Quando chegamos ao castelo, ele e meu pai iam visitar o vilarejo. Era de costume o futuro rei, ao menos conhecer seu povo. Ambos se despediram de mim e foram.

Em dias como estes em que meu pai saia para ir até o vilarejo, eu ia até a floresta para aprender a guerrilhar. Lá eu aprendi a manobrar uma espada, atirar com arco e flecha a cavalgar e todas as coisas que uma verdadeira guerreira saberia fazer. Meu pai não imaginava, e se houvesse um mínimo de desconfiança ele me proibiria. Eu gostava, pois ao ir até lá, eu deixava todos os meus problemas e preocupações para trás. Além de me mostrar que eu tinha ao menos um pouco de independência.

Hoje eu tinha uma ótima oportunidade de ir até lá, mas eu estava com tanta raiva que deixaria para outro dia. Não poderia acreditar que meu pai me forçaria a casar, se eu negasse a ele com certeza não seria perdoada. Além de que não se diz não a um rei, o que ele disser está dito jamais é questionado. Além de rei ele era meu pai para maior desesperança.

Notas finais
Esse foi o primeiro capítulo, espero que tenham gostado e comentem pra eu saber se devo ou não continuar. Já tenho boa parte escrita por isso não deve demorar a postar novamente. O começo pode ser meio parado, mas é necessário. Prometo que teremos muita ação logo a frente.