A Guerra
1 Capítulo 1
faz só meia hora que alguem — acho que foi a Robyn — sugeriu que a gente anotasse tudo que aconteceu. faz só vinte nove minutos que fui a escolhida para a tarefa e, há exatos vinte e nove minutos, está todo mundo em volta de mim, olhando para a pagina em branco e berrando uma porção de ideias e conselhos. Saiam de perto, gente! ou eu não vou conseguir escrever nada. não tenho a menor ideia de por onde começar e não consigo me concentrar com essa barulheira toda.bom, assim esta melhor. eu disse para mi deixarem sossegada e o Thyago me deu o maior apoio. finalmente eles sairam de perto e eu estou conseguindo raciocinar.não sei se vou conseguir. acho melhor deixar isso claro desde o começo. sei porque eles me escolheram: porque, de todos, sou eu quem escreve melhor. mais tem alguma coisa alem disso. existem algumas coisinhas que podem atrapalhar. coisinhas como sentimentos, emoçoes. mais a gente fala disso depois. talvez. vamos ter de esperar pra ver.estou na beira do riacho agora, sentada sobre um tronco de arvore. uma arvore bonita, que deve ter caido a pouco tempo. o tronco ainda não foi roido por lagartas, por isso a casca esta lisa e avermelhada e as folhas ainda estão verdes. não da para saber por que éla caiu — parece tão saudavel -, mais pode ter sido porque éla cresceu perto demais do riacho. é agradavel aqui. o riacho forma uma piscina de uns 10 metros de comprimento por 3 de largura, surpreendentemente [ isso é uma palavra?] funda — no meio da piscina a água bate na altura da cintura. circulos concentricos aparecem constantemente sobre a agua quando a superficie é roçada pelos insetos que a sobrevoam. fico imaginando onde eles dormem e quando, se fecham os olhos quando dormem e como se chamam esses insetos agitados, anonimos, incansaveis.para ser honesta, estou escrevendo sobre a piscina para evitar fazer o que tenho de fazer. pareço até o Chris, arrumando desculpas para não fazer suas obrigações. vejam bem: não estou escondendo nada. eu disse para ele que não queria fazer isso.espero que o Chris não fique chateado de eu ter sido escolhida para escrever este diario em vez dele, que escreve muito bem. ele fez cara de quem tinha ficado chateado, até com um pouco de inveja. mas, como ele não participou de tudo desde o começo, não iria dar certo.bom, mais acho que esta na hora de parar de encher linguiça e colocar mãos à obra. so tem um jeito de fazer isso, e é contando as coisas em ordem cronologica. sei que colocar tudo no papel é importante para nós. poe isso ficou todo mundo entusiasmado quando a Robyn deu a sugestão. é muito, muito importante. registrar no papel o que fizemos é nossa maneira de dizermos a nós mesmos que temos um significado, que nos importamos. que as coisas que realizamos fizeram a diferença. não sei se uma diferença grande, mais feizeram. registrar tudo pode ajudar a sermos lembrados. e isso tem uma importancia para nos. nenhum de nos quer acabar como uma pilha de ossos brancos esquecidos, desconhecidos e, pior de tudo, sem ninguem saber os riscos que corremos.isso me faz pensar que eu devia escrever este registro como se fosse um livro de historia, em linguagem bem seria, bem formal. mais não da para fazer isso. cada um tem seu estilo, e este é o meu. se não gostarem de como escrevo, é melhor arrumarem outra pessoa. bom, é melhor começar.tudo começou quando. . . essas palavras são engraçadas. todo mundo as usa sem pensar direito no que significam. quando alguma coisa começa? para qualquer um de nós as coisas começaram quando a gente nasceu. ou antes, quando os pais da gente se casaram. ou quando nossos ancestrais colonizaram nosso país. ou quando os seres humanos rastejaram da lama e do limo, perderam as barbatanas e guelras e começaram a andar. o que aconteceu com a gente teve um começo bem definido.assim: tudo começou quando a corrie e eu dissemos que queriamos fazer alguma coisa muito doida no feriado de natal. foi uma daquelas coisas bobas que a gente fala, algo como: "puxa, não seria legal se a gente. . .?" nós costumávamos acampar com frequência desde que éramos pequenas. dormiamos sob as estrelas ou em uma rede presa entre duas árvores quando fazia frio de noite. às vesez vinham outras amigas junto. em geral, robyn ou Fi. nunca convidávamos meninos. nessa idade a gente acha que os meninos não têm a menor graça e não damos a menor importância para a aparencia física deles.mais depois a gente cresce e tudo muda.
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